Notas iniciais
Oi gente, desculpa a demora, mas é que aconteceram tantas coisa que se fosse enumerar dava uma fic kkkkk Enfim... Estou de volta e pronta para continuar! Adooooooooorei chegar aqui e me deparar com duas recomendações lindas. Brigada Daiane Caster e outra leitora querida sem nome. Muito obrigada mesmo! Espero que continuem curtindo e aconpanhando. Boa leitura!

Capítulo 21 de TIL

" Alguém está sobrando nessa história. E esse alguém sou eu." Megan se lembrou, entristecida, das últimas palavras proferidas por Davi antes de sair com raiva dela e bater a porta do escritório em sua cara. Isso aconteceu há duas semanas atrás, e desde esse dia, ambos mantinham um relacionamento estritamente profissional um com o outro. E embora estivessem se roendo por dentro, nenhum dos dois daria o braço a torcer. Muito menos Megan que ainda nutria dentro dela o orgulho ferido causado pela rejeição de Davi.

– Problemas no paraíso, mi amore? — Nacho perguntou, interrompendo seus pensamentos enquanto depositava um coquetel de frutas sem álcool em cima da mesa.

– Yeah. Literalmente. — Megan respondeu, desanimada. E sugou um pouco da bebida pelo canudo a fim de experimentá-la.

Nacho deu meia volta e ia retornar aos seus afazeres, mas achou melhor ficar para dar uma força à garota.

– Puedo sentar me aqui contigo? — Nacho pediu.

Megan levantou o olhar para o cozinheiro e estranhou seu pedido. Mas ficou curiosa para saber do que se tratava.

– Sure. — Megan respondeu, apontando para cadeira à sua frente.

Eles estavam na cantina. Era o intervalo da tarde, então todos os funcionários também estavam ali fazendo seus lanches. Inclusive um, Davi, que estava sentado com Vicente em uma mesa de frente a dela, mas separada por duas outras mesas.

– Ele no tira los ojos daqui, pero disfarça muy bien. — Nacho comentou.

Megan franziu a testa. E apesar de já saber da resposta, arriscou perguntar.

– Ele quem?

– El señor Davi. — Respondeu Nacho, naturalmente. — Aconteceu alguna cosa con usted e Ele? Percebi que no se sentaram juntos, nem hablaram una única vez en las últimas semanas.

Megan deu um suspiro triste.

– Yeah... Aconteceu. But... É complicado explicar... Eu teria de revelar um segredo que... — Megan quase dizia algo que poderia dar uma pista ao cozinheiro, mas conseguiu prender as palavras na boca a tempo. — Sorry. But I can't!

Nacho sorriu, solidário, e segurou uma mão de Megan, que estava pousada sobre a mesa.

– Mi amore, se quiser dividir, yo soy un ótimo ouvinte. — Megan forçou um sorriso, e Nacho continuou — Gostou da sala que su padre preparou para usted? — Megan assentiu com a cabeça e se perguntou o porquê de Nacho ter tocado naquele assunto de repente, mas logo ela iria entender. — Yo ajudei ele. E ele acabou me mostrando a fotografia de su hijo. Ele tem os ojos, o cabelo e o sorriso do padre dele.

Megan sorriu com a testa franzida.

– Really. Você é o primeiro que diz isso. Todos falam que o Júnior é, like, a minha cópia fiel. E que não tem nada do Tuca.

Megan falou toda orgulhosa e Nacho deu um sorrisinho misterioso.

– Pero eu no estoy hablando do Tuca.

Megan arregalou os olhos

– What?! Como você sabe que... Oh my God!

– Calma, mi amore! Su segredo está guardado comigo.

Megan segurou as duas mãos de Nacho com força sem machucar. E olhou no fundo dos seus olhos.

– Oh, Nacho, como é bom poder falar disso abertamente com alguém. Já não aguentava mais ficar com isso só pra mim.

– Yo imaginei. Por isso resolvi hablar com usted. Pero agora que usted sabe que yo sei, diga-me o que passa.

– Davi quer que eu termine com o Tuca. But I can't! Não desse jeito. Não por telefone. Porque tem muita coisa em jogo. Tuca criou o Júnior. Ele é o único pai que ele conhece. And... Eu fiz uma promessa para o Tuca de nunca contar para o Davi sobre sua paternidade. E para quebrar, eu preciso conversar com ele, botar os pingos nos is. Understand?

– Sí. Yo compreendo. E acho que usted tiene razão. Davi é quem está errado nessa estória. E se eu fosse usted tratava de deixar isso bem claro para el señor Davi.

– But como? Ele nem sequer fala comigo.

– Sí. E quem no devia estar querendo falar com ele é usted. Compreende?

Megan franziu o cenho tentando entender.

– No. Pode me explicar melhor...?

– Sí. Claro. Usted vai fazer o seguinte...

E Nacho passou a explicar todo o seu plano para Megan, que escutou atentamente cada palavra. No fim, ele disse que a bad girl que existia dentro dela tinha de sair para fora. E aquele era o momento para utilizá-la de forma correta. Megan sabia que aquilo podia dar certo, por isso, naquele mesmo instante, colocou em ação o plano de Nacho. Começou ignorando completamente o olhar de Davi. E finalizou quando, ao terminar seu lanche, passou por ele sem cumprimentá-lo. Cheque mate! Davi não só percebeu, como odiou aquela atitude. E aquilo estava longe de terminar...

Mais tarde, Davi estava mexendo em seu computador. E estava tão sem concentração que já era a quarta vez que ele lia a mesma frase do mesmo parágrafo. Foi quando escutou três batidas na porta.

– Entra. A porta tá aberta. — Disse ele, agradecendo a Deus por não ter mais que ler aquela frase.

Vicente abriu a porta, entrou e depositou uma pasta em cima da mesa de Davi, sem falar nada.

– O que é isso? — Davi perguntou, curioso.

– São os relatórios que a Megan pediu para entregar.

Davi rolou com a cadeira de rodinhas para trás. E franziu a testa.

– A Megan pediu? E por que ela mesma não veio entregar?

– Ih, cara, sei lá! Isso aí você vai ter que perguntar a ela.

Davi ficou pensativo. Depois levantou de supetão.

– É. Tem razão. E é exatamente isso que vou fazer agora.

– Vai lá! Boa sorte, cara! Vai precisar.

No início, Davi não entendeu o que Vicente quis dizer com aquilo, mas logo saberia. Então, criando coragem, foi até à porta lateral e bateu, abrindo-a devagar.

– Megan, posso entrar? — Ele perguntou com a porta entreaberta.

Megan, que estava jogando paciência no computador bem relaxada, tratou de se endireitar na cadeira, dando a impressão de que estava digitando algo importante.

– Yeah. Sure. — Respondeu ela, sem retirar o olhar da tela, como se o estivesse ignorando.

Davi entrou e fechou a porta atrás de si. Depois se dirigiu até ela com as mãos enfiadas nos bolsos.

– O Vicente me entregou os relatórios. — Falou, pois aquela frase foi a única que lhe veio à mente.

Ela fingiu desligar o monitor e voltou o olhar para ele.

– Really?! Que bom! Eu pedi pra ele.

– É. Ele me disse. Mas eu queria saber porque... Por que você mesma não foi entregar?

– Oh, Davi... Sorry! But... É que eu estava muito ocupada. — Sorriu naturalmente para em seguida franzir a testa. — Tem algum problema com eles? Algum erro?

Davi passou a mão no cabelo, desconcertado. Estava fazendo papel de idiota. Ele sabia disso.

– Não. De jeito nenhum. Estão perfeitos.

– Great! — Respondeu Megan, mais animada do que deveria. Então tentou disfarçar, voltando a indiferença como Nacho aconselhou que fizesse. — Mais alguma coisa?

Davi olhou de lado. Quem era aquela na sua frente? Por que estava tão fria?

– Sim. Megan, será que a gente podia conversar?

Megan levantou.

– Oh! Tem que ser agora?

– Não, mas...

– Oh, Davi... — Megan começou a falar, interrompendo-o. — Eu já estou de saída. Combinei um jantar com um amigo que está voltando hoje da França. Não o vejo há anos. Temos muito papo para botar em dia, you know?!

O ciúme ganhou o coração de Davi, que apertou os punhos.

– Amigo? Que amigo? Nunca ouvi falar que você tem um amigo na França.

– E não tenho. Ele é daqui mesmo, do Brasil. But... Estava passando férias por lá. O nome dele é Lucas. E ele ficou na casa de minha grandma. Eu mesma fiz questão de oferecer. — Concluiu, orgulhosa. Mas recebeu uma careta de Davi em troca.

– E você vai demorar, quero dizer, no jantar?

– I don't know. É como vocês dizem aqui in Brasil... Vai depender do agrado.

Davi odiou a resposta e imaginou como gostaria que cravar suas unhas no pescoço desse tal de Lucas.

– Well, acho que já vou indo porque ainda tenho de retocar a minha maquiagem. E Lucas não gosta de atrasos. Tem uma pontualidade britânica.

Se Megan elogiar mais uma vez esse cara, Eu juro que vou trancá-la no escritório e jogar a chave fora, pensou ele, com raiva.

Megan teve vontade de rir da cara de Davi. Realmente, o plano de Nacho estava saindo melhor do que o esperado. Foi até o cabide e pegando a bolsa, pendurou-a no ombro e se dirigiu até ele antes de sair.

– Sorry, Davi, I think... Acho que teremos de deixar nossa conversa para depois, right?

Davi revirou os olhos e forçou um sorriso. Então imitou o sotaque da garota.

– Right.

Megan sorriu e pôs a mão no tórax dele, instintivamente. Mas se arrependeu quase um segundo depois do gesto. Aquele simples toque foi capaz de acender algo dentro dos dois... Inexplicável.

Ele baixou o rosto e mirou a mão dela pousada sobre seu tórax. Depois colocou a própria mão em cima da dela. E encarou-a. Então ela levantou o rosto, o que fez seus olhares se encontrarem.

Davi engoliu a seco. Sabia que Megan havia sentido o mesmo. Podia ver em seus olhos. Então por que ainda permanecia ali parado? Por que não tomava a iniciativa? Era só se inclinar um pouquinho e... Tarde demais! Ela retirou a mão, abruptamente, como se tivesse levado um choque.

– Er... É melhor eu ir. — Megan falou, atropelado as palavras. — Bye Davi!

– Tchau, Megan! — Davi acenou, enquanto observava Megan abrindo e fechando a porta sem nem sequer olhar pra trás.

Ele quis morrer.

– Droga! — Trovejou Davi para si mesmo — Eu sou um imbecil! Um imbecil! Fui dá uma de orgulhoso, agora a Megan vai sair com um tal de Lucas. Droga! Imbecil! Imbecil!

Bufou com ódio de si mesmo. Depois voltou para o Escritório para trabalhar, mesmo sabendo que agora mesmo é que não conseguiria se concentrar.

Duas horas depois, Davi levantou da cadeira e foi até à janela. Abriu uma fresta da persiana e esticou o pescoço até avistar o estacionamento. Nada do carro de Edmilson. O que significava que Megan ainda não havia voltado. O que significava também que o tal do Lucas a havia agradado. O que significava que ele enlouqueceria se não saísse dali agora!

Saiu pela porta a passos largos. E se dirigiu até a sala onde Vicente costumava trabalhar códigos.

– Que foi, cara?! Aconteceu alguma coisa? — Vicente perguntou, preocupado, ao ver o amigo entrar na sala com cara de assombração.

– Aconteceu. Aconteceu que eu sou um imbecil! A Megan saiu com um tal de Lucas e eu estou aqui me corroendo por dentro e nem sei o que fazer.

Vicente franziu a testa e deu de ombros.

– Cara, se é assim tão ruim, liga pra ela! — Aconselhou, Vicente.

– Tá maluco! Eu ia dizer o quê? Que eu tô com ciúmes dela com esse cara e que eu quero ela aqui, agora... E Comigo!!!!

– Exatamente. — Vicente respondeu naturalmente.

– Não. Impossível isso dá certo. Mas... — Davi deu um sorrisinho misterioso, mirando Vicente.

E o garoto não gostou nada, nada daquela expressão no rosto dele. Aí vinha encrenca. E das grossas, pensou ele.

– Mas o quê, Davi?! Fala logo!

– Mas... Você pode ligar pra mim. E ela nem vai desconfiar de nada.

– E eu vou dizer o quê?

– Ah, sei lá! Inventa alguma coisa. Fala que o prédio tá pegando fogo!

Vicente franziu a testa.

– Ih, o cara pirou de vez! Davi, cê tem noção do que tá dizendo? Se eu falar isso pra menina, ela chama os bombeiros, a guarda nacional!

– Tá! Tá bom! Péssimo plano! Mas... Você tem que inventar alguma coisa... — De repente veio um plim na cabeça do nerd ansioso. — Já sei! Fala que ela esqueceu de assinar uns relatórios importantes e que vai ter de voltar pra Marra pra assiná-los. O resto pode deixar que eu me viro.

Vicente balançou a cabeça de um lado para o outro, mirando-o como se estivesse diante de um et.

Davi apressou-o, entregando o celular para ele, que segurou e discou para Megan, colocando o aparelho na orelha.

Ela atendeu ao segundo toque.

– Ah, oi Megan! É o Vicente! Beleza?! — Davi escutava atentamente cada palavra da conversa e gesticulava cada vez que Vicente precisava de apoio. — Pois é... Eu tava aqui na Empresa e... Eu vi que você acabou se esquecendo de assinar uns relatório e... Se é muito importante? — Vicente olhou para Davi que gesticulou para que ele confirmasse. — Muito. Muito importante. Importantíssimo. — Vicente revirou os olhos — Hã? Se você pode deixar para amanhã? Até pode, mas... — Vicente começou a responder, mas foi fuzilado pelo olhar de Davi, tendo de mudar a frase imediatamente. — Não! Não pode! É muito urgente! Certo... Então você tá vindo pra cá?! — Davi sorriu feliz. Deu certo! — Ótimo! Vou esperar! Valeu, Megan! Abraço!

E desligou o celular, entregando para Davi.

– Pronto! Satisfeito? — Quis saber, Vicente, para em seguida colocar o dedo em riste ao nariz de Davi. — Num pense você que isso vai ficar assim, viu?! Tá me devendo uma! E eu vou cobrar!

– Pode cobrar! Valeu mesmo! — Davi agradeceu e contente ficou esperando a chegada de Megan, que aconteceu meia hora depois.

– Hi, guys! — Megan cumprimentou ao entrar na sala. — So... Onde estão os relatórios, Vicente?

Vicente arregalou o olhar para Davi, pedindo socorro. Davi intrometeu-se.

– Er... Megan... O Vicente se atrapalhou. Os relatórios são para semana que vem.

– Oh! Really?! Isso é verdade, Vicente?

– É, Megan. Eu sou um idiota. Achei que os relatórios eram pra hoje. Desculpa!

Megan sorriu, solidária.

– No problem, Vicente. Isso acontece, right?!

Vicente fez uma careta para Davi. Estava odiando enganar Megan daquela forma.

– É. Acontece. Mas eu juro que não vai mais acontecer!

Megan abriu outro sorriso solidário.

– I believe! But... Agora que está tudo esclarecido, eu já vou indo!

Davi deu um passo para frente, o olhar esperançoso.

– Eu te levo pra casa, Megan!

– Oh, no! Eu não vou para casa. Vou voltar para o restaurante. Só dei um pulinho aqui enquanto a comida não chegava. Mesmo assim, thanks!

Davi murchou. Seu plano tinha descido pelo ralo.

– Ah! Tá! Então... Bom jantar pra você!

– Thanks very much! And... Bye, guys! — Ela acenou e saiu deixando Davi a ver navios e um vicente se acabando de rir da cara de bocó dele.

Lá fora, no estacionamento, tentando disfarçar o riso, Megan entrou no carro que a esperava.

– E aí, colega, deu certo? — Luene perguntou, sentada no banco do carona.

– Yeah. Deu muito certo. Agora o Davi vai saber que com Megan Lily não se brinca! E logo, logo, ele estará aqui... — Apontou com o dedo para palma da mão. — Na palma da minha mão.

Ajeitou o retrovisor e deu a partida no carro, sorrindo triunfante.

– É isso aí, bicho de goiaba, mostra pra esse nerd quem manda nas parada! Mas e agora?! Aquele jantar todo nas pompa tá de pé?!

– Sure! Coloca o cinto aí, bicho de praia!

Luene riu do apelido e chupando um chiclete imaginário, puxou o acessório e prendeu. Então Megan saiu com o carro, quase rasgando pneus!

Era meia noite quando Davi estava jogado no sofá do quarto garagem pensando na vida. Foi quando sua tia entrou.

– Filho, aconteceu alguma coisa? Hoje você nem tocou na comida.

– Não, tia. Não foi nada. Eu só não tô com fome. Fica tranquila.

Rita acariciou o cabelo de Davi de forma maternal. Ele forçou um sorriso de lado. Foi então que ela percebeu algo brilhando na mesa de Davi.

– Filho, acho que é seu celular que tá vibrando ali.

Davi levantou e olhou para o lado. Então esticou o braço e pegou o aparelho, mirando o visor. Era Megan.

– Caramba! Sete chamadas não atendidas! E é da Megan. — Davi comentou para sua tia. Depois, preocupado e feliz ao mesmo tempo, retornou a ligação para garota, que atendeu quase instantaneamente. — Oi, Megan! Cê ligou pra mim? O quê?! Calma aí! Num entendi nada! Como?! O Júnior! Mas o que... Calma, Megan! Para de chorar que eu tô indo pra aí. Chego no máximo em vinte minutos! Mas tenta se acalmar, tá bom?! E chama a ambulância! Tá certo?! Beijo! A gente se vê em vinte minutos! — Enfatizou para acalmá-la e desligou o celular.

Encarou sua tia que o mirava, aflita. Ele estava branco como um papel.

– Filho, o que houve com o Júnior? Ele está bem? Eu ouvi tudo que você falou e... Tô com o coração apertado.

– Aconteceu, tia. A Megan não soube explicar direito, mas parece que o Júnior estava pelando de febre e parece que começou a tremer e... Enfim, ele tá mal! E a Megan pior! Tô indo pra lá agora! Ela tá precisando de mim. E... Ele também. — Falou com um sentimento quase paternal. E sua tia o abraçou forte, consolando-o, pois lágrimas já começavam a se formar em seus olhos.