Turnaround In Love
18 Capítulo 18
Notas iniciais
—---Capítulo 18 de TIL
— É isso mesmo que você ouviu, Megan. A gente foi vítima de uma armação. — Davi repetiu para a garota que franziu a testa tentando entender.
— Ok. Isso eu já entendi. Mas como? Por quem?
— Como exatamente, eu ainda não sei. Mas eu vou descobri. Agora... Quanto a quem... Eu prefiro não te dizer, por enquanto, até ter certeza.
Megan ficou indignada.
— Oh, no, Davi, me poupe disso! Eu quero saber quem foi agora mesmo!
Davi suspirou, e aproximando-se, segurou seu rosto entre as mãos. Seu olhar fixo no dela.
— Megan, eu não quero me precipitar em meu julgamento. Mas eu juro que assim que eu confirmar as minhas suspeitas, você será a primeira a ficar sabendo. Eu juro! — Repetiu para deixar ainda mais claro. — Confia em mim.
Megan desviou o olhar. O dele estava muito intenso e verdadeiro. Temia não resistir e acabar sendo hipnotizada.
— Okay. Eu confio. — Murmurou.
Davi sorriu com ternura.
— Brigado, Megan. Você não faz idéia do quanto ter a sua confiança é importante pra mim.
Megan retribuiu o sorriso, timidamente. E aproveitou para retirar as mãos dele de seu rosto. Estava ficando cada vez mais perigoso. Deu um passo para trás. E ficou pensativa.
— Que foi, Megan?! Tá pensando em quê? — Interrogou Davi.
— Em nada. I mean, em tudo que você me disse antes. — Pausou e engoliu a seco tentando criar coragem para a pergunta que iria fazer em seguida — Davi, se você me procurou tanto como diz... Por que não foi atrás de mim in San Francisco? I mean... Você sabia que eu estaria lá, right?!
Davi deu um sorrisinho de lado. Aproximou-se dela mais uma vez, segurou seu rosto com uma mão e acariciou sua bochecha com o polegar, carinhosamente.
— E quem disse pra você que eu não fui?
Megan franziu a testa e seu coração começou a bater descompassadamente.
— What...? — Sua voz quase não saiu — Are you kidding?
— Não. Num tô brincando, não.
E ele não estava.
FLASHBACK ON
Meia hora depois de ter descido do avião, Davi chegou à mansão de Megan, distante do aeroporto poucos quilômetros. Ele estava vestido com uma calça jeans surrada, camisa cinza e jaqueta verde exército. E portava apenas uma mochila nas costas.
Estava bastante cansado da viagem, afinal tinha pego o vôo de madrugada e com a ansiedade, não conseguiu pregar o olho um só segundo.
Antes de tocar a campainha, jogou a mochila no chão. Não queria que nada impedisse o abraço que daria em Megan. Já se tinha passado um ano desde que a vira pela última vez. E já não se aguentava mais de saudade acumulada.
Já estava no terceiro toque, quando ouviu passos vindo em direção à porta. Deu um suspiro profundo e passando as mãos na cabeça, tentou dar um jeitinho no cabelo. Queria estar, no mínimo, apresentável.
— Pois não?! — Alguém finalmente falou quando abriu a porta. Era a empregada. — Posso ajudar?
Davi sentiu um imenso alívio ao perceber que ela falava português.
— Ôpa! Eu queria falar com a Megan?! Ela tá por aí?
— Por gentileza, quem deseja falar com a minha patroa?
— Davi Reis. Pode avisar que eu tô aqui?
A garota arregalou o olhar. E por um instante Davi teve a impressão de que ela sabia muito bem de quem se tratava.
— Ah... Seu... Davi Reis... Infelizmente a minha patroa não vai poder te atender. Ela saiu.
Davi murchou. Mas não se deu por vencido.
— Ah é?! E será... Que eu posso esperar ela aqui? É que é muito importante o que eu tenho pra falar com ela.
— Imagino... Mas é que... Eu não sei se ela volta hoje. Parece que ela viajou.
Davi teve a leve impressão de que aquela última frase tinha saído com um pouco de receio. Como se ela estivesse mentindo. Mas como ele poderia saber? Não conhecia aquela garota para afirmar tal coisa, com absoluta certeza.
— Ah é? E... Você sabe pra onde ela foi?
— Não. Tudo que posso dizer é que ela viajou com o meu patrão. — Pausou, causando um certo suspense — Para uma segunda lua de mel.
O mundo de Davi caiu.
— Se-segunda lua de mel? Cê tem certeza?
— Bom, foi o que meu patrão disse. E eu acredito. Porque os dois, essa semana, pareciam estar muito apaixonados.
A garota sorriu e suspirou de forma romântica.
— Apaixonados, é? — Lágrimas começaram a se formar em seus olhos, fazendo-os brilhar mais do que o normal. — Tá... Então... Acho melhor eu voltar outra hora. Brigado.
Davi desviou o olhar e pegou sua mochila, prendendo-a nas costas.
— O senhor quer que eu diga que esteve aqui? — A empregada perguntou antes que ele fosse embora.
Davi ficou pensativo. Um bico se formou em seus lábios. E sua expressão era de dar pena.
— Não. — Disse seco — Melhor não. Depois eu ligo pra ela... Tchau!
Antes de fechar a porta, a garota mirou Davi atravessando o portão, com os olhos semi-cerrados. Queria certificar-se de que o garoto tivesse mesmo ido embora e de que não se atreveria a voltar.
Seu olhar era de puro mistério.
Quando Davi entrou no táxi, suas lágrimas antes presas, escorreram por sua face.
— O senhor está bem? — Perguntou o taxista, quando virou o rosto em direção ao seu suposto passageiro.
— Não. — Respondeu seco — Mas vou ficar. Para o aeroporto, por favor!
O taxista teve compaixão. Nunca em sua vida tinha visto alguém tão destruído. Mas sabia que conversar era a última coisa que aquele garoto queria naquele momento. Por isso, resolveu seguir com o seu trabalho, sem pestanejar, levando o garoto ao seu destino.
No caminho, um filme passou pela cabeça de Davi. Desde o momento em que conhecera Megan até o dia em que se despediram no aeroporto. Tudo. Nos mínimos detalhes. E não conseguia recordar de nenhum deles em que Megan não estivesse apaixonada por ele. Sentiu-se péssimo. E um completo egoísta. Afinal, a rejeição tinha partido dele e agora estava sofrendo as consequências. Megan tinha seguido em frente. Um direito que cabia a ela, com certeza. Mas então por que doía tanto e por que por mais que tivesse ouvido com todas as letras que ela se encontrava apaixonada por outro homem, não conseguia acreditar?
Bom, o fato é que sim, ela tinha seguido em frente. Sem ele. Não tinha mais como voltar atrás. Agora, mais do que nunca, tinha certeza disso. Então, mesmo que não quisesse, era isso que deveria fazer a partir dali. Tocar pra frente. Com Manuela. Mesmo tendo certeza absoluta de que não poderia jamais lhe entregar o coração novamente. Pois ele acabara de ficar ali... Naquela mansão.
FLASHBACK OFF
Quando Megan terminou de ouvir o relato de Davi — sem os detalhes das lágrimas — mal podia acreditar em tudo. Davi havia mesmo ido à São Francisco. Ouvir isso era quase como se estivesse em um sonho.
— Agora você acredita em mim? — Davi questionou uma Megan que olhava para baixo, pensativa.
Ela voltou a encará-lo.
— Yeah. Acredito. E... Pra ser sincera, estou me sentindo feliz em saber disso. — Davi sorriu — But, eu queria muito saber quem te atendeu naquele dia. E por que ela não me disse nada.
Davi deu de ombros.
— Isso eu não sei. Acho que você vai ter de descobrir isso sozinha.
— É. E é isso que eu vou fazer. Essa pessoa teria me poupado de tanta coisa que... Oh, shit!
Davi fez cara de interrogação.
— Tanta coisa? Tanta coisa o quê, Megan?
Megan se deu conta do terreno perigoso em que pisava. Tanta coisa dizia relação ao Júnior. E aquele não era o momento de conversarem sobre isso.
— Nothing. I just... Eu só imaginei que tudo seria diferente de eu soubesse que você havia me procurado.
Megan não se deu conta, mas aquilo que acabara de falar, acendeu uma fagulha de esperança no coração de Davi que sorrateiramente chegou tão próximo dela que ela conseguia sentir sua respiração tocar seu rosto.
— Diferente? Diferente como? — Questionou Davi, murmurando — Desenvolva sua tese.
As pernas de Megan amoleceram.
— Oh, Davi, diferente... — Ela queria fugir dali, o cheiro de Davi estava impregnando suas narinas e ela sabia que a partir dali, seu auto controle estava prestes a se rebelar.
— Você ainda não respondeu minha pergunta. E como sempre tá fugindo. Por quê? Eu só queria saber por quê? — Davi começou a alternar o seu olhar entre os olhos e os lábios de Megan, o que a deixou ainda mais nervosa.
— Stop, Davi! Eu não vou cair nesse seu joguinho... Again. Para de fazer pergunta boba! — Megan respondeu, as palavras embaralhadas em sua voz. E deu dois passos para trás.
Mas como um verdadeiro felino, Davi foi mais rápido e enlaçou sua cintura antes que ela desse mais algum passo. E trouxe-a para si. Em resposta, Megan inclinou seu tórax para trás o máximo que podia.
— Se é tão boba assim, por que tá com tanto medo de responder?
Megan fuzilou-o com o olhar.
— Porque sim, okay! E chega disso! Agora... Será que dá pra fazer o favor de me soltar?! — Megan tentou tirar as mãos dele de sua cintura, com dificuldade.
— Não. Só vou te soltar quando você responder a pergunta. E só pra você ficar sabendo, ainda temos uma longa noite pela frente. — Sorriu com um ar cínico.
— Oh, God! Como você é boring! — Davi não se sentiu nenhum pouco ofendido com aquelas palavras. E Megan revirou os olhos — Okay! Você venceu! Você quer saber se eu voltaria com você naquela época?! Sim, voltaria. Satisfeito agora?! Ou quer alguma coisa mais?
Davi sorriu, vitorioso.
— Quero. Quero muito. Eu quero você!
E antes que Megan pudesse raciocinar ou se desvencilhar, Davi usou uma de suas mãos para segurar a nuca da garota, puxando-a com violência. E se apossando de seus lábios, forçou-os a se abrir. Enquanto o braço permanecia envolvendo sua cintura com firmeza.
Megan tentou se desviar a todo custo e até cerrou os lábios, impedindo a entrada da língua dele. Mas o garoto era mais forte e não estava disposto a ceder. Então adeus auto controle!
Megan deixou de se debater e jogou os braços ao redor do pescoço dele. E abriu os lábios permitindo que a língua do garoto invadisse a sua boca e encontrasse a sua para se entrelaçar.
O beijo era sôfrego, ansioso, violento... Como se os dois quisessem se alimentar um do outro.
Em um momento, Davi enrolou seus dois braços ao redor da cintura de Megan, e apertou tanto que ela foi içada um pouco para cima, sua camisa acabou acompanhando o movimento. Então, caminhando com ela em seu abraço, ele encostou-a em uma parede, seu corpo pressionando-a com força, quase fazendo-a resfolegar.
Depois, ele começou a descer os beijos pelo pescoço dela, enquanto suas mãos brincavam por todo o seu corpo, muitas vezes parando em suas nádegas e apertando-as de maneira sexy.
Megan se encontrava entregue e pedia em silêncio que as imagens do término não voltassem a sua mente. Queria ser de Davi naquela noite. Mesmo que talvez fosse só por aquela noite. Afinal, o mistério de Júnior ainda permanecia entre eles. E ela tinha certeza que a reação de Davi não seria das melhores.
Como se ouvisse seu pensamento, Davi parou de beijá-la. Megan estranhou. Mas sentiu alívio, quando percebeu que Davi não se afastou. Apenas voltou a encará-la, segurando seu rosto entre as mãos.
— What happened? — Megan indagou, sussurrando.
— Nada. É que... Tô tão acostumado a te sentir fugindo que... Pensei que talvez estivesse forçando a barra.
Megan sorriu com ternura. E também segurou o rosto dele entre as mãos.
— No. Você não está forçando nada. Eu decidi que quero ficar com você essa noite, Davi. Mesmo que talvez seja a última...
Davi franziu a testa. Por que a última? Mas antes que ele pudesse estudar aquela última frase, ela tocou seus lábios nos dele, delicadamente. Foi a primeira vez que Megan tomou a iniciativa. E Isso o deixou extremamente feliz, fazendo-o esquecer do que ela disse há poucos segundos atrás.
O beijo foi devagar, como se ambos quisessem saborear a boca do outro, explorando cada centímetro. Então quando Megan afastou seus lábios, Davi mirou-a tentando compreender o que ela queria. Foi fácil descobrir quando ela segurou suas mãos e levou-as de encontro aos botões de sua camisa.
Ela sorriu, sedutora. E ele começou a abrir um por um dos botões, sem deixar um minuto de encará-la.
Quando chegou ao último botão, baixou o rosto, segurou as lapelas da camisa e desceu-a sobre os ombros da garota, deixando a mostra a sua linda lingerie azul marinho, quase preta. E deixou a camisa cair no chão. Então Por alguns segundos ficou admirando-a, fascinado e percebeu que ela corou.
Davi sorriu com ternura e esperou que ela tomasse a iniciativa de tirar a dele. E como se adivinhando o pensamento, ela segurou a camisa dele e subiu-a, retirando-a com sua ajuda.
Ambos sorriram, um para o outro. Tinham a sensação de que aquela fosse a primeira vez deles de tão nervosos que estavam.
Sem mais pestanejar ou pensar, Davi segurou a nuca de Megan, voltando a beijá-la. E em seguida colocou os braços ao redor de seus joelhos e levantou-a nos braços e se encaminhou até a cama onde depositou-a bem devagar.
Apoiado no cotovelo, Davi mirou o rosto de Megan e com a mão fez um carinho de leve em seu rosto.
— Megan... — engoliu a seco — Você é muito linda.
Megan sorriu.
— Você também, Davi.
— Tá feliz?
Davi não sabia bem o porquê, mas sentiu uma necessidade enorme de saber disso. Talvez fosse porque em sua primeira vez com Megan, ela tinha feito questão de dizer o quanto estava feliz. E ele queria muito ouvi-la dizer mais uma vez. Seria como se o tempo voltasse e eles nunca tivessem se separado.
— Yeah. Estou me sentindo, like, a mulher mais feliz desse mundo!
Um sorriso iluminou o rosto de Davi.
— Eu também, Megan. Tô me sentindo, like — imitou-a arrancando um risinho de Megan — o homem mais feliz desse mundo.
Megan sorriu e fez um carinho numa mecha de cabelo de Davi. Então ele se inclinou e voltou a beijá-la, sua mão acariciando seu ventre desnudo. Megan se contorcia com a carícia.
O barulho de batidas na porta, fez com que eles se separassem instantaneamente.
— Mas que droga é essa? — Resmungou Davi, com raiva. Megan deu uma risada gostosa. Não que ela tivesse gostado da intromissão, mas a cara de Davi não tinha preço. — Quem é??? — Perguntou entredentes.
— Sou eu, meu irmão, Matias! — Falou o garoto do outro lado da porta.
— Sério isso? — Davi perguntou pra Megan, que deu de ombros. — Matias, é muito importante? — gritou para a porta — É que o dia foi longo e eu tô acabado. Sem força até pra levantar.
— Muito, cara! Levanta aí! — Matias respondeu e Davi revirou os olhos.
Nesse interim, Megan se desvencilhou dele e pegando a camisa, começou a abotoar os botões.
— Não, não, não, por favor! — Implorou Davi com a voz quase inaudível, segurando a camisa de Megan para que ela parasse de abotoar.
— Davi, acho que seu irmão está really precisando de você.
— E eu tô precisando de você. Como faz agora?
Megan deu uma risada e tascou um beijinho nos lábios dele. Mas o garoto insaciável quis aprofundar o beijo, então segurando sua cintura arrastou-a sentada mesmo de encontro ao seu corpo.
— Davi, brother, já tô ficando velho de tanto esperar! — Matias reclamou.
Davi parou o beijo e fez careta.
— Vai pra um asilo, então, e me deixa em paz! — Falou baixo.
— Davi, para de ser reclamão e vai logo antes que ele arrume um jeito de entrar e me encontre aqui.
Davi bufou, vestiu a camisa contra a vontade e foi abrir a porta.
— Fala, Matias! — Coçou a barriga por baixo da camisa, fingindo ter acabado de acordar, os olhos sonolentos.
— Caraca, meu irmão, demora da porra! — Esbravejou Matias empurrando Davi e entrando ma garagem sem ser convidado. — Parece até que não queria abrir! — Davi arregalou os olhos, mas ficou aliviado ao perceber que Megan tinha dado um jeito de se esconder. — Tu, por acaso, tá com alguém aqui?
— Não. Tá maluco?
— Ah, bom... Porque a Manuela tá viajando e tu disse que a loirinha americana desencanou da tua faz tempo, então...
Davi quis matar Matias por estar falando aquilo na frente de Megan.
— Matias, será que dá pra falar o que você veio fazer aqui e ir embora de uma vez, que eu tô com sono.
— Dá. Eu vim dormir aqui contigo. Danuza me botou pra fora de casa! Ferrou pro meu lado!
— Como é que é?! Cê num tá falando sério, tá?! Dormir aqui? Hoje?
Escondida e ouvindo cada palavra, Megan tapou a boca com a mão, segurando o riso. Davi, ao contrário, pensava em mil e uma maneiras de como matar um irmão.

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