Tudo que Poderia ter Acontecido

12 A garota que viu o tempo chegar


Notas iniciais
Olá meus queridos, estou postando esse capítulo porque provavelmente só postarei novamente na quarta-feira caso vocês já tenham tido tempo de comentar. Espero que gostem e espero que comentem mesmo esse capítulo já que ele foi muito especial para mim. Leitores fantasmas apareçam e continuo aceitando recomendações e favoritações.

Ela estava em luto há três meses. Rose ao abrir os olhos no melhor hospital do universo não acreditou que podia mesmo estar viva. Duvidou por muito tempo, mas o Doctor estava lá assim como o Capitão Jack. Ela dormiu por muitos dias e pensaram que de fato ela não iria mais acordar, em algum momento ela despertou e em meio a todos os medicamentos, ao sono imparável e as piadas do Jack se viu ficar silenciosa. Ela estava em luto, falava pouco, dormia muito e pedia para que lessem em voz alta para ela. Decidiu que não queria falar sobre como havia chegado naquela cama ou sobre como o coração dela doía, o Doutor entendeu perfeitamente bem, tão bem que respeitou isso.

Agora era hora de deixar o hospital, finalmente ela estava de pé com Jack e o Doctor conversando normalmente enquanto ela se mantinha séria com os cabelos presos e as mãos inertes caminhando para a TARDIS. O luto tinha passado, a dor pela perca do bebê era menor, mas ao mesmo tempo a dor por perder o Doctor ainda latejava cruelmente. Rose apenas abraçou o Capitão Jack em despedida e foi para o próprio quarto ouvindo a máquina do tempo se materializar e então voltar para o vórtice. A garota simplesmente abriu o guarda-roupa, pegou uma mala e começou a guardar as roupas que haviam se acumulado, era hora de partir.

–Vai deixar a TARDIS? – A pergunta do Doctor a assustou, ela não havia visto o Time Lord se aproximar e recostar no batente da porta.

–Eu sei que deseja isso – Garantiu Rose seriamente – Não ficarei onde não sou bem-vinda.

–O que eu te disse no dia que conhecemos Sara-Jane Smith? – Perguntou o Doctor com a voz amena.

–Que comigo seria diferente – Respondeu Rose dobrando mais uma roupa.

–Por que entrou na frente daquela espada? Eu me regeneraria facilmente – Garantiu o Doctor ainda imóvel.

–Não aguentaria vê-lo morrer de novo, um fardo grande demais para um humano. – Garantiu Rose – Eu achei que morreria...que eu e meu filho não sobreviveríamos.

–Não era seu tempo, eu podia sentir que não era – O Doctor estava com a expressão evidentemente triste.

–Um deus tentando ser um homem – Completou Rose encarando as próprias mãos.

–Não quero que vá – Ele permaneceu imóvel ao dizer essas palavras.

–Por seis meses, cada vez que minha barriga crescia mais eu via toda a sua...

–Desolação – Completou o Doctor finalmente se aproximando e a garota simplesmente o encarou, mais próxima agora.

A garota Bad Wolf e o Doctor invisíveis assistiam a cena em silencio mudo. Desejavam internamente que as coisas pudessem simplesmente se ajustar e ao mesmo tempo desejavam que os juízes daquele Senhor do Tempo se compadecessem diante de toda a dor que foi poupada e de toda a felicidade do qual o universo foi privado. Ficaram em silencio, porque ali diante deles o Doctor e Rose Tyler se encaram em uma mistura estranha de dor, ânsia, fogo e amor.

–Diga que sente muito, que sente muito por nosso filho ter morrido – Pediu Rose colocando as mãos sobre o peito do Doctor.

–Eu sinto muito – O olhar dele não era mais triste do que o dela.

–Eu quero ter filhos com o homem que eu amo – Disse Rose tentando parecer forte – Nunca amarei ninguém do modo que amo você.

–Eu sei – O Doctor a puxou em um abraço forte,

Rose se sentiu mais feliz, mais completa e mais tranquila por aquelas palavras porque o tempo chegaria para ela e um dia o Doctor não a teria mais. Se sentiu feliz por sentir as mãos dele envoltas em sua cintura, se sentiu feliz por ter perdido tanto e ainda assim ter aquele homem no final. Ela sentiu que não deixaria mais aquele abraço, que não o soltaria.

–Case-se comigo Rose Tyler – Sussurrou o Doctor em seu ouvido.

–O que? – Rose dizia em voz baixa agora sorrindo sem solta-lo.

–Case-se comigo agora Rose – Ele manteve o mesmo tom de voz – Aceita?

–Agora? – Rose sentiu seu sorriso se abrir ainda mais.

–Eu levei o Capitão Jack para o planeta em que o casamento se realizará, eu levei todos os nossos amigos, todas as pessoas que sabem estão esperando por nós – Explicou o Doctor – Todos sabem que eu ainda não havia pedido sua mão, posso garantir que sua mãe ainda tem esperança que você diga não.

–Sim! – Disse Rose agora rindo sonoramente – Claro que aceito.

–A TARDIS te dará algo apropriado para vestir – Garantiu o Doctor caminhando rumo a porta.

–Doctor? – Chamou Rose o fazendo virar – Por favor coloque um smoking.

O Doctor apenas sorriu deixando quarto e fechando a porta. Rose se sentou na cama, sentindo que o luto que guardara por três meses não devia estar dentro dela nesse momento, talvez o Doutor tenha esperado o momento oportuno para tentar liberta-la de toda essa dor. Ela se viu demorando duas horas para o banho, cabelo, maquiagem e finalmente escolhendo um vestido branco nada rodado, longo, que ressaltava seu corpo e seguia pelos seus braços rendado. Rose se olhou no espelho sorrindo com o cabelo caindo em cachos bem feitos e com o adereço de cristais que a TARDIS também havia dado a ela. Em meio a toda a imensidão do guarda-roupa ela achou um traje perfeito, nunca usado e que cabia exatamente nela. Era ideal, como tinha de ser. Rose estava em seu quarto ainda encarando a própria visão no espelho quando Donna Nobble irrompeu.

–Está linda Rose – Garantiu Donna sorrindo – Eu trouxe isso, não precisamos fugir de todas as tradições afinal.

–Obrigada – Disse Rose pegando o buquê – Quem está para o casamento?

–Todos...Mickey, Martha, Jack, Pete, Jackie, Sarah-Jane, meu avô e mãe e marido – Garantiu Donna rindo na parte final ao notar que trouxera a família toda e então se aproximou ajustando a tiara na cabeça de Rose – O filho de Sarah, até mesmo o K9.

–Meu irmão? – Perguntou Rose respirando profundamente.

–Também, assim como toda Torchwood – Donna sorriu – O homem do espaço quer vê-la; eu disse que ele não poderia ver seu vestido, então ele espera que eu te dê algo para cobrir toda a sua beleza e ele possa entregar o que deseja.

–Posso colocar uma capa – Assinalou Rose sorrindo enquanto Donna encontrava uma capa vermelha no guarda-roupa – Isso é estranho, ele nunca foi supersticioso

–Eu o convenci de que o casamento não ocorreria se ele visse a noiva, mas chegamos a um acordo quanto ao vestido ser o único possível problema – Garantiu Donna.

Bad Wolf e o Doctor invisíveis observaram sorrindo levemente ao ver Donna colocar a linda capa vermelha levemente brilhante em Rose assim como o capuz, era evidente um vestido branco por baixo, mas nada que pudesse ser desvendado. Rose sentiu que sorria quando o Doctor entrou já de smoking no quarto com um olhar sorrateiro e Donna deixava o aposento sorrindo.

–Sei como odeia seus próprios casamentos – Disse Rose estreitando os olhos – Mas sua chance de desistir desse já foi perdida.

–Eu sei disso – Garantiu ele se aproximando e retirando do bolso um anel – Eu esqueci que deveria te dar isso antes do casamento.

–Nunca é tarde – Respondeu Rose sorrindo ao ver o anel ser colocado no dedo dela, a pedra era linda levemente rosa e não parecia com nada que ela havia visto na Terra – É lindo, nunca vi nada assim.

–Pertenceu a Susan, minha neta – Respondeu o Doctor tocando o ombro de Rose – A joia é de Gallifrey, digamos que Susan levou muito quando dissemos adeus, mas também deixou coisas para trás para que eu pudesse me lembrar dela. Esse anel é uma dessas coisas e pensei que nada seria mais apropriado, é um anel valiosíssimo em todos os sentidos e o nome em Alto Gallifreriano de Susan é ROSE, nada mais apropriado. Um presente do destino.

–É lindo, obrigada – Rose se viu encarando o anel – Cuidarei bem dele.

Doctor assentiu e então foi surpreendido por Rose o puxando pelo casaco e o beijando intensamente, ele retribuiu cada parcela disso e então retirou o capuz a deixando com a capa ainda, mas revelando os cabelos loiros da garota. Assim que se libertou do beijo ele decidiu que Rose Tyler não se livraria tão facilmente dele e a beijou novamente para finalmente não resistir e carrega-la.

–Não pode me jogar na minha cama faltando vinte minutos para o casamento – Disse Rose em meio a protestos e risos.

–Tentarei ser rápido senhorita Tyler – Garantiu Doctor finalmente a jogando na cama.

Rose ria amplamente, esperando sentir o impacto da cama. Esperava o edredom macio, o travesseiro de penas e em seguida o Doctor a beijando, mas não foi isso que seu corpo de fato teve. O corpo de Rose caiu sobre o chão da sala central da TARDIS muito perto do console, ela fechou os olhos com a dor do impacto e sentiu sua cabeça girar como se tivesse sido teletransportada, antes mesmo de abrir os olhos teve certeza que isso havia ocorrido. Não queria ver aonde tinha parado. A garota Bad Wolf e o Doctor invisíveis que acompanharam Rose no teletransporte inesperado ainda observavam a garota quando ela abriu os olhos vagarosamente.

–Rose...Rose Tyler – Disse um homem antes ao lado do console da TARDIS e agora se aproximando com os olhos estreitos.

Rose percebeu que estava na sala de comando central da TARDIS e respirou aliviada, contudo seguiu a voz que dizia seu nome encarando primeiro os sapatos formais, depois a calça com suspensórios, a camisa antiquada e a gravata borboleta acompanhada por um terno. Ele tinha queixo pontudo e cabelos negros desarrumados.

–Onde está o Doctor? – Perguntou Rose se erguendo levemente no chão e colocando uma mão sobre a cabeça atordoada.

–Eu sou o Doutor – Respondeu o homem de gravata borboleta se inclinando e oferecendo a mão para que ela pudesse se levantar.

–Doutor quem? – Perguntou a garota aceitando a mão do estranho que ela ainda não podia saber, mas que era exatamente seu Doctor.

Notas finais
O que acharam? Estão gostando da fic? Beijos. P.S. Haverá sim fic da Jessica Jones em dezembro/janeiro. Avisarei por aqui quando começar.