Tudo que Poderia ter Acontecido
14 A garota que também se chamou Rose
Notas iniciais
Rose abriu os olhos atônita, já não sabia quanto tempo estava naquele quarto apenas tinha contado as seis refeições e ao mesmo tempo era impossível saber se haviam se passado dois ou três dias. Ali isolada, quase sempre com a camisa de força e os terríveis machucados por todo o corpo, tinha a sensação que haviam se passado meses. Odiava saber que provavelmente estava perdida e detestava o silencio assustador. Rose voltou a fechar os olhos no quarto branco resignada a dormir enquanto a garota Bad Wolf e o Doctor invisíveis apenas observavam sentados do outro lado do pequeno cômodo branco e aguardavam.
Foi então que a porta se abriu repentinamente, Rose permaneceu com os olhos fechados prestes a dormir graças aos sedativos e sentiu as mãos de um homem em seu rosto e ele tirava a terrível camisa de força. Rose tentava abrir os olhos mas não conseguia a princípio até que finalmente conseguiu e então viu diante dela o homem alto, de terno e gravata borboleta que a segurava preocupado com a testa franzida.
–Rose? – Perguntou ele agora colocando o cabelo cacheado da garota no lugar.
–Doctor – Respondeu Rose sorrindo, talvez duvidando que aquilo não seria uma alucinação – Como chegou aqui?
–Eu fiz um rastreador genético, apenas precisava de algo seu e eu tenho muitas coisas suas na TARDIS – Disse o Doctor com um sorriso e então pegando no bolso um frasco – Precisa beber isso Rose, anula o efeito dos remédios que foram te dados.
–Tem certeza? – Rose indagou enquanto o Doctor assentia – Vou beber.
Rose bebeu todo o pequeno frasco e então o Doctor a ajudou a ficar de pé. Ele segurou o rosto da garota por algum tempo esperando a confirmação de que o remédio alien faria efeito e assim que ela conseguiu se parecer mais com Rose Tyler ele segurou a mão dela com força e começaram a correr. Madame Vastra e Jane esperavam por eles no corredor e passaram empurrando todos aqueles que tentavam persegui-los, finalmente entraram em um coche e partiram. Doctor e Rose entraram no coche comandado por Strax que murmurava algo sobre “Destruir todo o hospital” enquanto que Vastra e Jane foram até o centro e alugaram um outro coche. Haviam despistado os médicos e enfermeiros e a fuga havia sido mais bem-sucedida do que comum.
–Quanto tempo fiquei presa? – Perguntou Rose percebendo as roupas brancas terrivelmente provinciais que usava no hospital.
–Dois dias – Garantiu o Doctor mexendo na chave de fenda sônica.
–Quanto tempo temos para o Doctor do passado me buscar? – Rose sentia que haviam séculos que não conversava com absolutamente ninguém.
–Temos 24 horas – O Doctor finalmente voltou a encarar Rose – Temos um problema...
–Meu anel – Disse Rose encarando as próprias mãos – Preciso estar com ele para ser levada de volta.
–Sei quem possui o seu anel Rose – Doctor tinha uma expressão preocupada – Um dos seguidores do Silencio, criado desde a infância para me destruir juntamente com todos aqueles que amo, creio que tem sido uma ameaça constante nos últimos anos.
–Qual o nome dele? – Isso não deveria ser importante.
–Danny Pink – O Doctor estreitou os olhos.
–Não parece muito ameaçador – Rebateu Rose com um sorriso.
–Ele nasceu na mesma época que você Rose, pertence ao seu tempo, contudo o Silencio o criou desde sempre para ser usado como uma arma. Ele tem duas vidas: na primeira é um soldado que viaja pelo tempo tentando me destruir já na segunda é um professor de matemática, no mesmo colégio que minha neta estudou.
–Até mesmo em uma vida comum, ele precisa te perseguir – Assinalou Rose.
–Ele deve dar atenção ao colégio acreditando que posso voltar até lá um dia – Explicou o Doctor – Precisamos recuperar o anel, exatamente por isso Vastra deixou pistas de que eu conseguiria te encontrar, assim que ele souber irá até a casa para te buscar e então estaremos prontos para pegar o anel e prende-lo.
–Não parece um plano muito bom – Rose odiava ser a isca.
–Eu tive apenas dois dias para construir um dispositivo de rastreamento genético e tentar lidar com Danny Pink, precisa ser mais compassiva Rose – O Doctor parecia frustrado.
–Será um bom plano na execução – Rose pousou a cabeça no ombro do Doctor.
A garota Bad Wolf e o Doctor invisíveis estavam sentados na frente de Doctor e Rose no coche. O Doctor invisível já havia compreendido que naquela realidade sem Amy e Rory na TARDIS não haveria também River Song, logo o silencio escolheu outros destinados a mata-lo e um deles havia sido inevitavelmente Danny Pink, um jogo estranho esse do destino. Talvez não houvesse como não encontrar aqueles que deveriam ser encontrados, pela primeira vez o total desgosto que o Doctor tinha por Danny Pink fazia sentido, talvez o resquício de como teria sido em uma realidade diferente, de decisões diferentes.
Rose e o Doctor deixaram o coche, entraram na casa de Madame Vastra e subiram as escadas. Doctor falava sobre a dificuldade de encontra-la e construir o dispositivo a tempo enquanto Rose trocava de roupas no mesmo aposento. Rose sentiu os olhos do Doctor nela por alguns minutos, mas a garota não disse nada e simplesmente se vestiu compreendendo que para o Time Lord aquela já não era mais uma situação cotidiana. Ela havia partido já há muito tempo. Rose foi até o criado mudo do lado da poltrona que o Doctor sentava pronta para pegar um pente para os cabelos quando sentiu ele segurando o pulso dela, a garota ficou em silencio e então sentiu que era puxada e beijada por ele. Não esperava isso, talvez aquele Doctor de aparência mais jovem e olhos mais velhos não fosse tão errado quanto ela gostaria que fosse. Afinal era o mesmo beijo, tão bom como todos os outros e o Doctor se afastou vagorosamente e beijou a testa da garota.
–Vastra e Jane chegaram – Disse o Doctor com um sorriso leve – Espere aqui, não saia por favor.
–Claro – Garantiu Rose vendo o Doctor sair e a porta se fechar.
Rose se voltou mais uma vez para o criado mudo e ao invés de ver o pente encontrou também o anel, o mesmo anel perdido. O mesmo anel singular dado pelo Doctor. A garota o segurou por um instante e viu a gravação dentro “ROSE” e entendeu que o anel de fato pertenceu a Susan que tinha Rose como nome em gallifreriano. Ela precisou de apenas um segundo para compreender que se o anel estava no aposento, aquele que o havia roubado também estava. A garota correu para a porta pronta para fugir, mas já era tarde.
Rose sentiu seu cabelo ser puxado e seu corpo lançado contra o espelho que se quebrou com o impacto, ela então olhou para o homem prestes a ataca-la mais uma vez e viu Danny Pink. Rose colocou o anel no dedo, compreendendo que talvez não houvesse como fugir, mas talvez fosse hora de revidar. Rose sabia que Susan lutaria e que elas se compartilhavam o mesmo nome precisavam agora, compartilhar a mesma força.
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