Tudo que Poderia ter Acontecido

4 A garota que quebrou todas as regras


Notas iniciais
Olá meus queridos, já atendendo o pedido de capítulos maiores aqui está. Espero que vocês gostem e agradeço demais os que estão comentando e peço para que todos se manifestem de alguma forma: favoritem, comentem, recomendem apenas preciso saber que estão ai fazendo dessa história algo vivo. Beijos, espero que apreciem.

Tempo e espaço mais uma vez diante de Rose Tyler, ela encarava a visão magnífica daquele planeta extasiada. Estavam em frente a um belo lago, haviam dois sóis se pondo no horizonte e a noite caia em uma coloração absurdamente impossível. A grama era de maçã, o cheiro da grama lembrava Rose do primeiro encontro com o novo rosto que se tornou seu companheiro de tantos anos. O Doctor se lembrava tão bem daquele dia em Nova Nova York que tentou encontrar um lugar mais belo que ainda tivesse o mesmo cheiro de grama. Ele queria que Rose voltasse a se sentir viva e por isso tirou o sobretudo o estendeu na grama e ambos se sentaram olhando para a paisagem enquanto a noite caia revelando um céu estrelado muito belo.

–Por que esse planeta? – Perguntou Rose segurando com mais força a mão do Time Lord.

–Por todas as coisas que eu não pude dizer em palavras Rose – Garantiu ele com um sorriso.

O céu finalmente mudou, pequenos seres parecidos com vagalumes e absurdamente silenciosos começaram a envolver o estranho casal imóvel diante do lago límpido e luminoso. As pequenas criaturas antes de cores opacas começaram a ganhar novas cores, as que rodeavam Rose eram rosas, douradas e amarelas enquanto que as que envolviam o Doctor tinham a cor azul, verde e um pouco de um negro brilhante como um universo estrelado. Rose sorriu deslumbrada ao ver as cores se propagarem no horizonte em movimentos variados deixando todo o céu com aquelas cores antes inexistentes.

–O que essas criaturas fazem? – Perguntou Rose pousando a cabeça no ombro do Doctor.

–Eu poderia dizer várias coisas científicas – Começou ele surpreendendo a si mesmo por desejar simplificar – Mas enfim, elas captam sua áurea...O que você é agora, o que somos juntos Rose.

A mulher diante dele tinha os olhos de uma garota novamente. Rose tinha parado há alguns anos de olhar assim para o universo como se o sentido tivesse sido perdido, mas nunca parou de olhar para o Doctor como uma garota apaixonada de dezenove anos. Ela parecia incapaz de deixar de ama-lo e isso o afligia muito porque significava que ela era um ponto definitivo em sua vida. Aquele amor sem sentido, que quebrava regras era a única certeza de ambos em mais um momento diante do infinito. Rose sorriu ainda mais amplamente, incansável, quando finalmente as notas musicais foram tocadas.

–Elas tornam isso música também – Disse o Doctor se exibindo e sorrindo largamente.

–Nunca havia visto algo tão lindo – Respondeu Rose fechando os olhos para a leve música que os envolvia.

O Doctor praticamente pulou se colocando de pé e ofereceu a mão para Rose. Ela se levantou e eles começaram a dançar, vagarosamente como faziam nos melhores dias. Dançar com Rose, abraçar aquela humana e principalmente beija-la era a coisa mais idiota que todos os Senhores do Tempo já haviam feito antes e depois do tempo. Era quebrar todas as regras, era esquecer toda a superioridade e ignorar todas as antigas leis.

–Eu me sinto tão...humano – O Doutor disse isso sério em um sussurro.

–Estamos sob as estrelas, no topo do universo – Começou Rose também em voz baixa – Não há nada mais humano do que isso.

O Doctor a rodou e ela caiu sob seus braços. Ela sempre caia de volta para ele e então finalmente Rose Tyler foi beijada como fazia algum tempo que ela não era, finalmente aquele velho Senhor do Tempo parecia ter se lembrado que ela era o centro do universo agora, que por um momento ela era a única que tirou tudo dele...crenças, medos, ódio e todo o orgulho. Ela tirou tanto dele para colocar a coisa que ele mais almejara durante toda sua longa e terrível vida: humanidade.

A garota Bad Wolf olhava para a cena sorrindo levemente enquanto que o Doctor invisível parecia perplexo. Ambos não queriam desviar o olhar daquela cena, de toda aquela felicidade evidente e todo aquele peso terrível da dor e da morte. Ainda assim em algum momento a dança do casal parecia impossivelmente cruel para o Doctor que invisível invejava essa outra realidade mais feliz.

–Rose Tyler teria sido feliz ao meu lado, minha canção teria durado mais se ela tivesse permanecido ao meu lado e eu não deixei – O Doctor disse a Bad Wolf com os olhos absurdamente cheios de rancor.

–Sim, vocês teriam sido muito felizes...ela teria envelhecido ao seu lado – A Bad Wolf tinha a voz dura.

–Por que está me mostrando sobre ela? – O senhor do tempo sabia que havia amado muitas mulheres durante suas vidas, mesmo que nenhuma delas tenha sido humana, apenas Rose Tyler foi sua humana.

–Porque em qualquer universo que formos, em qualquer outra escolha, em qualquer outra realidade seria Rose Tyler – Disse a Bad Wolf encarando o Doctor com o olhar implacável – Em qualquer realidade você teria ficado com Rose Tyler e a amado.

–Exceto naquela que se tornou verdade, exceto naquela que escolhi – Completou o Doctor.

–Sim – Ela respondeu com certo pesar.

–Que sorte a minha – O Doctor riu irônico enquanto percebia que parte de sua décima segunda regeneração sempre esteve dentro dele afinal.

–Mas você a amou na realidade que escolheu – Disse a Garota Bad Wolf.

–Não pude ficar com ela, não era certo...seria como quebrar todas as regras.

–Valeria a pena quebrar todas as regras por ela, não acha? – Perguntou a Bad Wolf.

O Doctor invisível apenas encarou o eu dele em outra realidade beijando fervorosamente Rose Tyler enquanto os dois riam em seguida como dois adolescentes. Rose se afastou da dança, se sentou novamente no sobretudo enquanto seu Doutor se inclinava sobre ela a beijando. Eles pareciam felizes naquele momento de um jeito que valia a pena mesmo quebrando todas as regras.

–Não precisamos ver isso, sabemos o que virá em seguida – Disse o Doctor desviando o olhar para a Bad Wolf.

O Doctor não queria ver o que viria em seguida: não queria ver Rose sorrir extasiada enquanto tomava o controle daquele Doctor e o puxava pela gravata garantindo que ele não poderia para-la, não queria ver os beijos imparáveis ou a roupa de Rose Tyler sendo jogada para o lado no planeta deserto. Ele não queria sentir todo o êxtase que teria tomado conta de seu corpo de Senhor do Tempo ao possuir aquela humana mais uma vez, provavelmente a última vez. O Doctor invisível se negava a isso porque já sentia o desejo, a paixão e a humanidade daquele ato e não queria sentir ele ser completado, não quando de fato as coisas não puderam ser daquela forma.

–Tenho algo para mostrar – Disse a Bad Wolf ainda sombria – Quero mostrar o que você de fato fez a ela na realidade que tiveram, ela sofreu por você Doutor.

–Eu sei que sofreu – Respondeu ele sombriamente – Não quero sentir o quanto.

–É seu julgamento, é hora de sentir – Rebateu o Lobo Mau.

Tudo ao redor mudou e estavam novamente em outro tempo, tempos já antigos. Era o interior da TARDIS, Rose se afastava com Mickey Smith enquanto o Doutor abria a carta de Madame de Pompadour. O Doctor invisível segurou a mão da Bad Wolf sabendo que seria julgado agora pelo que causou a Rose naquele dia terrível, no dia em que chamou outra para se juntar a eles. No dia em que se apaixonou momentaneamente por uma mulher memorável e se esqueceu que Rose Tyler era o terrível lobo mau e que nenhuma mulher no universo significaria mais do que isso, nenhuma mulher pode significar mais do que o fim e o começo de tudo.

Notas finais
O que estão achando? Acham que precisa ou não de mais aventura? Até logo.