Tudo que Poderia ter Acontecido
5 A garota que jogava com fogo
Notas iniciais
O Lobo Mau e o Doctor ainda invisíveis seguiram Rose Tyler e Mickey Smith por um dos corredores da TARDIS, havia um estranho silencio entre os velhos amigos e a expressão de Rose era evidentemente perplexa. Mickey parecia ansioso para dizer algo, mas a expressão de Tyler parecia afastar qualquer comentário. Ambos pararam na porta do quarto de Rose que era diferente muito diferente das outras, um presente daquela estranha máquina do tempo.
–Rose, eu disse sobre ele. – A voz de Mickey não tinha tanto rancor quanto se podia esperar e sim evidente preocupação. – O Doutor é velho demais...
–Por favor pare. – Rose parecia estar reunindo todas as suas forças para responder educadamente. – Ouviu o mesmo que eu, certo? Ele estava prestes a trazer Madame de Ponpadour para viajar conosco.
–Sim, eu ouvi – Disse Mickey sabendo que o chamado do Doctor na lareira havia sido cheio de vida, empolgação e clareza. – Você o ama muito não é mesmo?
Rose não respondeu apenas permaneceu parada por alguns segundos olhando para os próprios pés e desejando não chorar pelo Doutor, decidida a não admitir que sempre tivera esperanças juvenis e quis sustentar um castelo de cartas na sua mente na qual aquele Senhor do Tempo não encontraria uma sucessora, uma nova companheira, mas ele encontraria. Sempre havia uma sucessora. Ela adentrou o próprio quarto sendo seguida pela Bad Wolf e pelo Doctor ambos invisíveis para Rose já que a garota fechou a porta se colocou contra ela e começou a chorar copiosamente. Nada deteve suas lágrimas por mais tolas e pretenciosas que fossem.
–Eu jamais... – Disse o Doctor sabendo que naquela época, tantos anos antes já sabia mesmo sem ver a cena que havia magoado Rose Tyler em alguma intensidade.
–Um homem solitário que despertou tantas paixões – A Bad Wolf não parecia se referir apenas a Rose, o Doctor compreendia isso já que sabia de todas que haviam morrido, que haviam sido perdidas e tinham tido a vida tomada graças a ele.
A garota Bad Wolf segurou a mão do Doctor os levando para outro lugar, estavam em um quarto Rosa essencialmente infantil e semelhante com aquele da velha casa de Rose. O novo quarto era muito mais espaçoso, tinham indícios claros de Rose Tyler com várias fotos da garota tanto com Jackie quanto com Pete. Ao menos dois porta-retratos guardavam imagens dela com o Doctor.
–Se tivesse permanecido ao lado dela, para sempre, nada do que viu teria efeitos prolongados – Garantiu a Bad Wolf
–Estamos novamente na realidade em que ela teria passado toda a vida ao meu lado – O Doctor estava começando a compreender o tipo de dor que aquele julgamento impunha, o peso do que poderia ter acontecido era enorme.
–Exatamente, mas alguns anos antes do que vimos, Rose tem vinte e três anos agora, vocês estão ainda nos primeiros passos – Respondeu o Lobo Mau com a voz cheia de paz– Evidentemente Pete e Jackie teriam retornado para o universo que a filha escolhera assim como Mickey o fez.
–Pete teria ficado rico nesse universo também – Disse o Doctor ao observar que o aposento era claramente mais suntuoso.
Finalmente a TARDIS se materializou do lado oposto ao Doctor e a Bad Wolf. A porta do quarto estava fechada, havia um enorme silencio no apartamento amplo e o barulho da máquina do tempo parecia romper a noite em meio a todo o silencio. Já era noite, ainda assim a luz do quarto por algum motivo estava acessa. Rose e o Doutor saíram da TARDIS rindo, diziam coisas amenas sobre a última aventura que acabaram de ter, assim que interromperam os risos notaram o absurdo silencio da residência.
–São três da manhã – Disse Rose olhando o relógio digital ao lado de sua cama.
–Deveriam ser três da tarde – Respondeu o Doctor perplexo olhando para o próprio relógio de pulso e se questionando quando conseguiria acertar a data, o lugar e o horário corretos.
–Ao menos você acertou a data – Rose olhava o calendário preso a parede da porta.
–Por que as luzes ficam acessas? – Ele franziu o cenho se recostando na TARDIS.
–Minha mãe diz que é um bom modo de acreditar que estou em casa. – Garantiu ela se aproximando do Doctor com certa cautela.
Rose o puxou pelo casaco e o beijou, talvez ainda não tivessem se acostumado a isso necessariamente, mas ela era apenas uma humana que viajava quase todo o tempo com um homem que claramente sentia alguma coisa estranhamente importante por ela. O Doctor havia compreendido o peso dos hormônios de uma jovem com agora vinte e três anos cedo demais e correspondeu em certo nível. Ainda se sentia patético ao pensar em Rose Tyler, ainda tinha aquele mesmo sentimento de fuga em relação a todas as mulheres.
–Rose... – Começou o Doctor segurando as mãos dela – Não acredito que seja uma boa ideia.
–Estamos no meu quarto, são três da manhã, não posso acordar minha mãe e eu gostaria de me sentir uma adolescente de novo – Disse ela sorrindo tirando o casaco do Doctor.
–Pelo amor de Deus Rose – Nesse momento ele percebeu como soava velho, cansado e cheio de incompreensão em relação aos humanos.
Rose aparentemente havia desistido, muito menos decepcionada do que ele esperaria e então decidiu que talvez fosse tempo de provar o contrário a humana. Provar que Rose deveria ficar muito decepcionada. O sobretudo do senhor do tempo estava já estava no chão graças as ações anteriores da humana e ele finalmente beijava Rose intensamente a garota retirou o terno do Senhor do Tempo enquanto sentia que caminhavam em direção da cama. Ela caiu sentada sobre a ampla cama sorrindo. Ele ainda estava de pé em um ar de clara diversão.
–Não poderá se arrepender disso Rose Tyler – Disse ele afrouxando a gravata e se aproximando.
Nesse momento quase excessivamente crucial Jackie Tyler abriu a porta e ao ver a cena deixou a caneca de chá que segurava cair estrondosamente modificando por completo toda áurea pacifica e de desejo do local. Rose olhou para mãe claramente surpresa, passou as mãos pelo cabelo e tentou desvendar a expressão do Doctor que claramente variava de total assombro para absoluta indignação, Rose não estava certa se ele estava indignado com Jackie ou com ela própria por sempre ter algum tipo de proposta indecorosa.
–Oh meu Deus! Jamais vieram realmente me visitar, sempre vieram aqui apenas para tirar proveito desse quarto fazendo seja lá o que aliens façam – A voz de Jackie era estridente e Rose começou a rir loucamente como se não acreditasse em tudo aquilo.
–Não precisamos do quarto de Rose para fazer isso Jackie – Garantiu o Doctor com ironia colocando o casaco e em seguida o sobretudo.
Rose parou de rir instantes depois quando o Capitão Jack emergiu ao lado de Jackie sorrindo e então finalmente olhando pretensiosamente para ambos como quem ouvira absolutamente tudo antes de decidir aparecer. O Doctor balançou o próprio corpo olhando para cima e com as mãos nos bolsos como quem tenta encontrar forças para lidar não apenas com Jackie Tyler mas também com o Capitão Jack.
–Venham! – A voz de Jack era cheia de animação perversa – Estão todos esperando, estamos em uma espécie de convenção anual.
Rose e o Doutor caminharam logo atrás de Jackie e Jack pelo corredor enquanto a garota Bad Wolf e o Doctor invisível os seguiam.
–Rose Tyler me reduziria a um adolescente cheio de hormônios – O comentário do Doctor invisível era cheio de uma ironia compassiva, quase humor.
–Não diga que não teria gostado –Respondeu o Lobo Mau sorrindo amplamente pela primeira vez.
Rose notou que o Capitão Jack estava vestido com suas roupas negras habituais, mas estranhamente Jackie Tyler também. Passaram na frente do quarto de Pete e ele lia um livro enquanto que no quarto ao lado o irmão de Rose pacificamente dormia. A casa parecia perfeitamente em ordem, a não ser pela cor unanime de roupas.
–Esquecemos algum tipo de comemoração? – Perguntou o Doctor olhando para Rose.
–Tenho certeza que não...
Rose jamais terminou a frase porque a sala de estar estava cheia de velhos amigos: Martha Jones, Donna Noble, Sarah Jane Smith e Mikey. Algumas coisas passaram pela cabeça de Rose Tyler naquele momento: Seria algum tipo de convenção das bruxas para todos estarem vestidos de preto? Por que se reuniam as três da manhã? O Doctor estava mesmo com algum batom vermelho no rosto e a gravata frouxa? Desejou sinceramente que a resposta para a última pergunta fosse negativa, mas ainda assim sorriu porque talvez fosse tempo de admitir que tudo havia encontrado seu devido lugar. Estavam todos juntos.
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