Tudo que Poderia ter Acontecido

31 A garota perdida, a mulher mais importante e nenhuma esperança


Notas iniciais
FIM DO SEXTO ARCO Olá meus queridos. Esse capítulo está sendo postado hoje por três motivos: o primeiro deles é o aniversário da Bih Silva - uma das principais leitoras da fic e que completa mais um ano de vida hoje - Parabéns Bih, tomara que goste desse capítulo em sua homenagem. O segundo motivo é a recomendação da AmyPond2010 que também me deixou absolutamente feliz - esse capítulo é também seu. O terceiro motivo são vocês leitores que comentam, favoritaram e recomendaram a fic - muito obrigada por manter essa história viva até agora. Por favor comentem, favoritem, recomendem. Tornem esses últimos capítulos da história possíveis. Como vocês sabem é muito importante que participem comigo porque todas essas ideias malucas que tenho são muito trabalhosas. Boa leitura meus queridos e obrigada pela jornada até aqui.

"Este é o fim

Segure a respiração e conte até dez

Sinta a terra se mexer e então

Ouça meu coração explodir novamente

Pois este é o fim

Eu me afoguei neste momento

Tão esperado, eu devo a eles

Emocionada, fui levada

Deixe o céu cair

Quando desmoronar

Estaremos de pé, orgulhosos

E iremos encarar tudo juntos

A queda do céu é onde começamos

Separados por mil milhas e pólos

Onde mundos colidem e dias são escuros”

(Tradução livre da música Skyfall — Adele)

Rose Tyler colocou uma das mãos nos lábios e cambaleou permanecendo de pé. O Doctor em sua decima regeneração parecia furioso. Ele percorreu as mãos pelos cabelos e caminhou em direção a Amy Pond e Rory Willians, por um momento temeram aquele olhar de fúria, de raiva e de frustração. Ele estava suficientemente possesso para não pronunciar nenhuma sílaba, contudo seu olhar denunciava seus sentimentos e o grito contido de fúria também.

—Precisa me levar de volta Vael — O Doutor não estava fazendo um pedido — Eu preciso encontrar a localização de SHADA e buscar Susan.

—As coordenadas de um planeta prisão sempre mudam — Garantiu Rose em um sussurro — Jamais iremos encontra-la. É tarde demais.

O Doctor caminhou em direção a Rose Tyler. Ali nas montanhas desérticas de Arcadia estava Rory Willians e Amy Pond de mãos dadas na extremidade direita, o Décimo Primeiro Doctor distante cinco metros do casal. Já o Décimo Segundo Doutor se colocava seis metros atrás de Rose Tyler enquanto Donna Noble e Clara Oswald permaneciam próximas na extremidade esquerda. Lord Vael por ocupar a extremidade norte completava a composição de uma espécie de círculo irregular ao redor de Rose e do Décimo Doctor.

—Eu sei o que é um planeta prisão Rose — Disse o Décimo Doctor irritado se colocando na frente da esposa — Isso não significa que não devemos retornar e salvar nossa filha.

—Ela não pode ser salva — Rose disse cada palavra de forma esganiçada, a angústia estampada e as lágrimas imparáveis.

—Está desistindo de sua própria filha? É isso Rose? — O Doctor encarava Rose e tinha uma raiva absoluta em sua voz, o indicador apontava para baixo em um movimento de raiva e impotência.

—Se não sairmos daqui iremos morrer — Garantiu a garota com um suspiro cheio de dor, tentando controlar as lágrimas — Não posso perder Evey.

—Claro! — Exclamou o Doctor em sua risada cheia de ironia, de raiva e de dor, e então ele começou a gritar — Sabe qual o problema Rose Tyler? Está muito preocupada em salvar a si mesma! Tudo que sempre fez desde que nos conhecemos foi ser uma garota estúpida: enganada pelo primeiro que olhou para você no ensino médio, ignorante a tudo que é importante…você até mesmo traía seu namorado Mickey. Esse é o seu problema Rose, você sempre quis o caminho fácil! Vai abandonar sua filha em um planeta prisão porque não é forte o bastante para busca-la! Ela tem o seu sangue pelo amor a qualquer coisa! Mas você ama apenas a si própria não é mesmo sua criança egoísta? Talvez Evey nem mesmo seja minha filha!

O tapa em resposta de Rose foi forte, inesperado e suficiente enfático para silenciar o Doctor. Rose agora tinha raiva dentro dela, uma raiva incandescente que fez a bofetada no rosto do Doctor ser muito mais forte do que ela imaginou que poderia ser. Clara Oswald e Amy Pond arregalaram os olhos perplexas com o tapa enquanto que o Décimo Primeiro Doctor abaixou a cabeça e tocou os olhos com as mãos desconfortável, já o Décimo Segundo apenas colocou todo o peso sob uma das pernas e balançou a cabeça por algum tempo.

—Saia da minha frente Rose! — Disse o Décimo Doctor como se cada palavra fosse a ordem que se dá a um soldado, a raiva na sua voz era assustadora — Saia, agora!

—Não se atreva a falar dessa forma comigo! Nunca mais fale dessa forma comigo, entendeu? — Rose ergueu um dos dedos indicadores e a raiva que corria pelo seu corpo a fazia tremer, mas as lágrimas haviam desaparecido.

O Doctor apenas a fitou com raiva por mais um segundo antes de segura-la pelos ombros com toda a gentileza que pôde reunir e tira-la de seu caminho. Ele começou a descer as montanhas enquanto Rose Tyler permaneceu no mesmo lugar olhando para os próprios pés com vergonha de encarar todos os outros. Foi então que a Tardis se materializou, finalmente havia seguido o sinal de Vael.

—Todos para a TARDIS por favor — Disse o Décimo Primeiro Doctor ainda incapaz de encarar Rose Tyler — Já foi o suficiente.

Donna Noble, Rory Willians, Amy Pond, Lord Vael, Décimo Primeiro Doctor e Clara Oswald que ainda segurava Evey entraram na TARDIS em passos silenciosos, ordenados e com total seriedade. Ninguém tinha absolutamente nada a dizer e agora seria tempo de usar os dispositivos para separar a TARDIS. Já Rose Tyler se sentou ao lado do Décimo Segundo Doctor que olhava duas versões anteriores a ele descendo a montanha.

—Ele…eu, não deveria ter falado daquela forma com você Rose — Garantiu o Décimo Segundo Doctor ainda encarando os dois sóis de Gallifrey — Passarei anos da minha vida pensando sobre esse dia e me arrependendo amargamente. Você acabou de perder sua filha, eu jamais deveria ter duvidado da sua dor.

—Eu não sei o que fazer — Disse Rose, as lágrimas haviam retornado.

—Eu apenas me lembro que ter visto minha filha ser levada, ter visto eles abrindo você…isso me destruiu — Rose assentiu tentando parar as lágrimas — Eu tive certeza que tinha decepcionado a única mulher que importava, a única pessoa que eu faria qualquer coisa para salvar. Aquele desespero…eu queria fazer você acreditar que nunca mais nos veríamos. Meus corações se partiram.

—E nos veremos? — Rose agora encarava a aliança de casamento, temendo que tudo estivesse arruinado — É tão doloroso.

—Eu nunca irei abandona-la Rose e se eternidade existisse, você ainda estaria aqui — O Doctor disse isso com a voz tranquila, distante e severa. Ele havia superado o luto.

— Eu sou apenas humana e estou perdida — Rose colocou a mão sob o próprio coração.

—Não há nada de “apenas” nisso — Garantiu o Doctor segurando hesitante uma das mãos de Rose que estava pousada na própria barriga, como se pudesse acreditar que as filhas ainda estão dentro dela — Você sempre foi extraordinária.

—Vejo que mudou muito — Rose disse com um leve sorriso em meio as lágrimas olhando para o rosto do Doctor — Olhos azuis novamente.

—Pergunte o que deseja perguntar — Pediu o Doctor presumindo o que viria.

—Você ficará bem? — Naquele momento os olhos de Rose Tyler eram cheios de uma angústia absoluta — Nossos filhos ficarão bem?

—Eles ficarão — Garantiu o Doctor com uma pontada de algo que Rose não pôde compreender — E eu sempre estou bem Rose Tyler.

—Você começou a descer aquela montanha — Disse Rose agora encarando a sombra do Décimo Doctor — E eu acho que nunca contarei para aquela regeneração o que eu sei.

—O que você sabe? — O Décimo Segundo Doctor franziu as sobrancelhas.

—Há muitos anos, até mesmo para mim — Começou Rose com um leve sorriso apertando a mão do Doctor — Vivemos uma aventura…haviam ocorrido vários incidentes com algumas criaturas de uma planeta alienígena, elas estavam promovendo uma troca constante de consciências entre as pessoas da Terra. Quando salvamos o mundo naquele dia, logo depois quando fui até o seu quarto…

—Sim? — O Doctor parecia verdadeiramente interessado.

—Havia um espelho e quando eu quebrei o espelho…uma garota saiu dele — Rose tinha os olhos cheios de lágrimas — Ela disse que havia se infiltrado na TARDIS e procurado minha linha do tempo porque precisava me conhecer, mas aquela era a única data na qual ela poderia intervir sem que o tempo fosse rachado.

—Nossa filha, Susan — Completou o Doctor suspirando em desaprovação.

—Ela me disse que era minha filha — Rose parecia prestes a desmoronar — Ela também disse que seu verdadeiro nome estava perdido para sempre e que ela seria conhecida por todos como Nêmesis. Na época eu não podia compreender porque ela chorava tanto e porque aquele momento era tão significativo para ela e então Susan ou Nêmesis me disse que eu nunca a conheceria.

—Rose…eu sinto muito — Foi tudo que o Décimo Segundo pôde dizer fechando os olhos.

—Ela me disse que ficaria bem, que seria feliz. Ela me garantiu que conheceria o pai, que ele a salvaria e que tudo seria vingado. — Rose parecia angustiada — Meu Deus…ela estava falando de tudo isso e eu sei agora que nunca a conhecerei, nunca verei minha filha crescer e nunca estarei ao lado dela. E ela buscará vingança, o nome dela carregará o fardo de vingar o que houve aqui.

—Por isso você sabia que de nada adiantaria voltar para Gallifrey — O Doctor assentiu, tantos séculos para descobrir essa verdade — Você aceitou o tempo, a forma que ele funciona.

—Eu queria que o tempo não tivesse me enganado desse modo — Disse Rose ainda chorando compulsivamente — Conheci minha filha perdida quando eu era jovem demais, quando estávamos apenas começando o que um dia seria nosso casamento. Ela estava diante de mim, toda a emoção de conhecer a mãe que foi tirada dela e eu não conseguia sentir o que ela sentia. Eu não conseguia sentir o amor e a perda que eu sinto agora. Eu não apreciei aqueles momentos com ela, aqueles momentos secretos e únicos. É a única coisa que terei de minha filha. Tudo que terei dela, que nem mesmo cresceu, eu já tive.

—Ela é uma viajante do tempo como eu. Eu fico feliz porque você pôde conhece-la.— O Doctor mais uma vez pousou a mão hesitante nos ombros da jovem — Saber que a conheceu é um grande alivio.

—É um grande alivio saber que sobreviveu a nós Doctor — Disse Rose com um sorriso enquanto as lágrimas não paravam — Obrigada por ainda ser o Doutor.

—Desculpe não ter sido sempre o Doutor com você — Respondeu ele fitando sua antiga sombra que finalmente voltava das montanhas. — Eu sinto muito ter saído dessa forma, não ter ficado com você em um momento no qual tanto precisava.

—Você está aqui agora Doutor — Rose tinha alguma tranquilidade em sua voz.

Rose Tyler segurou um dos braços do Doctor em sua Décima Segunda regeneração e colocou a cabeça sob seu ombro. Ela percebeu que o corpo dele se enrijeceu como se temesse aquela aproximação, contudo ele não a afastou. Ficaram por um instante próximos daquele modo, com os sóis diante deles e com uma conexão silenciosa. Rose guardava toda a vida que teriam pela frente e o Doctor carregava toda a memória do que estava em seu passado. Eles compartilhavam algo muito maior: passado e futuro. Finalmente juntos, perante os dois sóis de Gallifrey e em meio a nenhuma esperança.

A Garota Bad Wolf e o Doctor invisível testemunharam também o fim daquela aventura. O fim de uma das maiores aventuras. As TARDIS foram separadas pelos dispositivos, Lord Vael se despediu emocionado dos amigos, o Décimo Segundo partiu novamente sozinho para em sua aventura seguinte encontrasse a garota que seria sua próxima companheira, Clara Oswald segurou a mão de seu Décimo Primeiro Doctor já que muito em breve eles estariam em Trenzalone. Já Amy Pond e Rory Willians foram deixados em casa e Melody Pond devolvida em segurança para os pais.

Finalmente a TARDIS estava vazia, apenas Rose Tyler, o Décimo Doctor e Evey. A bebê estava estava dormindo em um novo quarto na máquina do tempo, já Rose estava sentada em um dos degraus da sala de controle central e o Doctor finalmente se colocou ao lado dela após longas horas de silencio.

—Eu sinto muito Rose, sinto muito por ter perdido uma de suas filhas hoje — O Doctor disse isso com as mãos no rosto de Rose, com uma firmeza e ainda delicadeza sincronizada — Sinto muito por tudo que te disse. Não foi justo e não era verdade.

—Ninguém nunca mais tirará nossos filhos de nós — Disse Rose finalmente se colocando de pé, com a cabeça baixa e ainda incapaz de se recuperar daquela dor. — Mas afinal o que faremos?

—Iremos buscar John, iremos para a cama juntos e vamos esquecer tudo que há para ser lembrado sobre o tempo — Disse o Doctor abraçando Rose e a colocando contra seu peito em um forte abraço — Eu irei abraça-la até que essa dor seja suportável e ficaremos juntos. Todos nós juntos.

—E depois? — A voz de Rose tremeu, mas o medo dentro dela parecia menor.

—Todo o tempo e espaço, tudo que já aconteceu e ainda está para acontecer — Começou o Doctor encarando fixamente o painel de controles da TARDIS e com as mãos firmes ao redor de Rose, como se pudesse em seu abraço protege-la do universo — Rose Tyler, por onde quer começar?

Notas finais
O que estão achando? Gostaram do fim do arco? Expectativas para o próximo arco?Falem comigo por favor. E não se esqueçam de comentar, recomendar e favoritar essa história. Gostaria de agradecer mais uma vez a AmyPond2010 - obrigada por cada palavra. Caso vocês se manifestem e a fic continue viva só posso adiantar que muitas coisas importantes estão prestes a começar. Beijos meus queridos. P.S. Para todos aqueles que desejam saber mais sobre a vida de Rose Tyler ao lado do Doctor e dos filhos volto a recomendar o spin-off "O Céu Acima de Nós". Que terá novo capítulo ainda hoje. https://fanfiction.com.br/historia/676972/O_ceu_acima_de_nos/