Tudo que Poderia ter Acontecido

32 A garota antes de você


Notas iniciais
Olá meus queridos. Aqui vai mais um capítulo da fic, totalmente diferente de qualquer outro que já tenham lido e com uma proposta totalmente nova - talvez seja um capítulo propaganda da fic "O céu acima de nós" porque demonstra bem como esse spin off irá funcionar, mas ao mesmo tempo é um alívio cômico para essa fic aqui que está muito triste, muito séria e muito deprimente. Então, caso tenham gostado desse capítulo me digam porque poderei inserir mais se for da vontade de vocês. Por favor opinem, digam se gostaram, comentem, favoritem e recomendem. Eu fico muito feliz e posto mais quando vocês interagem comigo então vamos interagir porque é muito rápido e faz tudo valer a pena. Tomara que gostem, boa leitura.

Rose Tyler não conseguia encontrar as crianças, estava exausta após correr por duas horas. Agora, tomando fôlego na sala de controles tentava compreender como ela e o Doutor deixaram duas crianças brincarem de esconde-esconde na TARDIS. Deveria ser um jogo humano e comum: as crianças se escondem, os pais encontram e tudo fica bem. O problema é que o local escolhido havia sido a gigantesca máquina do tempo e isso dificulta muito a tarefa de encontrar. Permitir, incentivar e sugerir o jogo foi irresponsável, cheio de consequências e provavelmente uma péssima ideia. O Doctor se colocou ao lado de Rose também se sentando no mínimo perplexo e agora preocupado com os próprios filhos. John tem dez anos agora e Evey é pouco tempo mais jovem, criar os filhos estava sendo uma jornada.

— Nós nunca vamos encontra-los, será que eles se renderão em algum momento? — O bom humor de Rose já havia sumido, ela queria as crianças de volta.

—O tour pela TARDIS me lembrou que precisamos nos livrar de alguns quartos — Disse o Doctor entregando um pouco de água para Rose. — Por que eu ainda mantenho uma sala com jogo de cricket, quem joga cricket hoje em dia?

—Acha que as crianças estão seguras? — Rose sabia que era uma pergunta pertinente, nem todos os aposentos da TARDIS são seguros.

—A TARDIS jamais deixaria nenhuma delas tomar um caminho perigoso — Garantiu o Doctor — Mas não acho que estamos perto de encontra-las.

—Estamos nisso há duas horas — Assinalou Rose prendendo os cabelos — Podemos nos render Doctor?

—Ei! Eu quero seu espírito competitivo Rose Tyler! Não podemos ser vencidos por crianças que mal tem dez anos de idade — Disse o Doctor animado retirando o sobretudo — Aqueles pequenos daleks que chamamos de filhos não irão nos derrotar.

—Tudo bem, ok. Eu vou pelo corredor da direita e você pelo da esquerda — Disse Rose conferindo se o próprio celular ainda tinha bateria. — Deixe o telefone ligado, precisamos manter contato.

O Doctor assentiu e eles trocaram um cumprimento de cumplicidade. Rose caminhou pelo corredor da direita, passou por algumas portas e provavelmente o silencio absoluto em todas elas anunciava que Evey e John não poderiam estar escondidos nos ditos aposentos. Se havia algo que Rose tinha certeza sobre os filhos é que eles nunca faziam silencio; eram crianças sempre ativas, sempre cheias de risos e sempre muito malucas. Ela ainda não tinha certeza sobre como havia conseguido duas crianças malucas para cuidar, mas sabia que se divertia muito com elas. Agora, mesmo após duas horas, ainda era divertido explorar a TARDIS e tentar encontra-las. Mesmo que fisicamente ambas fossem como Rose, elas não negavam o parentesco com o Doctor em todo o resto.

Rose chegou ao fim do corredor que também tinha uma porta. A porta chamava a atenção por um único grande aspecto: o pequeno nove acima de seu batente. Rose a abriu com cuidado e então se deparou com a sala de controles antiga, a mesma sala na qual começou a viver aventuras com o Doctor tantos anos antes. Ela adentrou a sala, fechou a porta atrás de si e então caminhou para o meio do painel.

—Rose! Você já está pronta? — Era o nono Doctor que exclamava.
A nona regeneração do Doutor estava deitada abaixo dos painéis centrais provavelmente fazendo alguns consertos na máquina do tempo, sentado ao lado dele estava o Capitão Jack Harkness em sua versão mais jovem.

—Doctor… — Rose abriu a boca e então olhou para o corredor, provavelmente sua própria versão mais jovem, apenas com dezenove anos, havia ido trocar de roupa e em breve voltaria. — Jack!

—Como fez seu cabelo ficar maior? Tenho certeza que ele era mais curto até cinco minutos atrás.- Questionou Jack estreitando os olhos e ficando de pé.

Rose abriu a boca duas vezes para em seguida fecha-la. Havia se esquecido dos primeiros tempos nos quais ela era feliz, tola e jovem ao lado da Nona Regeneração do Doctor e eles viviam aventuras cada vez mais esplendidas ao lado de Jack. A garota também havia se esquecido que no princípio, antes de Jack se tornar imortal, ele era mais magro e definitivamente mais tentador.

—Eu…senti tanta falta de vocês — Disse Rose com um sorriso triste.

—Rose, o que está acontecendo? Vamos finalmente para o Restaurante no Fim do Universo, não é hora de sentimentalismo! — Garantiu o Nono Doctor se colocando de pé e batendo as próprias mãos ainda sorrindo.

—Foi uma noite incrível — Rose se aproximou do Doctor com um sorriso — Nossos melhores tempos…Dançaremos toda a noite.

O Doctor olhou confuso para Rose e então se aproximou compreendendo. Eles se fitaram, era como se aqueles olhos azuis pudessem captar cada coisa que ainda não poderia ser dita. E então ele assentiu como se compreendesse a anomalia temporal, como se entendesse que todas as suas versões existem ao mesmo tempo em uma só TARDIS e que, algumas vezes em raros casos, a velha máquina do tempo pode ficar confusa e criar distúrbios temporais que permitem alguém viajar no tempo por alguns minutos.

—Você ainda está aqui Rose? Quanto tempo se passou? — Perguntou o Doctor surpreso.

—Toda uma vida — Respondeu Rose sorrindo e o abraçando com força. — Vamos nos divertir muito.

O Doctor correspondeu o abraço e a rodou. Aquela era a noite na qual sua versão de dezenove anos perceberia que nunca haveria outro homem, que nunca haveria nenhum outro desejo e que qualquer outra esperança estaria perdida. Esse era o momento mágico em que a vida dela seria também a vida daquele Senhor do Tempo.

—Quanto tempo acha que a anomalia temporal vai durar? — Questionou Rose.

—A TARDIS te dará uma porta e quando sair por ela, estará novamente no seu próprio tempo — Assegurou o Doctor com um sorriso.
Rose assentiu e seus olhos se voltaram para Jack. Aquele era o tempo, o tempo antes do lobo mau, antes da batalha, antes do casamento, antes dos filhos. Aquele era o momento no qual Rose Tyler existia antes dele. A garota caminhou até o painel de controles, agora que sabia manusea-lo, poderia colocar uma musica.

—Dança comigo Doutor? Mais uma vez? — A musica já tocava e o Doctor olhava para a garota curioso, ele teria tempo o bastante para ensina-la a pilotar a TARDIS no futuro.

—Você está ainda mais bonita com toda essa idade — Assegurou o Doctor com um riso puxando Rose para perto e dançando com ela.
Rose riu, sabia que ele não tinha muitas noções sobre polidez nessa regeneração. Ainda que fosse bom saber que os anos fizeram tão bem a ela. Ambos continuaram dançando enquanto Jack sentado parecia contente pelos amigos, pelos amantes e por tudo que ele não sabia que aconteceria. Todas as portas que se abririam, toda a verdade que seria revelada, o terrível Lobo Mau.

Foi então que na última girada da dança, quando a musica finalmente chegou ao fim, a porta surgiu. A porta estava diante deles e seria o tempo de dizer mais uma vez adeus. Rose abraçou o Nono Doctor e em seguida o Capitão Jack e deixou o aposento rapidamente. Saiu da antiga sala, fechou a porta atrás de si e voltou para o próprio tempo. Rose Tyler, na TARDIS, tantos anos depois que tudo começou. A garota correu pelos corredores voltando a procurar os filhos quando recebe uma mensagem do Doctor que dizia: “Eu encontrei John e Evey, venha até a sala das adivinhações”

Rose sorriu, guardou o celular e voltou a correr. Dessa vez rumo a sala das adivinhações. Ela não queria perder nada, nada do Doctor, nada dos filhos, nada que poderia ser tão grande e brilhante. Ela queria tudo e teria cada parte. Nunca pararia de correr. Nunca pararia de correr por ele.

A garota Bad Wolf e o Doctor invisível acompanharam Rose Tyler, contudo antes de vê-la sair pela porta e abandonar o Nono Doctor e o Capitão Jack com a própria versão mais jovem ainda tiveram tempo de ver a Rose de dezenove anos irromper com um longo e belo vestido vermelho.

A garota chegou com o olhar desconfiado, com a petulância da juventude e questionou:

—Havia outra mulher aqui? — Rose tinha o olhar desconfiado, provavelmente havia ouvido as risadas de sua própria versão mais velha minutos antes. — Havia outra mulher aqui!

—Não exatamente — Respondeu o Nono Doctor rindo amplamente e sendo acompanhado nas risadas pelo Capitão Jack.

Essa era a vida antes dele. A vida antes do Doctor. A vida antes de tudo que aconteceria. E tudo estava bem.

Notas finais
Ansiosos por mais? Estão gostando? O que acharam desse capítulo tão diferente? Valeu a pena a leitura? Enfim falem comigo por favor. Não esqueçam de recomendar e favoritar. Beijos e mais beijos meus queridos. P.S. Deixei a capa do próximo arco para vocês saberem o que vem por aí. Expectativas?