Tudo que Poderia ter Acontecido

37 A garota na queda dos anjos que choram


Notas iniciais
Olá meus queridos. Aqui está mais um capítulo. Estou postando por pura ansiedade mesmo e porque quero muito saber o que vão achar, além disso surgiram no último capítulo muitas perguntas e achei justo responde-las logo. Espero que gostem, espero que comentem. Inclusive, por favor comentem, favoritem e recomendem. Caso estejam gostando uma recomendação seria realmente algo fantástico. Boa leitura queridos. Espero que gostem.

O Doctor havia chegado até o subterrâneo correndo ao lado de Donna Noble. Mais uma vez, uma grande quantidade de correria envolvia a relação de ambos. Todos os outros aguardavam na “sala forte” dos cybermans. O Senhor do Tempo voltou os olhos rapidamente para Oswin, desviou a atenção para o painel e preparou, junto aos outros, todos os comandos que seriam necessários para efetivar a transferência de “consciências” para um único cyber.

—Rose e Jack estão demorando para se juntarem a nós — Comentou Donna quando estavam prestes a terminar os comandos que possibilitariam a transferencia.

—Jack e Rose, respondam. — Pediu Micky pelos comunicadores também considerando estranho o silencio.

—O sistema está pronto! — Assegurou o Doctor. — Precisamos comandar a transição a partir dessa sala, alguém precisa ficar aqui.

—Eu posso ficar — Disse Oswin se aproximando do Doctor.

—Eu posso ajuda-la — Respondeu Sarah Jane Smith com um leve sorriso.

—Todos os outros…precisamos encontrar Jack e Rose. Quanto ao comando para transferir os cybermans, esperem pelo comando antes de realizarem a ação, vocês precisaram apenas escolher um cyberman e colocar a consciência de todos os outros na mente de apenas um. — Explicou o Doctor abrindo a porta, antes selada, para que todos com excessão de Sarah Jane e Oswin saíssem.

O Doctor começou a percorrer os corredores ao lado de Donna Noble, Mickey Smith e Martha Jones. Foi nesse momento que a voz de Rose Tyler começou a ser ouvida nos comunicadores de todos. Era o último diálogo da garota que se convertia em um cyber.

***

Jack Harkness arregalou os olhos ao compreender que a garota estava sendo convertida, felizmente ainda não havia sido inteiramente transformada. Rose Tyler, abriu os olhos letárgica como se fosse incapaz de compreender a dimensão do que estava ocorrendo. Foi então que a garota usou a mão esquerda livre e tocou a própria face esquerda sentindo o circuito de metal que estava fundido a sua face e ao seu crânio. Imediatamente a garota gritou de modo esganiçado em absoluto desespero.

—Rose, você não será convertida! Fique calma! — Pediu o imortal.

O Capitão estava acorrentado a Rose e as algemas estavam secundariamente presas ao chão de modo que não podiam se levantar, contudo ao menos um de seus braços estavam livres. Jack não podia se levantar, mas se virou de modo que o ombro esquerdo sustentava todo o seu peso no chão frio. Jack estava deitado verticalmente e de lado em frente a mulher loira, foi então que ele segurou a mão de Rose e a fez de ficar na mesma posição que ele.

Agora, mesmo deitados no chão estavam frente a frente, apenas centímetros os separavam e Jack Harkness pousou uma de suas mãos na face esquerda de Rose, a única face que agora poderia ser vista era aquela que tentava transformar Rose Tyler em um cyber.

—Precisa se concentrar nos seus sentimentos, precisa conversar comigo e impedir a conversão. Ao menos, precisamos atrasar a conversão até que o Doctor chegue — Pediu o Capitão em súplica — Fale comigo e impeça isso.

—Tudo bem — A voz de Rose era esganiçada pela luta que travava em prol de sua humanidade. — O que quer conversar?

O comunicador de Jack Harkness havia sido retirado e desativado, contudo aquele que Rose tinha na orelha apenas havia sido quebrado, de modo que ninguém conseguia se comunicar com ela, contudo todos podiam ouvir perfeitamente o que ela estava dizendo.

—Se lembra de quando nos conhecemos? Bombardeio nazista e estávamos dançando! — Jack tinha o olhar apreensivo, havia dor no olhar de Rose e isso o perturbava.

—Sim, você era um grande dançarino! — Rose queria rir, mas não conseguia e seus olhos se fechavam em meio a uma dor torturante.

—Se lembra de nossa primeira noite juntos? — Jack tinha os olhos cheios de lagrimas, era uma dor excruciante a de Rose.

—Sim eu me lembro, nós fizemos sexo na escrivaninha do meu quarto na TARDIS — Começou Rose com um esboço distante de sorriso — Eu me lembro de acha-lo o homem mais atraente com o qual já tinha estado. Você estava ótimo.

—Você fez aquele dia valer a pena — Garantiu Jack com um sorriso em meio as lágrimas, ambos choravam agora — Me lembro que você e o Doctor ainda não eram um casal.

—Ele sempre odiou a palavra casal — Garantiu Rose então emitindo um grito de dor mais alto do que todos os outros.

—Me fale do Doutor… Vamos, me diga: você amou as duas versões dele? — Questionou o Jack tentando manter as emoções mais intensas de Rose.

—É sempre o mesmo homem, os rostos podem ser diferentes mas é sempre o mesmo homem. — A garota agora controlava a respiração e tentava não gritar

— Eu amei todas as versões dele, ao menos todas as versões que conheci. Eu conheci desde a nona até a decima segunda versão e eu posso dizer que amei todas igualmente e do modo mais profundo que consegui. Sempre vou amar o Doctor, sempre será ele.

—Seus filhos Rose, são lindos — Finalmente Jack sentia que o lado humano estava vencendo a batalha.

—Eles me trouxeram esperança quando temi que não houvesse nada que transcendesse a mim a ao Doctor. Eu queria deixar um legado do meu amor por ele e aquelas três crianças foram o legado. — Rose conseguia falar com a voz cheia de dor, com as lágrimas imparáveis e com um desespero que não terminava. — Diga a eles que os amo, diga a todos os nossos amigos o quanto os amo e relembre ao Doctor que eu nem por um instante me arrependi.

—Seus filhos estão esperando por você — Relembrou Jack. — Todos nós estamos esperando por você Rose Tyler. Não se atreva a nos deixar.

—Eu vi o filho de Sarah Jane crescer, assisti Mickey Smith se transformar em um herói e fui capaz de presenciar Martha Jones cumprindo sua missão como salvadora da Terra. Ouvi todas as canções em todos os cantos do universo que falam sobre Donna Noble e ouvi o som dos tambores quando o Mestre ressurgiu. Eu presenciei o amor de Amy Pond e Rory Willians se transformar na força mais poderosa que eu já havia testemunhado e escutei os sinos de Melody Pond. Conheci uma garota que morria e então nascia para morrer de novo, uma Garota Impossível. Fui companheira de um homem que vi morrer e que muitas vezes outras vezes assisti renascer e ele sempre seria um ponto fixo no universo, um ponto fixo chamado Capitão Jack Harkness. Estive em tantos tempos, em tantos lugares e presenciei tantas coisas. Lutei contra Dalekes, contrariei Dravos, morri pelos Cybermans, conheci pessoas incríveis e pessoas terríveis. Eu me transformei no fim e no começo do universo e eu criei e tirei a vida. Eu fui tudo por um instante e ele, o Doctor, foi tudo para mim. Porque passei a vida toda alheia ao fato de que eu precisava de um Doctor, mas um dia ele veio. Ele foi amado e ele foi tudo no universo. — Rose Tyler tinha a voz cheia de convicção e cheia de dor. — Eu nunca esquecerei nada disso, mas minha história acabou. Meu capitulo terminou, mas há tantos outros para serem vividos por ele.

—Você não irá me deixar Rose Tyler! — O Doctor finalmente irrompeu pela porta.

Rose apenas o fitou enquanto o Senhor do Tempo liberava as correntes que a prendiam a Jack Harkness. Agora todos os outros também estavam na sala de controle central, todos os outros lutando contra os cybermans que os prendiam. Mickey Smith, Martha Jones, Donna Noble. Todos dispostos a morrerem para salva-los. O Doctor segurou o rosto de Rose e beijou sua testa rapidamente antes de sussurrar um: “Não me deixe”. A mulher assentiu ainda tentando se lembrar da própria humanidade. Era uma luta dolorosa.

—Oswin e Sarah- Jane, eu quero que transfiram todos os comandos dos cybermans para Rose Tyler. Agora ela faz parte do sistema e e pode ser a única a sobreviver. — Pediu o Doctor caminhando rumo ao computador e ignorando o olhar aterrorizado de Rose.

—Doutor! Eu não posso! — Rose permanecia sentada no chão, não tinha forças para se colocar de pé.

—Se eu transferir as “consciências” para qualquer outro cyberman você será eliminada, você irá desaparecer Rose! — O Doctor praticamente gritou. — Vai desaparecer como um cyberman qualquer!.

Todos os olhares estavam voltados para Rose. Para a mulher que teria de suportar a consciência de mil cybermans. O Doctor preparou o computador e se aproximou de Rose com o olhar suplicante, ele dizia em silêncio “Não posso deixa-la morrer, eu preciso ao menos tentar. Eu preciso salvar minha esposa”. Rose Tyler apenas assentiu, assentiu porque estava disposta a suportar a dor de mil cybermans para que aquele Senhor do Tempo sentisse que havia feito tudo que era possível para salva-la.

—Você será capaz de usar o drive para me obrigar a impedir os Daleks? — Era a única preocupação de Rose Tyler — Os Daleks precisam ser impedidos.

—Sim eu serei — Garantiu o Doctor ainda muito tenso, cheio de um nervosismo evidente — Depois vou tirar todos aqueles cybermans da sua cabeça. Apenas resista até pararmos os Daleks.

Rose Tyler assentiu e voltou os olhos para o céu de Skaro enquanto sentia que Oswin e Sarah Jane estavam desativando os cybermans e transferindo tudo para a mente da única coisa cyber que ainda podia ser salva: Rose Tyler. A única que ainda não havia sido completamente convertida. A garota loira olhou para cima, para cúpula de vidro da sala de controle central de Skaro e viu que o vidro da cúpula se quebraria com a energia. Sentiu a vibração que a transferencia de sistema significava e percebeu que naquele dia em Skaro choveria. Por algum motivo ao fechar os olhos apenas enxergou Anjos Lamentadores. Não entendia porque os via e então buscou uma resposta lógica: muita energia temporal. Eles eram apenas fantasmas, não poderiam fazer nada.

Ao abrir os olhos Rose Tyler notou que todos os outros também viam os anjos e que o Doctor já havia tranquilizado todos quanto ao fato de que eram apenas espectros. Foi então que a cúpula de vidro se quebrou, que os estilhaços caíram ferindo levemente o corpo de todos, a chuva começou e o sangue de todos era derramado. Rose Tyler gritou, gritou de dor e gritou pela última vez.

Notas finais
O que acharam? Conseguiram imaginar esse cenário? Expectativas? Comentários gerais? Agora mereço recomendação ou querem me matar? Beijos queridos.