Tudo que Poderia ter Acontecido

38 A garota descontinuada, as leis do tempo e mais um adeus.


Notas iniciais
FIM DO OITAVO ARCO Olá meus queridos. Aqui está o final de mais um arco. Dessa vez deixo uma música legendada para que ouçam antes de ler o capítulo, é a mesma música que se encontra traduzida. Além disso gostaria de pedir comentários, fatorizações e recomendações. Por favor, motivem a fic a chegar até o fim: eu preciso saber que estão aqui. Além disso escrevi esse capítulo de um modo totalmente diferente dos demais. Então opinem se posso ou não continuar escrevendo capítulos desse modo. Espero que gostem e caso sim, se manifestem por favor. Me digam o que estão achando e não me abandonem por favor. Boa leitura queridos. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=8E4PtoOpD-k

Todo mundo está se perguntando como e de onde todos vieram
Todos estão preocupados sobre para onde irão
quando toda a coisa acabar.
Mas ninguém sabe ao certo então é a mesma coisa pra mim
Acho que vou deixar o mistério continuar

Alguns dizem que quando você se vai, você se vai para sempre, e outros dizem que você vai voltar.
Alguns dizem que você descansará nos braços do Salvador se não trilhou caminhos pecaminosos.
Alguns dizem que eles estão em um jardim, cheio de cenouras e ervilhas pequenas e doces.
Acho que vou deixar o mistério continuar

Todo mundo está se perguntando como e de onde todos vieram.
Todos estão preocupados sobre onde todos irão quando toda a coisa acabar.
Mas ninguém sabe ao certo e é a mesma coisa pra mim.
Acho que vou deixar o mistério continuar.

Alguns dizem que irão para um lugar chamado "Glória" e eu não estou dizendo que é um fato.
Mas escutei que eu estou no caminho para o purgatório e não gosto de como isso soa.
Bem, eu acredito no amor e vivo minha vida de acordo com isso.
Mas eu prefiro deixar o mistério continuar.

Todo mundo está se perguntando como e de onde todos vieram.
Acho que vou deixar o mistério existir

(Tradução livre da música — Let the mystery be)

Rose Tyler sentiu a dor e resistiu ao controle das consciências cybermans. Fechou os olhos enquanto lutava contra toda essa energia, tentou se concentrar e se esforçou para que sua mente se abrisse suficientemente e permitindo a destruição dos Daleks. Rose Tyler abriu os olhos e sentia que tudo dentro dela queimava, o Doctor não olhava para a própria esposa — estava muito ocupado com os controles que tentavam obrigar uma mente dominada por mil cybermans — destruir milhões de Daleks.

Apesar do Doctor não olhar para a garota, todos os outros naquela sala olhavam, todos os outros tinham os olhos em Rose Tyler a expressão de desolação e pesar que cada um carregava parecia muito mais do que ela acreditava merecer. Rose pensou nesses olhares, pensou nessa necessidade de protegê-los quando a própria mente mandou o comando. Os Daleks haviam sido destruídos, um mal necessário. Todos estavam a salvo de Daleks e Cybermans.

Pela primeira vez, em muito tempo, o Doctor não estava preocupado com o genocídio. Pela primeira vez em muito tempo ele não era o Doctor. Ele era apenas um estranho em um universo grande demais, um estranho que amava alguém que jamais havia nascido para durar.

O Doctor quando se virou na direção de Rose Tyler a encontrou de pé, tremendo violentamente e lutando contra as mil vozes em sua cabeça. O Senhor do Tempo se aproximou suficientemente depressa para segurar a cintura de Rose Tyler quando ela caía esgotada. Ele a deitou no chão — chão esse coberto por dois palmos de água — segurando as costas da humana que ainda usava o mesmo vestido azul claro que havia colocado para o casamento da filha. Como as coisas podiam ter mudado tão depressa? O que haviam feito? Era o tempo de mais um adeus?

—Rose, eu vou tirar essas vozes da sua mente — Garantiu o Doctor com apreensão a fitando, estranhamente os braços do Senhor do Tempo tremiam.

—Sabemos que se tira-las irá me matar mais depressa — Respondeu Rose sentindo mais uma vez a dor, sua mente estava sendo destruída.

O Doctor fechou os olhos, pousou uma das mãos na têmpora de Rose e fez a testa de ambos se tocarem. Ele estava na mente dela, ele faria qualquer coisa para afastar os cybermans. Ainda assim, ele não conseguia diferenciar as vozes que pertenciam a Rose e as vozes que pertenciam aos cybermans; não conseguiria nem mesmo apagar todas as lembranças da mulher. A mente dela estava em colapso e o Doctor podia sentir a dor e a inevitabilidade da degradação do cérebro de Rose.

—Rose… — O Doctor abriu os olhos finalmente fitando o rosto da garota. — Eu não conseguirei salva-la.

—Eu sei, eu estou pronta Doutor — Garantiu Rose com os olhos cheios de lágrimas, eles choravam juntos agora enquanto se fitavam em meio a chuva. — Estive pensando no que virá após a morte.

—Eu não quero que me deixe Rose, eu não estou pronto — Pediu ele em súplica— É muito cedo, você tinha tantas coisas para ver…tantas coisas para conhecer.

—Mas tivemos tantas vidas juntos — Rose tinha a voz fraca, distante e excessivamente doce para um momento de dor — Nós rimos juntos em todas aquelas viagens dos primeiros tempos. Nós fomos separados no juízo final para que no fim da jornada estivemos juntos. Nós nos amamos no planeta em que nossos filhos crescemos. Nós envelhecemos juntos naquele planeta no qual um mês terrestre equivaliam a sessenta anos. Tivemos o tempo de várias vidas, tivemos toda uma vida juntos.

—Gostaria de ter tido tempo para ter muitas outras ao seu lado — Afirmou o Doctor ainda chorando, ainda segurando o rosto de Rose Tyler.

—Eu me casei com um homem cujo nome eu não sei, o único homem que eu poderia amar. — Declarou ela com um leve sorriso e completou com absurda calma e absoluta serenidade — Agora me diga Doctor…o que acha que haverá quando tudo acabar? Nunca pensei sobre isso.

—Nem mesmo um Senhor do Tempo tem essa resposta, eu não sei o que há depois da morte — Explicou ele tentando manter a voz tranquila — Mas seja corajosa, Rose. Seja corajosa.

—Espero que haja algo bom, espero que seja fantástico. Que seja a melhor próxima aventura que alguém pode ter — Disse Rose Tyler sentindo que seu coração batia mais devagar, sentindo que podia partir a qualquer momento — Não tenha medo Doctor. Não tenha medo do que virá … será fantástico para nós dois.

—Eu te amo Rose Tyler, nunca vou me esquecer de nenhuma de nossas vidas juntos — Garantiu o Doctor recebendo um sorriso de Rose, um sorriso honesto e gentil; exatamente como nos velhos tempos.

— E seja o Doctor, por favor seja o Doctor. — Pediu Rose em súplica antes de sentir a última faísca de vida se esvaindo.

Rose Tyler fechou os olhos. Antes de morrer ela viu em sua mente três imagens absurdamente nítidas. A primeira dessas imagens dizia respeito a suas longas tardes ao lado de Jackie, Pete e Tony Tyler. A outra imagem que Rose Tyler viu — sendo que essa durou ainda mais tempo do que a anterior — fazia referencia ao Doctor; a garota o viu ao lado dos filhos que haviam tido, o viu sorrindo e eles perseguiam as crianças pela casa na qual viveram por tantos anos. A terceira imagem era do Doctor em sua nona regeneração segurando suas mãos mais jovens de dezenove anos enquanto caminhavam rumo a TARDIS. Rose conseguia assim se lembrar da foto que havia tirado ao lado da família quando era ainda muito jovem e da outra fotografia realizada ao lado da nova família que formara durante sua vida adulta, mas nada era mais forte ou poderoso do que o rosto e as mãos do homem que começara tudo aquilo. Essas foram as três últimas coisas que Rose Tyler viu antes de partir. Esses foram os últimos momentos da Garota que não precisava de um título, mas que teve mais designações do que qualquer outra antes.

A garota Lobo Mal.

A garota que amou.

A protetora da Terra.

Ela morreu como tantos outros: morreu ao lado dos amigos, morreu ao lado do homem que amava, morreu por algo que defenderia até o fim. Morreu insconsciente quanto ao que viria após a morte, se seria escuridão ou luz. Morreu desconhecendo as coisas que talvez ninguém mais conheça. Morreu como todos os outros afinal ela não sabia o que viria depois. Ninguém jamais saberia. A profecia se cumpria finalmente: a criança corajosa que morreria em batalha.

O Doctor ao compreender que aquele era o último suspiro de Rose Tyler trouxe o corpo dela próximo e a abraçou como se ela pudesse sentir aquele último apelo. Ela não sentiu. Ele ficou em meio a chuva de Skaro por muito tempo, todos ficaram imóveis por muito tempo e todos choraram a morte de Rose Tyler, mas ninguém se aproximou do corpo dela ou tentou tirar o Doctor daquele abraço. Ninguém o tocou, ninguém ouviu dele nenhuma palavra, ninguém nunca antes havia visto um Senhor do Tempo chorar.

Todos estavam vivos, contudo alguém sempre precisava se sacrificar. Naquele mesmo dia o Doctor levou o corpo de Rose Tyler para a TARDIS. Sozinho ele a colocou na cama que dividiram por tanto tempo e então ele devolveu todos os amigos para a Terra. Ninguém trocou nenhuma palavra com ele, até porque os olhos de todos diziam que precisavam vivenciar o próprio luto. Oswin também foi devolvida para o próprio planeta, naquele mesmo dia, durante uma pequena revolta contra o sistema, ela foi acidentalmente lançada na frente de um trem e morreu. Morreu no esquecimento, morreu na infelicidade de uma missão não cumprida — afinal dessa vez ela não havia salvado o Doctor — morreu para que pudesse nascer de novo.

Quando todos haviam deixado a TARDIS o Doctor soube que teria de ir para casa. Teria de contar aos filhos e a família de Rose, teria de enterrar a esposa e teria que mostrar o corpo ferido dela. Soube que teria de colocar um ponto final, mas não o fez imediatamente. Ele se apoiou no painel da TARDIS, fechou os olhos e apenas chorou copiosamente enquanto a máquina do tempo chorava ao seu lado.

Esse é o problema do tempo: ele atinge todos. O tempo atingiu o Doctor e o peso nunca pareceu maior, o fardo nunca pareceu mais definitivo do que naquele dia. Isso não aconteceu porque o Doctor jamais havia perdido coisas mais preciosas, ou porque não entendia nada sobre luto: aquela sensação nascia da esperança que havia nutrido por todos aqueles anos, o peso era maior quando se é feliz e isso é tirado. Esse é o problema do tempo: ele humilha todos.

A Garota Bad Wolf estava sentada ao lado do Doctor Invisível enquanto assistiam o choro cheio de fúria, raiva e desespero do Doctor daquela realidade. Eles estavam em silencio há muito tempo, com os olhos inertes e com os corações cheios de um poder que apenas pertencia ao Lobo Mau.

—Eu não quero ver isso, eu não quero sentir mais isso — Garantiu o Doctor Invisível.

—Teremos de voltar a esse momento, mas posso mostrar um futuro mais distante por algum tempo. — Explicou o Lobo Mau assentindo.

—Apenas preciso sair daqui — Assegurou o Doctor.

Os juízes assistiram: eles deixaram aquele local rumo a uma nova aventura. A Garota Bad Wolf e o Doctor foram para outro momento, para um futuro cheio de nova esperança. Era hora de deixar o tempo e suas leis vencerem.

Notas finais
Comentários? Favoritações? Recomendações? Gostaram do estilo de escrita? Gostaram do final desse arco? Falem comigo por favor. Beijos queridos.