Tudo que Poderia ter Acontecido
25 A garota na constelação de Kasterborous
Notas iniciais
Rose Tyler suspirou profundamente. Pete Tyler parecia imparável nas advertências para a filha grávida e suas palavras já não diziam muita coisa, a garota assentia com algum receio temendo profundamente magoar o pai, mas já sabia tudo que precisava saber. A garota Bad Wolf e o Doctor invisível olhavam a cena com certa preocupação afinal na grande sala de estar da nova casa dos Tyler estava Rose grávida de seis meses, Amy Pond e Rory Willians sentados na poltrona dando atenção absoluta a Melody Pond e a TARDIS, ali em meio a sala de estar, já anunciava que o casal, agora de amigos, conhecia a verdade sobre viagens no tempo e no espaço.
Rose estava grávida de seu segundo filho, o primeiro havia nascido um ano e dois meses antes e foi chamado de John, agora esperando seu segundo filho Rose tinha dúvidas se havia tomado a decisão certa. Ainda assim a garota concordou com as explicações do pai e caminhou até o quarto de bebê que havia na casa de seus pais, ela já estava no corredor e podia ouvir a voz do Doctor com o filho. Ela parou por um instante porque não queria de modo algum interromper absolutamente nada entre os dois.
O Doctor segurava a criança no quarto iluminado o fazendo se silenciar, era como se desde o princípio ele já soubesse como um bebê deveria ser criado. Após o parto de Rose a garota teve dificuldades para se readaptar, mas ele simplesmente soube como segurar a mão dela nessa nova jornada. John havia sido algo bom entre eles e o reinado de terror do Doctor terminou no momento em que ele segurou aquela criança nos braços pela primeira vez, qualquer um podia notar como ele amava imensamente o filho. Agora o Doctor contava histórias para ele dormir, na maior parte do tempo era isso que ele mais gostava de fazer junto ao filho: contar sobre as coisas do universo.
—Gallifrey era um planeta fantástico – Dizia o Doctor agora sentado ao lado do berço do filho, ele já estava muito mais calmo e olhava para o pai com paciência – Haviam duas luas e dois sóis, um sistema binário...
—Casa – Disse John erguendo a mão para o Doctor segurar.
—Sim, Gallifrey é um dos nossos lares – Respondeu o Doctor encantado com um sorriso.
—Mais – Pediu o garoto para o pai.
—A grama era vermelha, os campos se enchiam de neve e o horizonte era sempre laranja – O Doctor agora fechava os olhos com a mão na cabeça do filho como se tentasse buscar a imagem a ser descrita – As flores podiam ser douradas ou prateadas, mas florestas as eram sempre de cor prata e refletiam a luz do sol ao amanhecer.
O Doctor finalmente abriu os olhos e percebeu que o filho dormia profundamente, ele sorriu levemente e beijou com cuidado a cabeça do garoto. Apenas nesse momento Rose Tyler adentrou o cômodo também se inclinando com dificuldades para beijar o filho e percebendo que o Doctor já colocava o braço ao redor de sua grande cintura de grávida.
—Espero que ele aprecie mais minhas histórias quando crescer – Comentou o Doctor devido ao sono profundo que atingira o filho.
—Ele irá – Garantiu Rose agora fazendo o marido sair do quarto.
Assim que a porta do quarto de John se fechou o Doctor segurou o rosto de Rose com cuidado e a beijou levemente. O corredor estava deserto e o Senhor do Tempo sabia o quanto a gravidez continuava sendo difícil, principalmente agora, que o tempo não parava de passar. Rose segurou a própria barriga preocupada, o temor de perder o segundo filho ainda existia dentro dela e o peso era cada vez maior; o Doctor tocou a barriga da esposa assentindo também preocupado.
—Viajar com os Pond será bom – Garantiu o Doctor com a voz amena – Melody ficará bem aqui com os seus pais e será algo breve. Vamos jantar e você tentará parar de pensar nesse parto.
—Eu deveria estar no hospital Doctor – Rose tinha a voz apreensiva, não queria se separar de John a não ser que fosse para o nascimento de seu segundo filho – Eu...eu nunca me afastei de John.
—Eu sei – Garantiu o Doctor suspirando – Mas precisa se adaptar ao fato de que ele não estará no hospital quando nosso outro filho nascer...precisa começar a aceitar o fato de que terá alguns dias sem ele.
—Mas... John é... – Rose amava o filho em uma dependência cega, o coração dela era preenchido por aquela criança – Você está certo.
—Ainda temos de esperar um mês para que essa criança possa nascer no melhor hospital do universo e precisa... – Começou o Doctor ainda com paciência.
—Precisamos de um tempo juntos – Completou Rose – É bom viajar com os Pond.
—Sim é – Afirmou o Doctor.
No começo da primeira gravidez de Rose eles haviam viajado várias vezes com os Pond, contudo quando a barriga de Rose pesou muito e John nasceu a amizade entre os dois casais se tornou muito mais humana e envolta nas crianças que tinham. Fazia muito tempo que não viajavam juntos e o Doctor ofereceu algo tranquilo como um jantar em um ano comum de algum bom século, talvez na Terra ou talvez em outro planeta. A única ideia de fato era fazer Rose se tranquilizar quanto ao segundo filho e conseguir ter algum bom tempo mesmo na ausência de John.
—Todos para TARDIS – Anunciou o Doctor adentrando a sala de estar e segurando a mão de Pete Tyler em despedida – Estaremos de volta mais rápido...
—Vamos vamos antes que eu desista – Disse Amy quase empurrando o Doctor para a TARDIS.
Rose e Rory adentraram conversando e então a nave desmaterializou. O Doctor lidava com os controles enquanto que todos os outros, até mesmo Rose, continuavam fascinados com a nova aparência da TARDIS. Foi então que algo mudou. Um terrível movimento e um grande barulho atingiram a máquina do tempo que totalmente desgovernada parecia seguir algo distante, em uma atração improvável e indesejada.
—Não! Não!! – O Doctor praticamente gritava.
—O que está acontecendo? – Rory foi o primeiro a perguntar exasperado.
—A TARDIS está seguindo um sinal – Explicou Rose também segurando no painel de controle, mas olhando uma das telas – Ela está seguindo esse sinal, mas não devia.
—Sim! Estive ignorando esse sinal há semanas e agora a TARDIS está nos levando para um lugar desconhecido, eu não reconheço essas coordenadas e... – Começou o Doctor ainda tentando mexer nos controles na tentativa vã de deter os impulsos da máquina do tempo.
Houve mais um grande estrondo e todos se desiquilibraram caindo no chão. Rose assentiu para o Doctor garantindo que estava bem e então Amélia, Rory e o Doctor se colocaram de pé preparados para ajudar Rose a se levantar, mas algo os deteve. A garota ainda no chão fitou perplexa os três companheiros que não se dirigiram a ela para ajudarem.
—Uma mulher grávida não merece ser ajudada? – Questionou Rose finalmente se colocando de pé. – Eu sinceramente...
Rose assim que voltou seus olhos para onde todos os outros olhavam compreendeu a absoluta perplexidade. Haviam dois homens que possessos encaravam a cena, um deles a garota já conhecia como sendo a décima primeira regeneração do Doctor já o segundo era muito mais velho, sobrancelhas imponentes e olhos azuis. A decima primeira regeneração do Doctor tinha uma garota ao seu lado e imediatamente Rose a associou a Clara Oswin Oswald que havia sido citada como impossível em sua rápida convivência com o décimo primeiro tempos antes. Rose também parecia se lembrar de Clara por alguma outra razão, como em uma lembrança esquecida, contudo simplesmente escolheu ignorar esse fato.
—Três de nós – Disse o homem mais velho – Olá Doutores.
—O que? – O décimo Doctor parecia perplexo – Vocês são...
—Essa é a minha próxima regeneração? – O décimo primeiro parecia indignado e se aproximou do décimo segundo.
—Quantos anos você tem, nove? – Questionou o decimo segundo incomodado com a juventude de seu antigo eu.
—Onde estamos? – A voz de Rose ecoou mais forte fazendo todos os olhares se direcionarem para ela.
—Você é...Rose Tyler – Clara tinha alguma cautela na voz mas os olhos dela estavam diretamente focados na grande barriga da garota. – Aquela Rose Tyler.
—A única – Terminou o décimo segundo e os olhares se voltaram para ele – Vamos descobrir onde estamos.
Todos saíram quase em fila da TARDIS, mas os Doutores pararam perplexos ao verem a paisagem. Ali lado a lado o décimo, o décimo primeiro e o décimo segundo se questionavam sobre a própria sanidade e a cada segundo de silêncio comprovavam que a paisagem mais a frente não era, de modo algum, uma farsa. Eles apenas podiam ver o que estava no horizonte, eles não podiam correr, eles não podiam acreditar.
—Onde estamos? – Questionou Amélia Pond.
—Constelação de Kasterborous. – Começou o decimo Doutor.
—No planeta brilhante dos sete sistemas – Continuou o décimo primeiro pausadamente.
—Ou mais precisamente...– Terminou o decimo segundo Doctor – Em Gallifrey.
Rose Tyler lado a lado com Rory Willians, Amélia Pond e Clara Oswald não podia acreditar. Todos seguraram a respiração porque sabiam que o planeta destruído e depois perdido daquele velho senhor do tempo representava tudo que jamais deveria ser encontrado, que jamais deveria ser salvo e que o universo respirava mais tranquilo sem aquela velha raça de uma constelação há tanto tempo perdida. Gallifrey resiste juntamente todos os perversos Time Lords. A verdadeira guerra finalmente iria começar.
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