Tudo que Poderia ter Acontecido

44 A garota injustificada sob a terceira onda


Notas iniciais
Olá meus queridos. Aqui está mais um capítulo da fic, estou postando hoje porque provavelmente não terei tempo no final de semana devido a obrigações, sobre a minha demora na atualização das fics ressalto que estou passando por momentos difíceis na minha vida e a fase extremamente dolorosa torna realmente complicado seguir em frente até mesmo com as histórias. Ainda assim tentarei voltar ao capítulo semanal nas outras histórias quando me sentir um pouco melhor. O capítulo aqui exposto está cheio de revelações e serve de pano de fundo para o que vai acontecer de agora em diante. Espero que vocês gostem. Falem comigo por favor e ajudem favoritando e recomendando a história caso estejam gostando. Nesse momento todo o incentivo é bem vindo e necessário. Boa leitura queridos.

Não tenha pena dos mortos e sim dos vivos, principalmente daqueles que vivem sem amor.
(Harry Potter)

Donna Noble correu rumo a TARDIS enquanto que o Doctor já estava dentro com a porta aberta aguardando a entrada da amiga. Eles sabiam que logo tudo explodiria naquele planeta e precisavam se retirar, sim se tratava de um planeta prestes a ser queimado por uma estrela, contudo 1/4 dos habitantes estavam aprisionados pelas autoridades que desejavam “purificar” a nova colônia do planeta. Evidentemente, Doctor e Donna impediram que tudo isso ocorresse, salvaram os prisioneiros no planeta e afastaram para sempre as autoridades que haviam arquitetado o plano.

O Doctor fez a TARDIS se desmaterializar e sorriu empolgado — retirando o sobretudo -por todos terem sobrevivido. Donna Noble se sentou exausta suspirando, evidentemente o planeta era extremamente quente e ambos ainda estavam sem nenhum fôlego.

—Isso foi ótimo não é mesmo Donna? — Questionou o Doctor olhando para as coordenadas da TARDIS. — Para onde iremos agora? Planeta Barcelona? O Planeta dos Chapéus? Eu sei que você adora o Planeta dos Chapéus.

—Faz uma semana que estamos viajando e salvamos nove planetas no total — A voz de Donna estava cheia de censura — Foi realmente adorável salvar todas aquelas pessoas, mas…

—Você precisa descansar — Completou o Doctor cruzando os braços e assentindo.

—Você também deveria, senhores do tempo também precisam dormir — Garantiu Donna preocupada se aproximando do Doctor — Eu sei que enquanto estou dormindo você simplesmente está consertando essa máquina do tempo…

—Não tem sido uma boa experiência dormir — Assegurou o Doctor fechando os olhos.

—Sente falta dela não é mesmo? Eu sei que na Terra podem ter sido quinze anos juntos, mas para vocês naquela colônia…foi muito tempo — Donna tinha os olhos cheios de apreensão — Você está seguindo em frente Doctor, era isso que ela queria.

—Estou Donna? Não acho que seja esse o caso — Assinalou o Doctor caminhando até a porta — Estou apenas virando as costas e correndo, correndo e correndo como sempre fiz porque tenho medo de olhar para trás e encarar o rastro de destruição que deixei.

—É por isso que não quer ir visitar o túmulo de Rose hoje? — Questionou Donna preocupada.

O Doctor respondeu abrindo a porta e mostrando o cemitério. Donna assentiu e caminharam lado a lado entre as lápides e a grama verde, tentaram entender como tantas coisas diferentes poderiam conviver. O Senhor do Tempo ficou de frente para a lápide de Rose Tyler em que a escrita era clara e excessivamente simples “Rose Tyler -Amada filha, esposa e mãe”. E para ele naquele instante tudo era sobre a negociação, a barganha dentro de si mesmo tentando medir as consequências do que não podia ser revertido.

Ficaram alguns minutos lado a lado perante a lápide da mulher morta até que Jackie e Evey se aproximassem. Fazia agora seis meses exatos que Rose havia partido e aquela sepultura era muito mais visitada do que deveria ser…tantas pessoas foram deixadas para trás afinal.

—Vou deixa-los sozinhos — Disse Donna se afastando, porém Evey a acompanhou.

O Doctor estava lado a lado com Jackie Tyler e desde a partida de Rose nada além do silencio prevaleceu entre eles. Era um silêncio cheio de acusação e cheio de culpa, cheio de sentimentos conflitantes tentando compreender os clamores gritados pelo outro. Não disseram nada porque não sentiam que havia algo a ser dito, ao menos até aquele momento. Mas agora era o momento da negociação.

—Obrigada Jackie — O Doctor disse simplesmente olhando a sepultura de Rose.

—Ainda será sua culpa amanhã Doutor — Garantiu Jackie com a voz fraca colocando as flores no caixão da filha — Ainda será sua culpa ela não estar aqui porque ela tinha uma chance quando era uma garota de dezenove anos…ela ainda tinha uma chance antes de segurar sua mão.

—Eu deveria te-la deixado partir — Disse o Doctor fechando os olhos.

—No momento que ela segurou sua mão…naquele momento nada mais poderia ser diferente. Naquele momento não havia como voltar atrás…ela te traria de volta todas as vezes, ela não se contentaria até ter você ou algo exatamente igual a você — Jackie parecia zangada com a própria filha — Você era o mundo dela.

—Certa vez você disse a Rose que depois de quarenta anos você olharia para ela e veria uma pessoa completamente diferente que essa pessoa não seria sua filha — Começou o Doctor recebendo um olhar cheio de censura de Jackie — Rose me contou isso certa noite, em uma noite ela fez um apanhador de sonhos para afastar esse pesadelo.

—Vocês faziam isso não é mesmo? Ela era obcecada por aqueles apanhadores de sonhos — Começou Jackie com as lágrimas caindo de seus olhos — Ela fazia um para cada pesadelo que tinha, assim como você recomendou, a casa de vocês era inundada deles. As vezes eu ficava imaginando quais pesadelos tão terríveis eram esses que a obrigavam a fazer tantos apanhadores de sonhos.

—Ela viveu o inferno comigo — Respondeu o Doctor cheio de mágoa.

—Eu não sabia todos os pesadelos de minha filha, ela guardava grandes segredos e as vezes parecia segurar o peso do universo nos ombros. Eu não entendia como ela podia fazer tantos apanhadores de sonhos e no final do dia ainda ser minha Rose, mas ela era. Ela sempre foi Rose Tyler e com o passar dos anos eu a conheci de um modo completamente novo…ela não se tornou alguém diferente. Ela apenas se tornou uma nova versão de si mesma, uma versão melhor. — Explicou Jackie ainda chorando.

—Desculpe ter tirado ela de você — Disse o Doctor pela primeira vez, desde que deixara o corpo de Rose na casa de Jackie seis meses antes, sentindo vontade de chorar.

Jackie Tyler assentiu e colocou as mãos contra o rosto tentando deter as lágrimas e recebeu um abraço forte do Doctor. Ficaram abraçados muito tempo, tempo o bastante para que Jackie sentisse dor, tristeza, infelicidade, raiva e gratidão. Gratidão por Rose ter deixado netos, por ter deixado parte dela para trás. Gratidão pela filha ainda estar viva de algum modo. Mas isso não bastou para findar a dor, a dor nunca acabaria.

***

Martha Jones arqueou a sobrancelha cética ao surgir com um vestido de gala formal na sala de controles da TARDIS. O Doctor sorriu levemente, ofereceu o braço para a garota e deixaram a máquina do tempo em meio a festa. Martha se sentia apreensiva porque estava em uma missão conjunta com Torchwood e o Doctor jamais deveria ter se envolvido dizendo “Estou apenas te dando uma carona rumo ao seu destino, também posso ser o seu acompanhante”. Martha sabia como isso iria acabar: com o Doctor estragando toda a missão.

—Somos casados e nosso sobrenome é Lawrence — Explicou Martha entre sorrisos tentando parecer verdadeiramente infiltrada em uma festa luxuosa.

—Não se preocupe tanto Martha — Pediu o Doctor caminhando ao lado da garota

— Onde está Jack Harkness?

—Fale baixo! — Pediu Martha o arrastando para o salão de dança.

Começaram a dançar algo lento enquanto os olhos de Martha continuavam atentos nas instruções passadas por Gween Cooper no comunicador, já Jack estava também infiltrado mas conseguira entrar em uma sala onde o segredo poderia estar guardado. O Doctor não tinha comunicadores apesar de todos da Torchwood já terem pleno conhecimento quanto a presença inesperada dele.

Quando a dança terminou e todos bateram palmas o Doctor notou que havia um rosto excessivamente conhecido no bar: se tratava de sua filha mais jovem. Gabrielle estava sentada no bar usando um vestido azul longo excessivamente brilhante, caro e sensual para os padrões normais. O Doctor encarou perplexo a filha de longe e caminhou em direção a ela imediatamente.

Gabrielle tinha a taça de martini na boca quando se assustou com a aparição do pai que abandonara Martha Jones para trás.

—O que está fazendo aqui? — Questionou o Doctor se sentando logo de frente para a filha e se inclinando na direção dela.

—Estamos em uma missão — Respondeu Gabrielle bebendo mais um gole do martini e cruzando as pernas.

—Quando você ficou tão adulta? — Questionou o Doctor delicadamente retirando a taça de martini das mãos dela. — Está em uma missão com Torchwood?

—Sou a nova…agente de Torchwood — Assegurou Gabrielle recebendo um olhar zangado do Doctor.

—O que? Jack realmente te deu um emprego em Torchowood? — O Doctor respirou profundamente.

—Está estragando meu disfarce… — Começou Gabrielle com a voz cheia de rancor — Eu fui testada…fui bem e quis o emprego. Jack apenas tornou possível.

—O índice de mortalidade em Torchowood é alto demais — Começou o Doctor respirando profundamente mais uma vez — Não pode correr todo esse risco.

—Meu trabalho, minha vida, meus desejos e você não irá intervir! — Disse ela pousando um dos dedos no peito do pai e havia muita teimosia e convicção na voz de Gabrielle.

O Doctor se colocou de pé, deixou o salão rumo a TARDIS. Estava reagindo a tudo aquilo exatamente como um humano faria e isso o incomodou a tal ponto que ao encontrar a máquina do tempo apenas se recostou na lateral azul e fechou os olhos tentando pensar sobre como as pessoas sempre se vão e que seus filhos também partiriam.

—Pai — A voz de Gabrielle irrompeu no pequeno cômodo da zeladoria.

A garota se aproximou do Senhor do Tempo e o abraçou. Eles tinham uma diferença de altura considerável, mas o abraço naquela minúscula sala ocupada pela TARDIS era muito maior do que isso. Eles não disseram nada, mas estavam lado a lado como sentiam que deveria ser.

—Sei que fará um bom trabalho em Torchwood — Assegurou o Doctor agora segurando o ombro da filha.

—Há algo acontecendo, algo que precisa saber — Começou Gabrielle — O universo tem sussurrado “Doctor”.

—Eles sempre sussurraram meu nome — Garantiu o Senhor do Tempo com um leve sorriso.

—É diferente…eles parecem temer. Eles contam a história sobre um grande guerreiro pertencente a uma raça poderosa, um guerreiro que jurou nunca intervir mas tudo que sempre faz é intervir.

—Guerreiro? — O Doctor agora estava frustrado.

—Eles dizem que suas intervenções foram longe demais, que você escolhe um lado e o faz vencedor mesmo que não pense nas consequências. Seus julgamentos e suas ações são arbitrarias e trouxeram consequências…

—Muitos estão dizendo isso? — Questionou o Doctor arqueando a sobrancelha.

—Todos os planetas que o conhecem — Explicou Gabrielle preocupada — O medo deles pode trazer consequências devastadoras.

—Sei disso, mas tentarei me afastar — Assegurou o Doctor — Eles se esquecerão de mim.

—A Proclamação das Sombras já deseja vê-lo — Começou Gabrielle agora encarando as próprias mãos — Eles tem acusações sérias…

—Que tipo de acusação? — O Doctor tinha o olhar cheio de preocupação agora.

—Eles acham que você cometeu genocídio ao eliminar todos aqueles daleks e pessoas que estavam nas naves sem saber se algo ruim iria de fato acontecer.— Gabrielle falava aos sussurros — Dizem que você foi responsável pela morte da própria esposa e agora está desesperado tentando quebrar a única lei fundamental que rege o universo: todos os seres morrem.

—Acham que quero trazer Rose de volta? — O Doctor tinha a expressão claramente assustada.

—Você está voltando na sua própria linha temporal com muita frequência…indo aos lugares que já estiveram juntos — Começou Gabrielle com o olhar preocupado — Acham que está fazendo isso para encontrar algo que possa traze-la de volta.

—Faço isso porque sinto falta dela! — Assegurou o Doctor agora andando ansioso pelo pequeno espaço — Eu jamais quebraria essa lei.

—Eu sei disso, mas o resto do universo não sabe… — Explicou Gabrielle.

—Algo sempre começa os sussurros — Concluiu o Doctor.

O Senhor do Tempo beijou a testa de Gabrielle e correu até a TARDIS. Fez as coordenadas voltarem para muitos anos antes quando Rose ainda tinha vinte anos de idade e era apenas uma garota usando um vestido rosa tentando desesperadamente recuperar o próprio rosto que foi tomado. Ele voltou a aquela mesma rua e viu a uma longa distancia Rose se aproximando de sua versão mais jovem enquanto ficavam frente a frente. O Doctor encarou aquele momento só por um segundo antes de tentar olhar ao redor buscando algo que havia perdido.

—Olá pai — Disse uma voz vindo logo atrás — Sentiu minha falta?

O Doctor se virou para a garota logo atrás de si e não pôde reconhece-la, mas soube imediatamente quem era.

—Susan — A expressão do Senhor do Tempo era de assombro.

—O mundo me conhece como Nêmesis. — Sorriu ela.

Por um instante tudo foi negociação. Aquela fora a terceira onda, é tempo de conhecer a quarta.

Notas finais
O que acharam? O que acham que vai acontecer agora? Pedidos ou expectativas? Por favor falem comigo. Além disso não esqueçam de favoritar e recomendar, realmente muito importante nesse momento da fic. Beijos queridos.