Tudo que Poderia ter Acontecido

20 A garota em uma aleluia fria e partida


Notas iniciais
Oláaa. Aqui vai mais um capítulo com o pedido de que vocês deixem suas palavras de motivação caso gostem - qualquer manifestação é válida. Comentem, recomendem, favoritem enfim me façam continuar essa história. Demorei muito a postar devido a falta de motivação, mas finalmente encontrei ânimo para começar mais esse arco. Enfim já era para ter sido postado ontem, mas a internet não cooperou. Me digam o que estão achando e espero que gostem. Eu também mudei a capa da fanfic, ficou melhor? Autora solitária que só pode perguntar para os leitores haha.

A garota Bad Wolf segurou a mão do Doctor e estavam novamente em outro cenário. Dessa vez era o quarto agora ampliado do Doctor, provavelmente estava maior depois do casamento com Rose. A garota Bad Wolf não disse nada mas levou o Doctor para o amplo banheiro que possuía uma grande banheira em seu interior, eles permaneceram parados ali esperando o que viria. Rose Tyler estava de roupão branco, cabelos soltos, olhos cheios de lágrimas recostada na extremidade da banheira com as mãos nervosas a deixando de pé, ela tentava respirar fundo e foi então que o Doctor invisível notou o filete de sangue nas pernas de Rose e então ele entendeu.

–Rose... – O Doctor estava na frente da porta meio aberta do banheiro.

–Entre – Respondeu Rose secando o rosto ao ver que o Doctor finalmente entraria.

O Doctor antes de dizer qualquer coisa percorreu os olhos sobre Rose e ao finalmente notar o que havia acontecido fechou os olhos respirando profundamente pronto para se aproximar. Era a terceira vez que Rose perdia uma criança nas primeiras semanas de gravidez, ela estava com apenas três semanas. O Doctor se aproximou e abraçou Rose com força tentando conforta-la, afinal ela queria tanto filhos mesmo que cada dia mais isso se tornasse impossível. A única gravidez que havia durado muito foi a primeira e ainda assim a criança foi tirada de Rose tão violentamente que talvez nenhuma outra viesse a nascer dela.

–Eu sinto muito Rose – Garantiu o Senhor do Tempo segurando o rosto da garota com um olhar preocupado e triste – Tentaremos de novo.

–Nunca seremos uma família não é mesmo? – Rose voltou a se recostar na banheira.

–Seremos uma família completa em breve – Garantiu o Doctor com a voz amena.

Rose sabia que precisava tomar banho, tirar o sangue de si e tentar seguir em frente, mas enquanto encarava o chão duvidou que seria capaz. Estavam casados há dois anos e em meio a todas as aventuras, planetas e noites alucinantes considerou que ter um filho era importante, nada a surpreendeu mais do que a calmaria do Doctor em relação a essa possibilidade. Ele aceitou isso, como se parte dele quisesse essa humanidade impossível. Como se parte dele quisesse reparar a criança que morreu quando eles não eram casados. Ainda assim todas as noites quando iam dormir e o Doctor encarava o teto ele se mostrava preocupado, preocupado com a passagem do tempo, com as impossibilidades e com as tragédias que podiam surgir em meio a toda a aventura. Ele estava percebendo o tempo chegar para Rose, agora ela tinha vinte e seis anos.

O Doctor se curvou na direção da banheira, abriu as torneiras e deixou a água cair, o som deixou Rose mais calma e quando o homem que ela tanto amava beijou sua testa com uma paciência impossível sentiu um leve sorriso sair de seus lábios ao mesmo tempo que o medo do tempo, da vida e das crianças perdidas pareciam mais devastadores. Isso fazia de Rose Tyler forte ou fraca? Ela era forte perante a aventura e fraca perante a vida? Ela queria descobrir a resposta, mas não teve tempo porque sentiu as mãos do Doctor retirando seu roupão branco e a guiando para a banheira. Ela entrou sozinha em meio a espuma mas sentiu as mãos dele em suas costas. Ele havia tirado o casaco e dobrado as mangas de sua camisa para tocar as costas de Rose, ele foi calmo enquanto passava a esponja macia nas costas dela e ainda mais gentil ao tocar o cabelo preso de Rose. A garota enquanto isso usou a outra esponja para percorrer as próprias pernas. Quando finalmente acabou o Doctor se levantou e ela se colocou de pé sendo finalmente envolta pela toalha macia. Ela saiu da banheira deixando parte do aposento molhado, mas se sentiu reconfortada pelo que ele havia feito, o Doctor simplesmente assentiu com um olhar de absoluta compreensão, beijou a testa de Rose e fechou o roupão da garota deixando o aposento. A garota ainda teve tempo de caminhar até o espelho e perceber que seu rosto ainda era jovem, que ainda havia tempo e que eles eram felizes apesar de tudo, foi assim que ela penteou os cabelos, vestiu um moletom e se arrastou para a cama. Ela abraçou o Doctor com força e dormiu no peito dele como as vezes faziam depois de suas melhores noites, depois que ele a possuía. Mas dessa vez ela pousou a cabeça pronta para dormir porque mesmo que ele não tivesse possuído seu corpo nessa noite ele havia feito algo ainda maior: havia possuído a alma de Rose Tyler. Ela nunca teria novamente um ato mais gentil, mais tranquilo e de maior compreensão em toda sua vida e sabia disso.

A garota Bad Wolf segurou a mão do Doctor invisível e estavam na sala de comando central da TARDIS. O Doctor não precisou de explicações para compreender imediatamente que havia sido levado para o dia seguinte ao evento que havia acabado de observar poucos minutos antes. Rose Tyler saiu de um dos corredores da TARDIS agora feliz caminhando até o painel de controle com animação enquanto que o Doctor já movia alavancas em mesma animação. Eles estavam bem, felizes e alucinados como sempre foram e isso bastava; a tranquilidade daquele estado perpétuo entre os dois.

–Para onde e para quando iremos hoje? – Perguntou Rose sorrindo observando o painel.

–A TARDIS detectou um sinal estranho – Explicou o Doctor ainda atento aos controles – Algum sinal em várias frequências, mas é extremamente confuso, eu creio que seja uma anomalia temporal.

–Deveríamos evitar anomalias temporais, certo? – Disse Rose com as sobrancelhas arqueadas começando a rir histericamente junto ao Doctor ao notar que eles nunca se atreveriam a desviar de qualquer anomalia. Caminhar rumo aos problemas era o que faziam melhor juntos.

–Temos apenas um problema – Comentou o Doctor novamente voltando a atenção para o painel – A TARDIS se recusa a se materializar na data correta, posso acabar explodindo toda a cidade.

–O sinal aponta para Nova York no ano de 1930 – Comentou Rose lendo os painéis ao lado do Doctor – A anomalia está nessa data, mas como poderemos acha-la ao chegarmos? A cidade de Nova York é muito grande.

–Bem... – Começou o Doctor já animado correndo até a outra extremidade da nave e retirando de um compartimento um dispositivo – Eu tenho isso, ele vai nos direcionar. Fará com que encontremos a anomalia facilmente.

–E pretende resolver o mistério? – Perguntou Rose agora com os olhos estreitos.

–Se é uma anomalia temporal significa que não deveria estar lá e que está alterando tudo ao redor dela – Garantiu o Doctor correndo até o painel e puxando mais uma alavanca.

A TARDIS finalmente em um forte impulso se materializou. Rose olhou para cima preocupada com a nave, era evidente que ela não queria estar no local em que estavam agora. Nova York em 1930 era um ponto que aquela estranha máquina do tempo não queria de modo algum presenciar e isso deveria ser um sinal muito poderoso para o Doctor, contudo ele sempre insistia em ser o tipo de homem que se nega a adotar os sinais mais evidentes. Rose foi puxada pelo Senhor do Tempo que já colocava seu sobretudo.

–Dessa vez eu abro a porta – Afirmou Rose abrindo a porta da TARDIS empolgada.

Rose caminhou para fora quase correndo e sorriu amplamente para a pequena rua não muito distante do centro de Nova York, sorriu pelos belos prédios e pelas casas pequenas mais próximas. Ela amava profundamente aquela cidade e o Doctor permaneceu recostado na porta da TARDIS observando a esposa. Gostava de vê-la empolgada por uma nova possibilidade, era esse encantamento pelo conhecido e pelo desconhecido que sempre os uniu de forma tão definitiva. Foi então que a TARDIS emitiu um estranho barulho, estava se desmaterializando. O Doutor retirou sua chave de fenda sônica e gritou para Rose correr de volta, mas era tarde demais. A máquina do tempo simplesmente desapareceu deixando Rose e levando o Doctor.

–Não! – Rose viu a nave desaparecer quando já estava de frente a ela, se tivesse sido um minuto mais rápida não teria ficado para trás.

Rose pegou o celular no bolso e viu que ele não tinha sinal, provavelmente a anomalia temporal atrapalhava o funcionamento de algo que podia ligar para qualquer pessoa em qualquer tempo e espaço. A garota sabia que teria de esperar o Doctor retornar e que provavelmente não demoraria muito. Ela se sentou no meio fio da rua bonita, porém comum de Nova York e esperou seu Doctor. Rose Tyler não sabia naquele momento que teria de esperar por muito, mas por muito tempo.

Notas finais
Comentários? Recomendações? Sugestões? Até o próximo capítulo queridos, beijos.