Tudo que Poderia ter Acontecido

48 A garota e aqueles que não podiam ser vistos


Notas iniciais
Olá meus queridos. Sei que não estou postando muito, pretendo mudar essa realidade em todas as outras fics ainda essa semana, mas talvez esteja com dificuldades para me concentrar em outras histórias porque essa daqui já está acabando. Apesar do meu desejo de terminar logo eu tenho tido muitas dificuldades porque vocês simplesmente não se manifestam. Por favor favoritem, já faz séculos que ninguém favorita ou recomenda. Preciso mesmo de vocês caso estejam gostando e por favor comentem. Importa muito saber o que estão achando. Espero que gostem desse capítulo que já coloca algumas peças no lugar e que vai ajudar a compreender o final. Boa leitura e falem comigo por favor.

Amy Pond correu até a TARDIS que havia se materializado em seu jardim. Ela havia escutado o estranho ruído da máquina do tempo ainda na cozinha, olhou pela janela e então correu para o jardim. Gostava mais de viajar com o Doctor quando Rory Willians não estava por perto, talvez porque se sentisse mais especial, mais querida ou simplesmente porque ela compreendia melhor o Doutor quando os pensamentos sobre a filha não preocupavam sua mente.

A garota abriu a porta, adentrou quase correndo a sala de controles e então abraçou o Doctor que retribuiu o abraço. Eles haviam acabado de retornar de uma aventura horas antes e aparentemente já partiriam para a próxima, afinal fazia agora três anos que viajavam juntos, ela era a companhia constante enquanto todos os outros seguiam suas vidas. Dessa vez o Doctor não estava de casaco exibindo apenas a camisa branca, a gravata borboleta e as calças pretas com os suspensórios.

—Como está hoje Doutor? — Perguntou Amy enquanto o Senhor do Tempo caminhava hesitante até os controles.

—Sabe que tenho procurado minha família…por todos esses anos — Começou o Doctor com a voz embargada e preocupada — Evey, Gabrielle e John.

—Sim, não importa quantos planetas e pessoas tenha ajudado. — Respondeu Amy assentindo com uma expressão séria — Sei que tem feito tudo isso para encontrar pistas, ligar os pontos e descobrir as respostas.

—Acho que finalmente consegui — Disse o Doctor com enorme preocupação -

Acho que finalmente entendi em parte tudo que está acontecendo e onde eles podem estar.

—Encontrou seus filhos? — Amy agora tinha os olhos genuinamente cheios de emoção.

—Sim, finalmente acredito que tenha encontrado — Respondeu o Senhor do Tempo agora movendo as mãos e caminhando com a cabeça abaixada pela TARDIS.

—Por que está agindo dessa maneira? Devemos ir até eles! — Exclamou Amy em sua voz mais autoritária.

—Amélia Pond, quando pensa em toda essa historia. Quando pensa em tudo que diz respeito a minha família… — A voz do Doctor era cheia de paciência e ele parou de frente para a garota com os olhos intrigados — Qual é a primeira coisa que sempre retorna para a sua mente?

—Gallifrey — Respondeu Amy após um breve momento. — A cúpula dos senhores do tempo.

—Exato! Gallifrey! — Sorriu o Doctor empolgado.

—Eles estão em Gallifrey? — Amy agora parecia confusa.

—Claro que não, eles não estão em Gallifrey. Isso seria fácil demais — O Doctor voltava com o seu tom de voz intrigado — Me diga tudo que sabe sobre o que aconteceu em relação a minha família.

—Bem, os Senhores do Tempo levaram sua esposa, que na época era Rose Tyler, para Gallifrey em uma data próxima da qual ela poderia ter uma criança.

Foi assim que Evey e Susan nasceram em Gallifrey, mas elas não nasceram lá por mero acaso já que era desejo dos Senhores do Tempo que uma dessas crianças fosse enviada até SHADA sendo criada afastada do próprio pai e da própria mãe — Disse Amy Pond rapidamente.

—Sim e por que acredita que os Senhores do Tempo teriam todo esse trabalho em capturar a filha mestiça de um habitante desgarrado e perdido de Gallifrey? Por que eles capturariam minha filha? — Questionou o Doctor fazendo Amy Pond abrir os lábios várias vezes.

—Porque eles queriam uma arma, uma arma suficientemente poderosa capaz de parar você — Amy finalmente tinha a resposta mais evidente — Sabiam que apenas alguma coisa que você amasse talvez seria capaz de te parar.

—Sim, correto — Garantiu o Doctor agora sorrindo levemente — Criaram Nêmesis como uma arma perfeita contra mim, como algo capaz de me deter..mas por que? Por que iriam querer me deter? O que há de tão errado para que desejem algo assim?

—Nêmesis fez o universo pensar que você é perigoso por isso o Silêncio nos persegue, por isso tememos o dia que a pergunta seja feita porque o silencio irá cair — Recomeçou Amy com a voz cheia de curiosidade — Graças a Nemesis o universo acreditou que você é perigoso e exatamente por isso você forjou sua morte há mais de três anos.

—Desde então tenho apagado todas as informações sobre mim em todo o universo mas ainda assim o Silêncio desconfia que eu possa estar vivo — Complementou o Doctor — Todo o universo tem esquecido meu nome menos eles.

—Sim, mas os Senhores do Tempo e Nemesis forjaram a ameaça que você representa — Começou Amélia finalmente compreendendo onde o Doctor queria chegar — Sabemos que eles não temem o dia em que a pergunta será feita…então por que começaram isso? Por que criaram Nemesis? Por que fizeram tudo isso para prende-lo ou mata-lo? Qual o propósito?

—Exato! — O Doctor agora tinha uma voz empolgada — Do que os senhores do tempo tem tanto medo? Por que começaram tudo isso?

—Acha que estamos perto de descobrir? Talvez Nemesis ou até mesmo seus filhos saibam a resposta — Assinalou Amy agora se sentando em um degrau da escada da TARDIS.

—Não, duvido muito que os Senhores do Tempo tenham contado todo o plano para Nemesis — Assinalou ele com a voz cheia de certeza — Acredito que ela saiba apenas o suficiente…a missão dela era me prender na Caixa de Pandora ou simplesmente me matar e para isso ela capturou os próprios irmãos.

—Então acredita que ela é perversa, mas nunca soube os motivos para que tudo isso tivesse que acontecer. — Amy assentiu finalmente convencida — Também não acho que eles revelariam o plano para alguém que ficaria na linha de fogo…me diga, você tem ao menos uma pista sobre o que os Senhores do Tempo tanto temem?

—Talvez sim, talvez eles temam que eu chegue até o dia de meu julgamento. Talvez temam a sentença que me será dada. — Disse o Doctor olhando estaticamente para uma parede por alguns segundos claramente preocupado — Eu finalmente sei onde meus filhos estão e eles já esperaram demais, precisamos resgata-los. Apenas depois disso confrontarei Nêmesis e se ela não parar terei de solucionar o problema.

Amélia Pond se aproximou tocando no braço do Doctor e então pousando a cabeça nos ombros dele muito mais preocupada do que seu rosto podia expressar. Não gostava de como “solucionar o problema” soava ameaçador e não gostava de cogitar que o Doctor seria capaz de fazer coisas terríveis em prol de uma verdade que talvez não valesse a pena ser descoberta antes do tempo correto.

***

O Doctor abriu a porta da TARDIS e segurou a mão de Amy com alguma confiança, tinham os gravadores presos na palma da mão como sempre porque já haviam se acostumado a temer a presença do silencio e a marcarem a existência deles aonde quer que fossem. Eles estavam sempre assistindo.

Podiam visualizar o grande corredor negro com um espelho no final. Todo o ambiente era absolutamente negro e isso tornava a presença do grande espelho no fim do corredor uma imagem perturbadora. Amy caminhou segurando as mãos de seu Doctor e sabia que apenas assim estaria pronta para a missão de resgate.

—Acha que ela está aqui? — Questionou Amy com um sussurro.

—Tenho certeza, posso sentir a presença dela — O Doctor falava levemente mais alto. — Ela é parte Senhora do Tempo….tenho certeza que Gabrielle está aqui.

—Onde estamos? — Questionou a garota.

—Em uma Sala Portal — Explicou o Doctor com alguma indiferença — Não é exatamente um local fácil de ser encontrado, mas era utilizado por civilizações mais antigas do que os próprios senhores do tempo…não são usados há séculos. A maioria se perdeu…mas quando encontrados são usados para aprisionar alguém ou alguma coisa.

—Esses portais levam…- Começou Amy com a voz ainda cheia de preocupação.

—Outras dimensões ou simplesmente a lugares pelos quais não há saída — Garantiu o Doctor.

Amy encarou o espelho mas o Doctor deu um passo adiante fazendo um de seus braços atravessarem pelo portal. O espelho era claramente o portal para essa outra pequena dimensão na qual Gabrielle estava perdida e eles deveriam atravessar. A garota ruiva hesitou, mas sorriu levemente antes de caminhar lado a lado com o Doctor e finalmente se viram através daquele estranho espelho.

O local era perturbador com suas paredes brancas e com o labirinto de espelhos em estranhos ângulos por todas as partes e isso fez Amy se sentir enjoada, incapaz de caminhar e ainda perplexa pela dimensão cheia de espelhos.

—Homem maltrapilho, explique — Pediu Amy ainda sussurrando.

—A explicação fácil ou a difícil? — Questionou o Doctor ainda de mãos dados para Amy.

—A fácil — Assinalou Amy ainda encarando a sala infinita com infinitos espelhos.

—A dimensão acessa todos os espelhos existentes no planeta Terra especificamente. Nesse lugar estamos dentro de todos os espelhos que existem no presente…são milhões e todos levam a algum lugar — Garantiu o Doctor com um leve sorriso.

—Então ela pode ter atravessado de volta para a Terra por qualquer um deles! — Começou Amy e então recebeu um olhar de desaprovação por parte do Doctor — A não ser que não haja uma outra porta de entrada e saída…o espelho que usamos agora é o único acesso.

—E sabe o que isso significa também? — O Doctor agora tinha a voz seria — Que todas as vezes que tivemos a sensação de ver alguém dentro do espelho, aquela sensação no canto do olho…

—Era real, é porque havia alguém preso e perecendo nessa dimensão. Alguém que nos via e era visto por nós… — Amy tinha a voz muito assustada.

O Doctor assentiu e começou a caminhar lado a lado com Amy de mãos dadas, mas dos bolsos do paletó o Senhor do Tempo retirou um pequeno dispositivo genético capaz de guiar como uma bússola o caminho que o Doctor teria de seguir até Gabrielle. Eles percorreram as salas com espelhos, o terror de ver através deles vidas inteiras e de ao mesmo tempo encararem os próprios reflexos. Amy Pond acreditou que já fazia uma eternidade em meio a aquela busca, em meio aos reflexos que podiam ver. Essas imagens contavam historias tristes, felizes, fáceis, difíceis, óbvias e terríveis de modo que os gritos, os risos e as lágrimas passavam por Amélia a deixando cada vez mais estarrecida, louca e desolada enquanto corriam e corriam como se tudo fosse capaz de se tornar real desde que não parassem de correr rumo a uma garota que havia sido perdida.

Finalmente o dispositivo parou de fazer seu habitual sonido. Finalmente pararam em uma sala exatamente igual a todas as outras a não ser pela garota sentada no chão encarando o espelho diante dela como quem assiste um filme. Ela tinha cabelos curtos agora, roupas negras e parecia ter milhões de feridas cicatrizadas.

—Gabrielle! — O Doctor encarou a garota imóvel demais, incapaz de dizer qualquer uma das coisas que deveria ser capaz de dizer.

A garota dirigiu os olhos até ela cheia de incompreensão, balançou a cabeça em dúvida e então voltou a encarar o espelho. O Doctor finalmente correu até ela a abraçando com força, a tomando nos braços como se pudesse explicar a ela que o peso de milhões de vidas, de trilhões de espelhos já não importavam mais. Como se pudesse gritar que o mundo já não era mais um lugar terrível e que tudo ficaria bem.Era a única coisa que ele podia fazer, abraça-la era a única resposta.

—Pai — A voz de Gabrielle parecia travada como se não dissesse nada há muitos anos — Você se regenerou, é você mesmo pai?

—Sim, sou eu — Disse ele a trazendo para mais perto e beijando a testa da garota. — Eu não pude evitar, a regeneração precisou acontecer.

Amy não pôde evitar de pensar que Gabrielle era forte porque encarou o pior dos infernos: a mais absoluta solidão enquanto assistia a vida de todos os outros continuar. Ela era uma garota que havia deslumbrado a vida de outros por três anos, lutado para sobreviver e lutado contra Nemesis já que as cicatrizes ainda contavam essa historia. A filha do Doctor sobreviveu, ainda assim tomou a estranha porém única decisão de simplesmente esperar, sobreviver, tentar encontrar uma maneira de se adaptar. Aquela garota havia sido forte, humana e corajosa.

Foi ainda mais corajosa quando se colocou de pé, segurou a mão do Doctor e se mostrou pronta para deixar aquela sala de espelhos para todo o sempre. Amélia Pond apenas observou com um leve sorriso e então suspirou profundamente se virando de costas para o Doctor prestes a dizer que eles deveriam voltar.

Nesse momento Amy viu o Silencio e compreendeu que eles estavam por toda a parte. As criaturas impiedosas estavam por toda parte, centenas deles espalhados em uma armadilha que sempre foi sobre muito mais do que apenas espelhos.

Amy Pond finalmente olhou para os próprios braços, os viu cheia dos três traços típicos que ela sempre marcava em si mesma ao ver um dos Silêncios. Ela encarou o espelho diante dela e notou que o próprio rosto estava cheio dos traços, naqueles breves minutos de reencontro ela havia visto dezenas de criaturas e apenas agora conseguia se dar conta da dimensão da ameaça já marcada em seu próprio corpo.

Eles teriam de lutar e lutariam. Como sempre.

Notas finais
Ideias sobre o que os senhores do tempo podem estar querendo? Estão gostando? O que precisa melhorar? Por favor falem comigo, digam o que desejam, o que estão pensando, o que querem para o futuro e me digam se compreenderam também a explicação da Amy e do Doctor sobre tudo que os Senhores do Tempo estão fazendo. Falem comigo por favor e não deixem de recomendar e favoritar também por favor. Beijos queridos. P.S. A segunda temporada está quase confirmada, vai depender bastante de como será a manifestação de vocês nesses últimos capítulos. Caso vocês se mostrem receptivos com certeza é algo que farei.