Tudo que Poderia ter Acontecido
34 A garota depois de você, maior por dentro e exterminar!
Notas iniciais
"Amor, você não percebe?
Estou chamando
Um cara como você deveria ter um aviso
É perigoso, estou me apaixonando
Não há escapatória, não posso esperar.
Tão alto, não consigo descer
Estou perdendo a cabeça, dando voltas e voltas
Você me sente agora?
Com o gosto dos seus lábios, eu viajo
Você é tóxico, estou perdendo os sentidos
Com o gosto do seu veneno, estou no paraíso
Estou viciada em você
Você não sabe que é tóxico?
E eu adoro o que você faz
Você não sabe que é tóxico?
Está ficando tarde para desistir de você
Tomei um gole do copo do demônio
Lentamente está tomando conta de mim"
(Tradução livre da música — Toxic )
Rose Tyler estava sentada na grama do amplo jardim, segurava uma taça de champanhe, tinha o olhar no horizonte enquanto o sol se punha e tentava se esquecer. Se sentia feliz e triste ao mesmo tempo: feliz porque hoje é o aniversário de Evey e também o casamento da filha. Triste porque foi nesse dia que perdeu Susan e nunca mais recuperou a pobre criança. Era um dia feliz e triste ao mesmo tempo apesar de que a felicidade tinha alguma obrigação de vencer já que não é todos os dias que uma mãe assiste o casamento da própria filha.
—Rose — O Doctor se aproximou com o seu habitual terno, com o cabelo incrível de sempre e se sentou ao lado da esposa — Gabrielle me disse que eu te encontraria aqui.
—Ela conhece bem a própria mãe — Assegurou Rose pousando a cabeça no ombro do Doctor. — Nos últimos anos essa data tem sido difícil para mim, o dia que perdemos Susan.
—Procuramos por ela Rose, procuramos muito por ela. — Disse o Doctor olhando para trás e percebendo que a festa de casamento prosseguia como se não notassem a ausência dos pais da noiva.
Haviam se passado dez anos terrestres para Rose e para o Doctor, contudo no planeta que haviam escolhido para criar as crianças haviam se passado vinte e cinco anos. Felizmente o Doctor criou um dispositivo que permitiu que Rose envelhecesse em sintonia com a Terra mesmo morando em uma colônia terrestre futurista na qual o tempo era diferente. Agora Rose tinha a vantagem de estar apenas dez anos mais velha -trinta e seis anos — e ter visto os filhos chegarem a idade adulta. Um privilégio e uma quebra absoluta das regras; as vezes Rose achava isso absolutamente contra o curso natural da espécie humana, contudo sabia que a vida ao lado do Doctor poderia ser uma vida muito curta e que ele havia dado a ela a oportunidade de viver cada etapa ao lado dos filhos. O Doctor havia acelerado os anos dos filhos e desacelerado os de Rose para garantir que a esposa veria os filhos crescerem.
—John, Evey, Gabrielle — Recitou Rose olhando para a festa também com alguma alegria — Estão tão crescidos…eles simplesmente são adultos.
—Fizemos um bom trabalho Rose — Garantiu o Doctor.
—Não achamos isso quando Gabrielle engravidou aos dezessete anos ou quando Evey saiu de casa aos dezenove- Riu Rose ao notar que a neta de cinco anos estava nos braços de Amélia Pond.
—Nem tudo foi fácil — Sorriu o Doctor — Mas eles estão bem, eles são adultos agora e temos…temos tanto para ver ainda.
—Eu tenho algo para te dizer — Começou Rose abandonando o champanhe sem ter bebido uma gota.
—Você está grávida de novo? — Questionou o Doctor em uma mistura de preocupação e divertimento. — Não sei se posso fazer tudo isso novamente pela quarta vez.
—Eu te amo — Respondeu Rose rindo amplamente. — Não estou gravida Doctor.
Rose sempre ficou grávida de modo imprevisível. Jamais conversou longamente sobre o assunto com o Doctor e decidiu que jamais o consultaria sobre o assunto. Tudo isso resultou em três filhos, ou melhor quatro filhos, uma perdida para sempre.
—Eu também te amo Rose — Garantiu o Doctor — Mais uma dança?
Rose assentiu, o Doctor se colocou de pé e puxou a esposa pelas mãos a guiando de volta para a pista de dança. Evey estava se casando e era física, John se tornou arqueólogo e Gabrielle era uma médica brilhante e mãe de uma garota maravilhosa. Todos se encontraram, todos eram felizes de algum modo e todos eram muito maiores por dentro. Isso era o bastante para Rose Tyler continuar a dançar.
***
O Doctor já havia deixado Amy, Rory, Melody, Jackie, Tony e Pete na Terra; agora deveria fazer mais uma viagem para devolver para o planeta, tempo e lugar correto os outros amigos. Rose abriu a porta da TARDIS olhando pela última vez o local no qual o casamento havia ocorrido, agora a festa havia chegado ao fim e todos já haviam partido faltava apenas Martha, Mickey, Jack Harkness, Donna Noble e Sarah Jane. Apenas aqueles que haviam começado tudo há tanto tempo e que ainda esperavam para voltarem para suas casas. Rose se sentia feliz pelos amigos sempre terem permanecido, por jamais terem deixado suas vidas e por terem persistido mediante tantas mudanças e tantas aventuras.
—Podem nos deixar em Torchwood, consigo mandar todos para casa — Assegurou Jack com seu amplo sorriso.
—Allows-y — Disse o Doctor e então a Tardis se descontrolou.
Algo estava ocorrendo. Era como se a TARDIS houvesse ganhado força própria, vida individual e mais uma vez levasse o Doctor para o local no qual ele precisaria estar e não necessariamente onde ele desejava estar. Estavam todos juntos, todos os velhos amigos reunidos naquilo que eles não sabiam que seria uma última aventura e eles temiam o que encontrariam quando abrissem a porta. Ainda assim estavam juntos, juntos com roupas formais de casamento, contudo ainda assim juntos como nos velhos tempos e estavam fortes como sempre foram.
—O que está acontecendo? — Questionou Martha notando que o próprio vestido vermelho já havia se rasgado na barra.
—A TARDIS se materializou, mas não está indicando o local — Respondeu Donna caminhando até o painel.
Rose se colocou de pé, caminhou até a porta e segurou a mão do Doctor. Abriu a porta e viu aquilo que jamais pensou que veria pessoalmente. Viu algo que ela teria preferido que seus olhos humanos não alcançassem, viu todo aquele planeta com um terror absoluto e soube que os corações do Doctor sentiam o mesmo impacto. Sentiam o mesmo peso absolutamente aterrador daquele testemunho.
—Onde estamos? — questionou Mickey também deixando a TARDIS acompanhado pelos outros.
—Estamos em Skaro — Garantiu Rose em um sussurro que no silencio aterrador do planeta parecia um grito.
—O planeta dos Daleks — Completou o Doctor ainda mais possesso.
Donna Noble, Martha Jones, Sarah Jane, Mickey Smith e Jack compreendiam o peso daquelas palavras. O peso dos daleks afinal terem reconstruído o próprio planeta e agora aquele império sobrevivia com mais força do que nunca. Afinal onde estava a justiça? Como aquilo poderia ser possível?
—Se esse é o planeta dos Daleks e de fato é — começou o Capitão Jack caminhando mais a frente observando a cidade que se estendia — Por que não há nenhum dalek?
Martha Jones abriu a bolsa de mão, pegou um pequeno binóculo elegante e voltou os olhos para o resto da cidade. Tudo parecia desabitado e destituído de vida, ao menos de vida Dalek porque aquilo que os olhos de Martha viram parecia ainda mais terrível.
—O planeta está cheio de cybermans — Disse a garota se aproximando do Doctor — Skaro está cheio de cybermans…não há nenhum Dalek.
—Estar cheio de cybermans não implica estar destituído de daleks — Assinalou Sarah Jane.
Rose se afastou do Doctor caminhou alguns passos para o lado oposto do grupo, observou as rochas e tentou compreender como isso poderia estar acontecendo. Aparentemente os cybermans queriam invadir o planeta dalek, contudo sabe-se muito bem que são sempre os Daleks a vencerem. Rose percorreu as mãos pelo rosto e então assim que as retirou dos olhos viu um dalek diante de si.
—Ex-Ter-Mi-Nar!!! — Foram as únicas palavras encadeadas e robóticas ditas pelo Dalek.
Aquilo era tudo. Rose Tyler sabia que era maior por dentro, contudo diante do olho de um Dalek não teve certeza se seria maior do que a morte.
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