Tudo que Poderia ter Acontecido
17 A garota cansada de esperar
Notas iniciais
A garota Bad Wolf e o Doctor invisível encaravam a cena de mãos dadas. Rose Tyler ao lado do Doctor enquanto Amy Pond e Rory Willians lado a lado observavam os estranhos que correram para ajudar. Rose trocou um olhar com o Doctor como quem pergunta em silêncio “Devemos leva-los para a Tardis?” mas o balançar da cabeça do Doctor em negação já respondia imediatamente a questão. Rose e o Doctor estavam juntos há muito tempo para que qualquer questão direta fosse realmente necessária. O Doutor segurou os ombros de Amy e a pediu para respirar profundamente e então voltou seus olhos para a enorme barriga da jovem mulher. O Doctor invisível, indiferente a toda a urgência do momento, encarava Rory e Amélia com um leve sorriso saudoso como se tentasse dizer em silêncio que sentia falta de tudo aquilo que foi perdido.
–Qual o nome de vocês? – Perguntou Amy ainda apoiada por Rory enquanto o Doctor segurava seus ombros observando a garota.
–Eu sou o Doctor – Respondeu o homem com alguma urgência analisando a situação – Ela se chama Rose Tyler.
–Doutor quem? – Amy questionou e então mais um grito.
–Apenas Doutor – Ressaltou o homem agora se colocando do lado direito de Amy e a apoiando.
–Você é médico, minha filha vai nascer agora? – Amy respirava pesadamente.
–Sim, muito provavelmente – Respondeu o Doctor.
Rose olhou para o Doctor com censura, afinal ele não era um médico de verdade. Ainda assim a garota decidiu que deveria confiar no próprio marido e assinalou a loja de conveniência 24 horas mais à frente na rua. Amélia Pond foi praticamente carregada pelos dois homens magros que tentavam levar a garota aos gritos para a loja. Rose correu com seus saltos altos indo na frente e entrou na loja se encaminhando imediatamente para o galpão e se deparando com uma mulher de meia idade que lia uma revista enquanto a TV permanecia inutilmente ligada.
–Por que não há ambulâncias disponíveis em Londres? Não consigo ligar para a emergência – Rose disse imediatamente para a mulher guardando o próprio celular.
–Você não soube? – Perguntou a senhora enquanto Rose notava que o Doctor, Rory e Amy se aproximavam da loja – Houve mais uma crise alienígena, há muitas pessoas no pronto socorro nesse momento.
Rose então olhou para a TV abrindo amplamente a boca ao notar que os pequenos cubos lançados meses antes na Terra estavam causando ataques cardíacos por todo o planeta, ataques esses que já haviam sido devidamente solucionados. Na TV era Martha Jones a se pronunciar, mas no fundo Rose sabia que a Torchwood provavelmente havia feito a maior parte do trabalho em reverter os infartos. Jack parece o melhor capacitado para crises alienígenas de grande porte, mas o fato de Martha Jones ter ajudado prova que as horas desde a saída do casamento haviam sido agitadas demais.
–Há uma garota prestes a ter um bebê, não há carros, não há ambulâncias, mas meu marido é medico e irá fazer o parto aqui – Anunciou Rose quando finalmente os dois homens irromperam pela loja com uma Amy que não parava de gritar.
–Vocês não podem! – Disse a velha senhora até finalmente ouvir mais um grito de Amy.
–Vamos comprar tudo que precisaremos para o parto depois – Garantiu Rose finalmente voltando os olhos para o Doctor – Do que precisa?
–Algo para que Amélia possa se deitar...agua quente e toalhas limpas – Rose pegou três toalhas imediatamente entregando a senhora no balcão.
–Esquente essas toalhas – Rose pegou uma grande garrafa de agua – E essa água também, por favor...precisamos de ajuda.
A senhora assentiu enquanto Rose corria em disparada pegando algumas cochas, as tirando da embalagem e as colocando no fundo mais escondido da limpa, porém vazia loja de conveniências. A garota estendeu dois macios edredons e fez de uma das colchas um travesseiro. Amy foi finalmente conduzida para a cama improvisada. O Doctor saiu em outra direção a fim de lavar as mãos e esteriliza-las com algum álcool contra bactérias. Rose colocou uma segunda cocha da cintura para baixo de Amy enquanto do outro lado Rory Wilians segurava a mão da esposa.
–Ele sabe o que está fazendo? – Perguntou Amy para Rose com os olhos cheios de lágrimas.
–Sim, se há um homem que sabe exatamente o que está fazendo – Mentiu Rose tentando encontrar alguma confiança – Esse homem é o Doctor.
–Tem certeza? – Amy parecia desesperada.
–Nunca conheci ninguém mais digno de confiança do que ele – Dessa vez Rose foi franca.
O Doctor finalmente voltou com a senhora do balcão trazendo as toalhas e água quente que foi entregue para Rose. A mulher voltou para o balcão, mas o parto teria de começar naquele momento. Amy gritou muito, o Doctor disse todas as típicas palavras de motivação e Rose auxiliou com o que foi pedido; quando finalmente a criança nasceu o Doctor a segurou como quem sabe exatamente o que faz e cortou o cordão com tranquilidade. Era evidente que ele já havia feito um parto antes e quando a criança chorava amplamente o velho Senhor do Tempo a envolveu em uma das mantas que Rose havia separado e a entregou para Rory que fitava a criança emocionado.
Amy Pond ainda tremia quando o Doctor apenas assentiu para ela que estava tudo bem com a garota que ela havia acabado de trazer ao mundo junto com um desconhecido completo. Rose sorria com a cena e ajudou Amy a se sentar e o Doctor saiu a fim de lavar as próprias mãos de todo o sangue.
–Ela é linda – Amy sussurrava para a filha a balançando levemente.
–Sim é – Garantiu Rose enquanto o Doctor finalmente se colocava ao lado da esposa.
O Doctor invisível olhava para todo aquele estranho cenário com um grande sorriso enquanto que a garota Bad Wolf tinha uma alegria também secreta no olhar e nos lábios. Amy Pond segurava a filha ao lado de Rory Willians e Rose Tyler observava a beleza da vida junto com o homem que tanto amava: o Doctor. De alguma forma isso parecia certo e quando lá fora o sol nasceu e os sinos da igreja próxima tocaram as cinco horas da manhã todo aquele cenário do nascimento pareceu ainda mais belo.
–Qual o nome dela? – Perguntou Rose em um sussurro.
–Eu nunca pensei em um nome – Assinalou Amy ficando em silêncio quando os sinos mais uma vez tocavam em um belo ritmo – Mas...Melody parece apropriado.
–Melody Pond – Completou Rory com um sorriso para a esposa.
–Melody Pond pelos sinos que anunciaram a chegada de minha filha – Completou Amy com um sorriso tranquilo.
Nesse momento finalmente a senhora do balcão havia conseguido fazer uma ambulância chegar. Rory Willians se despediu, deixando nas mãos do Doctor o cartão dele e pagando a conta da loja. Aparentemente nessa realidade Rory era na verdade historiador e lecionava na universidade, ainda era sobre ser o Último Centurião afinal. Já Amy era jornalista. Eles se despediram deixando contato com o Doctor e com Rose Tyler talvez na esperança que os desconhecidos se tornassem amigos e que pudessem ver Melody Pond crescer como uma criança normal. O Doctor invisível olhou para os próprios pés martirizado por tudo que havia tirado de Amy Pond e ao ver os olhos daquela jovem mulher que nunca teve de esperar por ele e sim que esperou pela filha se sentiu ainda mais culpado por sempre intervir. Por sempre destruir alguém. Rose Tyler segurava forte a mão do Doctor quando acenou em adeus para Amy e Rory que agora seguiam para o hospital, mas as mãos do Doctor invisível pareciam cada vez mais vazias e cada vez mais manchadas pelo sangue da melodia do sino que não pôde tocar em uma noite semelhante para Rory e Amélia quando sua primeira e última filha veio ao mundo.
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