Tudo que Poderia ter Acontecido
18 A garota perdida e o homem arruinado
Notas iniciais
A garota Bad Wolf havia mudado mais uma vez de lugar. O Doctor invisível pensou em contestar, mas então compreendeu que ela o levaria de volta para Amy Pond quando fosse a hora certa. Por alguma razão aquilo que seria mostrado agora era muito mais importante do que compreender qual seria o destino da garota que esperou. Tudo tinha seu tempo e agora era tempo de ver algo diferente. Eles estavam no quarto do Doctor, o mesmo quarto de estilo provincial: grande cama, muita madeira, cadeiras, poltronas, paredes azuladas e tapetes macios. Rose Tyler adentrou pela porta do quarto aberta, ela usava o vestido de noiva ainda, mas seu corpo estava levemente úmido pela chuva. Ela se sentou no tapete felpudo logo na frente da cama retirando os grandes saltos em um suspiro aliviado finalmente se recostando e olhando para cima. Evidentemente eles haviam acabado de voltar para a TARDIS após o parto de Amélia Pond.
–Rose – Disse o Doctor surpreso por encontrar a garota deitada no tapete encarando o teto – Sinto muito por nossa noite de núpcias ter sido tirada de nós.
–Não acredito que corri por Londres com saltos de dez centímetros – Declarou Rose rindo em resposta enquanto o Doctor se deitava ao lado dela também encarando o teto estrelado daquela pequena parte do quarto.
–Eu gosto desse som – Disse o Doctor após alguns minutos fazendo Rose encarar o rosto dele intrigada – O perfeito silencio de quando tudo está no lugar.
–Eu gosto do som da TARDIS, sempre me faz ter esperança – Explicou Rose ainda olhando para o rosto do Doctor imóvel ao encarar o teto.
–Deveríamos dormir – Finalmente o Doctor se moveu colocando-se rapidamente de pé e oferecendo as duas mãos para que Rose Tyler também se levantasse.
Rose com as mãos tão ligadas às do Doctor, em meio a um quarto enorme e com a eletricidade da aventura que acabaram de viver não resistiu ao impulso magnífico de beija-lo de modo tranquilo. O Doctor correspondeu ao beijo segurando a cabeça de Rose com intensidade enquanto a guiava para a direção do que Rose pensou ser a grande cama que ocupava o meio da parede direita do quarto. Ainda assim não era essa a intencionalidade do Doutor, ele a levou para frente do grande espelho de corpo inteiro presente a vinte passos da cama. Apenas nesse momento ele terminou o longo beijo.
A garota olhou a própria imagem, ainda estava bonita mesmo após a chuva. O Doctor estava atrás dela retirando o espartilho de seu vestido de modo tranquilo enquanto encarava a imagem de Rose no espelho. Ela entendeu que ele desejava vê-la e quando a primeira camada do vestido dela caiu, a garota sorriu.
–Eu gosto desse som – Explicou o Doctor em um sussurro no ouvido da garota delicadamente retirando o fino vestido abaixo do outro – O som das roupas caindo no chão.
Finalmente Rose estava com sua lingerie branca e sua imagem no espelho era magnifica o bastante para que ela apenas conseguisse desejar o homem diante dela. O Doctor a segurou pela cintura a virando na direção dele e então a beijou com a tranquilidade de sempre, mas suas mãos eram firmes. A garota sabia que ele estava sendo gentil, já tinham tido um ao outro tantas vezes que simplesmente o compreendia. Rose o guiou na direção da cama e o empurrou o fazendo se sentar e o Doctor segurou a cintura da garota a mantendo de pé. Rose fechou os olhos em um calafrio intenso ao sentir os lábios dele em sua barriga, ao sentir as mãos dele retirando toda a roupa que havia sobrado.
Rose sentiu cada toque com eletricidade, cada impulso dele com um suspiro e quando o empurrou para trás o fazendo deitar na cama e se colocou em cima dele percebeu que tinha o comando, o Doctor sorriu quase a desafiando. A garota sorriu ao beija-lo, ao retirar a gravata em uma provocação, em garantir que ele estava hipnotizado, contudo foi o Doctor a se colocar no comando, foi ele a colocar os braços dela para trás e a beijar exatamente como ela queria ser beijada.
Ali na grande cama de casal eles não se preocuparam em se deitar perfeitamente, permanecer daquele modo era bom o bastante para ambos e foi bom o bastante para que Rose arfasse a cada toque dele, para que ela fechasse os olhos e sentisse o toque dele cada vez mais preciso, mais intenso e mais forte em cada parte dela. A garota não resistiu ao impulso de arranhar as costas daquele homem quando ele se colocou dentro dela, quando ele a fez se sentar sobre ele a colocando de volta no comando. Foi Rose Tyler a ditar o ritmo, foi ela a arrancar o prazer daquele homem impossível, foi ela a única que o fez pedir por mais. Ela não foi silenciosa, nunca foi boa no silencio, mas dessa vez era diferente por sentir as próprias unhas nas costas dele, por sentir as mãos dele a colocando ainda mais próxima do corpo dele e por saber que ela aumentava a velocidade em um desejo desesperado de que aquilo pudesse acabar porque era doce demais para ser eterno. Porque era bom demais para ser justo e era grandioso demais para que o fim fosse meramente aceitável. Rose Tyler sentiu seus gemidos diminuírem quando finalmente chegou ao fim, sentiu ele dentro dela e essa mera satisfação a tranquilizou permanentemente.
Rose finalmente se deitou e o Doctor a seguiu a colocando em meio as cobertas, ela não se lembrava de outra noite em que haviam feito qualquer coisa daquele modo. Ainda assim ela seguiu a tradição e deitou no peito dele com alguma cautela e algum temor enquanto ele encarava o teto. As vezes Rose o encarava e sabia que ele a amava intensamente, sabia que ele estava arruinado e ela estava perdida.
–Eu te amo – Sussurrou Rose tocando no rosto dele e sentindo que seu corpo escapava dos cobertores.
–Eu também te amo – Garantiu o Doctor percebendo que a garota mais uma vez se colocava em cima dele – Senhorita Tyler Smith?
–Smith Tyler – Corrigiu Rose com um sorriso.
–Vejo que a senhorita Smith Tyler deseja mais – Disse o Doctor tocando na cintura dela.
–Nunca é o suficiente com você – Rose se inclinou e o beijou.
O Doctor teve certeza com aquele beijo tão intenso, tão forte e tão derradeiro que eles começariam tudo de novo muitas outras vezes naquele dia e que sim Rose Tyler era sua ruína mais absoluta. A ruína mais absoluta que sua vida teria. Quando a garota Bad Wolf tocou na mão do Doctor invisível e o retirou daquele quarto e daquela nostalgia teve certeza que agora seria levado para um lugar muito mais sombrio. Afinal a ruína em prazer, que acabara de presenciar, ainda era melhor do que qualquer outra ruína.
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