Tudo por causa do Luigi
2 Fugindo da fazenda alheia
Notas iniciais
Depois de invadir a propriedade alheia, fui correr atrás de Luigi que continuava correndo atrás da ratazana, por sorte ainda deveria ser umas 4 e pouca da manhã — talvez quase 5 — então não havia perigo de alguém me pegar, ou pelo menos era isso que eu torcia.
Eu já estava cansada de tanto correr atrás de Luigi, tanto que já estava suando esquecendo completamente de que eu estava quase um esquimó a alguns minutos atrás, continuei correndo e quando quase alcancei meu gato acabei tropeçando em uma pedra, indo diretamente ao encontro de uma cerca e logo em seguida caindo em algo gelado.
– Miau — eu estava me sentindo afundando na lama e sentia uma coisa se mexendo perto do meu cabelo, virei minha cabeça torcendo mentalmente — mais que a população brasileira na copa do mundo — para que não fosse a ratazana, ou então eu não tava nem aí se fosse a fazenda do vizinho ou de um chefe da máfia, eu com certeza iria dar um chilique e sair gritando. Suspirei aliviada quando vi um par de olhos castanhos no meio da lama escura. Ótimo, agora eu só precisava pegar o meu gatinho — agora moreno — e sair dali de fininho e ponto final todos sairiam felizes, mas como nem tudo sai como queremos, os porcos começaram a fazer o barulho lá deles que eu não sei o nome e traduzindo: uma barulheira só.
Me levantei de supetão ignorando o meu pijama e a jaqueta de Louis completamente sujos de lama, peguei Luigi que ainda estava miando e se lambendo e já estava pronta para sair de lá no triplo da velocidade que cheguei, quando escutei uma voz atrás de mim me fazendo paralisar.
– Quem é você?
Droga.
– Quem é você? — repetiu a voz masculina, continuei paralisada piscando sem parar e sem coragem para virar para trás. Suspirei forte, era que nem tirar curativo; se demorasse iria apenas adiar a dor, mas se fosse rápido em 5 minutos já nem lembraria do que havia acontecido. Me virei para trás imaginando mentalmente o espantalho do filme " a colheita", Jason de sexta-feira 13, o cara do filme "Halloween"... enfim já dá para ter uma ideia de que eu esperava algum vilão de filme de terror que me mataria de forma lenta e dolorosa, mas não foi isso que aconteceu.
Era um homem alto, sem dúvidas, tipo ele parecia ter o dobro da minha altura, ele deveria ser jogador de basquete. E como ainda estava meio escuro só pude identificar que ele tinha cabelos curtos e escuros e que também ainda estava de pijama, fora isto era difícil ver. Ele estava de braços cruzados olhando para mim.
– Boa noite — falei com um sorriso amarelo só então percebi os primeiros raios solares que iluminavam levemente o céu — dia, ah sei lá o que é — completei, era difícil definir sem um relógio.
– Quem é você? — repetiu o homem.
– Sabe, é uma história muito engraçada...-comecei sem realmente saber o que falar.
– Você é da família dos Gray, não é? — ele falou descruzando os braços.
– Sim, quer dizer não. Meu sobrenome não é Gray, sou só parente da Anna...
– Ah, tinha que ser — arqueei uma sobrancelha irritada, detesto quando me interrompem.
– O que quer dizer com isso? Bom, que se dane. Eu só vim até aqui para buscar meu gato que veio atrás de um rato e que passou pela cerca, então eu corri atrás dele que corria atrás do rato, então eu tropecei e caí na lama dos porcos que fizeram todo esse alvoroço. — falei tudo tão rápido que fiquei sem fôlego ao final da frase. — passar bem, tchau — falei me virando e saindo da lama.
– Ei — me virei — está indo na direção errada.
– Estou? — eu estava agora realmente confusa, certo, quando eu corri não prestei muita atenção no caminho e agora estava me sentindo um camelo no polo norte. — e para onde é? — ele virou de costas
– Me siga — eu até teria feito isso, mas antes que eu desse um passo, a mesma ratazana que Luigi perseguiu passou por mim e Luigi que até então estava quieto no meu colo pulou para o chão chegando inclusive até a me arranhar.
– Que droga, Luigi — falei já irritada enquanto começava a correr, o homem deve ter vindo atrás de mim porque querendo ou não eu ainda era a intrusa ali.
O homem conseguiu me passar na corrida e ficou a minha frente perseguindo Luigi. A ratazana entrou por um buraco em uma pequena construção que havia ali e como Luigi era muito grande para passar por lá ficou arranhando o local. O homem pegou Luigi e fez um leve carinho na cabeça dele que miou em aprovação.
– Toma — ele me entregou Luigi que dessa vez segurei com mais firmeza. Antes que eu pudesse agradecer ouvimos um barulho que vinha do galinheiro, o homem foi até lá a passos rápidos eu deveria ter tentado achar o caminho e ter ido embora, mas como minha curiosidade é quase tão grande quanto minha preguiça fui até lá.
Logo que cheguei tive que balançar um pouco a minha mão a frente do rosto para afastar a poeira e as penas que estavam no local, os cacarejos estavam também quase que ensurdecedores. Assim que eu consegui enxergar mais em meio ao tumulto que aos poucos foi se acalmando, eu vi que as galinhas ainda estavam agitadas e mais ao canto vi o homem ajoelhado em frente a um ninho.
– O que passou por aqui? — questionei segurando forte Luigi, vai que ele resolve pegar as galinhas, nunca se sabe.
– Raposa — falou ele acariciando um pequeno pintinho, olhei e vi outros três pintinhos mortos. Tive vontade de chorar mesmo não convivendo com os pintinhos, era uma cena triste. — ele foi o único que sobreviveu — olhei por um instante para o pintinho amarelo com o pêlo meio marrom em alguns pontos.
– Ele tem cara de Gilbert — o homem se virou para mim.
– Como?
– Gilbert, ele tem cara de Gilbert. É um nome bonitinho — pela luz pouca da luz do galinheiro vi ele franzir o cenho. Então colocou o pintinho para junto da mãe, e se levantou e foi até a porta do galinheiro saindo, dei um último olhar a Gilbert e saí também.
– Daqui é só seguir direto — ele apontou para o leste, assenti e saí andando.
– Tchau — falei sem me virar.
– Tchau, Gray — não voltei para dizer que eu não era uma Gray apenas andei, andei e cheguei na cerca da fazenda da titia antes de todos acordarem.
"Bando de preguiçosos" pensei antes de tocar de roupa e voltar a dormir.
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