Tudo por amor
10 Vanessa Volturi
P.O.V. Aro.
Quando ela atravessou estava de branco, ela manifestou seu poder e apavorou meus convidados.
A híbrida a ajudou a se recuperar. Sentou-a numa cadeira.
—Está com fome? Com sede?
—Você não é como eles.
—Em parte, eu sou sim.
—Não. Não você não é, você é gentil. Eu estive morta por muito tempo?
—Em que ano você nasceu?
—1450.
—Então, tecnicamente você tem quatrocentos anos. Você é híbrida?
—Não. Eu sou humana. Eles queimaram a minha mãe, animais. Eles me cercaram, me bateram, me chamaram de bruxa.
P.O.V. Vanessa.
Ela me deu água para beber e comida para comer.
—Que tal tomar um banho e descansar?
—Eu posso ouvi-los. Sussurrando nos meus ouvidos, cada vez mais alto.
—Hoje é Halloween. Hoje é o dia deles. O véu fica mais fino, por isso parece mais alto. Você tem o cabelo da sua mãe, imagino.
—É. Eu tenho.
—E como era o nome dela?
—Elizabeth.
—Em que ano estamos?
—Dois mil e dezenove.
—O que é isso?
—Uma oferenda.
—Porque está vestida de enfermeira?
—É uma parte do ritual.
O relógio bateu meia noite e ela colocou a oferenda no cemitério. E começou a fazer uma de suas magias.
—Ele não liga pra você.
—Quem?
—O meu pai.
—Oh, mas eu sei disso Vanessa.
—Porque você o serve?
—Eu não sirvo. Nunca servi e nem jamais servirei.
—Você é uma mulher forte. Poderosa, como a minha mãe era. Nós recebemos mensagens dos mortos.
—Você é médium. Interessante.
—Eu sou Vanessa Volturi.
—Renesmee Carlie Cullen.
—Muito prazer.
—Igualmente.
—Você conheceu Aro quando ele era humano?
—Sim. Eu tinha sete anos quando ele partiu, ele era um grande proprietário de terras.
—Partiu para onde?
—A Guerra. Todos os homens foram convocados.
—Seus pais eram casados?
—Eram. Pensamos que ele havia morrido, minha mãe fez uma sepultura vazia pra ele. Rezava para que ele voltasse, mas ele nunca retornou. Só depois de morta que descobri o que ele havia se tornado e que havia me abandonado, nos abandonado por essa outra mulher. A tal Sulplícia. Que havia casado com ela e eu o odiei por isso.
—Sabe, a maioria dos vampiros não se lembra de sua vida humana. E os recém criados só pensam em sangue, tudo o que importa pra eles é sangue. Eles são cruéis, descontrolados. Loucos de sede.
P.O.V. Caius.
A filha humana de Aro está sob a proteção da híbrida.
—Eu estive no purgatório por quatrocentos anos. Desta vez eu quero viver.
—Ela sabe demais.
—Cale essa boca! Você fala demais Caius.
P.O.V. Vanessa.
Ela penteia os meus cabelos, os arruma.
—Amanhã vou levar você ao cabeleireiro e nós vamos passar o dia no spa.
—O que são essas coisas?
—Cabeleireiros são profissionais, eles são especialistas em cabelo. Cortam, tingem, encaracolam, alisam, lavam. E um spa é um lugar para relaxar, fazer massagem e vários outros tratamentos. Amanhã vamos ressaltar nossa beleza.
—Porque sou tão pálida?
—Porque estava morta.
Eu fui até a sala do Trono.
—Vanessa.
—Você já esteve num manicômio?
—Não querida.
—Eu já. Eles me enfiaram numa banheira com água e gelo, me amarraram numa camisa de força, me amarraram na cama com tiras de couro, elas eram tão apertadas... me injetaram coisas, ataram-me contra uma parede como se eu estivesse crucificada e me jogaram água fria com uma mangueira. Eu me lembro da água entrando pela minha boca, pelo meu nariz. Eles cortaram meu cabelo, meu lindo cabelo, rasparam a minha cabeça. Fizeram um buraco nela, eu ainda tenho a cicatriz.
Ela passou a mão na cabeça.
—Quando finalmente pude voltar pra casa, eu só conseguia ficar deitada na cama, fiquei acamada e catatônica por meses. E quando finalmente me recuperei... eles mataram a minha mãe e eu tive que fugir. Tive uma filha Penny. A maldição de ouvir os mortos passou pra ela, eu passei anos protegendo ela de tudo, ela merecia algo melhor do que o que eu tive. Foi tudo o que eu sempre quis para ela, algo melhor. Meu pai me abandonou, mataram a minha mãe e eu passei minha infância sozinha e sem amor. Quando soube que estava grávida eu fiz uma promessa pra mim mesma e para o meu bebê. De que ela não passaria pelo que eu passei.
—Você fala demais.
—E você perdeu sua alma Caius.
—Se me permitir, gostaria de ler seus pensamentos.
—Mas, eu acabei de contar a história da minha vida. Não tava escutando?
—Sim. Eu ouvi, mas gostaria de ver.
—Você ainda duvida não é? Duvida que eu seja sua filha.
Ela estendeu a mão para Aro e permitiu que ele confirmasse a história.
—É verdade. É tudo verdade.
—Impossível! Ela é uma impostora atrás de dinheiro, morte a ela.
—Morte? O que você acha que sabe sobre a morte Caius?
—Você não sabe nada sobre mim. Sabe quantos homens eu matei? Quando estive na África nadávamos em sangue, andávamos sob sangue a cada mísero passo. Eu poderia matá-la com prazer, sua humana fraca e desprezível.
—Será que por um mísero momento você já imaginou o que isso tem sido pra mim? Meu pai é uma besta chupadora de sangue que vive com outras bestas chupadoras de sangue. Eu realizei uma transgressão imperdoável que marcou-me pelo resto da vida e além dela! Acha que sofreu?! Acha que sabe o que é ter sangue nas mãos?! Acha que pisou em cadáveres?! Espalhe-os daqui até o horizonte e ainda assim não será nada comparado ao que eu já fiz! Você Caius, não passa de um homem fraco, tolo, lascivo e vaidoso! Como ousa falar comigo sobre a morte?! Você nunca nem morreu pra começar!
Ela saiu da sala transtornada.

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