O dia amanheceu agitado e todos faziam a mesma pergunta "Onde está Esperanza ?" mais as pobres meninas do convento foram proibidas de sair em busca da amiga, o padre não sabia o que fazer, tudo realmente virou de cabeça para baixo, os nervos a flor da pele, tudo uma loucura e os comentários de Maria, Carmela e Genoveva acabam com qualquer comunhão em busca de respostas. Desde que o padre e a noviça afastaram-se do convento tudo parece uma tristeza, quando ele está andando pelas ruas encontra a menina sozinha na praça, parecia bem triste, correu até ela.

Tomás: Por que sumiu ? Fiquei preocupado.

Esperanza: Não preciso mais viver aqui, posso voltar para a minha vida normal.

Tomás: Sua vida agora, é aqui.

Esperanza: Não sei se vou conseguir...

Tomás: A Eva foi embora da minha casa, o Máximo tá preso, você vai viver lá em casa com a Lola e o Oschi.

Esperanza: Não precisa padre.

Tomás: É tudo que eu posso fazer por você, pelo que descobri, pelo que sinto, pelo que quero.

Esperanza: Eu preciso recomeçar minha vida do zero, novamente, agora que não tem mais ninguém atrás de mim.

Tomás: Sozinha, Esperanza ?

Esperanza: Já viajei sozi...

Tomás: Sozinha não, você tava comigo.

Esperanza: Você me entendeu.

Tomás: Você está muito nervosa, calma, não gosto de te ver assim. Perde totalmente o brilho dos seus olhos e do seu sorriso.

Esperanza: Obrigado.

Tomás: Esperanza...

Esperanza: Tudo bem, eu fico.

Ele a abraça bem forte e a leva pra casa, agora as desconfianças ganham mais existência. O padre a leva para o convento, onde levaria as coisas de Lola também.

Conceição: Esperanza.

Correu abraça-la, ficaram um tempo assim, até as outras chegarem e fazer o mesmo.

Carmela: A Estrelinha não ia embora ?

Esperanza: Ia sim, mais me convenceram a ficar.

A jovem olhou para o padre que sorriu, todos perceberam o clima.

Tomás: Quando eu ia embora, você me fez tocar. Agora eu vou te fazer cantar.

O mesmo puxou Esperanza até a sala de música, para cantar Jurame, onde os olhos se buscavam e o sorriso não se desmanchava, os alunos do colégio se juntaram ao momento, só não repararam uma coisa Genoveva e Fortunato por sua vez não estavam, presentes para que vejam, mais a câmera estava ligada e tudo que se passou, cada olhada, cada movimento suspeito durante a música, a filmagem pegou.

Cynthia: Esperanza, tudo bem ?

Esperanza: Sim.

Fede: Ah não revisão não.

Valentina: Ta com medo de perder para noviça de novo, é ?

Esperanza: Ex novicia.

Tomás: Esperanza, vem cá, acho que precisamos conversar.

Os dois deixaram o lugar, indo para a empresa, o padre então sentou-se na mesa do irmão e entregou toda a papelada de processo, todos os recursos possíveis.

Tomás: Isso não trará a sua mãe de volta, eu sei disso, mais creio que agora a justiça foi feita e que sua mãe possa descansar em paz e você fique mais tranquila.

Esperanza: Obrigado, de verdade.

Os dois se abraçaram forte, uma parte de sua história estava esclarecida. Os dias se passaram e viraram praticamente uma família, Tomás está custando a deixar tudo para estar ao lado de Esperanza e isso os deixa um pouco distantes, pois o medo e a culpa convivem com eles o tempo inteiro.

Genoveva: isso já está mais que pecador, meu Deus, a estrelinha preferida está morando na casa do padre.

Carmela: Ainda bem que esses dois não estão mais aqui.

As três fofocavam na cozinha, quando chegou Clara no meio da conversa, ambas disfarçaram, porém a mulher havia escutado.

Clara: Vocês perdem tanto tempo cuidando da vida dos outros, que esquecem de salvar suas próprias almas.

Virou as costas e foi embora, deu o horário do almoço e Esperanza ainda arrumava seu quarto na casa do padre, Juana a ajudava com tudo e vice-versa.

Juana: Esperanza, vocês são os anjos da guarda da Lola e do irmão, assim como da criança que foi batizada e de todas as outras histórias que vocês ajudaram.

Esperanza: Sou Esperanza, com meu apelido me sinto na missão de ajudar.

Juana: Lhe caiu um belo apelido esse.

Lola: Esperanza... Quando o padre disse que você moraria aqui não acreditei.

Esperanza: Estava com saudade de você também.

Oschi: Eu também senti sua falta.

As duas olharam para o menino que parecia realmente sincero com a confissão.

Juana: Lola e Oschi, vão tomar banho, tirar esse uniforme e depois os dois vem almoçar, já está quase acabando aqui.

Lola/Oschi: Ta bom.

Os dois foram tomar banho, cada um em um banheiro.

Esperanza: A fome deles está grande, cada um foi em um banheiro.

Juana: Pra você ver, o que não faz um milagre você aqui.

Esperanza: Por que ?

Juana: Os dois comiam lanche no quarto, mais não sentavam-se aqui na mesa para comer, a não ser quando o padre Tomás estava aqui.

Esperanza: Nossa, relaxa as mudanças aqui serão muito maiores que isso.

Juana: Eles vão se tornar os melhore jovens, estarão menos deslocados.

As duas arrumavam a mesa e conversavam, os irmãos foram até a cozinha e ajudaram também, lavaram a louça que Juana havia usado, quando tudo se terminou, o almoço já estava na mesa, sentaram-se e comeram.

Lola: Espe, me ajuda na matéria ?

Oschi: Eu também quero ajuda.

Esperanza: Sim, depois que a gente almoçar, vamos ajudar a Juana a arrumar a mesa, guardando tudo e vamos estudar.

Assim fizeram, passaram o dia revisando e estudando matéria, teriam uma prova no dia seguinte precisavam tirar uma ótima nota, quando chegou a tardezinha, Juana fez um mega café da tarde e ambos comeram, estavam já cansados de estudar e estudar, então Esperanza queria saber se eles conseguiram entender.

Esperanza: Vamos jogar com os estudos. Vamos fingir que aqui é um programa de pergunta e respostas.

Os dois se olharam e riram, começaram a diversão. Juana ria das respostas montadas, porém corretas, a cada acerto, era uma festa e até dançavam. O padre chegou e tava aquela loucura de livros, cadernos, Juana e Esperanza igual duas malucas fingindo apresentadoras, começou a rir pois estavam muito engraçadas. Esperanza estava de frente pra ele, por isso então parou a brincadeira e cumprimentou o mesmo, Lola estava com dor de barriga de tanto rir, assim como Oschi e Pedro, que tinha chego depois.

Tomás: Boa Noite, passaram a tarde assim ? Nessa loucura ?

Juana: Não, não.

Tomás: Ah tá. Esperanza depois quero conversar com você.

Esperanza: Juro que não aprontei nada heim.

Tomás: Não, é sobre outra coisa.

Esperanza: A tá, sei lá né.

Nesse momento chega Jorge para buscar Pedro. Ambos guardam as coisas e Esperanza vai até o escritório como o padre lhe havia pedido.

Esperanza: Aqui estou.

Tomás: Não conta pra ninguém que você está vivendo aqui, podem não entender o real motivo e prejudicar o convento.

Esperanza: Sim, eu sei, mais não contei pra ninguém.

Tomás: O que vai fazer agora que saiu do convento ?

Esperanza: Vou atrás de um emprego fixo, aqui perto mesmo.

Tomás: Ah sim.

Lola bate na porta e ao abrir, Tomás tem uma surpresa nada agradável de sua querida cunhada.

Eva: Tommy, me ajuda a tirar o Máximo de lá.

Tomás: Eu não posso fazer nada, não sou advogado.

Eva: E você, o que faz aqui ? Já colocou meu marido na cadeia, vai por o irmão dele também, eu sabia que você seria um carma na minha vida.

Tomás: Eva, a Esperanza não tem culpa de nada.

Eva: Tão ingenuo você...

Esperanza: Eu não tenho culpa se seu marido está pagando pelos seus atos.

Eva: Aiai, adoro saber dar coisas... Sabe aquele que se dizia amar você ? Seu ex-namorado, que certamente deve ter visto ele pela empresa ? Então, enquanto ele se dizia ser apaixonado por você, teve um caso com a secretária do meu marido e o filho que ela dizia ser do meu marido é do seu Miguel.

A revelação caiu como uma pedra na cabeça e no coração de Esperanza, ela tinha sido enganada mais uma vez.

Tomás: Eva, eu não costumo mandar os outros embora, mais não vejo outra solução.

Esperanza já não estava ali, a noite terminou pesada, silenciosa.

Lola: Esperanza ?

Esperanza: Oi.

Lola: Não fica assim, o que foi ?

Esperanza: É horrível se sentir traído e o pior que não é só um deslize, pois tem uma criança envolvida nisso.

Lola: Aquela Eva é uma bruxa.

A menina abraçou a amiga, assim foram surpreendidas pelo Padre com uma bandeja com bolachas e suco de maracujá para as duas.

Tomás: Aqui está alguma coisa para comerem, não jantaram e eu imaginei que não tivessem com muita fome, mais não podem dormir sem comer.

Esperanza: Obrigado.

Lola: Vou no banheiro, já volto.

Levantou-se e saiu do quarto, indo no banheiro da sala, o padre sem pensar muito, sentou junto com ela.

Tomás: Quer falar ?

Esperanza: Não.

Tomás: Tem certeza ?

Esperanza: Absoluta.

Ela "jantava" em silêncio e ele a observava, sabia que ela queria falar, só que não tinha vontade de se expressar, assim que ela acabou, ele pegou a bandeja, lhe beijou na bochecha e saiu.