A semana passou entre saudades e sorrisos com pensamentos no horizonte, recordações já virou rotina, para todos, de todos os jeitos, formas e até sentimentos. As coisas estavam meio paradas, até o Padre Tomás descobrir um lugar que consegue área para o celular, assim entrando na internet e procurando o orfanato de Mar del Plata, que tem credenciamento com o Convento Santa Rosa, assim que encontrou, ajoelhou-se em frente ao pequeno santo que havia ali, acendeu uma vela e pediu perdão milhares de vezes, justificando que precisava fazer isso.

Em Mar del Plata, todas haviam almoçado e estavam conversando, até Esperanza pegar o violão e soltar a bela voz com a música Tengo Esperanza.

Xxx: Tia, essa música é muito bonita.

A noviça sorriu e abraçou a pequena, o dia foi passando e foi ficando bem tarde, quando caiu a noite Esperanza estava se sentindo muito estranha, acordou no meio da noite e resolveu sentar-se na praça, olhar as estrelas e a lua, então começou a cantar Necesito, assim que acabou ouviu palmas ao seu lado, quando olhou repentinamente, pensou que fosse miragem, mais logo viu que era verdade, tudo se resutou em uma coisa, um baita abraço, quase que rola beijo novamente, porém não era esse o momento, afinal nenhum dos dois tinha deixado seus respectivos cargos religiosos.

Esperanza: Padre, o que faz aqui ?

Tomás: Você quer mesmo que eu responda ?

Esperanza: Acho que já vivemos essa cena.

Tomás: Sim, dessa vez cav

alo e sem pé machucado.

Esperanza: Égua...

Tomás: Você entendeu.

Esperanza: Ta bom, ta bom.

Tomás: Como é viver aqui ?

Esperanza: Ah, é adaptável com as crianças né, mais com essa diretora...

Tomás: O que tem a diretora ?

Esperanza: Pensa na Geonoveva, é dez vezes pior.

Tomás: Impossível.

Esperanza: Juro, pior que é amiga da Genoveva e pega no meu pé.

Tomás: Esperanza, você não apronta aqui né ?

Esperanza: Não... não...

Diz a menina disfarçando, o padre então a olhou, depois olhou para os lados.

Tomás: O que você aprontou, Esperanza ?

Esperanza: Guerradecomida.

Tomás: Esperanza, fala direito.

Esperanza: Ta bom, fizemos guerra de casca de tangerina.

Tomás: Esperanzaaaaa.

Esperanza: Que ? não desperdiçamos nada.

Tomás: Meu Deus, você só apronta, tem 18 anos mesmo.

Esperanza: Sim e com muito orgulho.

Tomás: Não tem como brigar com você.

Disse o padre rindo do jeito que a menina falou, ali passaram um tempo, até que ele volte ao hotel onde etá hospedado, assim que chegou no mesmo e foi para o seu quarto, deitou-se na cama e em meio a pensamentos recebeu uma mensagem da madre superior, pedindo para que lhe ligue, assim o sacerdote fez.

Conceição: O que faz em Mar del Plata ?

Tomás: Eu ?

Conceição: Sim, senhor.

Tomás: Fazendo visitas, nos conventos e colégios credenciados com os de Buenos Aires.

Conceição: Ah sim, claro. Posso te falar uma coisa ?

Tomás: Sim, sim, claro.

Conceição: Você já está agindo igual a Esperanza.

O homem paralisou, após a confissão da madre, parece que alguém andou atendendo telefone em momento errado, até por que não seria nada de conhecidencia, Esperanza acordada e o padre em Mar del Plata.

Tomás: eu mato essa esperanza, perdão Deus.

Conceição: Espero que não tenha mais uma vez ido longe demais com suas decisões. Aprenda a entender seus sentimentos e suas escolhas, boa noite.

A senhora desligou, deixando-o pensativo, assim decidindo voltar para Córdoba, como havia começado suas férias, passando o resto do mês, sozinho, pensativo e sumido. Esperanza ficou confusa com isso, mais não tinha com quem comentar, com quem desabafar ou falar. Assim que chegou no convento, a bomba caiu em cima de si, ao descobrir que Máximo Ortiz, irmão do padre Tomás Ortiz acaba de ser preso. A empresa dos irmão foi responsável pela contaminação na fábrica onde milhares de mulheres, inclusive a mãe de Esperanza trabalhava, a loucura já estava armada na porta da empresa, o padre sem saber o que fazer, afinal não podia nem tocar nessa parte dos negócios que o Máximo falava um monte. No meio da multidão, pode ver aquela pequena garota de 18 anos, chorando e confusa, até por que ela é a única que não tinha uma pessoa com ela, era a única que estava sozinha em um momento desse, já era bem tarde, hora que o flagra foi dado e os bandidos foram presos, em meio a esse caos, Esperanza conta aos policiais que conhece os dois "ajudantes" que estavam na sala junto com o golpista. Tomás a abraçou forte após a revelação aos policiais, Jorge que estava na delegacia pediu para que o sacerdote levasse a menina de volta para o convento, sem pensar muito já estavam no carro, ela já dormia em seu ombro, enquanto dirigia pelas ruas, pegou-a no colo e deixou ela em sua cama, adormecida ainda, ficou ali olhando seus olhinhos tristes adormecidos.

Conceição: Padre... Sinto muito pelo que aconteceu.

Tomás: Não sei nem o que imaginar, o que falar, o que sentir, o que fazer.

Conceição: Já se tornaram um só sem perceber.

Os dois continuaram conversando enquanto velavam o sono da noviça, nesse momento as meninas chegaram da missa, incluindo Lola que estava vivendo no convento.

Tomás: Lola, sua casa não aqui. O que faz aqui ?

Lola: A Irmã Clara me pediu para ficar aqui, até que as coisas se resolvam lá na sua casa, que desde que o senhor saiu de férias nada está normal.

Tomás: Ta, amanhã resolvemos isso, vou para casa, você vem Lola ?

Lola: Não, já combinamos que dormiria aqui, vou ficar.

Tomás: Tudo bem. Tchau !

Disse o padre indo embora, antes de amanhecer Esperanza se despertou, fez uma carta para cada uma do convento, inclusive para Lola, em seguida foi até a casa do padre, onde teve passe livre, deixou uma carta com uma foto. Foi embora sem rumo, até por que sua personalidade não era essa, seus costumes e sua vida não eram esse, se cansou e sentou-se no banco de uma praça começando a cantar Esperanza Mía.