Tudo por Você.
1 Cap. 1
Quando receberam a carta com passagens para seus destinos, Tomás e Esperanza ficaram um pouco tristes, porém talvez poderiam se falar, manter contato com todos os outros. A Madre Superior sabia que não seria bem assim, mas resolveu não contar, até por que seria totalmente contra as regras de sua autoridade naquele convento. Genoveva e o Padre Fortunato sentiram-se maravilhados com o assunto, afinal não teriam mais nenhum dos dois para atravessar os seus caminhos. Tomás foi para um destino um pouco mais perto, chegando antes em seu novo aposento, que seria um sítio igual ao da madre. Esperanza foi encaminhada para uma outra realidade, um orfanato era o seu novo lar, crianças eram suas novas amigas, a diretora já avisada por Genoveva, já deu-lhe ordens estranhas a menina, sem nem mesmo ter pisado na casa. Córdoba e Mar del Plata, esses eram os destinos que separava o padre de sua noviça.
Tomás: Será que isso é uma forma de pagar meus pecados, Deus ? Ou é algo reflexivo sobre o meu futuro ?
O homem pegou o celular, para mandar uma mensagem para a noviça, para saber como estava, só que foi em vão, não é um lugar comunicável, para onde foi transferido, então deitou-se na grande cama da enorme casa e acabou adormecendo ali, com seus pensamentos longes. Em Mar del Plata não estava muito diferente, as crianças já dormiam, Esperanza ainda se encontrava em pé diante de sua santa protetora, a qual têm a imagem gravada em sua medalha.
Esperanza: Me ajude a superar isso, me ajude a sobreviver a esse caos, me ajude, só preciso disso, só preciso que me ajude. Não sou noviça, não quero essa vida para mim, não mereço pagar por uma coisa não serei. Mais eu preferia ter ido só eu, o Padre Tomás não tem culpa de nada, por favor Deus, não deixe que ele sofra por minha culpa.
A menina pegou o celular e ao ligar para o padre, foi em vão a tentativa, afinal, estavam em um orfanato, pra que teriam área, fechou tudo do celular, abrindo as fotos e vendo todas. Ambos se conectavam através das orações e dos pensamentos, estavam a quilômetros de distância, mais não parecia estar tão longe assim, o coração apaixonado do "casal" deixa que eles sintam a falta um do outro, antes mesmo do esperado. Em Buenos Aires as coisas estavam cada vez piores, o abuso de autoridade e a inveja eram os sentimentos que naquele dia se aflorou muito grande.
Maria: Esse convento está com um ar menos pesado agora.
Carmela: Sim, sim. O coral está mais bonito, mais calmo.
Conceição: Eu sinto falta da alegria que tinha o convento, quanto participávamos dos concursos que haviam na cidade, a necessidade de arrecadação era bem menor.
Noviça Nieves: Sim, madre, tem toda razão, era tão gostoso acordar e ouvir a voz da Esperanza, pelos corredores do convento.
Cynthia: Com licença, irmãs, poderiam me dizer onde está Esperanza ?
Noviça Diana: Ela está de férias, professora.
Cynthia: Que pena, queria passar uma atividade de revisão para os alunos e ela iria me ajudar.
Noviça Carmela: Eu vou, não precisa ser só a estrelinha...
Cynthia: Sinto muito, mais você não tem a vocação pedagógica para a atividade que irei aplicar, com licença.
A professora saiu e deixou todas se olhando e se perguntando o que foi aquilo, a Sor Maria, que também por decisão do padre é a diretora do colégio, anotou em seu caderno o ocorrido com sua protegida. Na casa do padre, Lola chegou do colégio, se arrumou e foi até Juana que preparava o almoço.
Lola: Sinto tanta falta do Padre Tomás.
Juana: Mais ele foi ontem, meu amor.
Lola: Mesmo assim, a senhora não tem ideia da falta que ele e a Esperanza faz naquele convento.
Juana: Eu imagino...
Lola: Juana, quer falar algo ?
Juana: Quero, senta aqui comigo.
As duas se sentaram diante da mesa.
Juana: O Padre saiu tão tristinho daqui, essas férias repentinas não é por nada né ?
Lola: Não.
Juana: O que aconteceu ?
Lola: Aquelas fofoqueiras da Genoveva e a Maria, chegaram para as autoridades da igreja e falaram que encontraram o padre Tomás com Esperanza no quarto.
Juana: Oi ?
Lola: Sim, sabe o pior ?
Juana: Não.
Lola: Quando ela foi embora, pela primeira vez, ele foi atrás dela e os dois realmente passara a noite juntos, mais não desse jeito, ela no sofá e ele no chão. Só que ela caiu e acabou deitada com ele.
Juana: Gente, mais que isso.
Lola: Pior que as fotos que apareceram, realmente são estranhas.
Juana: Coitados, pobre menina...
Lola: É horrível andar pelo colégio e ouvir falarem dos dois daquele jeito, é horrível andar pelo convento se ver os dois conversando, rindo e até cantando.
Juana: Aqui eu sinto falta deles também, a Esperanza já me ajudou e muito.
Lola: Sabe, eu reclamo, mais tenho que agradecer a vocês.
A empregada abraçou a menina que chorou emocionada, na verdade ambas choraram juntas.
Eva: Meu Deus, quanto amor, carinho...
Lola: Boa tarde pra você também Eva.
Eva: Juana, já está pronto o almoço ?
Juana: A lasanha que a senhora pediu, está no forno.
Eva: Ah bom, pensei que...
Juana: A senhora não deveria pensar mal das pessoas, pois sabe muito bem que não me divirto, antes de cumprir com as minhas obrigações.
A senhora retirou a lasanha mal assada do forno e foi para o supermercado, acompanhada de Lola. A vilã ficou sozinha no apartamento, até o celular receber uma mensagem desconhecida, mandando-a ir na empresa do marido no exato momento.
Fale com o autor