Alex narrando:

* Em casa*

— Mãe chegamos. – Gritei ao perceber sua bolsa no sofá.

— Meu filho que saudades. — Veio encontro ao meu abraço, existe algo melhor que abraço de mãe? Claro que não. — Como foi no shopping? — Perguntou com um sorriso contagiante em seu rosto.

— Foi ótimo tia, vimos uma peça perfeita, você deveria ver com a mamãe, ficará no shopping até sábado. – Falou Rose abraçando-a.

— Iremos ver essa peça sim, acabei de colocar a mesa do café venham para a cozinha?

— Estamos indo. – Ash falou

— Pequena? Acha que devo contar o que aconteceu para eles ou deixo para mais tarde?

— Você sabe qual é o melhor momento meu amor, se quiser contar agora estarei ao seu lado. – Falou suavemente para que conseguisse sentir confiança em sua voz.

— Vou contar. – Falei me decidindo, assentiu e me puxou até a cozinha, onde todos nós esperávamos...

Após todos comer, contei tudo que havia acontecido na casa de John, eu chorei muito, não conseguia fazer minhas lagrimas cessarem e graças a Deus mamãe e Mick me acolheram como era esperado.

— Mick, Alex? Preciso ir embora. – Falou Ash docemente.

— Mas já querida? Fique mais. – Mamãe falou abraçando-a.

— Tenho aula amanhã tia e Rose também. – Sorriu.

— Está certo, Mick a chave do carro está no criado mudo do lado da minha cama, pegue e vão leva-la.

— Obrigado mamãe. – Falou indo em direção ao quarto.

Minha mãe possuía dois carros, um Doblo que ganhou de presente da tia Luccy e do Scott e um Siena 2014 da empresa que trabalhava, ela sempre permite que Mick use seu carro pela região, mas respeitando todas as regras de transito para que não complique para ambos.

— Vamos? – Indagou Mick.

— Vamos! – Afirmou. — Tchau tia, até breve.

— Tchau princesas, vão com Deus, e peça para a mãe de vocês me ligar, por favor.

— Pode deixar tia eu direi. – Falou Rose toda elétrica.

— Tchau mãe, logo estaremos de volta. – Falei.

— Vão com Deus e venham com ele.

— Amém!

— Eu vou na frente. – Falou Rose indo em direção ao carro.

O trajeto foi tranquilo, não havia transito e estava uma noite bem gostosa.

— Chegamos! – Mick falou descendo do carro.

Logo estavam todos fora também.

— Eba! Vou ver minha mãe, estou morrendo de saudades. Tchau Alex. – Beijou meu rosto e seguiu até o portão.

— Ei Rose só vai dar tchau para ele? – Mick perguntou desapontado.

— Claro que não, você vai entrar comigo bobo, preciso te mostrar uma coisa. – Sorriu levando ele junto com ela.

— É... Obrigada por hoje pequena, já fazia algum tempo que não me sentia assim. – Falei olhando fixamente em seus olhos que faz perder totalmente o rumo da nossa conversa.

— Eu quem agradeço, o dia foi extraordinário. – Nessa altura do campeonato, ela estava tão vermelha quanto um pimentão e ainda assim era a menina mais linda do mundo.

— Por nada, esse será o primeiro de muitos. – Sorri e a abracei. — Estava com saudades disso sabia? – Afastei-me para conseguir olha-la.

— Eu também estava. – Chegou mais perto colocando as mãos atrás do meu pescoço depositou um beijo no canto dos meus lábios, não sei ao certo se foi de propósito, mas aquilo me fez quere-la ainda mais. — Obrigada por tudo, tudo mesmo. — Sussurrou em meu ouvido me instigando ainda mais, respirei fundo e a beijei, no rosto é claro.

— Não me agradeça, retribua um dia qualquer. – Sorri.

— Não faltarão oportunidades. – Garantiu.

— Ótimo!

— Vamos entrar? Mamãe ficaria feliz em te ver aqui. – Falou me puxando para mais perto da entrada.

— Pequena? Acho melhor não, já está tarde eu acordei muito cedo hoje, estou cansado demais, amanhã depois que chegar da casa de John eu passo aqui. – Falei puxando-a para um abraço caloroso e confortante.

— Tudo bem então, irei chamar Mick, até amanhã príncipe. – Beijou-me e sem esperar por respostas foi em direção a sua casa. Ah mulher um dia você me enlouquece. – Sorri fraco.

Mick não demorou muito para sair e eu ainda sorria feito bobo, no radio estava tocando Envolvidão — Rael da Rima, essa música descrevia tudo que eu estava sentindo, um dia ao lado de Ashilley e já apaixonado? Meu Deus, e agora?

Cheguei em casa tomei um banho rápido e me deitei Mick também estava cansado, e mamãe? Bom ela deveria estar no último sono.

Deitei-me e não demorou muito para que conseguisse adormecer...

Logo que acordei, tomei meu banho e fiz minha higiene matinal, descemos até a cozinha tomamos café e seguimos para escola, dessa vez de carro para não chegarmos atrasados.

Havia muitas pessoas e na escola que eu não via a muito tempo, na sala vi Jess sozinha e quieta, as aulas passaram voando a maioria dos professores eram maravilhosos, menos a de geografia que ainda não sabia o nome. Logo o sinal do intervalo bateu e sai para falar com alguns amigos e procurar Jess.

*Intervalo*

Falei com alguns amigos enquanto procurava Jess, não foi tão fácil acha-la, mas consegui, conhecia a maioria do pessoal, mas havia algumas garotas que me olhavam como se eu fosse comida, dava medo.

— Jessica? – Ela vestia uma camiseta creme e uma calça skinny com all star que caia perfeitamente no restante do look ela estava linda, mas sua feição não era das melhores.

— Alex! – Sorriu vindo ao encontro do meu abraço.

— Como é bom te ver, veio para ficar desta vez?

— Pretendo princesa, também é muito bom ver você. – Falei soltando-a.

— Que ótimo! Essa é Rebecca, minha amiga. – Apresentou-me uma garota de pele clara cabelos vermelhos e olhos verdes.

— Prazer, sou Alex irmão do Mick um carinha muito parecido comigo sabe? – Sorri vendo a tensão aparecer no rosto das duas.

— O prazer é todo meu. – Falou retribuindo o sorriso um tanto sem graça.

— Falei algo que não devia? – Indaguei curioso.

— Claro que não! – Jess se apressou a dizer. — Becca você se importa se eu for conversar com o Alex por alguns minutos? – Perguntou para amiga.

— Magina, irei até a cantina e te encontro na sala, beijos. – Saiu sem esperar por respostas.

Sentamos em um banco que havia na nossa frente, éramos só ela e eu ali, e não precisava de muito esforço para perceber que algo lhe incomodava.

— Então.... Quanto tempo! Como está a vida? Novidades?

— Muito tempo mesmo! A vida? Ah pior do que está não fica! – Suspirou.

— Oh pequena, não fala assim, a minha não está lá àquelas coisas, mas pelo menos estamos vivos. Quer me dizer o que houve? – Perguntei com a voz um tanto falha.

— Não sei se consigo, mas tentarei tudo bem? – Falou cabisbaixa.

— Tudo bem meu amor. –Falei me sentando de frente para ela segurando suas mãos.

— Estou namorando com Mick. – Disparou a dizer.

— Sério? Quer dizer que você é minha cunhada? Que maravilha. – Sorri. — Mas porque ele não me disse? – Perguntei confuso.

— Alex! Calma! Uma coisa de cada vez, não te falou nada por estarmos brigados, talvez eu tenha até um pouco de culpa pelo que tenha acontecido. – Abaixou a cabeça dando espaço para algumas lágrimas que já faziam morada em seus olhos, sua expressão era de dor e eu mais uma vez não sabia como ajudar, respirou fundo e continuou a falar. — Quando você foi embora, eu te amava muito sabe? Você era tudo que eu sempre sonhei... E eu acabei descobrindo que havia ido embora por causa da Ashilley, e um sentimento horrível foi crescendo dentro de mim, sentia nojo dela raiva e uma vontade imensa de me vingar, foi quando descobri que ela gostava de Mick, já que ele gostava de mim porque não dar uma chance para esse amor e ainda destruir o coração dela? Foi o que fiz de início não gostava dele, mas o tempo foi passando e eu o amei hoje eu o amo mais do que tudo. O amo como nunca havia amado ninguém. – Jess chorava muito, estava com o rosto vermelho e eu estava realmente pasmo. — No nosso aniversario de dois anos e cinco meses ele passou com Ash, além de ter esquecido Ashilley me disse coisas horríveis.

Tudo bem que no dia seguinte ele veio se desculpar, mas não era o suficiente eu já estava machucada e queria me vingar, expus Ashilley para a escola inteira, ela ficou mal, me arrependi, eu procurei Mick para conversar algumas vezes, mas aquele idiota é orgulhoso demais para querer me desculpar. Estou perdida Alex. – Suspirou encostando sua cabeça em meu ombro.

— Oh pequena, cabeça dura vocês em? Não posso dizer que você está certa, mas irei conversar com ele e tudo se resolverá. – A envolvi em um abraço lhe passando conforto. – Estarei com você para o que precisar.

— Obrigada Alex! Por tudo. – Sorriu em meio às lagrimas que ainda escorriam por todo o seu rosto.

— Não precisa me agradecer, só quero o bem de vocês, amo você igual amo meu irmão. – Depositei um beijo na sua testa e a levantei. — Vamos para sala? A aula já vai começar, vá lavar seu rosto. – Ela apenas assentiu indo em direção ao banheiro, não demorou muito e logo seguimos para sala.

O restante das aulas foi normal o tempo passou rápido e logo estava em casa.

Mamãe havia faltado no serviço para irmos à casa de John, almoçamos e logo seguimos viagem.

A recepção na casa dele não foi uma das melhores, ele socou Mick achando que era eu, mas logo que percebeu pediu desculpa, fiquei chateado, o que Mick tinha que eu não tinha poxa? Fomos para meu quarto arrumar minhas coisas enquanto eles conversavam, logo terminamos e seguimos para sala, a cena era deprimente, meu irmão estava caído no sofá enquanto John estava prestes a dar um soco em seu maxilar, mas mamãe chegou a tempo de impedi-lo.

Depois de uma discussão e tanto, pedi um tempo a sós com John, eles assentiram e foram para o carro.

—— Está vendo pai? Você foi quem causou tudo isso, obrigado por ser esse desastre, só assim aprendemos que a vida não é fácil, mas tudo bem, não é? Depois a gente supera. — Falei seriamente segurando minhas lagrimas, já estou destruído e você ainda quer mais? Já entendi que me odeiam, pode ir agora. — Falou com as mãos tampando o rosto.

— Não pai, eu não odeio você só queria que mudasse e visse as coisas como realmente são. – Abri a porta que estava atrás de mim, mas por impulso voltei e dei um abraço em John. — Eu te amo pai, te amo muito. – Virei às costas e finalmente chamei o elevador assim que adentrei o elevador vi John em minha frente.

— Filho?! Eu também te amo me perdoe pela dor que lhe causei. – Sorriu e a porta se fechou, queria chorar ali mesmo, mas seria forte o suficiente para segurar até a hora do meu banho.

Cheguei em casa me arrumei e fiquei esperando Mick no nosso quarto, ele saiu do banheiro conversamos sobre Jess e ele decidiu procura-la.

A noite na casa da tia Luccy estava bem agradável, passamos a maior parte do tempo arrumando as coisas para festa do Scott que foi um arraso.

Mick foi até a casa de Jess, mas ela dormia e ele decidiu que iria até a casa no dia seguinte. Espero que tudo se resolva.

*Depois da festa*

Todos já haviam ido embora, o relógio marcava 20h, eu estava arrumando algumas coisas que estavam fora do lugar, para mamãe e eu irmos para casa, o cansaço estava me dominando, tudo que precisava era de banho e cama.

Joguei alguns pratinhos descartáveis no lixo e peguei um pano para passar na mesa, limpei cada detalhe daquela mesa de mármore e voltei a pia para lava-lo quando ouvi uma voz doce e distante:

— Alex?! Podemos conversar? – Era Ashilley se aproximando gradativamente.

— Claro! – Falou soltando o pano na pia e lavando as mãos. — Aconteceu alguma coisa?

— Na realidade sim. – Ela falou abaixando o olhar.

— Oh pequena, venha! Vamos para seu quarto.

No quarto sentamos um de frente para o outro e ela me contou tudo que passou quando criança, adolescente e dias atrás. Fiquei horrorizado com tudo que Jess fez, via sofrimento nos olhos dela ao falar sobre o assunto, disse que não supria mais sentimentos por Mick e que aprendeu a vê-lo como irmão, um lado meu soltou fogos de artifícios, mas o outro estava triste por tudo aquilo que havia acontecido com minha pequena, estávamos em silêncio á alguns minutos estava incomodada com alguma coisa, mas não conseguia dizer por quê.

— Pequena? Está tudo bem? – Indaguei preocupada, ela apenas assentiu com um olhar triste e disse:

— Nesse período uma coisa "boa" aconteceu, lembra quando lhe disse que começaria jornalismo no ano seguinte? – Apenas assenti para que pudesse continuar. — Ganhei uma bolsa integral, mas na França. — Abaixou a cabeça deixando algumas lágrimas fazerem caminhos em seu rosto, e eu fiquei ali estático reproduzindo aquelas palavras em minha mente várias vezes.

Oi? Isso mesmo produção? O amor da minha vida, indo morar em outro país? Maravilha!

— Mas isso não é ótimo pequena? – Perguntei com a voz falha, ainda estava perplexo com o que me dissera em poucos minutos.

— É, em partes, não vejo papai desde meus sete anos, e estou com muita saudade dele e também França é um dos países que mais admiro, mas vou ficar longe da minha família, longe de onde cresci isso vai me doer muito, e minha Pequena Rose como vai ficar quando souber? – suspirou.

— Oh pequena, não pensa assim, vai rever seu pai e como você mesmo disse a França é um pais que sempre desejou conhecer, poderá vir nos ver nas férias.

— Como é? Quem vai para França? Você Ashilley? – Rose estava parada na porta com os olhos marejados.

— Pequena...

— Me responde Ash. — Gritou interrompendo sua irmã.

— Vou... – Falou abaixando sua cabeça.

— Obrigada por me contar. Obrigada, sou sempre a última, a saber, não é mesmo? – Bateu a porta e saiu do quarto em prantos.

— Rose espera. – Gritou Ash

— Me deixa em paz, não quero conversar com ninguém.

— Alex? Pode esperar aqui? Vou tentar conversar com ela.

— Claro pequena, vai lá. — Depositei um beijo em sua testa, Ash virou as costas sem dizer mais nada. Ajeitei-me na cama e coloquei os fones e mais uma vez enquanto chorava ao som de Equalize-Pitty adormeci.