Rose narrando:

Não consegui assimilar as palavras de Ash, bati a porta do quarto e corri para o meu em prantos, senti meu coração se despedaçando aos poucos, abri a porta fui até o guarda roupa puxei um cobertor rosa da Minnie, Ashilley me deu quando completei cinco anos, vovó a presenteou com a mesma idade e para falar a verdade era meu cobertor favorito.

Dei alguns passos até a minha cama do lado estava meu criado mudo, onde ficava o livro que estava lendo recentemente e meu Ipod, que tinha minhas músicas favoritas e no momento tocava Try-Pink enquanto as lagrimas desciam sem cessar pelo meu rosto.

Magoada? Era pouco perto de como estava, Ash não podia me esconder uma coisa dessas.

Quando iria me contar?

Além de sofrer pela dor da saudade antecipada estava arrasada por não ter dito que viajaria no ano seguinte.

Porque me poupar? Por ser mais nova?

Mamãe sempre diz que sou mais esperta que muitos jovens e crianças da minha idade, de modéstia parte, eu sou mesmo.

Hoje em dia as crianças são vidradas em videogames celulares redes sociais, não que eu abomine, mas qualé? Cadê as brincadeiras de rua e os livros?

Ah livros! Livros são magníficos, entro em outros mundos, embarco totalmente na história desde a primeira página até a última, herdei isso de Ash... E por falar nela...

Sou grandinha o suficiente para entender que passará um tempo fora, mas ela deveria ser madura para me contar.

Estava inerte em meus pensamentos ainda chorando pelo que ouvira a algum tempo, quando alguém bateu na porta despertando-me do transe em que me encontrava permaneci deitada de barriga para baixo abraçada com o travesseiro até Ash entrar em meu quarto.

— Pequena? Podemos conversar? – Perguntou com a voz um tanto falha.

— Amanhã? Claro! Por que não?

— Princesa tem que ser hoje.

— Não Ash, não tem que ser hoje, já sei o que vai dizer e não estou nem um pouco afim de ouvir você se lamentar por não ter me dito antes. Hoje só quero comigo músicas, lágrimas e meus pensamentos. – Falei deixando um soluço escapar.

— Pequena. – Suspirou.

— Amanhã Ashilley, pode me respeitar? Poderia ter evitado tudo isso, mas agora já foi. – Bufei. — Sai do meu quarto.

Ela ainda insistiu por um tempo, mas em vão, ainda estava triste e não era o momento certo para conversarmos, a hora passava e nada do sono chegar, cochilei algumas vezes, mas logo despertava com algum pesadelo.

O relógio já marcava 2h40m e eu deitada em minha cama apreciando o teto do meu quarto que é coberto de estrelas, aquelas que brilham no escuro, ouvi a porta do meu quarto se abrir e rapidamente me encolhi na cama puxando meu cobertor.

— Pequena? – Uma voz calma e doce ecoou pelo meu quarto.

— Oi?

— Posso me deitar com você? Estou tendo pesadelos. – Ash falou em um quase sussurro.

— Promete não tocar naquele assunto? – Indaguei num fio de voz.

— Prometo princesa! – Sorriu fraco.

— Então pode! – Retribui o sorriso.

Deitou-se no lado esquerdo da cama e me abraçou se acomodado melhor e logo adormeceu.

Sempre que brigávamos uma ou outra ia para o quarto da irmã, caso contrário os pesadelos não cessavam.

Acordei em torno de sete horas com Ash se debatendo na cama.

— Rose! Por favor, me perdoe pequena, volte para cá, eu te amo, não me abandona não. – Gritava enquanto dos seus olhos escorriam lagrimas.

— Ashilley calma, estou aqui. – Falei calmamente fazendo-a despertar, em um pulo me envolveu em um abraço deixando que suas lágrimas fizessem caminho pelo meu ombro, naquele abraço havia amor, carinho e uma pitada de desespero. — Calma florzinha eu estou aqui.

— Você ainda está chateada comigo pequena? Quer que eu fique aqui no Brasil? Porque se você quiser só irei visitar meu pai, mas logo estou de volta. – Disparou prendendo a respiração. Nos afastei o suficiente para olharmos uma para outra.

— Estou chateada sim, não por estar indo em busca dos seus sonhos e me deixar e sim por ter me escondido, mas vá meu amor, vá atrás de seus sonhos, ficarei na torcida por você, afinal é isso que fazemos quando amamos alguém. – Disse sentindo meus olhos marejarem.

— Eu te amo princesa! – Sorriu depositando um beijo em minha testa. — Vamos voltar a dormir? – Apenas assenti retribuindo o sorriso.

Nos ajeitamos na cama e logo adormecemos.

Acordei novamente dez horas, Ash já havia levantado, fui ao banheiro fiz minha higiene como de costume e voltei ao quarto, peguei um short branco com detalhes de renda que vovó me deu da última vez que nos visitou e uma regata branca bem fresquinha, fechei o guarda roupa e me troquei ali mesmo já que não tinha vergonha de Ash.

— Bom dia! — Falei finalmente.

— Bom dia princesa, dormiu bem? — Perguntou docemente.

— Fora os milhares de pesadelo sim. — Sorri.

— Vamos descer? — Beijou minha testa e pegou na minha mão sem esperar por respostas

— Estou morrendo de fome.

Na cozinha mamãe e Alex nos esperavam para tomar café.

— Bom dia! — Falei me espreguiçando.

— Bom dia princesas, como estão? — Indagou Alex.

— Estou bem! — Ash disse depositando um beijo em seu rosto. — E vocês?

— Estou bem! Só ele recebe beijo? — Mamãe fez bico. — Estou ficando fraca mesmo em?

Fui até ela e a envolvi em um abraço enchendo-a de beijos

— Claro que não mãe. — Sorri enquanto Ash dava passos para chegar até a gente. — Não precisa de ciúmes.

— Vamos tomar café? — Indagou Alex.

— Sim. — Falei.

Após o café Ash e Alex saíram e eu ajudei a mamãe limpar a cozinha, eles perguntaram se eu queria junto, mas neguei ainda precisava estudar para peça e pensar em algo para apresentar no sarau que acontecerá daqui uma semana em minha escola.

Serei a última a apresentar preciso fechar com chave de ouro, disse para a professora que está organizando o evento que recitaria um poema, mas não é bem o que quero.

Terei uma semana para pensar em algo que surpreenderá todo mundo.

As falas da peça estão quase decoradas, mas está tudo certo tenho até o final do ano para decora-las, as vezes chega a insegurança, mas nada que dez minutos de conversa com minha mãe não resolva, aquela mulher tem um poder enorme sobre mim, me passa confiança, amor, autoestima e outras coisas que é preciso para uma pessoa conseguir ser feliz, em pouquíssimo tempo de conversa, como eu a amo

Depois da cozinha estar limpa subi para meu quarto e só desci para almoçar com minha mãe, mas logo voltei para ele.

Atualmente lia um livro sobre três amigos, um deles estavam na UTI, embarquei no livro por horas e quando percebi algumas lagrimas escorriam pelo meu rosto.

Deixei o livro ao lado da cama, deitei no embalo da música fechei os olhos e não vi mais nada.

Por volta das oito horas Ashilley me acordou com um beijo na testa.

— Pequena? — Sussurrou.

— Hmm. — Resmunguei sonolenta.

— Vamos descer? Mick e tia Elis estão aqui, mamãe fez esfiha e a tia trouxe pizza. — Falou passando a mão levemente em meu rosto.

— Estou sem fome Ash, quero dormir um pouco mais. — O sono me dominava e ainda digeria o almoço, tudo o que queria era dormir.

— Como é? Você sem fome? — Mick falou abismado entrando no meu quarto. — Não quero saber, levante e vá ver sua tia. — Brincou mantendo o tom de mandão que possui.

— Não perde o costume né Mick? — Bufei. — Zarpa do meu quarto que preciso me trocar.

— Marrenta você em? — Gargalhou.

— Tchau Mick. — O empurrei para fora do quarto e fechei a porta.

Fui até meu guarda roupa peguei um vestido preto tomara que caia com alguns detalhes roxos p vesti e fui até o banheiro, prendi o cabelo de qualquer jeito e escovei os dentes.

— Vamos pequena? Estão todos te esperando para comer. — Ash me chamou entrando novamente no quarto.

— Uhum! Estou pronta. — Sorri.

— E linda também. — Disse gentilmente.

**Na cozinha**

— Oi tia! — Sorri abraçando-a.

— Rose! Como está linda. — Retribuiu o sorriso.

— Obrigada tia, estava com saudades.

— Mentira mãe! — Mick me interrompeu. — Ela nem queria descer. — Gargalhou.

— Cala boca Mick. — Bradei. — Eu só queria dormir um pouco mais.

— Te entendo pequena. -Beijou minha testa.

— Ei Rose?! Não vai falar comigo não? — Alex indagou sentado no sofá ao lado de Ash com os braços aberto para um abraço.

Corri até ele e depositei um beijo em sua bochecha.

— Oi! — Sorri gostoso.

— Agora está melhor. — Me abraçou.

— Vamos comer? A fome me pegou. — Apenas assentiu se levantando.

Sentamos a mesa e batemos papo enquanto comíamos, estava um clima bastante harmonioso, a noite foi agradável, fizemos mamãe e tia Elis dançar enquanto riamos muito.

Decidiram ir embora um tanto tarde, Mick ficou conosco e no dia seguinte encontraríamos Alex e tia Elis no clube.

Subi para organizar algumas coisas no meu quarto e logo segui para onde Ash e Mick estavam, ambos gargalhavam enquanto jogavam.

Entre conversas e brincadeiras só percebemos que havia amanhecido quando mamãe passou no quarto para tomarmos café, depois nos arrumamos e fomos para o clube mesmo sem dormir...

♥♥♥

O dia foi magnifico, tirando o fato de estar cansada, mais de vinte quatro horas sem dormir e que no dia seguinte terei que levantar as seis da manhã. Chegamos em casa 18h, preparei meu material e separei o uniforme da escola como sempre fazia. Tomei um banho para amenizar o cansaço, comi alguns biscoitos me deitei e da última vez que olhei para o relógio ele marcava 22h.

♥♥♥

** Uma semana depois**

Ai meu Deus é hoje!

Acordei sete horas, tomei meu banho e fui para o quarto decidir qual roupa usaria, por não ter muito tempo optei por uma calça jeans cintura alta, camiseta regata branca que acompanhava uma blusa salmão três quartos de seda e minha sapatilha preta, decidi deixar o cabelo solto como a maioria das vezes coloquei a franja para o lado e lá estava as pontas formando seus cachos, dei uma ajeitadinha básica e passei um gloss fraquinho em meus lábios.

Estava pronta, abri a porta do meu quarto e mamãe estava prestes a bater. A olhei e sorri.

— Bom dia mãe. — Beijei seu rosto. — Como a senhora está? Benção? O café está pronto? Ai meu Deus, estou nervosa. — Suspirei abraçando-a.

— Bom dia minha filha, Deus te abençoe, está tudo bem e o café já está na mesa. Confie em si minha pequena, vai dar tudo certo. — Mamãe sorriu e me apertou prolongando o abraço.

Descemos para tomarmos café e Ash já estava a mesa comendo, e estava muito linda por sinal, usava uma calça jeans preta cintura alta, blusa creme de seda e uma sapatilha que ganhou da mamãe a poucos meses. Espera aí estávamos iguais.

— Você está linda. — Sorri largo.

— Você também. — Me beijou.

Após terminarmos o café, mamãe subiu para pegar sua bolsa e saímos, Alex estava de frente a nossa casa encostado no carro da tia Elis.

— Vocês estão lindas. — Falou meio bobo.

— Obrigada Alex! Tenho que estar deslumbrante. — Gargalhei.

— Af bobona, não te elogio mais. — Me olhou com desdém.

— Eu te amo. -Sorri

— Sabe mesmo como ganhar uma pessoa né? — Me beijou. — Entre no carro para não nos atrasarmos. -Apenas assenti.

— Vamos tia?

— Encontro vocês lá, preciso passar na farmácia antes. — Mamãe falou procurando a chave do carro dela.

— Tudo bem mãe, nós te amamos. — Ash falou sentando ao lado de Alex.

Chegamos a escola e uma garota já recitava um poema magnifico de autoria própria.

No camarim conversei com algumas amigas e logo minha professora apareceu para me entregar o poema que iria recitar.

— Rose? Logo é a sua vez, aqui está o seu poema.

— Professora, não tive tempo de lhe dizer, mas não vou recitar o poema.

— Como é? — Me olhou incrédula.

— Daqui algum tempo minha irmã vai viajar e eu queria fazer uma surpresa para ela. — Disse entregando o papel que estava na minha mão desde que cheguei.

— Poxa Rose! Que coisa mais linda! Parabéns, tenho certeza que ela vai amar.

— Obrigada!

— Por nada! Vou indo, se prepare que sua vez está chegando.

O tempo passou e eu subi ao palco, Alex Ash e mamãe estavam na segunda fileira, meu coração palpitava, meus olhos brilhavam e ali uma certeza eu tinha:

Morro de amores por essa família.

Bom... A uma semana atrás eu não fazia ideia do que iria fazer, ou qual poema iria recitar.

Daqui alguns meses minha irmã vai viajar e eu decidi falar um pouco sobre nós.

Minha irmã, melhor amiga, companheira. -Suspiro. Recebeu uma oportunidade incrível, coisa de outro mundo mesmo.

Eu descobri sozinha no aniversário do meu pai, fui ao quarto dela avisar que mamãe estava chamando e acabei ouvindo o que tanto temia, ela viajaria e não sabia me contar por sermos muito apegadas. Chorei uma noite inteira, poxa, imagine só a saudade que sentiria, a dor no peito quando fosse leva-la no aeroporto, mas vi que estava sendo egoísta e não poderia impedi-la.

Vá meu amor, corra atrás dos seus sonhos e eu estarei aqui te esperando, na plena certeza de que voltará. Não será igual alguns amigos que foram embora por estar simplesmente cansados de mim ou porque os pais obrigaram como vários casos.

E hoje estou aqui para dizer-lhe o quanto torço por você, quero que seja feliz e consiga alcançar tudo que almeja.

E tenha absoluta certeza que nunca será um adeus, talvez um até logo ou até mais, mas jamais um adeus.

Eu te amo Ashilley Collin

♥♥♥