Tudo o que se quer

9 Capítulo 9 - Flashback


Notas iniciais
Oooi gente! Esse capítulo foi feito com o intuito de trazer um pouco mais de explicações. Comecei a amarrar os fatos. Espero que gostem e fique claro para vocês. Obrigada por estarem aqui e por todos os comentários

Eu estava sentada na cama esperando pela explicação de Robin já havia meia hora. Recusava-me a olhar em seus olhos porque seria meu fim.

– Se não começar a explicar agora eu irei expulsá-lo a ponta pés. — afirmei, com a voz gélida.

– Eu acredito nisso. — ele tomou um longo suspiro, como eu mesma costumava fazer. Depois caminhou até mim.

Estava escorada na cabeceira, com as pernas cruzadas em forma de "x". Robin me imitou ficando frente a frente a mim, estiquei o braço demostrando a distância em que ele deveria ficar. Não podia lhe dar o luxo da proximidade, não depois de tudo o que ele havia feito.

– Prometa que irá me escutar e pelo menos me dar o benefício da dúvida — pediu ele.

– Não prometo nada. — cruzei os braços.

O homem passou os dedos pelos cabelos, parecia frustrado.

– Tudo bem, de certa forma, a culpa é minha também. Eu...

– Corrigindo. A culpa é toda sua! T-o-d-a! — praticamente rosnei.

– Depois que sai de sua casa naquela manhã — ele começou, de cabeça baixa. -, eu tinha um propósito. Encontrar um homem de quem já ouvi falar a muito tempo. Pelo que as pessoas dizem ao seu respeito, ele poderia ajudar-nos. Ajudar-lhe a se lembrar do passado. Do nosso passado. Só assim você conseguiria confiar plenamente em mim. Eu já estava desesperado.

– Ah, deixa eu adivinhar. — interrompi — no caminho encontrou uma vagabunda e resolveu trepar com ela. Acertei? — assumi uma expressão cruel. Faria qualquer coisa para não mostrar que por dentro eu estava quebrando de novo os poucos pedaços que havia conseguido juntar.

Toda essa situação era incompreensível, o que fazia eu me sentir pior ainda. Os sentimentos que desenvolvi pelo maldito Robin Hood eram mais fortes do que eu, como se tivessem sido nutridos há tempos e eu não podia negar que isso condizia com a história dele, mas todo o resto era inaceitável.

– Eu não fiz isso. Nunca faria isso com você. — sua voz soou sinistra.

– Então esse é o seu plano? Negar? — ri, amarga. — Eu vi com meus olhos! Não foi ninguém que me contou. E você também... Ah! — picos de raiva explodiram dentro de mim. Levantei-me e peguei o vaso sobre o criado mudo para jogar em sua direção, porém, Robin foi mais rápido. Saiu da cama em um pulo e me prendeu contra a parede fazendo-me derrubar o vaso.

– Você veio aqui pra dizer que o que eu vi. EU VI. Não aconteceu? — tentei lutar, mas ele prendeu meu corpo com seu próprio corpo, imobilizando-me.

– Eu já disse que não saio daqui enquanto não terminar de falar. Pode ser do jeito fácil ou do jeito difícil. Você escolhe. — Hood me lançou um olhar sério e penetrante.

Encarei-o por um tempo que pareceu durar horas.

– Porque fez isso? — sussurrei sentindo a fragilidade me afligir. Não. Não. Não.

– Eu não fiz. Estou dizendo a verdade. Não era eu, Regina. Nem ao menos conheço aquela mulher. Quer dizer, não conhecia antes...

– Então porque ficou com ela?! — quase gritei.

– Eu não fiquei! — vendo que eu tinha parado de lutar, Robin se afastou e indicou a cama, para que eu voltasse.

Dei meia volta e me sentei na poltrona, perto da janela.

Outro suspiro.

– Você sempre foi tão teimosa. — ele disse baixinho, mas ainda sim pude ouvir.

Logo o homem se aproximou e se ajoelhou em minha frente, colocando as mãos sobre meus joelhos.

– Como eu dizia, estava indo atrás de um homem poderoso. Merlin. Tinha muita esperança de encontrá-lo, pois recebi uma carta anônima que dizia que ele também havia vindo parar em Storybrooke. Mas era uma emboscada. Eles me prenderam. — porque a droga da sinceridade dele estava lá, transbordando de seus olhos azuis?

– Eles quem? — perguntei, seca.

– Rumplestiltskin... E Cora.

– Minha mãe morreu faz anos! E esse outro ai eu nunca ouvi falar! Se fosse para contar uma mentira, ao menos poderia ter inventado uma menos esfarrapada. — estava perplexa com a hipocrisia dele.

– Não é mentira, Regina, por favor, acredite em mim. — olhei para ele com descrença. — Eu posso provar.

– Ah é? Como? — desafiei-o.

– Vamos até Marian, ela dirá

– O que? Nem que minha vida dependesse disso! Você está brincando comigo, não é? Como pode ser canalha a esse ponto? — afastai ele de mim. — Combinou com ela sobre a mentira, não foi?

– Você e eu, nós dois dependemos disso. Eu não posso perdê-la Não de novo. — Robin veio até mim novamente segurando meu rosto entre suas mãos. — Eu consegui fugir antes que — ele se interrompeu, colocando uma mão sobre o peito. — Não importa. O que preciso nesse momento é de uma chance para lhe mostrar a verdade.

Eu não suportaria por muito tempo. Aquele brilho nos olhos de Robin iluminou seu olhar, enquanto meus próprios olhos queriam apenas derramar mágoa, frustração e tristeza.

– Vá embora! — apontei para a porta.

– Mas Regina — ele tentou argumentar.

– Agora! — gritei tirando suas mãos de mim.

Robin finalmente andou até a porta, porém, antes de cruzar o batente se virou para mim. Seus olhos estavam úmidos, pude perceber, mas ainda sim sua expressão era determinada.

– Eles não vencerão de novo. Para mim não há muita esperança, mas eu não desistirei de você. — ele disse e saiu.

Voltei para a cama incapaz de segurar o pranto e sem me dar o trabalho de tentar entender o que Robin havia falado.

***

Eu conseguia enxergar apenas lindos olhos azuis em meio à imensidão de gelo erguido ao meu redor. Sua pele era clara e os cabelos castanho escuro ondulados. O semblante angelical mesclava-se com traços firmes e determinados.

Detive-me aos olhos. Eles também possuíam aquele brilho que eu conhecia muito bem.

***

Arthur havia passado em minha casa pouco antes de eu cair no sono convidando-me para um passeio — aparentava muito melhor do que eu achei que estaria depois da surra que levara, fiquei surpresa -, segundo ele, devia-me desculpas por ter se aproveitado da situação. Contudo, deixei claro que eu estava apenas levemente alterada e não completamente bêbada. Até parece.

Bem... Talvez eu não fosse muito diferente de Swan, afinal. Embora, não tenha me embriagado em um local de acesso ao público. Para todos os efeitos: levemente alterada.

De qualquer forma, o ponto é que meu último sonho havia me feito mudar de opinião. Existia algo que aqueles olhos azuis queriam me dizer e as respostas estavam com Robin. Eu sentia isso. Precisava vê-lo, nem que fosse pela última vez. Meu cérebro aprovava como isso soava. Última vez. Meu coração, por sua vez, ficava depressivo. Burro. Burro. Burro.

Já estava anoitecendo e como não queria me perder na floresta, resolvi ir direto ao trailer de Robin por um fim àquela situação, depois avisaria a Arthur que não pude ir ao passeio.

Assim que cheguei na parte mais úmida do local, já perto do trailer, percebi que não estava preparada — de novo — para a caminhada. Meus saltos afundaram feio na terra.

– Que inferno! — praguejei.

Isso só poderia ser maldição de Robin Hood. Ele começou com a história dos sapatos adequados. Aliás, porque ele tinha que morar no meio da floresta? Argh!

Ajoelhei-me e tentei puxar o sapato, estava preso.

As coisas só melhoram. — pensei com sarcasmo.

– Você se acha muito esperto, não é? — ouvi a voz de uma mulher, estava em baixo volume, mas era clara.

– O que vocês querem? Vão me matar desta vez? — a voz de Robin. Seu tom era de escárnio.

Logo em seguida veio uma risadinha medonha.

Um arbusto estava em minha frente, deixando-me escondida, então afastei algumas folhas e vi o homem estranho, dono da risada e... Mamãe?

– E poupá-lo de todo o sofrimento que você merece, ladrão? — ele riu de novo — Não é assim que as coisas funcionarão. De qualquer jeito, irá morrer mesmo.

– Eu fico impressionada com sua determinação. Apesar de ficar trancafiado o último mês ainda arranjou um jeito de fugir. — Cora se aproximou dele e traçou um dedo em seu peito. — Do que você é feito Robin Hood? Como conseguiu se lembrar se ninguém mais se lembra?

Trancafiado? Como é que é?

Robin se afastou, sua expressão era de raiva e indignação.

– Você me conhece Cora, sabe que eu não vou deixar vocês estragarem a vida de Regina mais uma vez. — a voz de Robin saiu no tom mais frio que eu já ouvira. — Quanto à última pergunta... — ele disse mais suave. — O amor é a magia mais poderosa que existe.

– Polpe-nos de seu sentimentalismo. E agora você diz que nós que estragamos a vida dela? Foi você quem o fez com esse seu heroísmo barato! Você acabou com a vida dela no instante em que cruzou seu caminho. — o homem de cabelos no ombro e a pele num brilho estranho se aproximou dele. — Regina poderia ter sido a rainha mais poderosa de todos os Reinos se você não tivesse interferido! Você quebrou toda a profecia!

– Profecia que só faria mal a ela e às pessoas. Ela não é quem querem que seja, não é como vocês. Ela teria nojo de vocês!

No instante em que proferiu as palavras vi o corpo de Robin se erguer do chão e algo invisível parecia enforcá-lo.

Minha mãe. Algo nela chamou minha atenção. Cora fazia um gestos em direção a Robin. Ela estava produzindo aquilo?

Céus! Tentei puxar o sapato de dentro da terra, mas ele não saia.

– Nós temos um acordo! Não mate-o agora, não antes que ele veja que nós sempre venceremos! — o homem disse.

Desabotoei o sapato e o deixei lá, corri até eles.

Robin estava pálido, se debatendo.

– Pare! — as palmas de minhas mãos abertas em sinal de exclamação lançaram duas chamas faiscantes em direção àqueles que machucavam Robin, porém, não os acertou.

Olhei para minhas mãos, incrédula.

Minha mãe soltou Robin e ele caiu no chão. Corri para ampará-lo, livrando-me do meu estado de choque.

– Você disse que ele a manteria ocupada! — o homem estranho acusou a mulher.

Olhei para Cora por um instante. Eu sabia que era ela minha mãe. Mas minha memória dizia apenas isso. Procurei por algo no fundo de seus olhos, mas não havia nada. Eram vazios e sombrios. Então os dois desapareceram em uma fumaça negra.

– Você está bem? Por favor, fale comigo! Robin! — os olhos dele estavam fechados. — Robin?! Acorde! — chamei desesperada, tocando seu rosto.

Ele abriu os olhos.

Assim que me deparei com aquele brilho, parte de um flashback inundou minha cabeça:

Eu olhando por uma janela de um castelo usando um vestido preto elegante e chamativo.

Eu fitando uma bela garotinha, porém, meu coração estava cheio de ressentimento.

A cena das flechas acertando Robin em meu sonho, mas ele não me olhava com raiva e sim com tristeza, gritou meu nome.

Robin Hood e eu deitados na areia perto de um rio, nos beijando.

Robin Hood me acompanhando por uma floresta estranha para mim, eu estava feliz.

Homens roubando um dos meus cavalos e eu indo atrás deles.

E por último, me vi criança, correndo entre um campo de flores e depois me escondendo de minha mãe, ela conversava com alguém, mas não pude ver quem era. Ela disse: não me importo de tê-la entregue à escuridão, foi assim que consegui meus poderes e assim que entender, Regina também irá querer os dela. Seu futuro está selado.

– Robin. — sussurrei ao acordar do transe. Para mim, o tempo que se passou foi longo, mas ao meu redor nada havia mudado, inclusive o homem para o qual eu olhava.

– Regina... Eu não fiz... — ele começou, mas o interrompi colocando meus lábios sobre os dele.

Naquele momento, voltei a ter certezas, a entender parte de tudo em que eu estava envolvida. Cada peça se ajustando aos poucos em minha cabeça e apesar de ainda existirem muitas lacunas que precisavam ser preenchidas, percebi que devia ter acreditado em Robin e em sua sinceridade tocante.

– Eu sei. — disse contra sua boca.

Ali mesmo, com o vento soprando, com todas as folhas dançando ao nosso redor, com um sapato faltando, no chão úmido, o abracei, colando meu coração ao coração de um fora da lei.

Notas finais
E então?? O que acharam? Cora e Rumple vão reinar? Eles trancafiaram Robin por um mês, pensem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Em fim, comentem o que acharam huahuuau Ps: Eu claramente tenho alguma coisa com sapatos. Kkk