Tudo o que se quer
10 Capítulo 10 - Aquele do chalé
Notas iniciais
– Eu estou bem. — disse Robin sentando-se na cama após tirar um cochilo de meros vinte minutos.
– Mas você dormiu tão pouco. Não precisa descansar mais? Você quase foi sufocado... — levei as mãos ao meu próprio pescoço e engoli a seco.
Minha mãe havia feito aquilo e pelo visto, muitas outras coisas.
– Você me salvou. — Ele me olhou com aquele brilho nos olhos. Seu rosto continha uma expressão apaixonada e ao que parecia, era totalmente dedicada a mim.
Sorri um pouco e suspirei pesado, foi o bastante para que ele viesse se colocar ao meu lado.
Robin acaricou meus braços com as duas mãos antes de me puxar para seu peito e me envolver.
– Desculpe por tudo isso. A última coisa que eu queria era fazer você sofrer. Eu deveria ter calculado melhor meus atos. — Ele disse devagar e baixinho, como se temesse mais uma de minhas explosões.
– Não. — afastei minha cabeça para olhá-lo. Seu rosto foi tomado por confusão e angústia. — Quero dizer, não é você quem precisa se desculpar. — apressei-me em esclarecer. — Sou eu. Agora que tive flashes tão impressionantes do passado, não há como negar o que há tanto tempo você está tentando me revelar. — Saí de seus braços e caminhei até o outro lado do trailer. Eu não conseguiria admitir tanta coisa estando tão perto. Eu estava constrangida. — Tudo o que vi e ouvi hoje só esfregam na minha cara que eu devia ter acredita em você antes, Robin Hood. Só peço que entenda, minha vida não é mais a mesma, eu não sou a mesma. Fiz coisas horríveis e entendo se tiver que pagar por elas. De qualquer maneira... — Meu coração se apertou com mais picos de lembranças relacionadas a Robin. — Perdoe-me. Por cada palavra e cada comportamento meu nesses últimos tempos.
– Pôr que você está usando esse tom? — ele se aproximou.
– Que tom? — apertei os olhos que já ardiam.
– Seu tom de despedida. — suas mãos já acariciavam meu rosto. Como ele sabia que era exatamente nisso que eu estava pensando? — Isso não é uma despedida.
– Mas eu fiz tantas coisas... Eu... Eu não quero que se machuque Robin. — segurei suas mãos e entrelacei nossos dedos.
– Sou vou me machucar se perder você. — dizendo isso ele colocou os lábios sobre os meus para um beijo casto. Pude perceber que Robin queria me mostrar o quanto seus sentimentos por mim eram imaculados.
– Eu preciso saber mais. — cortei o clima após algum tempo. — Sobre mim, sobre tudo.
– Creio que sua memória voltará totalmente. É só questão de tempo. — ele sorriu de um jeito caloroso. — Há muito mais para se lembrar.
– Sobre a maldição. Eu tenho apenas reflexos onde me vejo realizando-a. — balancei a cabeça, confusa.
– Não foi você. Cora quem estava agindo, controlando-a, pois ela não tinha poder suficiente para fazer por si só. — Robin explicou.
– E eu tinha? — olhei para minhas próprias mãos, ainda incrédula.
– Você tem. — ele pousou as mãos em minha cintura. — Por isso eles estão lutando tanto para mantê-la longe da verdade. Querem tê-la sob controle, mas isso pressupõe estragar sua vida novamente, o que de certo não irei permitir.
– Porque você luta tanto por mim? Depois de tanto tempo... Depois de eu ter me tornado a rainha fria e calculista, depois de eu ter me tornado Regina Mills...
– Isso é bem óbvio, majestade. — Robin beijou minha testa. — E eu sei quem é você. É a mulher que eu... — senti seus lábios pressionaram mais forte em minha pele. — Queria tanto que se lembrasse por completo de nós, Regina.
– Eu vou. Mas por hora, recordo o necessário para saber que posso confiar em você. — abracei-o.
– E não em Arthur. — ele se afastou para me olhar, sério.
Senti meu rosto queimar. Eu havia sido tão ridícula em meu pensamento sobre aquele homem.
– Em minha defesa, tinha algo de errado com aquele vinho. — tentei amenizar a situação.
– Eu sei que sim. Da próxima vez, fique apenas com a cidra de maçã. — seu maxilar estava rígido.
– Desculpe por aquilo, Robin. Eu estava fora de mim. Eu sei que Cora e o outro homem estavam falando de Arthur, sei que ele não é quem diz ser. Obrigada por ter me tirado de lá e me suportado como bebum. Eu nem consigo imaginar o quanto estaria arrependida se tivesse feito... Bem, — sorri de lado. — não fique com ciúmes. Eu mesma vou fazer ele desejar nunca ter cruzado meu caminho. — concluí, carregando a voz com a raiva que nutri por Arthur.
– É claro que fiquei com ciúmes! Ver você seminua nos braços dele me deixou fora de mim. — ele falou com impaciência.
– Robin — disse seu nome com humor. Ter alguém com ciúmes de mim me deixava feliz, ainda mais se esse alguém se tratava dele. Era ainda um tanto quanto divertido. — Não precisa sentir ciúmes. — acariciei seus cabelos na nuca. — Aliás, precisa, mas não tanto. — ri.
Ele cruzou os braços e seu semblante era de alguém furioso. Parei de rir naquele instante.
Ficamos no olhando. Eu não ia desviar meus olhos de maneira alguma, a menos que ele percebesse que estava sendo irracional.
Robin avançou em minha direção e me pregou um susto quando pegou-me pela cintura e me jogou na cama segurando meus braços acima de minha cabeça.
– Te peguei! — ele disse, olhando-me com um sorriso sedutor.
– Você é um babaca. — franzi a testa com a acusação.
– Um babaca no comando. — ele baixou seu corpo em direção ao meu no intuito de enfatizar sua afirmação.
– Quem está no comando? Você? — soltei uma risada melódica. — Boatos de que eu posso incendiar tudo isso aqui.
– Boatos de que eu adoraria ver o seu fogo. — Robin sussurrou ao se inclinar perto de meu ouvido.
Minha pele se arrepiou dos pés à cabeça com aquela frase carregada de desejo e promessas. Mordi o lábio ávida por sentir sua boca na minha — e outras coisas -, ergui minha cabeça em sua direção, mas Robin me libertou e se levantou da cama. Passei a língua entre os lábios e soltei o ar frustrada.
– Eu tenho planos pra nós. — ele piscou para mim.
– Que planos? Você está brincando com a sorte! Sabe quem eu sou? Regina Mills, a prefeita dessa cidade, a Evil Queen, a
– Minha Regina. — Robin me cortou. — É engraçado te ver assim, frustrada. — cruzei os braços ao ouvi-lo e ele voltou ao se aproximar. — Eu preciso esclarecer os fatos em relação à cena envolvendo Marian.
Deixei meus ombros caírem no momento em que ele pronunciou o nome daquela mulher.
– Antes de voltar a ser o que éramos, antes de nos entregarmos um ao outro, precisamos eliminar toda e qualquer tipo de desconfiança e mal entendido. Trata-se de prover nosso futuro e também de honra. — lá estava o velho Robin Hood, o qual minha memória estava resgatando aos poucos.
– Estou ouvindo. — disse paciente.
– Como eu havia começado a lhe contar naquele dia em que você me expulsou na sua casa... — ele fez uma expressão ofendida e eu apertei seu ombro como um pedido de desculpas. — Eu estava indo atrás de Merlin, para que ele pudesse trazer sua memória e a de todas as pessoas de volta, mas no caminho, Rumple e Cora me atacaram e me prenderam num alsapão no meio da floresta. Nós estávamos proximos demais e isso estragaria todo o plano deles. Ouvi conversas sobre Arthur e como ele estava procurando ganhar sua confiança, ganhar você, para que você nunca mais se lembrasse de nada e o colocasse numa posição de poder perante a cidade. Então Rumple usou magia para fingir que era eu e lhe enganar. Você ficaria magoada, sentindo-se traída e nunca mais iria querer me ver, além de se revoltar e fazer coisas ruins. O plano perfeito.
Lembrei-me de tudo o que se passou, no sentimento horrível que tomou conta de mim e abracei a mim mesma, ninguém devia passar por aquilo.
– O mais estranho é que eu ainda não me lembrava de você Robin e aquilo, aquilo
– Partiu seu coração? — ele me envolveu em seus braços fortes e eu assenti com a cabeça incapaz de proferir aquelas palavras pois algo em mim ainda continuava construindo tijolos para minhas barreiras. — Nós temos essa ligação Regina e ela diz que fomos feitos um para o outro. Não importa se isso vai durar para sempre ou não, a única coisa com a qual eu me importo é a sua felicidade.
Sua palavras me atingiam como toque de veludo.
– Porque isso não pode durar para sempre? — apertei os olhos desejando uma resposta favorável.
– Existem situações que estão totalmente fora de nosso controle. Olhe para mim — ele segurou meu queixo com delicadeza e fitou meus olhos. — O que quero que saiba é que eu nunca faria aquilo com você, nunca a trairia, Regina. Eu fiquei todo esse tempo tentando escapar para que pudesse desmentir essa história.
– Eu sinto muito, Robin.
– Não, não — ele colocou um dedo sobre meus lábios. — Sou eu quem preciso me desculpar. Se tivesse contado sobre meus planos, você não precisaria passar por tudo o que passou.
– Você está me vitimizando. Isso não é certo. Eu já disse que fiz coisas horríveis Robin! Eu preciso pagar por elas, mas não é justo que eu o arraste comigo nisso.
– Eu estarei ao seu lado, não importa o que aconteça. Sei quem é você de verdade.
– Você não existe. — sorri e passei as mãos nos braços dele.
– Existo e estou bem aqui. Sou todo seu. — ele piscou, sexy.
– Ah é? O que você estava dizendo sobre ter planos — ergui uma sobrancelha.
– Eu não desisti de encontrar o grande mago, mas desta vez, preciso que venha comigo. Não quero me separar de você e necessito trazer a verdade à tona, é cada vez mais urgente. — ele especificou. — Porém quanto aos planos, podemos reservar um tempo para nós no caminho.
– Eu concordo plenamente. Mas Onde está o tal Merlin? — tombei a cabeça de lado.
– Pelas coordenadas que recebi de meu amigo August, ele está aqui em Storybrooke, em algum lugar oculto na floresta, eu tenho um mapa, mas mesmo guiando-me atraves dele, é difícil de encontrar. Talvez você possa me ajudar. — Robin caminhou até o armário e pegou um pedaço de papel velho me mostrando alguns desenhos disformes.
– Isso aqui com certeza fica do outro lado da floresta. Eu conheço esse formato de pedras. — apontei para alguns rabiscos em forma de feijões.
– Pensei que se tratava de alguma plantação. — ele coçou a cabeça.
– Definitivamente são pedras, não há nenhuma plantação de feijão por esses lados. Vai demorar um pouco para chegar-mos, dois dias, talvez três, contando que automóveis não passam por esse locais na floresta. — continuei apontando para o mapa e explicitando uma coisa ou outra que eu reconhecia.
– Sabia que você poderia me ajudar. — ele me deu um selinho rápido.
– Você devia ter me falado antes sobre isso, teríamos poupado palavrões, ofensas e bebidas. — disse com ironia.
– Eu acredito nisso. — ele suspirou. — Bem, eu tenho um local especial que quero que você conheça. Podemos partir hoje? Sei que Henry está viajando com Emma.
– Não por minha escolha. — revirei os olhos. — Só preciso ir até minha casa e me preparar.
– Escolha bem os sapatos, majestade. — ele me puxou pela cintura para um beijo. — Tome cuidado e volte logo, encontre-me aqui em duas horas. Tudo bem? — Robin sussurrou contra minha boca.
Assenti e sai de lá.
Cheguei na estrada e peguei meu carro, logo estava em casa. Tomei um belo banho, me vesti com uma calça preta estilo montaria, botas e um casaco quentinho e elegante. Arrumei uma mochila grande com roupas e produtos de higiene suficientes para uma semana e em outra mochila coloquei comida e um litro da minha maravilhosa cidra de maçã. Liguei para Henry avisando que ia ficar fora por alguns dias, mas que chegaria antes dele, meu filho parecia feliz. Fiquei preocupada com o fato dele ter dito que Swan estava saindo com um cara que conheceu durante o passeio, Killian Jones, mas Henry falou tão bem do homem que minha preocupação diminuiu. No fim da ligação, ouvir um Eu te amo de meu filho deixou meu coração mais tranquilo.
Eu estava saindo de casa quando avistei Arthur se aproximando, tratei de colocar tudo no carro rapidamente e fui até ele.
– Você ainda continua aqui? Eu esperava que estivesse desaparecido da cidade! — usei o tom hostil.
– Porque eu iria? Ainda não desisti de você. — ele parou à minha frente, claramente invadindo meu espaço pessoal.
– Fique longe de mim! Está entendendo ou quer que eu desenho? Embriagar-me para passar a noite comigo, sério? Você não poderia ser mais baixo! — apontei o dedo na cara dele.
– Você foi até minha casa, se bem me lembro. — disse o sínico. — E gostou muito de estar lá. — Arthur passou a mão por minha nuca me puxando para ele.
– Solte-me! — o empurrei e lhe dei um tapa no rosto. Entrei no carro rapidamente.
– Você vai se arrepender disso, Regina! Aquele idiota nunca será capaz de lhe dar o que eu posso dar! Vocês não vão ficar juntos! — ele gritava enquanto eu arrancava o carro.
Abri a janela do carro e olhei para trás para ralhar:
– Vá pro inferno!
Sorri maliciosa e continuei em meu caminho.
Cheguei até Robin um pouco antes do combinado, demoramo-nos um momento entre beijos e enquanto eu narrava os acontecimentos. Robin se enfureceu por um momento e me instruiu a ser cuidadosa agora que Arthur, Cora e Rumple sabiam que tínhamos feito as pazes. O jogo havia começado.
Tratamos de sair logo do trailer e seguir nosso plano. Robin estava carregando a maioria do peso, como o cavalheiro que era.
Depois de mais ou menos duas horas de caminhada com algumas paradas, o tempo começou a mudar.
– Mas nem parecia que ia chover. — reclamei.
– Isso não e natural. — Robin olhou para o céu. — Estamos quase chegando ao lugar que eu havia falado, não fica muito à vista, será um ótimo esconderijo. Vamos nos apressar. — ele pegou minha mão e acelerou o passo, arrastando-me pela floresta, eu estava bastante cansada e reclamona.
A chuva começou de repente e com todo vigor.
– O que poderia ser pior? — a água que caia do céu estava mais gelada que o normal, várias enxurradas se formavam no terreno irregular fazendo com que ficasse cada vez mais difícil seguir em frente.
– Está ficando escuro, Robin! Como vamos chegar a esse tal lugar? — gritei por cima do barulho da chuva.
Ele não respondeu. Nós dois já estávamos ensopados e com o sopro cada vez mais forte do vento, eu tremia de frio.
Tudo piorou quando um galho despencou de um carvalho e veio em nossa direção atingindo o ombro de Robin e minhas pernas, varrendo-nos para chão.
– Regina! — gritou ele enquanto eu escorregava pelo terreno íngreme e me chocava com o tronco de outra árvore.
– Eu estou bem! — menti, pois minhas costas doíam no local do baque.
Senti suas mãos me erguendo. Caminhei por mais algum tempo sem enxergar o caminho.
– Chegamos. — o homem disse, atravessando alguns arbustos.
Só então pude visualizar o contorno de uma espécie de casa à nossa frente.
Robin fuçou o bolso e tirou as chaves de lá, abriu a porta e me puxou para dentro. À essa altura, eu só respondia aos estímulos dele, pois os meus própios estavam travados.
– Você não está acostumada à essas reviravoltas do tempo. — ele tirou a mochila de minhas costas e meu casaco ensopados. — Mas tem seus poderes, use-os Regina.
– Eu. Não. Con-sigo. — eu batia queixo.
– Consegue. — Robin me abraçou esfregando minhas costas e meus braços. — Deus, como você está gelada. Aqueles infelizes vão pagar! — ele xingou. — Concentre-se. Estamos seguros agora, apenas pense em aquecer a si mesma.
Fechei os olhos e procurei controlar minha respiração e o quanto estava trêmula. Pensei nas bolas incandescentes que eu havia feito e em como eu costumava invocá-las no passado. Ergui uma mão em direção à lareira daquele cômodo e me esforcei até enviar uma chama.
– Isso! Está em você! É só acreditar!
O lugar clareou , olhei em volta. Era na verdade um chalé feito de madeira, era antigo, mas de bom gosto.
Robin continuava a me abraçar enquanto meu corpo começava a se aquecer banhado pela minha magia e pelo carinho dele.
– Foi você quem fez isso aqui? — perguntei.
– Sim, faz um tempo. Construí na intenção de transformá-lo num refúgio, por isso é longe e sigiloso, mas não imaginei que ele serviria mesmo ao seu propósito. Você está bem? — ele se afastou para me olhar.
– É lindo. — observei. — Estou bem melhor. Obrigada. E você?
– Estou ótimo. — ele arrumou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Vou pendurar essas roupas e as mochilas lá fora. Você pode dar uma olhada e conhecer o chalé, é pequeno, mas construí com muito esmero.
Disse que sim com a cabeça e ele saiu por um corredor estreito. Tirei as botas e as coloquei no canto da porta, após, fui na mesma direção que Robin. O corredor era curto e a porta do fundos estava aberta. No lado leste, uma porta dava para uma cozinha rústica e bem organizada, olhei pela janela e a chuva lá fora parecia estar a todo o vapor ainda. Sai da cozinha e abri a porta da parede oeste, era um quarto. Era simples, mas seleto, com uma cama de casal com um dossel simplório, um tapete, uma poltrona e outra porta, o banheiro, imaginei. O que me chamou mais atenção foi um fio prata que passava no vértice das paredes, pois também havia mais dele soltos envolta do dossel. A madeira escura e bem polida deixava tudo com um ar de floresta e cuidado. Era lindo.
– Gostou? — a voz de Robin surgiu atrás de mim.
– Muito, aqui é lindo! — virei-me para vê-lo vestindo apenas o jeans ensopado. Seu tronco era muito bem definido e meus olhos de demoraram mais do que deferiam o analisando.
– Eu fiz uma espécie de aquecedor e já o liguei, temos água quente agora. — ele sorriu torto e cruzou o espaço que havia entre nós.
– Esse é o lugar que queria me mostrar? — peguei sua mão e entrelacei nossos dedos.
– Sim. Fico feliz que tenha lhe agradado, pois os planos dos quais falava, começam aqui. — os olhos de Robin estavam mais brilhantes do que nunca, muitas coisas podiam ser lidas ali.
Ai meu Deus. Calma, Regina, respire.
Eu precisava de um tempo para me acalmar.
– Você se machucou. — mudei de assunto olhando para seu ombro, tinham hematomas vermelhos, toquei de leve.
– Não foi nada de mais. Venha. — Robin pegou minha mão e me levou até a cama. — Preciso dar uma olhada em você.
– Olhada? — franzi a testa, sentado-me.
Robin ergueu as mãos até alcançar a gola de minha camisa, contudo antes de qualquer coisa, me olhou com uma pergunta escondida no olhos: Posso?
Assenti e tomei um longo suspiro. Ele começou a desabotoar cada botão com uma lentidão dolorosa, meu peito subia e descia com movimentos grandes. Eu estava nervosa.
Regina Mills, deixe de ser estúpida! É Robin e não é como se já não tivesse feito isso antes!– reprendia a mim mesma em pensamentos.
Assim que ele terminou com todos os botões, desceu a camisa pelos meus braços. Livrei-me dela.
– Vire de costas. — ele não estava pedindo, mas sua voz era suave.
Assim o fiz. Robin colocou meus cabelos molhados de um lado do meu pescoço.
– Suas costas estão marcadas por conta do choque com o tronco, mas não está tão ruim. — senti seus dedos deslizarem ao longo de minha coluna e logo seus lábios estavam lá, fazendo o mesmo caminho. Enrijeci e suspirei novamente. — Tome um banho comigo, Regina?
Sim. Sim. Sim. Claro! Agora!
– Ahan. — respondi apenas.
– Isso me deixa muito feliz. — sua boca estava em minha nuca, beijando e mordiscando. — Vou te livrar dessas roupas molhadas.
Levantei-me junto com ele. Robin deu um beijo em minha testa e então colocou os dedos no cós de minha calça e se abaixou deslizando-a por minhas pernas, dei um passo para o lado para sair de dentro dela. O homem segurou meus quadris e beijou minha barriga, subindo pelas costelas e depois voltando para o umbigo. Mordi meus lábios com a expectativa.
Hood me soltou para pegar minhas roupas largadas no chão e levá-las para fora sem dizer nada. Passei a mão pelo cabelos e fui até o banheiro. Que tipo de jogo ele estava jogando?
– Fui colocar suas roupas lá fora, para que sequem. — ele disse ao chegar e reparei que vestia apenas cuecas pretas.
– Você comprou boxers? — não pude deixar de rir.
– Foi você quem deu a ideia, majestade. — ele riu brevemente e se colocou trás de mim, suas mãos chegando ao fecho do meu sutiã e desabotoando-o. — É ótima a sensação de desembrulhá-la, embora devo observar que as roupas que usava antes levavam um tempo maior para serem tiradas.
– Eu não me lembro direito desses momentos. — encostei a cabeça em seu peito e o deixei deslizar as alças do sutiã pelo meu braço e tirá-lo por completo.
Robin olhou para mim pelo espelho. Meus mamilos já estavam rígidos tanto pelo frio de alguns minutos atrás quanto pelo desejo que começava a me tomar. Baixei a cabeça sem conseguir sustentar seu olhar.
– Você vai se lembrar de tudo. Cada momento que passamos juntos está guardado em minha cabeça de maneira indelével. — Robin ergueu meu queixo. — Você é linda Regina, linda.
Dizendo isso ele prendeu dois dedos em minha calcinha e começou a descê-la devagar, se abaixou novamente e beijou cada uma das minhas fartas nádegas, assim que subiu, deu um tapa de onde antes havia beijado e me virou para ele.
– Eu esperei muito tempo por isso. — Hood tomou-me para um beijo apaixonado. Envolvi seu pescoço com meus braços e entrelacei meus dedos em seus cabelos enquanto nossas línguas exploravam a boca um do outro.
Robin me ergueu e me levou até embaixo do chuveiro, ligando-o sem desgrudar sua boca da minha. Sentia a água quente tocar minhas costas e uma ardor se espalhar pelo meio delas, imaginei ter sido por conta do machucado, mas isso não importava. Desci minhas mãos até a cueca de Robin e deslizei-a por sua bunda, ele me ajudou e a jogou para o canto.
– Ter seu corpo colado ao meu sem nenhum obstáculo é a minha segunda sensação favorita nesse mundo. — ele sussurrou subindo sua boca até minha orelha e mordendo o lóbulo. Gemi manhosa.
À essa altura, eu já podia sentir a excitação de Robin contra mim e estava louca para chegar ao finalmente daquela situação.
– Qual é a sua primeira sensação favorita, Robin Hood? — inquiri deslizando minhas unhas por suas costas.
– A sensação de quando estou dento de você. De quando nos tornamos um só. — sua voz soou rouca e extremamente sexy. Tudo dentro de mim se apertou naquele momento. Eu queria Robin ali mesmo, embaixo da água quente, contra a parede fria. — Mas antes vou lhe dar um banho. Será mais divertido, já que você está sóbria.
Lembrei-me da última vez em que estive com Robin num banheiro. Não foi exatamente sensual, contando que eu não me lembrava de muita coisa.
O homem pegou o sabonete e começou a passar sobre meu corpo delicadamente. Nas costas ele foi mais cuidadoso, mas se aproveitou ao chegar na curva de minha bunda, apalpando com vigor, ora dando palmadas e fazendo-me soltar gemidos libidinosos. Ele esfregou minhas pernas e meus pés e logo depois virou-me de frente, então eu pude ver claramente seu membro avantajado e ereto, quase engasguei.
– Não se preocupe. Se encaixa perfeitamente. — ele sussurrou de novo ao pé do meu ouvido.
– Robin, por favor! — o abracei colocando nosso corpos e empurrando meus quadris pra ele, esclarecendo o que eu queria.
– Retardar o prazer aumenta sua dose. — ele respondeu, deslizando uma mão entre nós, passou por minha virilha e me tocou na parte mais sensível do meu sexo.
Joguei minha cabeça para trás, mal suportando aquele contato.
Robin colocou sua mão sobre minha intimidade e circulou meu clitóris com o polegar fazendo-me gemer ainda mais.
– Amo esse som. — ele dizia. — Quero que esteja bem preparada para me receber.
– Eu já estou mais que preparada. — minha voz saiu falha.
Robin continuava trabalhando em mim com seus dedos, até que inseriu seu indicador. Suspirei profundamente e ele colocou o dedo do meio, começando a entrar e sair com ele de lá intermitentemente.
– Robin — apertei minhas unhas em seus braços sentindo estar muito perto de atingir um orgasmo apenas com aquela habilidade dele.
– Não ainda. — ele pareceu poder ouvir meus pensamentos e retirou os dedos. Joguei cabeça para trás frutada.
Hood terminou de lavar a parte da frente do meu corpo e quando jogou xampu em meus cabelos, foi minha vez de lavá-lo.
Coloquei sabão em minhas mãos e esfreguei seu peito musculoso, passei por seu ombro com cuidado e então o contornei para lavar as costas e suas nádegas. Lavei suas pernas e voltei para sua frente finalmente levando minhas mãos aos seu membro. O massageei com destreza e logo firmei minhas mãos procurando dar-lhe prazer com meu toque. Durante todo aquele tempo eu olhava para ele e ele para mim. Mil promessas estavam sendo trocadas, mil palavras estavam sendo ditas, além de uma tensão sexual enorme ter se instalando no recinto.
– Regina, é melhor você parar, se não eu... — ele disse, mas pelo expressão no rosto de Robin, ele queria aquilo tanto quanto eu e estava apreciando o momento. Quando aumentei a velocidade com que minhas mãos passavam sobre seu membro, vi sua boca formar um Ó perfeito no momento em que ele se liberou em minhas mãos. Levei um dedo à boca para provar seu sabor.
– Delicioso.
– Você é incrível. — sua respiração estava ofegante. — Teimosa, mas incrível.
Terminamos de nos lavar em meio às carícias e provocações, até ele dizer:
– Eu quero você na cama. Agora. — Robin me pegou no colo agarrando uma toalha no caminho, deitou-me na cama de barrigada para cima secando as partes disponíveis do meu corpo e meu cabelo e depois secando a si mesmo.
– Espere um minuto, não se mexa. — o homem disse e saiu, dando-me uma bela vista de seu corpo nu e escultural.
Acho que ele levou o minuto exato e já estava de volta com minha cidra nas mãos. Robin subiu na cama e engatinhou até estar sobre mim. Ele tomou gole.
– Você quer? — perguntou com um olhar lascivo.
Apenas balancei a cabeça.
Pensei que ele fosse colocar a garrafa em minha boca, então ergui a cabeça, ledo engano.
Robin voltou a garrafa em direção aos meus seios e o líquido desceu até meu umbigo formando uma espécie e poça de cidra.
– Não se mexa, majestade.
Fiquei boquiaberta, minha respiração estava irregular, como eu não iria me mexer?
Ele me beijou, senti o gosto da bebida e me deliciei naquele beijo, então ele mordeu meu lábio inferior e o puxou, descendo sua boca pelo meu pescoço e logo começou a dar atenção aos meus seios.
Primeiro. Robin os beijou com carinho, depois abocanhou o mamilo de um e o sugou com vontade enquanto sua mão apalpava o outro e esticava seu mamilo. O desejo irradiava na parte central do meu corpo e minha boca soltava cada vez mais gemidos. Ele trocou sua posição e fez o mesmo com o outro seio, ao mesmo tempo que massageava o primeiro com uma mão e com a outra descia para trabalhar de novo em minha intimidade, mas dessa vez ele inseriu três dedos. Joguei minha cabeça para trás mal suportando aquela tortura.
Hood já descia coma boca por meu estomago lambendo e mordiscando, sugando toda a cidra até chegar ao umbigo. Depois disso, o meu fim estava próximo.
Ele separou mais minhas pernas, tento uma visão completa de mim. Meus olhos estavam fechados e minha pulsação era acelerada. Então senti o líquido frio escorrer por minha intimidade. Abri os olhos aturdida. Cidra. Eu estava preste a repreendê-lo. Aquilo era pervertido, mas sexy como inferno. Ao sentir sua língua tocar meu sexo aquilo aumentou em mais de cem por cento. Minhas mãos agarraram o lençol com fervor enquanto Robin colocava e tirava sua língua de dentro de mim e sugava meu clitóris com entusiasmo.
Eu chamava por seu nome enquanto sentia minha pele queimar.
No momento em que eu estava pronta para me liberar ele parou.
– Você está pronta. — ele se inclinou e encaixou seu corpo entre minhas pernas. — Olhe para mim, Regina.
Abri os olhos e soltei o ar pela boca.
– Não importa o que tenha acontecido ou que vai acontecer daqui para frente. Independente de tudo e de todos e até de estarmos aqui agora. Eu quero ver seu rosto, esse brilho em seus olhos e esse rubor em suas bochechas enquanto eu faço amor com você. Enquanto venero seu corpo com o meu, porque é isso que você merece, ser venerada. Eu a amo. A amo mais do que eu possa explicar. — Robin inclinou-se para frente, penetrando-me de repente. Arregalei os olhos com aquela sensação maravilhosa. Ele estava apertado dentro de mim causando uma pequena dor, mas era uma dor prazerosa. — A amo mais do que já amei qualquer coisa em minha vida. Amo estar ligado a você de todas as maneiras possíveis. — ele ficou naquela posição, inerte, esperando eu me acostumar com a sensação e sair do transe causado por suas palavras.
Meus olhos se encheram de lágrimas que logo transbordaram pelos lados do meu rosto, passei meus braços pelo pescoço dele. Ouvir aquilo e senti-lo, era era experiencia única.
– Por favor amor, não chore. — sua voz de veludo me acalmou.
Eu estava ligada a Robin Hood, de corpo e alma e meu coração estava inteiro novamente. Agora ele batia por aquele homem extraordinário que me amava. Eu tive a certeza, mesmo sem recordar tudo oque havia para ser lembrado, eu sabia.
Ele disse Eu te amo! É tudo o que se quer...
– Eu te amo, Robin. Eu te amo com todas as minhas forças. — sussurrei olhando e seus olhos e pude ver aquele brilho conhecido. O brilho carregado de amor, de paixão, de desejo, cuidado, carinho e força. Tudo isso, envolvido naquela sinceridade palpável que se fazia presente diante de suas palavras.
Robin apoiou os cotovelos em cada lado de minha cabeça e saiu de dentro de mim para penetrar de novo. Foi difícil manter os olhos abertos, minha visão estava turva por conta das lágrimas. Ele fez o movimento novamente e eu consegui acompanhar desta vez, inclinado meus quadris para ele e juntos aumentamos a velocidade daquele ato. Robin atingia cada vez mais fundo dentro de mim. Prendi minhas pernas em volta de seu quadril e puxei sua cabeça reivindicando sua boca, sua língua, seu corpo.
Meu corpo começou a tremer e quando Robin entrou com mais força eu gritei seu nome, o orgasmo me atingiu com força e me levou ao abismo do prazer, onde eu queria ficar em queda para sempre.
Robin ainda manteve os movimentos por alguns segundos até atingir sua própria liberação, então deixou seu corpo cair sobre o meu. Eu não vi quando, mas Robin já havia me puxado para cima dele e me deitado em seu peito. Meu corpo ainda estava mole quando senti ele deslizar seus dedos por minha costas vagarosamente. Era tão bom. Sorri.
– Você está bem? — ele perguntou.
– Hmmm. — ronronei, preguiçosa.
– Quero saber como está se sentindo.
– Hmmm.
– Você só vai responder isso?
– Hmmm.
Ele riu.
– Eu estou ótima e muito, muito feliz. — respondi finalmente.
– Que bom, porque estou requisitando vossa majestade novamente. — sua voz rouca estava presente de novo e Robin me puxou para um beijo cheio de novas promessas.
– Você cheira a floresta. — não pude deixar de apontar. — E isso é magnífico.
– Eu amo você, Regina. Nunca se esqueça disso. — ele murmurou contra meus lábios
– Eu também te amo, Robin. — respondi voltando a beijá-lo enquanto ele levava uma mão até minha coxa e a encaixava em seu quadril.
A noite seria apenas uma criança.
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