Tudo o que se quer
5 Capítulo 5 - Confusa
Notas iniciais
– Swan? – falei ao entrar no Granny’s em plena meia noite e encontrar a xerife – e outra mãe do meu filho – inclinada sobre uma das mesas. – O que significa isso? — Perguntei para Ruby, que se aproximou, a moça de cabelos longos e escuros que usava roupas que deixavam setenta por cento de seu corpo à mostra. Argh! Não consigo entender esse tipo de gosto por moda se as pessoas podem usar blaser’s e calças bem desenhadas que são muito mais elegantes e decentes.
– Boa noite senhora Prefeita. – ele disse com ironia. – A Xerife Swan tomou algumas doses e então capotou.
– Algumas doses? Parece-me que ela tomou algumas garrafas, isso sim! – balancei o ombro da mulher – Swan? Swan? Acorde!
Ela ergueu a cabeça assustada e assim que me viu soltou uma risada esquisita.
– Oi Regina. – falou com uma voz de bêbada. – O que foi? – ela se levantou de um jeito bêbado.
Tudo nela era bêbado, vale ressaltar.
– Swan o que estava pensando? Você é a xerife de Storybrooke! Como pode se comportar dessa maneira? – franzi a testa, pasma. Porém no fundo, devo admitir que adorava os deslizes daquela mulher. Precisava fazer Henry enxergá-la como ela realmente era. Uma inconseqüente.
– Re-gina... Eu só tomei um drink, você não quer tomar também? – ela passou um braço por meu ombro.
Revirei os olhos. Odeio bêbados, odeio! Pior, odeio mais Swan bêbada me atormentando!
Tirei seu braço de cima de mim e a lancei para Ruby.
– Ajude-a a chegar em seu quarto e diga a ela que amanhã teremos uma conversa séria. – instruí .
– Podemos conversar agora... – Emma Swan protestou.
– Não, não podemos! Agindo dessa maneira você só envergonha Henry, mas o que eu poderia esperar de uma mulher sem bases na vida? – lancei-lhe um olhar de esguelha e então me encaminhei até a porta enquanto Ruby já levava a xerife.
– Ele me ama. Mais do que a você. – Swan quase gritou.
Parei com a mão na maçaneta e respirei profundamente. Quem ela pensa que é? Senti um calor em minhas mãos que veio junto com um desejo de incendiar todo o local com a loira dentro.
"Regina. Acalme-se, o que há com você?" Perguntei a mim mesma, balancei a cabeça e sai a procura de ar fresco.
Durante toda a tarde daquele dia estive com Robin, ele tentou me explicar sobre magia, o quanto ela era constante no Reino Encanto e que aqui não funcionava da mesma maneira. O homem havia dito que eu possuía aquele dom, ou maldição, como preferi acreditar, já que como ouvi ou li em algum lugar, a magia sempre vem com um preço e essa frase simplesmente não saia da minha cabeça.
Eu estava confusa, não conseguia dormir e além do mais, tive medo dos pesadelos que viriam esta noite, então resolvi sair de casa para caminhar um pouco. Ver minha cidade vazia e tranquila banhada pela lua crescente.
Tudo estava sereno até eu entrar no Granny’s e me deparar com a xerife. Lastimável!
Tentei esquecer os últimos minutos e o Senhor Hood foi o primeiro a invadir meus pensamentos. Além de relatos, aquela tarde havia sido marcada por muitos beijos e carícias.
O único homem com quem eu havia me relacionado em Storybrooke foi Graham, o antigo xerife que decidiu ir embora da cidade sem motivo aparente, mas quando estava com ele, não sentia nem mesmo o que sinto quando Robin apenas me olha, aquele arrepio que percorre a espinha e se espalha pelo corpo se transformando em calor e algo mais.
Sentei-me em um banco em frente à biblioteca, o relógio estava parado desde que me lembro, o olhei pensativa e então tapei meu rosto com as mãos sentido-me perdida, talvez até traída por mim mesma.
Sempre fui uma mulher forte e autossuficiente e a única pessoa com a qual eu realmente me importava era meu filho, deixar qualquer outro tipo de movimento ocorrer em minha vida seria uma mudança drástica tanto externa quanto interna.
Não posso mentir. Eu ouvi coisas e senti coisas que estavam além de minha compreensão, mas de fato, eram indícios de que tudo o que o homem que beijava divinamente bem, ressalto aqui, dissera verdades.
– Não posso ceder. – deixei escapar em voz alta.
– Porque não? – já reconhecia aquela voz.
– E porque você está em todos os lugares? Virou um mago, por um acaso? – levantei meu rosto para ver Robin Hood, frustrada e feliz ao mesmo tempo. Tentei esconder um sorriso.
– Oh não majestade, faço mágica apenas com um arco e flecha... Talvez em ambientes fechados também, quem sabe. – ele piscou para mim e sorriu de forma sedutora.
Era minha morte. Passei a mão pelo cabelo e pigarreei disfarçando.
– Majestade? – perguntei.
– Você. Minha rainha. – ele se sentou ao meu lado. – Depois que sua mãe a levou, você se tonou a rainha, é um título à sua altura.
– Você não dá nenhum trégua com essa história. – bufei.
– Preciso que saiba o quanto antes. Que saiba e acredite. – ele pegou minha mão sobre o colo.
– E eu preciso de uma cama agora. – disse imaginando-me tirando um belo sono sem sonhos.
– Isso é um convite? – ele deu uma risada perspicaz.
– Você está muito engraçadinho, senhor Hood. – franzi a testa.
Aquele era claramente um caminho perigoso.
Olhei para nossas mãos entrelaçadas. Era um gesto tão simples e ao mesmo tempo tão íntimo, como se já tivéssemos feito aquilo milhares de vezes, nos beijado milhares de vezes e até mais.
Regina! Pare com esses pensamentos, agora!
– Tenho que ir. – com um certo custo me afastei dele e me levantei.
– Vou acompanhá-la. – ele logo se posicionou ao meu lado.
– Não é necessário. – fiz um aceno com a mão.
– Por favor, Regina. – Robin me lançou um olhar sincero e um pouco magoado.
– Tudo bem. – disse revirando os olhos, pois queria ficar sozinha para pensar, mas não tinha sido meu objetivo ser rude com o homem dos olhos brilhantes e sinceros.
Caminhamos em silêncio e volta e meia, olhando de esguelha, eu o via me observando. Assim que chegamos em minha casa, abri a porta e parei no batente, bloqueando a entrada.
– Essa é a sua deixa para ir embora.
– Você se tornou uma mulher bastante ranzinza, sabia? – ele apoiou uma mão na parede deixando claro que não iria sair dali tão cedo.
– E você é muito folgado. – coloquei uma mão na cintura.
– Você não era assim. Apesar de sempre ter se mostrado forte, firme e determinada, não havia amargura, dor ou ódio em seu coração. – e sua sinceridade pungente estava lá novamente.
– Você não sabe o que há dentro do meu coração, então não faça suposições. – aquela insistência em falar sobre a história estava me deixando hostil e embora não quisesse magoar Robin, as palavras simplesmente corriam por meus lábios. Imaginei ser meu lado que não queria demonstrar nenhum fraqueza estar agindo nesse momento.
– Mas apesar de tudo Regina, amor ainda corre por suas veias. Eu sei que você ainda é... Você. E quando se lembrar vai ser maravilhoso. – ele sorriu como se não tivesse se abalado com nada do que eu havia dito antes.
– Como você se lembra de tudo se aparentemente mais ninguém se lembra? – cruzei os braços. Eu sempre fazia isso quando estava em negativa.
– Para minha sorte, eu havia galopado para longe antes que a maldição pudesse me alvejar e por alguma razão, o lugar onde eu estava não foi atingido. Não tenho certeza de que existia mais gente lá, mas eu não tinha tempo. Voltei para o reino o mais rápido que pude, porém tudo já havia sido destruído. – ele explicou, sua mandíbula se enrijecendo nas últimas plavras
– E como você chegou até aqui? – franzi a testa. – Você pode me levar até esse tal Reino Encantado?
– Usei um portal. Gostaria que você visse o que lhe conto com seus próprios olhos, mas não há como voltar, não há magia aqui, ainda.
Levei a mão à testa e esfreguei-a. Era loucura, loucura. Loucura.
– Ei... – Robin se aproximou segurando meu rosto com as mãos. – Não quero que se sinta cansada ou confusa como você me parece estar. Tudo o que eu quero é que você coloque seus pensamentos no lugar. Sei que é difícil, mas no final vai dar tudo certo. O bem sempre vence, isso é o que tenho escutado ao longo da minha vida. – ele olhava no fundo dos meus olhos.
– E se eu não for o bem? Porque não é nada disso que sinto aqui dentro do meu peito. Você não me conhece, eu não sou alguém agradável. Sou a prefeita da cidade, a tirana, a...
– Eu sei exatamente quem você é... – ele me calou pairando seu rosto a milésimos de centímetros do meu. – O que fizeram com você foi a pior das maldições. Eu não sei ao certo como fizeram isso, mas encheram-na de aflição e angústia. Fizeram com que você mesma não reconheça seu próprio coração, mas eu estou aqui para mudar isso. Não foi fácil encontrar Storybrooke. Encontrar você. Eu vaguei pelo mundo lá fora por quase dois anos em busca de pistas e não ouve um só dia em que eu não me lembrasse do quanto era bom ouvir o som de sua risada, Regina. E agora que finalmente a encontrei não vou deixá-la escorregar por entre meus dedos e ainda vou ouvir muito aquele som alegre e único.
Como ele podia ser alguém tão bom com as palavras? Como ele podia me alcançar onde ninguém mais poderia?
– Robin Hood, quem é você? – sussurrei.
– Seu cavaleiro guardião, majestade. – dizendo isso ele me empurrou para dentro e empurrou a porta com o pé, me pressionou contra a parede para mais um beijo daqueles que me faziam ir do céu ao inferno em questão de segundos.
Entrelacei meus dedos nos cabelos castanhos de Robin enquanto sentia uma de suas mãos pegarem forte minha cintura e a outra descendo por minha perna.
Senti como se uma fogueira estivesse se acendendo dentro de mim. Inferno! Cravei as unhas em seu braço forte e aquele homem explorava meu corpo com mãos sábias, como se soubesse exatamente onde tocar.
Lancei minha cabeça para trás quando sua boca desceu por meu pescoço e deu uma mordida de leve.
– Espere. – respirei fundo e o empurrei. Apoiei-me em meus joelhos ofegante, como se tivesse corrido uma maratona.
– Você vai me deixar louco. – sua voz era tomada por humor.
– Acho que empatamos nesse quesito. – ergui meus olhos e ele me observava sorrindo. – Meu filho está la em cima, eu não... Não posso.
De fato, eu se esse era o único motivo, mas foi o único que achei para parar com aquilo. Metade de mim dizia: Regina, vamos lá, você é uma mulher livre e quer isso! Mas a outra parte gritava: Regina! Tenha bom senso, você acabou de conhecê-lo e existe toda essa história maluca que ele conta.
Na verdade, também havia uma razão oculta, uma que eu não conseguia entender ou admitir.
– Tudo bem. Desculpe, eu... – ele suspirou. – Apenas não pude me conter.
Robin deu um passo em minha direção puxando-me para um abraço, talvez o mais apertado que eu tenha ganhado na vida, aninhando-me em seu peito e acariciando meus cabelos. O silêncio que se instalou parecia querer sumir para dar lugar a muitas palavras não ditas, então ele deu um selinho doce em meus lábios e depois beijou minha testa, assim abriu a porta e saiu ao encontro do ar noturno que começava a esfriar.
Aquela foi a primeira noite em que meus sonhos não envolveram pessoas e lugares desconhecidos, sonhei com Robin e Storybrooke e foi encantador.
***
No dia seguinte, resolvi deixar a conversa séria e desagradável com Swan para depois. Levei Henry ao colégio, voltei para casa para cuidar de alguns papeis relativos a loteamentos novos na cidade, após, troquei de roupa e fui para o jardim para cuidar de minha árvore favorita, minha macieira. As maças como sempre, estavam vermelhas, grandes e lindas, recolhi algumas para fazer uma torta e as coloquei em uma sexta, depois me recostei no tronco para saborear minha fruta favorita.
– Olá! – ouvi uma voz me chamar e me virei.
O homem que andava em minha direção era completamente desconhecido. Moreno de olhos azuis e barba por fazer, tinha um charme e tanto.
– Senhora Mills? – ele perguntou olhando para a macieira e depois para mim. – Sou novo na cidade, me indicaram a senhora como a pessoa que mais conhece o local e poderia me dar boas dicas. Estou fascinado por esta cidadezinha e à procura de uma casa para comprar, de preferência uma que tenha um jardim tão bonito quanto o seu.
– Obrigada. – sorri, gostava quando elogiavam minha arte de jardinagem, mesmo que se tratasse basicamente da minha macieira querida, porém, não gostava muito da ideia de um estranho “se fascinar” pela minha Storybrooke – Quem é o senhor?
– Oh me desculpe, como fui mal educado. — ele sorriu gentilmente — Meu nome é Arthur. – completou, estendendo estendeu a mão.
– Bem, parece que já me conhece, mas de todo modo. Regina Mills. – ergui a mão para apertar a dele mas o homem a pegou e levou a seus lábios dando um beijo demorado.
– Encantado.
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