Tudo o Que Se Sente
13 Capítulo 13 - Faxina e Pizza
Notas iniciais
Olho pela janela do carro enquanto minha mente viaja. Christopher dirige concentrado em direção ao meu apartamento, já que palavra é dívida. Olho de canto de olho e me surpreendo em como toda as vezes que eu o olho, ele parece mais bonito ainda.
Não sei qual Christopher eu gosto mais, se o formal de terno e gravata ou o casual de bermuda e regata. Os dois me dão água na boca.
Gosto de estar na presença dele. É novo a forma que ele faz eu me sentir especial e desejada. Me surpreende o lado carinhoso e preocupado dele, que fica escondido pela capa de arrogância e superioridade. Ele tem um coração incrível e não mostra para muitas pessoas.
— Hey – ofego surpresa quando a minha porta é aberta por um Christopher risonho. Olho para frente e vejo que chegamos, e eu não tinha reparado. – você é muito desatenta Louise. – revira os olhos enquanto pega na minha mão e me puxa para fora do carro.
— Você me assustou – murmuro enquanto olho para nossas mãos entrelaçadas. Entro no saguão do prédio e solto nossas mãos enquanto vamos até o elevador.
Canto Enya baixinho e sinto os olhos de Christopher em mim. O encaro de volta.
— O que foi? – pergunto inquieta enquanto encaro a ruguinha no meio das sobrancelhas dele. Ele morde os lábios e da de ombros. – fala logo Chris – fico um pouco impaciente. As portas se abrem no meu andar e ando em direção a minha porta.
— Que música é essa? – pergunta enquanto eu pego minha chave na bolsinha. Abro a porta e o encaro.
— Qual? – ando até meu quarto e ele me segue. Preciso de um banho e tirar esse vestido de festa que usei na sexta de noite.
— A que eu sempre escuto você cantando quando entra no elevador. – sinto seus olhos em mim quando tiro minha roupa e ando até o banheiro. Eu sorrio um pouco com a pergunta. Ligo o chuveiro e entro debaixo da agua. Quando me viro ele está escorado na porta me observando e esperando a resposta.
— Wild Child – murmuro enquanto ensaboo meu corpo. Ele assente com a cabeça parecendo pensativo e depois sorri. Seu celular toca e ele observa rapidamente.
— Minha mãe, vou estar aqui no quarto falando com ela – avisa antes de sair e encostar a porta do banheiro. Lavo meu cabelo e me enrolo na toalha minutos depois, e vou pro quarto.
Paraliso um pouco quando vejo meu chefe deitado relaxadamente na minha cama. Que homem lindo. Ele não percebe minha presença. Está com um braço debaixo da cabeça e o outro com o celular grudado na orelha enquanto olha para o teto. O sorriso em seu rosto, trás um sorriso aos meus labios instantaneamente.
—...quando der mãe – ele murmura – quem sabe um dia? – suspira e ela responde – mãe, eu não estou tão velho ok? Tenho bastante tempo ainda – me sinto curiosa pra saber sobre o que eles conversam. Ando em direção ao guarda roupa e sinto seus olhos em mim – eu não trabalho muito mãe, só o suficiente – o encaro a tempo de ver seu revirar de olhos – quando você coloca algo em sua mente, não tem quem tira mãe – ele bufa contrariado. Pego uma calcinha, uma regata e um shorts e coloco – tá bom, até mais tarde então – se despede antes de desligar o celular.
— Pode levantar daí – mando enquanto desembaraço meus fios – temos muita coisa pra fazer – ele revira os olhos enquanto concorda com a cabeça e levanta. Ele se aproxima de mim e me joga em seus ombros. Ofego surpresa. – Me solta seu idiota – grito me debatendo. Sinto um tapa ser depositado em minha nádega e gemo surpresa. – Heey – murmuro me dando por vencida. Escuto sua risada e rio junto enquanto ele anda para fora do quarto.
— Você é muito escandalosa Louise – sua voz sai rouca por causa da risada. Reviro os olhos. Ele me coloca no chão no meio da sala e me beija rapidamente se afastando. – vamos fazer o que? – pergunta olhando em volta.
Penso um pouco nas coisas que tenho que arrumar aqui e distribuo as tarefas. Eu vou lavar minhas roupas, passar pano no chão e organizar meu quarto. Chris vai tirar pó dos móveis, lavar os banheiros e lavar a louça. Coloco uma música bem alta e começamos as tarefas.
Acho engraçado o modo como meu chefe não sabe fazer quase nada e reclama de tudo. Respirei fundo várias vezes, buscando paciência para os bicos que ele fazia toda vez que eu ia ensinar ele.
— Odeio limpar casa – fala em certo momento quando termina de lavar o banheiro. Rio alto enquanto deslizo o pano no chão. Uma música que eu não conheço, começa a tocar e meu chefe fica animado cantando a letra da música. O encaro um pouco deslumbrada em como sua voz rouca me arrepia dos pés à cabeça.
— Você reclama demais – rio enquanto ainda o encaro e começo a balançar meu corpo no ritmo da batida.
No final da tarde, nos jogamos no sofá da minha pequena sala, com a casa toda limpa e organizada. Christopher me encara e eu retribuo. Seu olhar desce pelo meu corpo e me sinto ser admirada. Sorrio me sentindo corar.
— O que foi? – murmuro e ele parece sair de um transe. Vejo seu corpo tencionar um pouco e ele fazer uma careta. – aconteceu alguma coisa? – me aproximo mais o encarando com cuidado. Não entendia essa reação dele e me preocupo. Ele nega com a cabeça.
— Não – diz baixo – não aconteceu nada – eu não acredito e sei que ele percebe. – é só que você está muito...bonita – sorri sem jeito e meu coração acelera. Me sinto tímida e me encolho um pouco, me afastando.
— Estou toda suada – me levanto e vou até a cozinha. Sinto seus olhos em mim de forma intensa. Abro a geladeira e pego água.
— E continua linda – se aproxima tirando o copo dos meus lábios. Seus olhos me afogam um pouco. As vezes um mar calmo, outras vezes, tempestuosos. Não consigo decidir se gosto da sensação de afogamento que ele me traz. A sensação e nova e um pouco assustadora.
Rio trêmula e nego com a cabeça. Christopher tem o dom de me deixar sem jeito e desestabilizada. Ele me puxa pela cintura deposita um beijo lento em minha boca. Me sinto arrepiar quando nossas línguas se tocam e suspiro baixinho. Os lábios dele se repuxam em um sorriso contido antes de se afastar um pouco.
— Com fome? – pergunta e eu Assinto com a cabeça. – vamos pedir pizza? – a ideia me agrada e eu concordo. Ele liga e pede DUAS. Ele deve estar com muita fome mesmo. Reviro os olhos para seu exagero.
— Pegou sua roupa no carro? – pergunto quando ele encerra o telefonema. Avisei pra ele que ele iria querer tomar um banho depois que a faxina acabasse e o convenci a trazer uma roupa. Vejo a careta em seu rosto e sei que não pegou. – vai lá buscar, te espero aqui – sorrio enquanto sento no sofá.
— Volto já – me beija antes de sair e eu fico esperando.
Olho para o nada durante algum tempo e começo a ficar incomodada com a demora dele. Me levanto e ando até a porta. Paraliso um pouco com a cena no corredor.
A sensação de ver Christopher conversando com outra mulher me causa incômodo. Me repreendo um pouco. Tanto ele, quanto eu, temos o direito de conversar com quem quisermos. Afasto a sensação de incômodo e sorrio os encarando na porta. Observo Karla, a minha vizinha sorrindo demasiadamente de forma desnecessária enquanto conversa o tocando. Reviro os olhos.
Christopher me vê e parece aliviado. Seus olhos parecem pedir socorro. Karla é uma mulher bem decidida, deve estar tentando dar o bote nele. Com certeza uma mulher bonita, loira e corpo escultural, é até estranho ver um homem desconfortável na presença dela.
— Amor? – chamo com a voz melosa e minha vizinha se vira pra mim com os olhos arregalados. – tudo bem aí? Fiquei te esperando para o banho, mas você estava demorando – sorrio travessa e me aproximo dele, ignorando propositalmente minha vizinha. Deposito um beijo em seus lábios e vejo um sorriso discreto se abrir.
— Desculpa Linda – entra na atuação enquanto faz um carinho leve em meu rosto. – essa moça simpática me deu boas vindas ao prédio pensando que eu tinha me mudado. Estava explicando agorinha que quem morava aqui não era eu. – me viro e finjo surpresa.
— Karla – merecia um prêmio pela atuação – não tinha te visto, peço desculpas – sorrio de forma larga. Christopher deposita a mão em minha cintura.
— Ah..tudo bem, eu já estava de saída – se despede enquanto sai rapidamente em direção ao elevador. Encaro Christopher e começo a rir da careta que ele faz. Ele bufa e me puxa para dentro do apartamento.
Se joga no sofá com a bolsa no ombro e me encara.
— Preciso me recuperar psicologicamente depois dessa. – reviro os olhos.
— Fica aí então, vou ir tomar meu banho – murmuro enquanto me viro e vou pro banheiro do quarto.
Escolho uma roupa e rapidamente entro debaixo da água. Tento me livrar dos pensamentos ruins que me enchem. Minha mente parece ter certeza que qualquer envolvimento que eu tenho com Christopher vai acabar de forma ruim. Aconteça o que acontecer, tenho que me lembrar que entrar em qualquer tipo de relacionamento com meu chefe, foi escolha minha, e que todas escolhas tem consequências. Boas ou ruins. Suspiro e me lembro que tenho que ligar pra minha mãe ainda.
Saio alguns minutos depois e me visto com uma calcinha branca de renda, um top vermelho e um shorts de malha preto. Calço meu chinelo nos pés e prendo meu cabelo em um coque desarrumado.
Quando vou para sala, escuto o barulho do chuveiro ligado no banheiro do corredor. Sento e fico esperando Christopher. Escuto baterem na porta e lembro que ele pediu as pizzas. Vou até a porta a abro dando de cara com um rapaz que aparenta ter 20 anos carregando duas caixas na mão. Estava com um boné preto, uma calça preta e uma camiseta da pizzaria.
— Oi – comprimento sorrindo e ele retribui. – só um momento – me viro pra pegar o dinheiro na minha carteira. Volto rapidamente com o dinheiro na mão.
— Ah, você poderia me dar um copo de água? – pergunta me encarando parecendo sem jeito. Concordo com a cabeça e o convido para entrar.
Ele me segue até a cozinha e sinto seu olhar em mim enquanto ando. Ele coloca as caixas na mesa e eu pego a água na geladeira, coloco no copo e entrego para ele. Ele bebe rapidamente.
— Obrigada – fala enquanto arruma o boné.
— Disponha – sorrio guardando as coisas. Entrego o dinheiro em sua mão e ele sorri.
— Sou Derick – estende a mão pra mim e eu estranho, mas dou de ombros.
— Louise – estendo minha mão e aperto a dele. Ouço um pigarreio atrás de mim e me viro me dando de cara com um Christopher de cara fechada. Ele gruda atrás de mim e rodeia os braços em minha cintura. Sorrio para ele e depois olho para Derick que encara Christopher – obrigada pelas pizzas – agradeço. Ele concorda e sai.
— Serio Louise? – escuto a voz brava de Christopher e franzo o cenho sem entender. O encaro confusa. – você atende o cara usando só isso e ainda deixa um desconhecido entrar? – sua voz vai aumentando pouco a pouco. Ele respira fundo e eu me encolho.
— Ele só queria um copo de água – tento explicar. – não vi nada demais..
— Claro que não viu – me interrompe – você parece nunca ver a maldade em ninguém Louise – respira negando com a cabeça. Fico um pouco chateada e me afasto. Lembro das vezes que eu me decepcionava e minha mãe falava a mesma coisa.
“Você é boa demais Louise. Nunca enxerga a maldade em ninguém. Sempre procura só o lado bom das pessoas e a maioria percebe isso fácil.”
Ando até a cozinha e abro a caixa de uma das pizzas. Sei que os olhos de Christopher está em mim mas não quero olhar ele agora. Me sinto idiota e de certa forma, humilhada. Como se eu fosse uma criança recebendo bronca.
Sinto o corpo dele colar ao meu e suas mãos rodear minha cintura. Meu corpo tenciona um pouco e ele apoia o maxilar no meu ombro.
— Procurar o lado bons das pessoas não é errado Lou – sussurra em meu ouvido. – não queria que você ficasse chateada – me aperta mais em seu corpo – só fiquei preocupado – beija na pele abaixo da orelha e me arrepio – só não gostei de ver a forma que ele te olhava – franzo o cenho.
— Ele me olhou normal – me aconchego mais em seu corpo e ouço ele bufar.
— Não mesmo – discorda levemente irritado – ele estava te olhando com desejo. E procurou uma forma de se aproximar – reviro os olhos e ele bufa. – não revira os olhos Louise, estou falando sério.
— Ele já foi embora tá? – murmuro saindo dos seus braços – não importa mais. Ele saiu rapidinho quando te viu com cara de mal – reviro os olhos – será que dá pra gente comer logo? – proponho para dar o assunto como encerrado. Ele parece contrariado mais aceita.
Pegamos as caixas e vamos para sala. Pego refrigerante na geladeira e levo também. Christopher escolhe um filme de ação e nos sentamos no sofá, lado a lado. Vejo a forma vidrada que Christopher encara a televisão e sorrio. Na metade do filme começo a sentir meus olhos pesarem.
Deito com minha cabeça nas pernas do meu chefe e o encaro sorrindo e ele retribui. Seus cabelos loiros bagunçados dão um ar mais jovem para ele. Suas mãos pousam no topo de minha cabeça enquanto faz um cafuné gostoso. Sorrio me aconchegando mais nele e pouco a pouco perco a consciência.
Fale com o autor