Tudo de Mim
17 Tarde demais.
Uma das partes mais difíceis de terminar um relacionamento são as lembranças que nunca se vão, por mais que você queira ou tentar expulsa-las da sua cabeça.
Às vezes, do nada, eu pensava no Alexandre e os nossos momentos juntos. E pensava principalmente nas coisas que ele tinha me dito aos longos desses anos.
“Eu sempre vou te amar”
Não. Não era verdade. Porque se fosse ele jamais teria feito algo assim comigo. O que me faz pensar que ele jamais me amou de verdade.
“Você é única e especial”
Não. Não sou. Porque se eu fosse única e especial ele jamais teria preferido me deixar ou me machucar dessa forma sabendo o quanto eu sofreria por causa dele.
“Eu vou cuidar de você”
Não. Não vai. Porque se isso fosse mesmo verdade ele estaria aqui nesse momento, tentando reconstruir os pedacinhos do meu coração despedaçado.
“Eu vou proteger você”
Não. Não vai. Porque se isso fosse mesmo verdade ele nunca teria me machucado dessa forma e estaria ao meu lado agora e seriamos felizes.
Foram tantas coisas ditas da boca para fora.
Foram tantas palavras em que acreditei. Tantas promessas!
E veja só onde estou agora. Me sentindo um lixo de pessoa. Jogada, largada e esquecida no fundo de um poço escuro e imundo. Tudo isso pode parecer um drama imenso para você. Sendo que tem tantas pessoas por aí passando por coisas piores. E você pode me julgar o quanto quiser, eu não me importo. Mas você nunca saberá de fato pelo que estou passando até você passar pela mesma coisa que eu.
Se eu tivesse escolha eu estaria por aí, vivendo minha vida normalmente e fazendo coisas que nunca fiz antes. Sendo feliz. Me divertindo, conhecendo pessoas novas e tendo novas experiências. Fingindo ser durona e intocável.
Mas eu tentei. Juro que tentei. Só que não funciona assim. Pois as lembranças estão ali o tempo todo, só para te lembrar do quanto você foi feliz um dia por acreditar que seria sempre assim, ao lado daquela pessoa que você amou mais do que a si mesma e se sacrificou em vários momentos para estar ao lado dela.
Tola é como eu me sinto agora.
Já nem consigo mais chorar. Sentir raiva ou tristeza. Não consigo sentir nada nesse momento. Só um grande vazio e uma pena enorme de mim mesma.
— Você não pode ficar assim para sempre. Eu detesto de ver assim!
Eu detesto estar nessa situação.
— Você já tentou ligar para ele? – Fabi perguntou, insistente.
Eu ainda não tinha tido coragem de ligar para ele. Ainda não estava preparada para ouvir o som da sua voz que certamente me deixaria ainda mais fragilizada.
E com qual finalidade eu ligaria? Ligar e esperar ele me pedir perdão? Ligar e esperar que ele me queira de volta? Liga e esperar que ele esteja arrependido?
Se ele realmente estivesse arrependido ou me quisesse de volta, ele mesmo já teria me ligado. Mas isso ainda não aconteceu. Duas semanas depois e nada de ligações, mensagens ou visitas inesperadas. Nada. Nenhum sinal de vida.
O que não sei se é bom ou ruim. Se me alivia ou me preocupa.
— Você deveria ligar.
Foi então o que fiz.
— Esse número não existe mais.
Ótimo. Então esse é mesmo o fim. Ele até trocou de número e se livrou do antigo. Só para não ter que nunca mais falar comigo ou olhar para mim.
Chega de me iludir atoa.
— Você quer que eu vá até o apartamento dele falar com ele?
— Eu posso ir com ela. – Christian sugeriu, me olhando com expectativa.
— Não, gente. Obrigada. Deixa pra lá. Eu preciso superar isso.
Desviei o olhar só para disfarçar o quanto eu queria chorar.
Então quer dizer que ainda me resta algumas lágrimas?
Mas eu não superei, pois mais tarde concordei em ir com a Fabi e o Chris até o apartamento do Alex depois do colégio. Só que eu não iria entrar. Ou pelo menos esse era o plano. Uma pequena parte estupida dentro de mim dizia que eu deveria olhar para ele uma última vez e ouvir da boca dele que jamais teríamos outra chance.
É incrível essa mania da gente de gostar de sofrer!
Fiquei lá em baixo esperando os dois desceram.
Passaram-se cinco minutos e eles voltaram.
— Sinto muito. Mas pelo que parece ele nem mora mais aqui.
— Como assim? – Perguntei, chocada demais.
— Não sei. Ninguém nos atendeu e insistimos muito. – Fabi explicou. — Aí a vizinha horrorosa dele apareceu, aquela que você odeia, e disse que viu o Alex saindo alguns dias atrás com alguns coisas e depois disso ele não voltou mais.
Então é isso, Luciana. Supera garota. Supera!
Acho que é muito mais fácil se convencer de aquilo é o melhor para você quando vem o desprezo a indiferença. Se esse era o plano do Alex, funcionou.
Depois daquele dia eu me esforcei ao máximo que pude para pensar em outras coisas que não fosse ele.
Eu passei mais tempo com a minha mãe na lojinha, ajudando-a com coisas que eu não queria que ela fizesse por conta do esforço. Pegar caixas, por exemplo. E a acompanhei em todas as consultas do pré-natal que o papai não poderia ir. Nós fizemos compras também. Mesmo ainda sem saber o sexo do bebê. Foram poucas coisas. Uma mais fofa que a outra. E comemos muito também. Mamãe estava com uma fome de leão agora que comia por dois, o que era engraçado, porque apesar de amar cozinhar, ela nunca foi de comer muito.
Passei a assistir mais séries também. Uma louca viciada sem salvação. E comecei a passar mais tempo com meus dois amigos. Ainda muito apaixonados e vivendo aquela fase grude que eu desejava, do fundo do coração, que eles nunca deixassem de ter. Porque nada era mais doloroso do que perder alguém tão especial. Era o tipo de dor que eu não desejava para ninguém, muito menos para eles que eram tão importantes na minha vida. Ainda mais agora.
— Eu estou muito envergonhado de você, Luciana. – Comentou Chris quando voltei ao meu lugar com a minha prova corrigida em mãos.
Prova surpresa de Matemática.
— Quatro não é tão ruim assim. – Fiz uma careta.
— Como não? Por favor, você não pode deixar que isso afete suas notas que já não são lá essas coisas. – Ele falava como se fosse meu pai, assim como a Fabi falava como se fosse minha mãe. — Tive uma ideia! A partir de amanhã você fará parte do nosso grupo de estudos que acontece três vezes por semana depois do colégio.
— Ah, não. Meu Deus! Nada pode ser pior que isso.
— Nós sempre fazemos um lanchinho depois.
— Jura? – De repente fiquei interessada na coisa.
— Sim! A mãe da Fabi faz coisas maravilhosas.
Se eles acham que podem me comprar com comida, eles estão completamente certos.
Ficou combinado assim: segunda, quarta e sexta nós tínhamos uma tarde de estudos para o vestibular. Coisa de gente doida. Mas que não tive escapatórias. Era isso ou nada.
~*~
Mamãe sentiu uma forte dor na barriga naquela noite de quarta-feira enquanto meu pai assistia ao jogo pela televisão.
Ficamos apavorados e fomos direto para o hospital mais próximo.
Depois que a mamãe entrou na emergência, papai e eu ficamos ali, na sala de espera, de mãos dadas, calados, aguardando por horas alguma notícia.
Foi uma noite muito difícil.
Já não bastasse tudo que eu tinha que suportar agora mais essa.
Eu seria uma pessoa muito infeliz se minha mãe perdesse esse bebê. Basicamente essa era a única motivação nas nossas vidas nos últimos meses. E estava tudo tão certo. Vários exames foram feitos. Ultrassom. Nenhuma complicação, nenhum risco e agora esse susto. Eu não suportaria ver minha mãe chorar por essa perda.
Eu queria tanto ligar para o Alex agora e conversar com ele sobre os meus medos e anseios. Com a gente costumava fazer sempre. Queria que ele viesse correndo para cá para me dar apoio e ficar ao meu lado.
Com esses pensamentos acabei pegando no sono com a cabeça apoiada no ombro do meu pai sentado ao meu lado e só acordei as três da madrugada, quando enfim algum médico resolveu dar as caras e meu pai me cutucou para ouvir.
— Foi só um susto. Ela está muito bem e o bebê também.
— Podemos vê-la? – Perguntei logo.
— Claro! Mas ela só terá alta pela manhã, pois ainda ficará em observação.
Mamãe parecia fraca ligada a todos aqueles aparelhos barulhentos, mas ela tinha um sorrisinho no rosto que eliminavam todo o quarto onde ela estava.
Ficamos ali com ela até as oito da manhã, quando ela recebeu alta.
Não sei o que deu em mim, mas depois que a mamãe acordou aquela tarde, após descansar por várias horas e comer algo, eu a ajudei a tomar um banho e se arrumar. Tive a brilhante ideia de fazer um ensaio fotográfico dela e da gravidez.
Eu não tinha muitas fotos de bebê. Meus pais eram bem pobrezinhos na época e não tinham nem máquina fotográfica. Por isso nunca tive um álbum desse dedicado ao bebê e todos os momentos mais marcantes dele. Agora, eu queria fazer isso pelo meu irmão.
Ou irmã.
— É muito legal isso que você está fazendo pela sua irmã.
— Irmã? – Arregalei os olhos.
— Ops! Acho que falei de mais. – Mamãe cobriu a boca, arrependida.
— Ei. Não tem mais volta! – Eu ri. — Quando você descobriu?
— Ontem no hospital. Nem contei ao seu pai ainda. Queria fazer uma surpresa a vocês dois qualquer dias desses com um bolo revelação que eu vi na internet.
— Ainda podemos fazer para o papai. – Fiquei animada.
— Sim, podemos! – Ela se animou também.
— Prometo que não vou contar nada a ele.
— Ele vai ficar tão feliz!
Passei a noite inteira grudado no computador trabalhando nas fotos que eu tirei da mamãe e da barriguinha dela. Mesmo sabendo que era só começo, porque eu ainda iria registrar alguns momentos mais para frente, eu estava animada. Ainda mais agora que eu sabia que seria uma menininha, porque no fundo acho que eu sempre quis que fosse menina para sermos parceiras, assim como Alex e Luiz, mesmo com toda a diferença de anos.
Pensando no Luiz.... Peguei meu celular jogado sobre a minha cama e tentei ligar para ele para bater um papo e saber das coisas. Afinal, não é porque eu e o irmão dele terminamos que precisamos parar de nos falar e sermos amigos.
Ele não atendeu mesmo depois de várias tentativas.
Esquece essa família, Luciana.
Na manhã seguinte, no intervalo, mostrei algumas fotos que eu tinha tirado e passado para o celular para a Fabi e Chris. Eles ficaram impressionados.
— Uau. Você é genial, Pac-Man.
Pac-Man foi o apelido “carinhoso” que o idiota do Chris me deu devido a minha gula.
— Eu nem sabia que você tinha um talento.
— Christian! – Eu bati nele.
Fabi morria de rir ao nosso lado.
— Meus pais vão dar uma festinha esse final de semana lá em casa para receber alguns familiares que estão vindo da Europa e eles estavam atrás de um fotografo. O que você acha de ganhar uma graninha extra, Pac-Man?
— Chris, eu não sou nenhuma profissional.
— Mas é como se fosse. Você é muito talentosa!
— É verdade, Luci. Você deveria aceitar. – Interveio a Fabi.
— E vai ter várias comidinhas por lá...
Dei outro tapa nele.
— O.K. Diga a eles que estou dentro. Mas não é só pelas comidinhas não.
— Sei...
Nós três rimos e foi então que o sinal tocou, finalizando o intervalo.
~*~
No sábado à tarde meu pai me levou de carro até o endereço que o Christian me mandou por mensagem. O que eu não esperava é que ele morasse próximo a casa dos pais do Alex onde supostamente ele estava morando ultimamente.
Eu não sabia que os pais do Christian eram ricos assim.
Eu estava com a minha melhor roupa para dar uma boa impressão e o cabelo lavado, penteado e cheirosinho.
Encontrei a Fabi me esperando do lado de fora da casa usando um vestidinho de princesa e um penteado todo fofo e meigo que combinava muito com ela.
— Já estão todos te esperando. — Ela pegou minha mãe e me arrastou.
A coisa toda era mesmo muito chique.
Uma casa grande com decoração refinada, duas vezes maior que a minha, com um quintal todo trabalhado no paisagismo, com piscina e área para churrasco com mesas e cadeiras cobertas com toalha de seda e arranjos maravilhosos de flores.
— Nossa, tem muita gente aqui. – Observei.
— Nem me fale. Tive que conhecer cada uma delas.
Soltei um risinho.
— Minhas meninas! – Christian se aproximou todo elegante com um smoking preto que caia perfeitamente nele e um sorriso de orelha a orelha em contraste com a pele morena. — Está pronta, Pac-Man? Vem, vou te apresentar aos meus pais.
A mãe do Chris parece até uma atriz famosa de cinema. Uma pele morena muito bem cuidada e aveludada, cabelos ondulados e soltos, maquiagem impecável, joias finas e um vestido longo e dourado cheio de pedrinhas brilhantes.
O pai do Cris também é muito bonito e simpático. Muito alto, moreno de olhos verdes e um sorriso largo como o do filho. Está usando também um smoking preto e sapatos que devem valer o preço da minha casa inteira, com móveis e tudo.
— Seus pais são incríveis. – Digo, tirando minha câmera da mochila que eu trouxe com tudo que iria precisar. — Não sei porque você reclama tanto deles.
— Eu não reclamo não! – Ele se defende, com o braço em volta da cintura da Fabi. — Mas vocês nem os conhece direito! Eles dão a impressão que querem dar.
Comecei então a trabalhar como uma profissional, tirando fotos de tudo a minha volta, dos melhores ângulos possíveis, sempre pensando na melhor iluminação. Fui simpática com as pessoas, pedindo autorização para fotografa-las. E aproveite também para roubar uma comidinha vez ou outra quando passava um garçom.
Eu estava tão concentrada no que estava fazendo e tão empenhada que nem reparei que o Christian e a Fabi tinham sumido de vista com as minhas coisas e que eu estava sozinha o tempo todo, trabalhando como uma raposa, no meio de todas aquelas pessoas ricas.
Me aproximei devagar dos pais do Christian que estavam num canto, falando no ouvindo um do outro e trocando olhares e sorrisos apaixonados e me preparei para tirar a melhor foto da noite do casal quando fui empurrada com força para o lado.
— Cai fora, amadora.
Um garoto mais ou menos da minha idade se posicionou ao meu lado, ajeitou a câmera e clicou várias fotos do casal que deveriam ser minhas.
Eu quis empurra-lo e fazer um escândalo, mas me contive para não passar vergonha no meio daquela gente. E saí dali bufando o mais rápido que pude.
— Christian! – Apertei seu braço com força quando o encontrei sozinho. — Eu pensei que era a única fotografa da noite.
— Ah, acho que você já deve ter conhecido o meu primo, o Lorenzo.
— Você tem um primo? Um primo fotografo? E nem me avisou, cretino!
— Ei, calma. Eu não sabia! – Ele se defendeu. — Juro que fiquei sabendo um pouco antes de você chegar. Mas não se preocupe. Ele nem é tão bom assim.
— Então ele também está trabalhando aqui essa noite?
— É, mais ou menos. – Disse ele, sem graça.
Não me deixei abalar por isso, nem mesmo quando descobri que esse tal primo, o Lorenzo, tinha acabado de chegar da Europa onde estudou fotografia.
Eu e ele passamos a noite toda disputando território, como dois selvagens. Nem nos falamos, mas trocamos olhares furiosos. Era como se estivesse numa espécie de disputa interna para ver quem conseguia as melhores fotos da noite.
Houve um momento em que eu não aguentava mais. Estava faminta e com sede. Então me sentei em um canto e pedi ao garçom uma taça de champanhe antes que eu desmaiasse.
— Você não é muito nova para beber? – Quando ergui meu olhar, dei de cara com o tal sujeitinho que não demorou muito para sentar-se na minha frente.
E pela primeira vez na noite reparei no quanto ele era bonitinho.
A pele pálida como a de um fantasma, olhos azuis acinzentados e cabelos castanho-claro.
— Por acaso você tem quantos anos? Quarenta? – Devolvi.
Ele riu, mas não respondeu a minha perguntar.
Pelo que parecia ele não era tão velho assim. Talvez um ou dois anos mais velho que eu no máximo. Não sei para que tanto mistério. Não é como se eu me importasse. Eu nem o conheço! E nem quero. Ele tem cara de problema.
Levantei-me e me mandei dali.
Pensei em ir lá fora respirar um ar, mas antes iria procurar o Christian pela casa para dizer que meu trabalho por hoje estava finalizado, que se o primo dele que quisesse continuasse com isso porque eu estava exausta. E adivinhem só onde encontrei o espertinho do Chris? No quarto dele agarrado com a Fabi.
— Interrompo alguma coisa?
Na hora eles pularam da cama, embaraçados.
Eu segurei o riso.
— Bom, não vim aqui para atrapalhar o momento quente entre vocês. Só queria dizer que vou para casa. Acho que já deu por hoje. – Fiz que ia fechar a porta.
— Pac-Man. – Christian me chamou. — Toma aqui seu pagamento.
Ele tirou uma boa quantia de dentro de sua carteira e me entregou.
— Obrigada. – Agradeci e voltei a descer, em direção à rua.
Liguei para o meu pai e pedi para ele vir me buscar. Fiquei ali fora, parada na calçada a apreciando a noite sem estrelas enquanto isso. Até que.... Olhei para o lado, duas casas a frente e vi o Alex saindo para colocar o lixo para fora.
Infelizmente ele me viu também.
Até com o lixo em mãos ele parecia lindo com seus cachos rebeldes.
A sensação que eu tive naquele momento era que ele uma especie de deus que eu não podia tocar e nem me aproximar por estar distante demais.
— Quer uma carona? – Virei-me para trás, assustada.
Lorenzo.
— Não, obrigada. Já estou esperando meu pai. – Fui áspera, confesso.
Vi com o canto do olho que o Alex ainda estava ali, olhando na minha direção.
Não sei bem o que deu em mim. Foi tudo muito rápido. Nem parei para pensar direto na minha ação e nas consequências dela. Mas quando dei por mim, voltei-me na direção do Lorenzo e o abracei muito intimamente para fazer ciúmes ao Alex e mostrar a ele que eu tinha superado, mesmo que a verdade fosse muito diferente disso.
Quando olhei na direção dele, ele tinha sumido.
— Ei, o que foi isso? – Lorenzo perguntou com um sorrisinho quando eu me afastei, muito sem graça. — E porque você parou? Sabe, eu não me importo se você quiser continuar...
Fiz uma careta.
— Não é nada disso que você está pensando, espertinho.
No mesmo instante meu pai chegou.
Entrei sem nem me despedir do Lorenzo ou me justificar pela minha atitude mal pensada.
— Por acaso aquele era seu novo namorado? – Meu pai perguntou depois de um tempo.
— Não, pai. Credo!
— Ainda bem. Porque eu prefiro mil vezes o Alex.
— Pai, entenda, o Alex não me quer mais.
— Foi isso que ele disse a você?
— Não! Mas ele deixou isso muito claro no dia em que terminou comigo.
— Às vezes, nós homens, somos uns idiotas e precisamos de um tempo para perceber e aprender com isso.
— É, pai. Mas as vezes pode ser tarde demais pra isso.
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