Tudo de Mim

16 Nós perdemos tudo.


Notas iniciais
Eu sei que vocês vão odiar essa capitulo, mas vamos lá.

— Espera aí.... Deixa eu ver se eu entendi. Vocês perderam tudo?

Alex finalmente percebeu que não adiantaria nada me deixar fora disso porque eu sei ser muito insistente quando quero algo. Quando quero a verdade. Então, finalmente vencido pela culpa e pelo cansaço, ele me levou até lá fora, onde nos sentamos no meio fio e ele me contou absolutamente tudo desde o início.

— Exatamente. Meus pais perderam tudo.

— Mas como e porquê?

— Há um bom tempo meu pai estava tendo um caso com a herdeira de um dos sócios do escritório dele e da minha mãe. Ela sempre desconfiou, mas nunca fez nada a respeito e nem correu atrás para saber a verdade. Não é como se eles realmente se amassem como um dia já se amaram. E então – Ele de uma pequena pausa, como se tudo aquilo fosse muito doloroso para ele. — Coisas erradas e estranhas começaram a acontecer no escritório: o dinheiro começou a sumir mesmo que em pequenas quantidades, clientes fiéis pararam de procurar pelo trabalho deles e tudo isso foi se tornando cada vez pior. Mas quanto mais minha mãe questionava meu pai, mas ele falava que aquilo era normal. Que era só uma fase ruim por causa da crise.

— Mas era tudo mentira.

Alex assentiu, sem me olhar.

Acho que estava envergonhado.

— A verdade é que ele se uniu a essa tal mulher e eles se meterem em milhares de fraudes contra as próprias empresas. Eles estavam roubando juntos! Meu pai queria tirar tudo da minha mãe, deixa-la com muito pouco e com a culpa. E essa tal mulher traiu e roubou o próprio pai. E sabe porquê? – Ele me olhou com os olhos vermelhos. — Estavam apaixonados e queriam sumir daqui. Deixar tudo para trás para viverem juntos em outro lugar sem a culpa de nada e com todo o dinheiro que roubaram.

— Mas que filhos da puta!

Eu nunca tive uma opinião formada sobre o pai do Alex assim como eu tinha de sua mãe. Seu pai sempre foi tão indiferente para mim. Só um cara velho e rico, ausente da família, frio e distante, mas que nunca palpitava em nada na vida dos filhos. Mas agora eu sabia exatamente porque. E tudo isso por causa de outra mulher.

Como ele pôde? Eu estou com tanto ódio dele que se eu o visse agora na minha frente o encheria de porradas! Ele traiu a própria família, o próprio negócio e só pensou em si mesmo o tempo todo e como se isso não fosse o bastante ele também iria fugir e deixar a culpa de seus golpes e roubos nas mãos de pessoas inocentes.

Abracei o Alex com toda a minha força, porque eu estava muito triste por ele e por tudo que ele estava passando e sozinho sendo que podia se apoiar em mim o tempo todo. Será que ele pensou que eu não seria capaz de suportar algo assim? Que eu teria vergonha dele? Tudo bem que eu sou bem frágil as vezes, mas.... Caramba!

Eu podia ter ajudado em algo, não podia? Não, eu não podia.

Agora que sei a verdade, vejo que não podia.

A não ser que uma boa surra em seu pai contasse como algo.

— E agora, Alex? – Perguntei, apreensiva.

— E agora que meu pai foi descoberto antes de dar sua cartada final. Estão todos em cima dele! Principalmente a justiça.

— Ele ainda não foi preso? Ele ainda está morando aqui com vocês?

Quando acho que não poderia ser pior...

— Não e não. Ele ainda não foi preso. Mas acredito que não demorará muito para ser. Eles só ainda não têm provas o bastante. Pois sua amante conseguiu fugir sozinha e deixou tudo nas costas dele, mas também levou algumas provas e uma boa quantidade de dinheiro. E minha mãe foi redutível no começo. Apesar de tudo queria proteger o meu pai para não sujar o nome da nossa família. Mas eu e o advogado da família conseguimos convencê-la do contrário, ainda mais agora, que estão tirando tudo de nós conforme a investigação contra o meu pai vai tendo seus avanços.

— Mas vocês não têm culpa de nada!

— É verdade. Mas nós descobrimos que a nossas vidas era uma mentira. E sinceramente, eu faço questão que eles levem tudo que tenha sido conquistado com dinheiro sujo, mesmo que nós não tenhamos tido conhecimento disso antes.

— Nossa, Alex. Eu nem sei o que dizer. Estou assustada!

— E eu envergonhado.

— Não! Por favor, não. Você não tem culpa de nada...

— Não é como eu me sinto.

Era como se ele tivesse se segurado o tempo todo, mas tivesse chegado ao seu limite. Alex começou a chorar tanto que pensei que não fosse capaz de parar.

Tentei acalma-lo por algum tempo e quando consegui algum resultado, peguei-o pelo braço e o levei para dentro de casa para beber um pouco de água. O Luiz, muito atencioso, já tinha acendido algumas velas para iluminar boa parte dos ambientes.

— Desculpe. A luz foi cortada. Assim como alguns móveis foram levados.

Foi um grande choque ver tudo ali tão vazio.

Apesar de ter vindo poucas vezes aqui nessa casa, eu ainda me lembro como era tudo tão luxuoso e escolhido com tão capricho. A casa toda tinha sido decorada pela própria mãe dos meninos que estudou muito para isso e se formou na área.

Lembro-me de quando me sentei no sofá pela primeira vez com medo de estragar algo por ele parecer tão caro e refinado de um tecido tão delicado, que certamente tinha sido comprado em outro país. Lembro-me do receio de pisar no tapete da sala com medo de suja-lo com meus tênis imundo ou do receio ao segurar um copo por medo de deixa-lo cair com meu jeito estabanado de ser.

Agora não havia nada disso. Nem sofá, nem tapetes, nem quadros, nem vasos, nem televisão, nem mesa de centro, nem mesa de jantar... Nada. Apenas algumas coisas que tinha sobrado e que agora estavam cobertas por panos para serem vendidas mais tarde para arrecadar um pouco de dinheiro para pagar gastos e dividas.

Quem diria que algum dia a família Vilela iria precisar fazer economia para conseguir um pouco de grana?

Ouvimos então uma buzina.

— É o nosso jantar. Você pode ir lá pegar para a gente, Luiz? – Perguntou Alex, agora bem mais calmo. Ou pelo menos tentando diante do irmão caçula. — Toma aqui o dinheiro. – Ele o retirou da carteira e entregou ao irmão.

Esperamos ele sair.

— Sabe, eu não queria envolve-lo nisso tudo. Ele ainda é muito novo! Por isso pedi aqueles favores a você. Agora é tarde demais. E por mais que eu não queira, ele já está envolvido de alguma forma. Mas ele é um garoto esperto e tem feito tudo que pode para ajudar por aqui. Tem sido muito útil e compreensivo. Acho que pela primeira vez ele teve que entender que nem sempre a gente pode ter tudo nessa vida.

Luiz voltou segurando uma caixa que cheirava muito bem. Mas pela primeira vez eu não estava com fome. Na verdade, toda essa história e essa situação me deixou com o estomago embrulhado e um pouco nauseada.

— Vou levar um pouco disso para a mamãe. – Alex pegou um dos poucos pratos que tinha sobrado que agora estavam empilhados sobre a pia.

— Posso ir com você? – Perguntei, receosa.

— Acho que sim.

Então o segui até o andar de cima, onde as coisas estavam um pouco mais escuras, vazias e silenciosas. Paramos diante de uma grande porta, onde ele deu uma batidinha antes de entrar. Lá dentro estava iluminado com algumas velas. E só havia uma cama e algumas caixas cheias de roupas e objetos pessoais.

Não tive coragem de dar mais nem um passo quando vi a mãe do Alex deitada na cama, toda escolhida, magra e frágil, como se estivesse morta.

Nunca senti tanta pena daquela mulher.

Alex se aproximou dela e disse algo baixinho que não fui capaz de escutar, mas ouvi quando ela resmungou algo de volta e balançou a cabeça, negando-se a comer o que ele tinha levado. Ele foi muito paciente ao concordar com ela e deixar a caixa com comida japonesa ali perto, para ela pegar caso sentisse fome em algum momento.

— Tem sido assim sempre. – Ele explicou quando fechou a porta. — Ela não quer comer nada e quase não sai da cama. Ela está ficando cada vez mais doente.

— E já tem alguém cuidado disso? – Perguntei, preocupada.

— O médico veio aqui algumas vezes, mas disse que é impossível ter certeza de algo sem os cuidados devidos que ela teria se concordasse em ir ao hospital.

— Nossa, eu não consigo nem imaginar pela luta interna que ela deve estar passando. Mas e o seu pai? Onde ele está agora?

— Eu não sei muito. Mas o advogado disse que ele está em um apartamento no centro da cidade estudando meios com seu advogado para sair ileso dessa.

— Mas que grande imbecil!

Bom, depois de algum tempo, percebi que por mais que eu quisesse não havia muito o que eu pudesse fazer ali. Talvez eu só estivesse atrapalhando ainda mais.

— É melhor eu ir para casa. – Levantei-me do chão.

— Eu te levo. – Alex levantou-se também. — Luiz cuide das coisas, o.k.? Eu volto já.

Alex não disse nada durante todo o caminho, mas eu sentia que por mais embaraçoso que fosse, eu deveria dizer algo a ele.

Qualquer coisinha que tirasse aquela expressão sombria de seu rosto.

— Alex – Começo assim que ele para o carro na frente de casa. — Eu estou com você. – Seguro sua mão, fazendo-o olhar para mim. — Nunca esqueça disso.

Inclinei-me em sua direção e o abracei.

— Eu te amo e tenho um orgulho imenso da pessoa que você é.

Por fim o beijei e saí do carro.

Ele ficou me olhando até eu entrar em casa a acenar em despedida.

~*~

Não insisti muito nos próximos dias. Não queria bancar a namorada chata super protetora. Sabia que tinha que dar esse espaço a ele. Esse tempo. Para ele cuidar das coisas e resolver com sua família todos os danos que seu pai havia causado.

Mas eu liguei algumas vezes, só para perguntar como estavam indo as coisas e pelo visto não estavam evoluindo muito. O desanimo do Alex era cada mais pesado e quando ele me ligava no meio da noite, desesperado para me ver, eu chorava junto com ele, sem saber mais o que fazer para tira-lo dessa.

— Está acontecendo algo que você queira me contar? – Perguntou minha mãe um dia desses.

Ela já tinha ido a algumas consultas e em todas elas eu a acompanhei.

Queria fazer parte desse processo.

— Na verdade, está sim. – Suspirei, cansada. Não suportava mais carregar esse peso sozinha. Eu precisava conversar com alguém. E a pessoa certa era minha mãe.

Contei tudo a ela naquele momento.

— Meu Deus, Docinho. Coitadinho do Alex! Por acaso tem alguma coisa que a nossa família possa fazer por ele? Saiba que faríamos qualquer coisa por ele! Diga isso a ele. Diga que o que ele precisar pode contar com a gente. Sempre.

Eu não tinha dúvidas de que minha mãe era uma mãe maravilhosa e esse bebê teria muita sorte.

~*~

— Você vai ter um irmão? – Fabi estava abismada.

Eu ainda não tinha contado a novidade a ela a pedido da mamãe que achou que seria melhor esperar um pouco, até ter certeza que aquela gravidez era segura.

— É, parece que sim. – Eu estava sorrindo.

— E você está preparada para isso?

— Não sei. Acho que sim.

Ela riu.

— Meu Deus! Que loucura!

— E você, quais são as novidades?

— Hum, bom, pouca coisa aconteceu. Meus pais ainda estão tentando aceitar o Christian. Principalmente meu pai que é mais durão. Já minha mãe está cedendo com mais facilidade. Algumas vezes ela para o que está fazendo só para me perguntar como o Chris é ou como eu me sinto em relação a ele. Ah, e nesse sábado nós vamos conhecer os pais do Chris na casa dele. Meus pais querem garantir que eles são boas pessoas.

— E o que Chris acha de tudo isso?

— Ele acha que meus pais vão ficar desapontados, mas ele está muito animado. Já eu, estou apavorada. Imaginando que eles não vão gostar nada de mim!

— Não seja boba, Fabi.

Ela deu um risinho.

— Eu simplesmente não consigo. As vezes sou insegura demais!

Meu celular começou a tocar no meio do caminho.

— Alex?

— Oi, Luci. Precisamos conversar.

— Ah, o.k. Pode falar.

— Não, tem que ser pessoalmente.

Na hora eu parei de andar, assustada.

— Tudo bem. Então, quando e onde?

— Pode vir ao meu apartamento hoje á noite?

— Claro, claro. Estarei aí as sete.

Ele desligou.

— Porque essa cara? – Fabi me olhava, intrigada.

— Era o Alex e sinto que algo muito ruim estar por vir.

— Não seja boba. – Ela me imitou.

Eu ri e lhe dei um tapinha.

Não sei porque eu estava tão preocupado achando que essa tal conversa urgente tinha a ver com nós dois. E se fosse ao relacionado ao seus pais? Algum processo? Alguma notícia boa que ele só poderia me falar pessoalmente?

Tomei um banho gelado para tirar toda a tensão e vesti uma roupinha mais apresentável antes de sair de casa rumo ao apartamento do Alex.

Era como se eu fosse vê-lo pela primeira vez, já que meu coração batia tão forte dentro do peito que eu achava que a qualquer momento iria parar.

— Olá. – Entrei.

— Ah, olá. – Alex veio da cozinha. — Senta aí.

Nada de beijinhos ou abraços.

Estranho. Muito estranho.

— E então, o que é? – Sentei-me, olhando fixamente para ele.

Ele sentou-se também, na minha frente.

— Bom, acho melhor ser direto com você.

— Eu também acho. – Tentei sorrir.

— Luci, eu acho que não vai dar certo.

— Você poderia ser um pouquinho mais especifico?

— Estou falando de nós dois.

Ah... Ah!

— Como assim?

— O que eu quero dizer é que... Acho que nós dois não vai dar certo.

— Eu tô confusa. Extremamente confusa, Alex.

— Meu Deus! Porque você torna tudo tão mais difícil?

Ele estava irritado comigo? Vê se pode!

— Alex, você me chama aqui e agora nem tem a porra da coragem de falar seja lá o que for?

Ele suspirou e desviou o olhar por um rápido momento.

— Eu quero terminar com você. – Disse ele.

— O quê?

— Luci... – Ele abaixou a cabeça.

— Alexandre, eu não acredito que você me chamou aqui pra isso. Você tá de curtição com a minha cara? Isso é alguma piada? Porque é o que tá parecendo!

— Não, Luci. Não é piada. Falo sério.

— Não tô acreditando. – Dou uma risada fraca. — Você está mesmo terminando comigo assim de uma hora pira outra? E por acaso tem algum motivo?

— É claro que tem! – Ele me olha meio indignado.

— Tá, então comece a cita-los.

Quero fingir que sou forte, durona e corajosa. Mas a verdade é que sinto que estou morrendo por dentro nesse momento. Todas as lâmpadas de esperança se apagarem dentro de mim. E preciso morder o lábio com força para não começar a chorar agora mesmo.

— A verdade é que eu te amo e você sabe disso. Mas estou passando por um momento complicado na minha vida no qual eu não tenho tido tempo e nem cabeça para mais nada. Nem mesmo para te dar carinho, atenção e amor. Todas essas coisas que você merece e que no momento não estou podendo te oferecer...

— Mas em nenhum momento eu te cobrei nada disso, Alexandre. – As lágrimas começaram a escapar mesmo sem eu querer.

— Eu sei, eu sei. – Ele se aproximou para me abraçar e mesmo com toda a raiva que eu estava sentindo dele nesse momento, eu permiti. — É só que eu não acho que você mereça ficar em segundo plano na minha vida. Minha cabeça está tão cheia de merda! Eu só queria te amar em primeiro lugar e dedicar todo o tempo da minha vida a você que é minha parte favorita. Mas eu não posso. Não posso! Tenho que ser responsável por tantas coisas nesse momento: minha mãe, meu irmão, as despesas, os prejuízos.... Não sobra espaço para você por mais que eu queira ou tente. Entenda, Luci. – Ele me apertou mais forte e eu só sabia chorar e chorar, ainda sem acreditar que aquilo era real. — Estou fazendo isso por você. Para o seu bem.

— Eu não quero nada disso! – Gritei, descontrolada. O afastei com um empurrão e comecei a soca-lo no peito com toda minha ira e tristeza. — Eu não preciso que você decida nada por mim, Alexandre. Seu imbecil! – Como ele era mais forte, conseguiu me impedir de socá-lo e me segurou com tanta força que não pude se não olhar dentro dos olhos dele. — Alex, não faz isso comigo. Não faz isso com a gente!

Ele fechou os olhos.

— Eu preciso. Sinto muito, Luciana.

De todas as vezes em que a gente terminou, essa foi a mais dolorosa e a única que, de verdade, eu senti que não teria volta. Pelo menos não tão cedo. Porquê dessa vez não tinha nada a ver com a gente. A culpa não era de nenhum de nós.

Era como se fossemos as pessoas certas um para o outro, só que no momento errado.

— Você precisa ir agora. – Ele disse baixinho.

Legal. Ele me dá um chute na bunda e agora quer que eu caia fora?

Nossa que cavalheiro!

— Alex – Toquei seu rosto, me aproximando cada vez mais dele e ignorando tudo que aconteceu nos últimos minutos. — Alex...

Ele finalmente olhou para mim e foi quando tentei beija-lo e a princípio ele recusou, tentando me afastar. Mas eu estava convicta do que queria fazer e não ia desistir. Não mesmo. E tentei mais uma vez e foi quando ele cedeu. Não muito. E nossos lábios ficaram grudados um no outro por alguns segundos.

Mas foi só isso.

Um beijinho ridículo e sem graça de despedida.

Sinceramente, eu merecia mais.

— Eu posso esperar por você, Alex. O quanto for preciso!

Eu estava me humilhando tanto tentando fazê-lo mudar de ideia. Isso tudo era tão ridículo, afinal. Terminar assim de uma hora para outra? Só por causa de algumas complicações da vida. Era ridículo! Eu não conseguia aceitar de jeito nenhum.

— Eu não quero que espere.

Olhei seriamente para ele como se perguntasse: Então é isso? Acabou? E como se lesse meus pensamentos, ele assentiu devagar. Respondendo minhas perguntas.

Depois disso ele não teve mais coragem de olhar para mim.

— Você é um fraco, igual ao seu pai. – Soltei essa ao me levantar e limpar as lágrimas com força.

Chega de chorar, Luciana. Chega.

— Eu não podia suportar que você me olhasse com pena! – Ele devolveu com raiva, também se levantando e vindo até mim como um lobo selvagem e faminto.

— Eu não tenho pena de você! – Eu gritei na cara dele, sentindo meus olhos arderem de raiva. — Eu tenho ódio de você! Nojo de você!

Talvez eu tenha pegado pesado, mas ele mereceu. Ah, se mereceu. E pelo menos eu saí de lá me sentindo um pouquinho vitoriosa. Apesar de humilhada.

Quando cheguei em casa eu jurei a mim mesma que não iria chorar, mas eu já deveria saber que na hora em que olhasse para mim, minha mãe perceberia de cara que eu andei chorando por aí.

— Alguma novidade sobre o Alex? – Perguntou ela, esperançosa. Analisando todas as partes do meu rosto.

— Não, mãe. E não teremos tão cedo. Afinal, ele acabou de terminar comigo. – Acabei deixando escapar, quando tudo que eu queria era evitar falar nisso agora.

— Ele terminou com você?

— Terminou. – Senti os lábios tremerem. — E eu ainda nem sei exatamente porque.

Ela me puxou para um abraço.

— Sinto muito, querida. – Disse ela no meu ouvido enquanto passava a mão de leve no meu cabelo. — Deve estar sendo tão difícil para ele lidar com tudo isso. Talvez ele não estivesse raciocinando direito quando resolveu tomar uma decisão como essa.

Subi para o meu quarto com essas palavras na minha cabeça.

Pode ser que minha mãe esteja certa. Talvez ele não estivesse raciocinando direito. Mas não quer dizer que isso lhe dê o direito de me destratar dessa forma. Como se fosse fácil me descartar, assim, de uma hora para outra, como se eu não tivesse tanta significância.

Eu nunca vou entender a cabeça oca do Alexandre.

Nunca vou entender porque de todas as escolhas ele tem, ele prefira me machucar dessa forma.

Notas finais
Eu sei que vocês não esperavam nada disso. Eu ia adiar esse momento para mais tarde. Mas então mudei de ideia, porque a história vai entrar numa nova fase agora. Espero que vocês compreendam. Mas deixem seus comentários! Só não me xinguem.