Tudo de Mim
10 Festinha no apê.
Acabei me saindo melhor do que esperava. Minhas notas finais daquele bimestre não foram tão ruins assim. Uma variação entre 6 a 7,5.
Nada mal, não é mesmo?
Depois de passar a tarde inteira ajudando a mamãe na loja de roupas, peguei o cartão de memória da minha câmera fotográfica e fui em um dos poucos lugares ainda especializados em revelação e impressão de fotos aqui do bairro.
Fiz uma pequena seleção das minhas preferidas e fiquei de pega-las na tarde seguinte por volta de uma da tarde.
Alex foi me buscar de carro numa esquina ali próxima, pois tínhamos combinando de jantar fora. Optamos por uma das pizzarias preferidas dele, onde escolhi quatro pedaços de calabresa – minha favorita – e ele escolheu 4 pedaços de uma mistura de brócolis, palmito e azeitonas.
Eca.
Levamos os poucos pedaços que sobraram para casa e oferecemos aos meus pais que tinham acabado de jantar, mas que aceitaram mesmo assim.
Alex e eu subimos para o meu quarto, onde ouvindo música ficarmos deitados na minha cama trocando beijos e algumas palavras.
Alex foi embora por volta das onze da noite.
~*~
Eu ainda estava bem chateada com o Christian e quando o vi durante o intervalo falando com a Sabrina, uma das garotas mais insuportáveis e metidas de todo o colégio, confesso que fiquei ainda mais decepcionada com a estupides dele.
Arrastei a Fabi pelo braço até onde eles estavam.
— Com licença. – Soltei a Fabi e agarrei a tal Sabrina pelo pulso de um jeito não tão amigável.
Ela me olhou feio como se eu fosse um montinho de lixo no meio de seu caminho.
— Christian, a Fabi tem uma coisa para te falar.
— Tenho? – Fabi perguntou, vermelha feito um pimentão.
— Tem? – Christian quis saber, olhando para ela impressionado.
— Tem, não tem, Fabi? – Dei um leve cutucão nela e lancei em sua direção meu olhar mais duro.
Ela engoliu em seco.
— Tenho. É verdade. – Disse ela, decidida. Encarando a Sabrina que continuava ali sem entender nada.
Sorri grandiosamente.
Como eu amo essa garota pequena e ruiva. E como eu me orgulho dela! Parece que enfim ela tinha levado essa coisa de “ser diferente, ser melhor” a sério. Mesmo que com uma ajudinha minha.
Tá, eu sei que eu disse que ficaria fora dessa história e que não iria mais ajudar em nada, mas, acontece que eu não resisto a um bom melodrama.
Não é como se eu pudesse deixar minha melhor amiga na mão.
Levei a Sabrina para longe dali.
Quando ela enfim se livrou de mim, me encarou com as mãos na cintura.
— Qual é a tua, hein? – Ela balançou seus lindos cabelos claros com mechas loiras.
— Fique longe do Christian. – Dei meu intimado.
— O quê? – Ela riu.
— Isso mesmo que você ouviu, querida. – Encarei-a de volta, muito séria.
— Nem pensar! – E então ela saiu bufando, requebrando seus quadris de maneira exagerada.
Pensei em mandar várias mensagens para a Fabi, perguntando o que rolou entre ela e o Chris no intervalo, mas achei melhor esperar para conversarmos cara-a-cara dali algumas horas.
Não dava para decifrar a expressão do Christian por nada nesse mundo, já que ele fazia a mesma cara de bobo da corte em todas as aulas.
Ao meio-dia Fabi estava me esperando lá fora, na sombra, no mesmo lugar de sempre.
— E aí? – Quase não conseguia me conter.
— A gente conversou. – Ela deu de ombros, muito calmamente.
— Ah, pelo amor de Deus! Isso não é ótimo? A primeira conversa de vocês frente a frente.
— É. – Ela sorriu timidamente.
Queria dar uns tapas nela.
— E ele foi legal com você? Porque se não foi, eu vou acabar com os dentes perfeitos e brancos dele!
Fabi caiu na risada.
— Na verdade, ele foi um fofo.
Ufa, finalmente a reação que eu esperava.
Fabi acabou admitindo que apesar de tudo, todo o nervosismo, ela achou o Christian um pouco estranho, por ele parecer não estar tão à vontade como ele costuma parecer quando estar perto de outras garotas. O que eu achei algo positivo. Isso só poderia dizer que ele levava a Fabi a sério, certo? Ela disse também que eles conversaram sobre coisas bobas: sobre as aulas, os colegas, os professores... O que já era um grande começo, até porque eles não tiveram tanto tempo assim.
— Então você perdeu a vergonha dele? – Perguntei curiosa, estávamos quase chegando em frente de casa.
— Um pouco. – Ela admitiu acanhada. — O sorriso dele é tão mais bonito de perto do que nas fotos! Isso meio que me acalmou, mas ao mesmo tempo me deixou aparadora e ainda mais nervosa. – Ela riu. — Eu sei. É estranho!
— Eu entendo. – Sorri para ela.
E entendia mesmo. Eu sabia o quanto o amor nos deixava pateta e no quanto um sorriso pode mudar tudo, tanto para melhor, quanto para pior.
Fabi preparou uma salada pra gente enquanto eu fritava uns pedaços de filé de frango que a mamãe deixou já temperado dentro da geladeira.
Depois do almoço nós nos acomodamos no tapete da sala e colocamos a mão na massa devido a insistência da Fabi: fizemos todos os deveres de casa. No final da tarde, acompanhei ela até em casa e aproveitei para ir buscar as minhas fotos que eu tinha esquecido completamente.
As nove da noite, logo depois do jantar, subi para o meu quarto. Enquanto elaborava um novo mural de fotos em um dos espaços vazios da minha parede devido a um surto de tive depois de uma briga com o Alex, nós conversamos pelo celular através do viva-voz.
Fui dormir bem tarde aquela noite, mas muito satisfeita com o trabalho final na minha parede.
~*~
Decidi convidar o Chris para tomar sorvete com a gente depois do colégio com a desculpa do calorão. E ele não só aceitou ao convite, como também fez questão de pagar para a gente.
Vários pontos positivos para ele.
Não preciso nem dizer que a Fabi ficou ainda mais encantada, toda sorridente. Qualquer um perceberia que só faltava ela babar em cima do Christian, só ele é tapado o bastante para não perceber uma coisa dessas que está bem na cara dele.
Aproveitei que eles estavam se dando bem mesmo que muito devagar e por diversas vezes me levantei da mesa para ir ao banheiro e deixá-los sozinhos e mais à vontade ou saí pra fora, com a desculpa que precisava ligar para o Alexandre.
Pode até ser coisa da minha cabeça, mas olhando com atenção para o Christian tagarelando sem parar com a Fabi sobre coisas banais, reparei que ele realmente parecia diferente de alguma forma. Um pouco mais contido, talvez. Não sei. Só sei que ele estava agindo de um jeito bem estranho até mesmo para um garoto como ele que costuma ser todo abusado.
E é claro que isso é um bom sinal, certo?
De qualquer forma vou continuar de olho nele.
~*~
Não sei o que estava acontecendo com o Alex já que ele não queria compartilhar comigo, só sei que de uma hora para outra ele ficou super pra baixo. Ele estava tão triste e infeliz, que até me ligou no meio da tarde, me convidado para ir dormir com ele aquela noite, porque ele estava precisando de alguém.
E eu, aceitei, é claro. Não iria deixa-lo sozinho por nada.
Como não tinha muitas opções no armário e nem na geladeira, acabei preparando um miojo para a gente comer no jantar. Enquanto não ficava pronto, tentei anima-lo, mostrando as fotos que eu tinha tirado na minha parede com o celular.
Não fizemos nada de mais aquela noite, além de ver algumas das minhas séries favoritas. Logo depois fomos dormir. Acordei assustada no meio da madrugada. Eram quase três horas. Alex estava chorando muito e soluçando forte. Meu coração parecia que estava sendo exprimido e eu não sabia o que fazer além de abraça-lo.
— Alex, por favor, me conta o que tá acontecendo.
— Não posso. – Ele me apertava forte, enterrando seu rosto molhado na curvatura do meu pescoço. — Apenas fica comigo, Luci. Não me deixa.
Confesso que fiquei bem assustada com tudo isso.
Será que o Alex tinha aprontando alguma coisa muito grave e agora estava com o peso na consciência?
Eu tinha tantas perguntas e nenhuma resposta.
Passei a madrugada inteira em claro, mesmo sabendo que amanhã era sexta-feira e ainda tinha aula, mas eu tinha que dar esse suporte a ele. Precisava tentar acalma-lo de alguma forma e garantir que eu nunca o deixaria por nada no mundo.
As seis e dez da manhã tive que me levantar para tomar um banho e me arrumar para ir ao colégio. Eu pensei seriamente em faltar e ficar ali com ele, mas o Alex já estava muito melhor essa manhã. Nem parecia o bebê chorão de algumas horas atrás. Era como se nada tivesse acontecido ou se ele estivesse fazendo questão de esquecer que por um momento, mesmo que pequeno, ele tinha fraquejado.
Para minha surpresa, ele até preparou um simples café da manhã para a gente e foi na padaria comprar alguns pães e coisas que ele saia que eu gostava.
Cinco para sete quando ele me deixou na frente do colégio, ele me puxou para um abraço e com o rosto a alguns milímetros do meu ele disse baixinho:
— Obrigado por tudo.
Aquelas palavras tão simples fizeram do meu dia algo melhor, apesar de eu estar detonada por não ter dormindo quase nada.
No intervalo, Fabi dividiu comigo seu sanduíche de salame já que eu não trouxe nada e estava sem dinheiro. Na verdade, eu nunca trazia nada. Exceto as vezes em que a mamãe pegava no meu pé e insistia muito.
— Nossa, você está horrível. – Disse ela, analisando-me.
— Obrigada. – Eu sorri, achando graça.
— O que aconteceu? Andou chorando a noite inteira?
Contei a ela então sobre o Alex e acabei chorando sem querer, pois, eu realmente estava abalada com toda essa história. Afinal, dói ver a pessoa que mais amo no mundo sofrendo e não saber o que fazer para ajudar.
— O Alex é um cara bom. Você não tem porque se preocupar. – Fabi pegou um guardanapo limpo e secou minhas lágrimas. — Quando ele se sentir preparado, vai desabafar com você. E como você é ótima como namorada, pessoa e amiga, vai compreender e vai ajuda-lo da melhor forma como puder. Não duvide nunca disso.
Sorri para ela, agradecida pelas palavras de conforto.
— Olá, meninas. – Christian se aproximou todo animado e deu um beijinho na bochecha em nós duas. Senti que ele se demorou mais na Fabi e olhou para ela com um sorriso um tanto quanto estranho, mas quando ele olhou para mim ficou sério de repente. — Você tá chorando, Luci? Quem foi o babaca que machucou você? Porque eu juro que vou arrebentar ele na frente de todo o colégio.
Oh, que bonitinho. Tentando bancar o herói na frente da Fabi.
E com certeza funcionou.
— Chris, você sabe que eu tenho namorado. – Revirei os olhos. — Então.... Não. Nenhum outro babaca seria capaz de me fazer chorar. Somente o meu namorado, o que não é o caso. Não se preocupe. Eu só estou.... Sensível. Coisa de mulher.
— Ah, então se é assim... Tudo bem. – Ele voltou a sorrir, despreocupado. — Mas se caso algum dia acontecer e aquele seu namorado resolver bancar o idiota, você pode me procurar para fazer o trabalho sujo por você, ta bom?
Fabi e eu rimos muito.
— Pode deixar. Não vou esquecer.
— Bom... Hum... – Ele tinha uma coisa para dizer, era notável. Mas ele estava nervoso. Tanto é que colocou as mãos dentro do bolso na calça e se remexeu, desconfortável com a situação. — Fabi... Será que eu... Hum.... Posso falar com você? – Ele olhou rapidamente para mim. — É rapidinho. Eu prometo.
Fiz um gesto com as mãos e me levantei.
— Ah, que nada. Pode demorar o quando quiser. – Dei uma piscadinha para a Fabi. — Eu preciso mesmo ir no banheiro jogar uma água gelada nessa cara amassada.
E lá fui eu, curiosa da vida para saber o que tanto ele tinha para falar com a minha amiga.
Durante a auça de Português, Fabi me mandou uma mensagem.
“OMG! Você não vai acreditar, amiga. O Chris meio que me convidou para sair. Mas meio que ele não tinha nenhuma ideia em mente. E agora? O que faço? ”
Olhei rapidamente na direção do Christian, do outro lado da sala, e mal consegui acreditar que ele era capaz de algo assim. Convidar a Fabi para sair? Que incrível! Será que ele está mesmo a fim dela? Mas.... Caramba! Como assim ele não tinha nenhuma ideia em mente? Poxa, Chris, assim você me decepciona, amigão.
“Não sei. Mas vou pensar em algo. Prometo!”
A resposta para as minhas preces veio muito rapidamente. No caminho para casa, depois da aula, Alex me ligou. Quando vi o nome dele na tela do celular eu fiquei apavorada, pensando que algo de muito ruim tinha acontecido. Mas não era nada disso. Ele só me ligou para dizer que tinha planos para amanhã à noite.
Fui então direto para a casa da Fabi. Onde sua mãe foi muito amigável comigo, diferentemente da última vez e nos preparou um almoço dos deuses.
— Preciso te contar uma coisa. – Falei baixinho, aproveitando que sua mãe tinha nos deixado sozinha na mesa por um rápido momento.
Fabi assentiu, entendendo o recado.
Depois do almoço subimos para o seu quarto, todo cor de rosa e infantil, uma graça, e nos sentamos em sua cama cheia de bichinhos de pelúcia.
— Vai, me conta! O que houve? – Perguntou ela.
Falávamos baixinho, pois sua mãe não podia nem imaginar que estávamos falando de garotos e festas de baixo do seu teto.
Eu já disse que os pais da Fabi são muito caretas? Eles ainda têm a inocência de acreditar que a filhinha preciosa deles nunca, jamais, irá beijar um garoto na boca. O que de fato ainda não aconteceu. Mas vai acontecer. Sinto que em breve.
— Alex vai dar uma festinha no apê dele amanhã à noite. Não é nada de mais. Apenas uma social com os amigos. E aí eu pensei de você convidar o Chris para te acompanhar.
— Mas, Luci...
— Tá, eu sei. Seus pais jamais iriam concordar com isso. Mas eu já disse: eles não precisam saber. Você pode dizer que vai dormir lá em casa e meus pais serão nossos cumplices e confirmaram a história prontamente. É um plano infalível!
Fabi pensou.
— Amiga, é a sua chance. Você finalmente vai ter o Chris só para você. Sem os amigos dele ou aquelas piranhas do colégio por perto. Pensa só em tudo que pode acontecer em uma única noite.
Fabi continuou pensando.
— É só uma mentirinha à toa...
— É, você tem razão. É a minha oportunidade! Eu tenho todas as cartas nas mãos, basta eu saber usa-las. Ta bom! Primeiro vou ligar para o Chris e saber o que ele acha. E se ele topar, eu falo com os meus pais e aí eu te ligo com a resposta.
— Maravilha!
Fui para casa logo depois.
~*~
Estava tomando meu café da manhã bem tranquilamente na manhã seguinte, quando pensei que seria uma boa ligar para o Alexandre e perguntar se ele precisava de alguma ajudinha para organizar e preparar a festinha de hoje à noite.
— Não, meu amor. Obrigado mesmo assim. Mas dessa vez vou tentar fazer tudo sozinho, se você não se importar. Nos vemos mais tarde, ta bom? Estou ansioso para te ver. – Ele se despediu e desligou.
Pensei então em passar a manhã toda vendo desenhos animados na TV com meus pais. Sim, eu ainda vejo desenhos animados. Desses bem bobos mesmo. Eu e meus pais nos divertirmos à beça quando optamos por essa simples programação. Mas acabou não rolando. O papai tinha que sair para resolver uns problemas com o carro e a mamãe estava louca para começar uma faxina. A minha sorte é que a Fabi chegou bem na hora e parecia precisar muito da minha ajuda.
— Mãe, me desculpe. Não vou poder te ajudar hoje. Mas prometo que dá próxima vez vou compensar. Ah, e meu quarto já está arrumando.
Peguei meu celular, uma bolsinha pequena com a minha carteira e documentos e sai correndo com a Fabi antes que minha mãe mudasse pirar na minha.
— Sabe, você nem tirou a blusa do pijama. – Fabi observou com o canto dos olhos e deu uma risada alta.
Olhei para baixo no mesmo instante.
É verdade! Eu saí de casa tão avoada que só deu tempo de tirar o shortinho de dormir e colocar a primeira calça jeans que encontrei pela frente. Mas não deu tempo de trocar a blusinha. Por sorte eu sempre durmo com um top desses de ginástica por baixo das minhas blusinhas quase transparentes do pijama. Então estava tudo certo.
— Para onde nós vamos? – Perguntei, animada.
O dia estava muito bonito. Sem sol. Porém um céu azul divino.
— Para o shopping.
— O quê? Não!
— Luci, eu preciso de um vestido para a festa de hoje!
— Mas Fabi, olha só o meu estado!
— E desde quando você se importa?
Realmente não me importo com muitas coisas nessa vida. Principalmente o que vão pensar ou dizer sobre mim. Até porque a vida é minha e eu faço o que bem entender dela e ninguém tem nada a ver com isso. Mas ir ao shopping de chinelo e uma blusinha velha de pijama, o cabelo sem pentear e olhos inchados de tanto dormir me parece um pouco demais.
Lá fomos nós. Fabi passou mais de duas horas pra escolher o vestido dos olhos, quando ela enfim se decidiu fiz ela me pagar o maior lanche do Mc Donald’s só para compensar toda a paciência que eu tive com ela. Ah, e de sobremesa uma casquinha de baunilha, minha favorita.
— Sair com você é o maior prejuízo. – Ela riu quando entramos no ônibus para voltar para casa.
Chegamos o céu já estava quase escurecendo e pelo jeito a noite ia ser bem fresquinha. Fabi aproveitou para ligar para os pais e dizer que ia dormir ali essa noite, o que em parte era verdade. Eles só não sabiam da festa, mas acabaram permitindo mesmo assim, porque pedi a mamãe para contar uma pequena mentirinha por nós.
— Eu não gosto de mentir, Docinho. Você sabe. Os pais da Fabi já me acham uma maluca. Eles vão querer me matar quando descobrirem a verdade.
— Mãe, eles não vão descobrir a verdade. Tipo, nunca. E olhe pelo lado positivo. Tudo isso é pelo bem da Fabi. Pois finalmente ela vai ter um tempo com o amor de sua vida. – Nesse momento os olhos da mamãe brilharam. Ela não resiste a uma boa e velha história de amor. — Sem contar que você é a melhor mãe do mundo!
Eu a abracei, e ela ficou toda emocionada.
— Eu concordo. – Disse a Fabi.
Mamãe a puxou para um abraço triplo.
Passamos o resto do tempo lá em cima, do meu quarto, nos arrumando para a festa. Fabi estava uma pilha de nervos. Se olhando o tempo todo no espelho só pra ter certeza de que estava tudo em perfeita ordem. Do jeito que ela planejou.
— Não pira, ta? Você está mais linda do que o normal.
E estava mesmo. Fabi comprou para a aquela noite um vestidinho de boneca, todo floral, em tons de verde e rosa. O vestido foi simplesmente feito para ela e ninguém mais. Para os pés ela escolheu uma das minhas sapatilhas que eu raramente uso e ela mesma se maquiou de uma forma muito natural, mais muito iluminada.
e Seus cabelos ruivos e rebeldes ela pensou em prender num coque comportado, mas eu não deixei, porque eles eram muito mais bonitos soltos e livres.
— Você também está linda.
Ai que exagero!
Eu só meio que resolvi caprichar dessa vez para surpreender o meu namorado. Que mal isso tem? Bom, nenhum. Então eu finalmente resolvi usar uma sainha preta alta e soltinha que a mamãe me deu no meu aniversário no ano passado e eu nunca usei por não ser muito fã de saias. A blusinha é simples, fininhas e de mangas longas na cor cinza. E para os pés.... Pasmem! Meu All Star vermelho.
Afinal, ainda sou eu... A Luciana. O que vocês esperavam?
Já eram quase oito horas quando pedi para o papai levar a gente até o apartamento do Alex.
— Se cuidem, minhas meninas. Liguem se precisarem de uma carona de volta para casa. Ou se ficarem muito chapadas, durma por aí mesmo.
Fabi ficou de boca aberta com o que o meu pai disse. E eu, é claro, dei muita risada. Meu pai é assim mesmo. Brincalhão e meio sem noção. Mas muito amorzinho.
Fabi agarrou a minha mão enquanto subíamos as escadas até o apê do Alex.
Ela estava tremendo dos pés à cabeça.
— E o Christian? – Resolvi perguntar, só para apavora-la um pouquinho mais.
— Ele chega mais tarde. A gente combinou assim. Eu passei o endereço a ele por mensagem. Espero que ele venha, porque se ele não vier...
— Ele vai vir.
Entramos então de uma vez por todas.
Lá dentro já estava cheio de gente bebendo e conversando. A maioria conhecida para mim. Saí apresentando uma Fabiana tímida para todo mundo, só para deixa-la um pouco mais encorajada e confiante. Estavam todos impressionados com sua beleza, o que eu acho que a ajudou a ficar um pouquinho mais segura de si.
— O Chris chega daqui a pouco. – Ela olhou no relógio do celular. — Vou no banheiro retocar o batom. Eu já volto. Por favor, não suma por aí.
Como ela já veio aqui um milhão de vezes, sabia exatamente onde era o banheiro. Então eu não me preocupei em leva-la até lá.
Finalmente avistei o Alex no meio de um grupinho no chão da sala, onde alguns rapazes tocavam violão e cantarolaram. Ele estava lindo como sempre. Usava jeans preto e uma camisa jeans com as mangas dobradas até o cotovelo.
Tentei chama-lo, mas como o bagulho estava muito alto não tive certeza se ele realmente me escutou. Mas então ele ergueu o olhar na minha direção e... Travou. Ele simplesmente ficou paralisado de uma hora para outra com os olhos em mim.
— Alex? Tá tudo bem? – Me aproximei dele e perguntei, preocupada.
Ao ouvir a minha voz ele pareceu retornar ao planeta Terra de sua viagem pelo espaço.
— Nossa. – Ele se levantou e me olhou de cima a baixo. — Você está um arraso, Luci.
Ah, meu Deus! Então era isso? Ele estava impressionado com a minha produção para essa noite? Que bom que ele notou!
— Obriga...
Não tive tempo de completar meu agradecido, pois ele me puxou pela cintura, me fazendo tropeçar em meus próprios pés e me tascou um beijão.
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