Tudo de Mim

11 Coisas estranhas estão acontecendo.


Notas iniciais
Oi, gente. Bom, já vou avisando que provavelmente só terá esse capítulo essa semana, pois justamente nessa semana acontecerão as entregas das primeiras avaliações de algumas matérias na faculdade e eu meio que estou ferrada. Então, me desculpem.

Para a minha surpresa total, Alex me puxou até o seu quarto, onde ele expulsou um pessoal que estava se agarrando em cima de sua cama e logo após a saída deles, ele fechou a porta e me pressionou contra ela, com os lábios colados aos meus.

— Alex, você ficou.... Doido? – Perguntei brincalhona.

Apesar de amar esse jeito dele, tinha uma festa acontecendo atrás daquelas paredes e casa estava cheia de gente.

— Ué, qual é o problema? Eu não posso querer passar um tempo a sós com a minha namorada? – Perguntei com um sorriso provocante.

— Pode... É só que... Sei lá.

— Não precisa pensar muito, Luci. Eu só estava com saudade. Precisava muito de ver logo. Pois cada dia que passo longe de você é uma tortura para mim. – Ele levou a mão até o meu rosto e passou os dedos de leve na minha bochecha. — Eu te amo cada vez mais e as vezes sinto que esse sentimento vai explodir dentro de mim.

Eu disse que o nosso relacionamento era... Complicado.

Em um dia estamos nos matando de ódio, no outro nos matando de amor.

Demos uns amassos por ali mesmo, sem ninguém por perto para atrapalhar e só quando as coisas começaram a ficar quentes demais eu resolvi me afastar.

— Alex... Precisamos voltar.

— É. Precisamos.

Ele me deu um rápido e ultimo beijo.

Saímos então do quarto, no exato momento em que o Xavier, o artista, chegou com várias caixas com comida japonesa para distribuir para a galera faminta.

Eu fazia parte dessa galera que atacou a comida em dois segundos.

Alex estava ao meu lado, com a mão na minha cintura, conversando com dois caras desconhecidos que tinham acabado de chegar e eu estava terminando de comer quando vi a Fabi de longe. Putz! Eu tinha esquecido completamente dela. Não fiz por mal. É só que ela nunca sai comigo, eu estou meio desacostumada com sua presença nesse tipo de ambiente. Mas pelo que estou vendo, ela está muito bem acompanhada. Parece que enquanto Alex e e eu estivemos ocupados no quarto dele, o Christian finalmente resolveu dar as caras por aqui e lá está ele, com a Fabi.

Os dois estão conversando em um canto afastado da sala. O papo parece muito interessante. Fabi não tira os olhos do Christian e ele parece estar fazendo de tudo para impressiona-la cada vez mais, o que me deixa muito empolgada. Pois a noite mal começou e eu já tenho grandes esperanças de que algumas coisas aconteçam enfim.

— Você convidou aquele garoto? – Alex pergunta com a boca bem próxima do meu ouvido para eu consiga ouvi-lo, já que o barulho em volta está intenso.

— Eu não. – Viro-me para ele com um sorrisinho. — Mas a Fabi sim. Alex, eu já te disse: ela é louca por ele. Vê se não estraga as coisas, ta bom? É pela Fabi.

Ele faz uma careta.

— Eu não vou estragar nada, desde que a boca dele fique longe da sua.

Então ele se afasta.

Vou até a cozinha pegar uma bebida para tirar a secura da minha garganta.

— Luciana, você tá uma gata hoje. – Provoca o Christian, surgindo de repente ao meu lado para pegar duas bebidas

— Posso saber para quem é essa bebida? – Pergunto, duvidosa.

— Pra Fabi, ué. Para quem mais seria?

— Por acaso você está tentando embebedar a minha amiga para se aproveitar dela?

— Meu Deus! – Ele parece bem ofendido. — É claro que não! Ela pediu para eu vir aqui buscar uma bebida para a gente.

— Acho bom mesmo, porque se eu souber ou suspeitar que você está se aproveitando da minha melhor amiga eu corto sua cabeça fora.

Ele ri.

— Recado anotado. – E então saí com as duas bebidas em mãos.

Resolvo dar um tempo ao Alexandre, porque pode ser que ele esteja um pouquinho chateado com a presença do Christian aqui essa noite. Mas sei que ele logo vai superar assim que ver com os próprios olhos que o Chris e Fabi foram feitos um para o outro. Permaneço ali, encostada em uma parede, com a minha bebida em mãos, observando o grande movimento a minha volta e de vez em outro, olho para os pombinhos, só para ter certeza de que está tudo se encaminhando para o lado certo.

Me parece que sim, viu?

Flagrei o Christian duas vezes colocando uma mecha do cabelo ruivo e rebelde da Fabi para traz orelha. E flagrei ela, inúmeras vezes, sorrindo daquele jeito todo sem graça e ao mesmo tempo sexy e fofo que quase nenhum garoto resiste.

Fico paralisada quando sinto algo gelado escorrer por minhas pernas. Eu não mijei na roupa, tenho certeza disso. Então, alguém com certeza acaba de derrubar alguma bebida em mim.

— Opa, foi mal.

Não! Não posso acreditar.

Thalita.

A odiaria derrubou bebida em mim de propósito! Só pode ser. Quero agarrar ela pelos cabelos na frente de todo mundo e fazer ela passar a maior vergonha de sua vida. Mas tudo que faço é suspirar fundo e sorrir, mesmo que de um jeito forçado.

— Foi mal. Sério.

Ela troca um olhar cúmplice com sua colega/amiga, que é nada mais nada menos que a vizinha oferecida do Alex e as duas dão risadinhas antes de cair fora.

E não é que as vacas rapidamente identificam umas as outras?

Vou até o banheiro, que graças aos céus está desocupado, e tento tirar o cheiro horrível de bebida alcoólica da minha perna antes que eu faça uma besteira.

— Aconteceu alguma coisa? – Alex me flagra por ali e entra.

— Sim. Aconteceu! – Viro-me bruscamente para ele. Ficamos frente a frente. E é a minha vez de ficar furiosa. — Quem foi que convidou aquelas vagabundas?

— Peraí... Do que você está falando, Luciana?

— Thalita e aquela sua vizinha... Gostosona. Não acredito, Alex. Não posso acreditar que você seria capaz de algo assim. Você quer brigar, é isso?

Ele me olha atentamente, muito confuso.

— Mas eu não...

— Ah, cala a boca. Sem esse papo furado, por favor.

Lavei as mãos e tento sair dali o quanto antes, mas ele acabou me impedindo, segurando-me pelo braço.

— Luci, eu não as convidei. Acredita em mim! Eu não faria algo que eu sei que te deixaria furiosa. Ainda mais agora que estamos tão bem. – A franqueza em seus olhos verdes faz com que eu acredite nele, mesmo que isso me torne uma idiota. — Você quer que eu mande elas irem embora?

Nossa, isso seria incrível. Mas...

— Não. Tudo bem. Elas podem ficar.

E saber porque? Porque eu faço questão de esfregar na cara dessas putas que esse homem aqui, parado na minha frente com essa cara fofa de cachorrinho, me pertence.

Já dá para imaginar que eu não larguei o Alex por nada durante as próximas horas e ele não pareceu nem um pouco incomodado com isso. Na verdade, a gente se divertiu muito. Conversamos, dançamos, nos beijamos, rimos e tudo que temos direito. E confesso que o gostinho da vitória é muito prazeroso. Todas as vezes em que arrisquei em olhar na direção das duas inconvenientes, vi que elas pareciam muito incomodadas com tudo que eu estava fazendo para provoca-las.

Mas isso não foi única coisa que me incomodou não. O que mais me incomodou realmente foi o fato das duas rapidamente terem se tonado tão amiguinhas. Sendo que provavelmente era a primeira vez que se viam na vida. E como se isso não bastasse, as duas além de estarem de olho no meu macho, também estava fazendo a alegria da rapaziada de plantão, com danças e poses provocantes.

— Será que eu posso roubar a sua namorada um instantinho? – Voltei minha atenção total para um Christian desesperado, parado na minha frente, falando com o Alex.

— Sim, pode. Mas mantenha sua boca bem longe da dela, por favor.

Após o consentimento do Alex. Christian me levou para bem longe dali. Ou mais precisamente: para o lado de fora do apê para termos uma conversa séria.

— Cadê a Fabi? Você a abandonou?

— Não. Quer dizer... Só por alguns segundos. Ela foi no banheiro.

— Ah... Mas então qual é a dessa tua cara de pavor?

— É o seguinte, Luci... Só não deboche de mim, por favor. Eu só te chamei até aqui, porque estou realmente desesperado. Então, sem risadinhas.

— Tá, Tá. Fala logo, criatura!

— Digamos que eu esteja gostando da Fabi. De um jeito muito diferente e até mesmo assustador. Um jeito que eu nunca gostei antes de nenhuma garota.

MEU DEUS DO CÉU.

Isso está mesmo acontecendo?

— Então qual é problema, amigo?

— O problema é que eu me sinto um idiota. Um completo idiota. Eu não sei o que pensar, o que dizer ou como agir. Um inútil total. E eu não era assim! Você sabe, não sabe? Eu costumo ser... Sei lá... Mais solto, mais divertido, mais confiante...

— Então o que você quer me dizer é que ela te... Assusta?

Que papo mais estranho!

— Não! Não é isso. Não é ela que me assusta. Ela é um doce de pessoa. Nem sei como nunca reparei nela antes. Deve ser porque, talvez, eu estivesse muito ocupado com coisas mais fáceis de lidar, entende? Mas enfim. O que me assusta de verdade são os meus sentimentos por ela. Cara, é sério. Nunca senti nada igual.

— Mas, Christian, isso é ótimo. Não estou entendendo...

— Eu tô com medo, Luci. É isso. Eu tô com medo de estragar tudo e fazer tudo errado. Eu quero que seja especial. Pra mim e pra ela. Mais por ela, é claro. A Fabi é maravilhosa, ela merece o melhor. Mas eu não sei se posso ser isso pra ela...

— Você tá doido? É claro que você pode! Você é um cara bacana, Chris.

— Mas e se não for o bastante? E se eu a machuca-la? E se eu acabar decepcionando ela? Eu não sou de me preocupar com essas coisas. Eu realmente nunca me importo com nada disso. É só que... Isso é tão novo e tudo tão apavorador.

Bom, agora sim eu estou entendendo tudo.

Ele está apaixonado. E nunca esteve apaixonada antes. E está tentando lidar com isso pela primeira vez. O que pra muitos, principalmente para um cara com ele, que está acostumado com coisas tão diferentes, digamos assim, que mais... Fáceis.... Pode ser mesmo um pouco assustador toda essa coisa.

Eu entendo o lado dele.

— Christian, você vai ter que arriscar. Não tem escapatórias. Apenas arrisque e logo saberá o que fazer em seguida. A Fabi é maravilhosa, disso você já sabe. Então você precisa saber também que ela é muito compreensiva e paciente. Ela sempre vai enxergar o seu lado, as dificuldades e vai te dar forças. Apenas se esforce e tente não machuca-la por nada nesse mundo. Ela é minha amiga. Eu a conheço bem. Ela é frágil e sensível. Mas se você fizer tudo direitinho, vai dá tudo certo. Acredite em mim.

Então eu a o abraço, só para enfatizar ainda mais.

— O.K. – Ele suspira e volta a sorrir daquele jeito dele. — Acho que entendi. Melhor então eu voltar lá para dentro e não deixá-la sozinha perto desses predadores.

Acabo dando risada.

Não sabia que ele tinha esse lado... Preocupado e atencioso e até mesmo romântico. Vai. Vamos dar um desconto para ele. Ele é um iniciante no assunto.

Christian e eu entramos juntos no apê. Ele foi de encontro a Fabi e eu fui de encontro a cozinha. Na esperança de que tivesse sobrado algo para eu comer.

Não é que eu coma muito, é só que já é mais de meia-noite. Fazia um bom tempinho que eu tinha comida pela última vez e bebidas não sustentam nada.

— Tem alguma coisa errada. – Fabi surgiu ao meu lado. De repente todo mundo resolveu surgir inesperadamente ao meu lado. Como fantasmas.

Será que não posso ficar um minuto em paz e comer as sobras a vontade?

— Porque?

— Ele ainda não me beijou. Acho que não quer me beijar! – Assim como o Chris alguns minutos atrás, Fabi também parecia bem aflita e desesperada. — Acho que ele não gosta de mim. O que eu faço? – Por um rápido momento ela desviou os olhos claros e suplicantes de mim e viu uma garrafa e resolveu virar todo o restinho do liquido que tinha nela garganta a baixo.

Ela nem fez careta! Que surreal.

— Calma, amiga. Calma. Já parou para pensar que talvez – tirei a garrafa vazia das mãos dela e coloquei de volta em cima da pia. — ele esteja esperando o momento certo? Para que seja especial? Isso é bom, não é? Porque se fosse outra no seu lugar, em outra ocasião, ele já teria beijado e feito sei lá mais o que só por fazer. Entende?

Ela assentiu, rapidamente.

— É, pode ser.

— Então volta pra lá e não desgruda do lado dele, porque tá cheia de aproveitadoras aqui essa noite, loucas para dar o bote no primeiro que passar.

Isso foi o bastante para ela sair correndo feito uma maluca.

O que o álcool não faz, não é mesmo?

Já tinha satisfeito meu desejo descontrolado de comer uma besteirinha, agora eu só preciso de um bom lugar para sentar e descansar as pernas por uns rápidos instante. E nada melhor que a cama do Alex para isso. Já que tenho esse privilégio.

Não encontrei o quarto vazio como era de se esperar. Alex estava lá dentro. Pela pequena abertura da porta dava pra ouvir a voz dele. Mas ele não estava sozinho. Tentei ver melhor e... Um tapa na cara! Lá estava a vaca da Thalita se jogando para cima do meu namorado. E pior: eles estavam sozinhos. Na hora, a raiva subiu.

Antes de fazer um barraco, resolvi ficar ali, escondida, e escutar o que eles estavam conversando que parecia tão secreto. Não dava pra ouvir muito bem. Mas tudo que consegui ouvi foi o bastante para mim.

— Eu tô com a Luciana, Thalita. Você ainda não se ligou? Eu a amo mais que qualquer coisa nesse mundo. – Ele dá uma pequena pausa. — O que aconteceu aquele dia entre nós foi um erro. Eu e a Luci tínhamos brigado, terminado e eu não estava pensando muito bem. Um erro. Um erro que não quero cometer de novo. Então, por favor, se retire do meu quarto ou serei obrigado a te enxotar do meu apê.

Ela foi insistente e continuou tentando convence-lo do contrário, mas apenas com um gesto um tanto quanto grosseiro, Alex a empurrou para longe dele.

Foi o bastante para magoa-la e quando percebi que ela estava finalmente de saída, eu me escondi, para ela não ver que eu estava observando tudo escondida.

Entrei alguns minutos depois no quarto e fechei a porta.

— Ah, você voltou. – Alex passou a mãos pelos cachos como se estivesse muito tenso, mas logo voltou a sorrir para mim. — E o que aquele idiota queria, afinal?

— Não era nada de mais. – Me aproximei dele e o enlacei com meus braços em seu pescoço. — Ele só precisava de umas dicas para se dar bem com a Fabi.

— Sabe – Ele me deu um beijinho delicado na ponta do meu nariz, com as mãos firmes em minha cintura. — Eu acho muito bonito como você se preocupa com a Fabiana e o jeito com vocês se lidam. A amizade de vocês é muito bonita!

— É, ela é muito especial para mim. Quase como uma irmã caçula. – Deitei minha cabeça em seu peito. — Tem uma coisa que eu preciso te dizer.

— Pode falar.

— Eu acabei ouvindo a conversa que você teve com a Thalita agora a pouco e confesso que.... Estou muito orgulhosa de você. Adorei tudo que você disse...

— Não foi muito difícil dizer aquelas coisas. – Ergui minha cabeça para olha-lo novamente dentro dos olhos. — Pois eram verdade. Principalmente a parte em que eu disse que te amava mais que qualquer outra coisa no mundo.

— Essa foi minha parte favorita. – Sorrio.

— Essa é minha parte favorita. – Ele me rouba um beijo. — Minha parte favorita do dia é quando enfim te tenho nos meus braços e posso te amar infinitamente mais, sem me preocupar com mais nada além de você, de nós.

~*~

A festinha terminou por volta das duas horas até porque estávamos num prédio privado, com outros moradores que não tinham nada a ver com isso. Não poderia ter durado mais por conta disso. O que eu achei bom. Pois já estava mesmo muito cansada e eu só pensava em dormir por longas horas.

Fabi e Chris acabaram ficando pra nos ajudar com a bagunça, mas como já era muito tarde eu achei melhor deixar para depois de dormirmos um pouco.

— Vocês podem dormir aqui, que tal? – Sugeri.

— Para mim tudo bem. – Disse Fabi olhando esperançosa para o Chris.

— Pra mim também. – Ele sorriu para ela.

— Seus pais não se importariam, Christian? — Perguntei.

— Meus pais não se importam com muitas coisas.

Alex e eu então ajeitamos tudo por ali para nossos dois hospedes.

— Vamos fazer assim: vocês meninas dormem no meu quarto, na minha cama, que é mais confortável. É nós ficarmos por aqui, pela sala mesma.

Fabi soltou um muxoxo.

— Acho melhor assim: Alex e eu ficamos com a sala e vocês dois com o quarto, pode ser?

Fabi na hora se alegrou.

Alex me olhou feio.

— Relaxe. — Sussurrei pra ele.

E foi assim que pela primeira vez na vida minha amiga dividiu uma cama com um garoto.

Fui a primeira a acordar na manhã seguinte, por volta das onze e quarenta da manhã. Usei o banheiro e depois, mesmo relutante, tive que ir até o quarto pegar um chinelo que eu sempre deixava ali de reserva, jogado de baixo da cama do Alex.

Fabi e Chris ainda estavam dormindo profundamente. Mas só isso que aconteceu. Eles dormiram. E com as mãos dadas. Isso não é totalmente fofo?

Acordei o Alex logo depois e nós saímos para comprar algo para a gente servir de café-da-manhã. Quando voltamos, Fabi e Chris tinham enfim acordado e tinham arrumado e limpado algumas coisas por ali.

Depois de comer, nós terminamos a faxina.

Christian fez questão de levar a Fabi para casa. Mesmo que ele não tivesse um carro ou nada parecido e mesmo que de jeito nenhuma ela permitisse que ele fosse visto com ela na frente de sua casa correndo o perigo de seus pais os flagrarem.

Alex e eu fomos buscar o Luiz para passarmos o dia juntos, como ele tinha prometido a algum tempo.

— Deixa que eu vou lá chamar ele. – Digo, já abrindo a porta do carro assim que paramos na frente de sua antiga casa. E que casa!

— Não! – Alex segurou meu braço. — Eu vou. Fique aí. Não demoro.

Estranho... Mas tudo bem.

Luiz me cumprimentou com um sorrisinho amigável e após se acomodar no banco de trás do carro e colocar o cinto, ele se inclinou na minha direção.

— Tenho uma coisa para você. – Ele me estendeu um embrulho.

— E o que é? Uma bomba para explodir na minha cara?

Todos demos risadas.

— Não, boba. Abra e vai ver.

Era uma rosquinha com cobertura de glacê cor-de-rosa, enfeitada de granulado de chocolate.

Um amor e parecia uma delícia.

— Acho que eu meio que fiquei te devendo uma rosquinha depois da nossa última troca de mensagens. – Explicou ele.

— É verdade. – Eu ri, achando graça por ele se lembrar. — Obrigada.

Comi toda a minha rosquinha e não ofereci a ninguém.

Decidimos ir ao cinema. Luiz escolheu o filme da vez. Um de terror, que sinceramente, me deixou morta de medo. Eu sou muito cagona para esse tipo de coisa. Mas o Alex parece adorar tanto quanto seu irmão mais novo.

Já era muito tarde quando conseguimos convencer o Alex a nos levar para jantar em um fast food onde Luiz e eu dividimos uma balde de frango e uma Coca-Cola grande e o Alex ficou só com uma saladinha sem graça e um suco de uva.

Não sei bem o que deu em mim, mas me despedir do Luiz foi bem difícil aquela noite. Acho que foi porque também vi um resquício de tristeza e arrependimento no olhar do Alex enquanto levava o irmão caçula até em casa e me fez ficar ali no carro, esperando, porque ele não ia se demorar.

O que estava acontecendo, afinal?

Porque toda aquela tristeza?

Porque eu não podia entrar?

Quando enfim criei coragem de abordar o Alex sobre o assunto e todas as minhas dúvidas, ele foi curto e grosso, como já era de se esperar.

— Sem discussões no carro.

Notas finais
Não esqueçam de comentar e até o próximo capítulo.