Tudo de Mim

24 Festa na fogueira.


Quando o Lorenzo me procurou para contar que Camile e os outros tinham ligado nos convidando para uma festinha no sábado à noite foi como se um presente tivesse caído do céu. Pois até então eu não tinha muitos planos. E não queria ficar só em casa com os meus pais vendo uns filminhos enquanto o resto do mundo parecia se divertir lá fora. Então, é claro, eu aceitei o convite.

— Você já falou com a sua mãe? – Perguntei a Fabi pela milésima vez.

Sentia que ela estava me enrolando.

— Ainda não...

— Será que eu que vou ter que ir falar com ela?

— Não! Eu posso fazer isso.

— Então faça logo! Pois a festinha é amanhã.

Antes de convidar a Fabi e o Chris para irem com a gente consultei o Lorenzo para saber qual era a opinião dele quanto a isso.

— Acho que vai ser muito bom sairmos todos juntos. – Ele sorriu, animado.

— Eu também acho. – Sorri de volta, maravilhada por ele tenha gostado da ideia.

Eu sabia muito bem porque a Fabi ainda não tinha falado com a mãe dela: medo. Muita coisa tinha evoluído entre ela e os pais desde que eles aceitaram seu namoro com o Christian. Mas era como se ela não quisesse abusar muito por medo de eles se chatearem e a proibirem de ficar com ele.

Coisa que eu não permitiria de jeito nenhum.

Ainda mais depois da conversinha que tive com sua mãe.

— Prometo que vou falar com ela hoje mesmo.

— Assim espero.

Eu estava mais animada que o normal. Nós quatro íamos nos divertir muito junto dos outros, os amigos do Lorenzo. A Fabi ia amar conhece-los. E eu também queria que ela saísse mais. Curtisse mais a vida e aproveitasse os momentos. E não ficasse só com o Christian enfurnada na bolha de amor deles o tempo todo.

Sabia que no fundo ela ansiava por isso também.

— Docinho! Seu celular está tocando! – Mamãe gritou lá de baixo e eu desci correndo feito uma maluca.

Eu tinha esquecido o celular próximo a fruteira.

— Oi. – Atendi, meio ofegante. Imaginando o que de tão importante a Fabi tinha para me dizer a essa hora da noite depois de um longo dia de espera.

— Você não vai acreditar!

Fechei os olhos com força, torcendo mentalmente para que fosse boas notícias.

— Fala logo, criatura!

— Ela deixou. – Senti que ela sorria de orelha a orelha. — Mas...

— Mas o quê?

— Ela vai ligar o tempo todo para saber como eu estou.

— Ah, sem problemas. Parece um pequeno preço a se pagar para você finalmente ter sua primeira noite fora de casa sem precisar mentir.

— É verdade.

Conversamos por algum tempo, fazendo planos para amanhã à noite. Eu meio que a deixei mais ansiosa do que ela já estava. Assim como a mim também. Depois que subi para o meu quarto, rapidamente digitei uma mensagem para o Lorenzo:

“Ela vai. Eles vão!”

Não demorou nem dois segundos para ele responder de volta:

“Ótimo! Vamos busca-las as sete. Estejam prontas. ”

Infelizmente eu não tinha tantas roupas bonitas de frio. Na verdade, eu não tinha nenhuma roupa bonita de frio. Então tive que optar pelas únicas coisas que eu tinha a minha disposição: jeans, moletom, All Star e uma touca. Não passei quase nada de maquiagem, apenas algumas camadas de máscara de cílios e um batom escuro.

Fabi apareceu pronta na minha casa por volta das seis e meia.

Ela estava radiante de tão bonita. Usando um sobretudo azul que realçava seus cabelos ruivos e rebeldes, meia-calça escura e botas de cano alto. Ela também caprichou no delineador destacando assim os olhos claros e nos lábios um batom cor-de-rosa.

— Uau! O Christian que se cuide. – Brinquei.

— Não seja boba. – Ela riu, timidamente.

— Fabi! – Mamãe surgiu de repente. — Você parece uma bonequinha.

Mamãe ficou olhando pra Fabi por alguns segundos até começar a chorar do nada.

— Mãe! – Fui até ela, preocupada. — Porque você está chorando?

Fabi veio até nós, assustada.

— Eu fiz alguma coisa de errado? – Perguntou ela.

— Não, queridas. Está tudo bem. – Mamãe limpou as lágrimas e abriu um sorrisinho. — É só a gravidez que tem que me deixado extremamente emotiva.

Ouvimos então o som de uma buzina.

— São os rapazes! – Anunciou meu pai, da sala.

Nos despedimos da mamãe e saímos.

— Olá, meninos. – Assim que me aproximei do carro, Christian desceu e se mudou para o banco de trás para ficar com a Fabi, deixando assim o banco da frente vago para mim.

Pensei em dizer que isso era uma bobagem e totalmente desnecessário, mas optei por ficar calada e apenas entrar para irmos logo.

O resto do pessoal: Camile, Malena, Paulo e Túlio estavam nos esperando no estacionamento do lugar. Nos cumprimentamos com abraços e beijos. Depois apresentei a Fabi e o Chris a eles e foi uma sintonia imediata.

Em poucos minutos éramos todos bons amigos.

Christian já estava até fazendo piadinha com todo mundo.

— Prontos para uma noite inesquecível? – Brincou Camile, nos conduzindo mata a dentro.

— Só que eu estou levemente apavorada? – Perguntou a Fabi, encolhendo-se ao lado do Christian.

A mata era escura e realmente assustadora, mas não permanecemos ali por muito tempo. Pois logo chegamos a uma espécie de clareira, onde de fato acontecia a festa.

Já havia uma boa quantidade de pessoas ali em volta da fogueira. Algumas arvores foram enfeitas por lâmpadas pequenas e brilhantes penduradas por um fio grosso. Não havia som, nem DJ. Mas havia um pessoal que tocava violão e alguns outros instrumentos que eu desconheço. Estavam todos animados, parecendo se divertir muito. Bebendo, comendo milho assado, conversando, cantando.

— Seja todos bem-vindos ao nosso mundo. – Paulo, o gordinho, sorria muito.

Túlio apontou para um canto, onde havia uma única barraca, onde era distribuída as bebidas. Aquele foi nosso primeiro ponto de parada.

— Um brinde a todos nós. – Camile ergueu uma latinha de cerveja.

Todos nós tínhamos pegado alguma coisa: alguns cervejas, outros vinho, quentão ou algum drinque divertido e colorido. Todos nós tínhamos como brindar.

E foi o que fizemos.

Depois de beber, olhei para o Lorenzo, maravilha. Eu já tinha ido a muitas festas, mas nunca tinha ido antes em uma festa assim, no meio da mata. Com uma fogueira!

— Isso tudo é tão incrível!

— É mesmo. – Ele sorriu de volta na minha direção. — Uma pena que esteja tão frio hoje ou que o céu não tenha nenhuma estrela ou a presença da lua.

— Mas isso não importa! Você vinha muito aqui?

— Às vezes. – Ele pegou a minha mão. — Vem, tem mais coisa.

Saímos de perto do pessoal por alguns instantes. Eles nem se quer deram conta, pois estavam bastante ocupados conhecendo a Fabi, tratando-a como uma princesinha, ou rindo das piadas idiotas do Christian que só ele sabe contar.

Lorenzo e eu entramos de novo na mata e percorremos um pequeno trecho que não estava tão escuro assim devido a iluminação que vinha da festa e demos de cara com o rio. O mesmo daquela coisa vez. Mas dessa vez não estávamos sozinhos. Havia um pessoal por ali e pasmem: eles estavam pulando na água, na parte mais rasa.

— Eles são muito corajosos. Está muito frio! – Comentei, observando-os.

— Provavelmente estão bêbados. – Lorenzo riu. — Ninguém em sã consciência faria algo assim. – Ele virou o rosto para mim. — Vamos voltar?

Assenti, apesar de uma parte de mim querer continuar ali com ele, observando o rio, como da outra vez. Foi tão magico! Uma lembrança agradável.

Depois de terminar de beber, convenci as meninas a irem comigo comprar milho. Pois eu já estava muito faminta. Nem tinha jantado antes de sair de casa!

— Você gostou do pessoal? – Perguntei baixinho a Fabi, aproveitando que Malena e Camile estavam ocupadas cumprimentando um pessoal por ali.

— Eles são ótimos! – Disse ela, corada. Não sei se por causa do frio ou da bebida alaranjada que ela não parava de tomar desde que chegou.

Acho que já era seu terceiro drinque.

— Eles amaram você.

Como não amariam?

— Ela é tão bonita! – Disse Malena, encantada. Fabi estava indo de encontro ao Chris do outro lado da fogueira. — Parece uma fadinha!

— É verdade. – Eu ri.

As meninas não paravam de falar sobre as principais coisas que tinham acontecido em suas vidas desde a última vez em que nos vimos: as brigas constantes dos pais, as birras dos irmãos caçulas, as notas baixas na faculdade, as festas que terminaram mal, o acumulo de trabalhos da faculdade para fazer...

— Mas e o Luan, hein? Vocês viram ele depois daquele dia?

Não sei porque eu estava tão curiosa quanto a isso.

— Não. Não o vimos mais. Mas é melhor assim.

— Com certeza. – Malena concordou com Camile. — Eu tenho pavor dele agora! – Ela estremeceu. — Cami, lembra-se daquela vez em que...

A partir daí não escutei mais nada do que elas diziam.

Foquei apenas no Lorenzo, ainda perto do "bar", com o Paulo e o Túlio que pareciam bem agitados, bebendo sem parar. Mas Lorenzo não. Ele mal tocava em sua cerveja.

Quando me flagrou olhando ele deu um sorrisinho e acenou, como se estivesse dizendo que estava tudo bem.

E estava mesmo.

— Luci, posso te perguntar uma coisa? – Malena se aproximou ainda mais de mim.

Camile tinha ido buscar mais milho para a gente.

— Claro, pode perguntar o que quiser.

— Sei que pode parecer uma pergunta estranha, mas eu realmente preciso saber: tem certeza de que você e o Lorenzo não estão juntos?

Fiquei petrificada.

— Não! Claro que não!

Ai meu Deus.... Será que ela me viu olhando para ele?

Não, não é nada disso. Sei disso agora porque ela está sorrindo de uma forma que me faz perceber uma coisa: ela tem uma quedinha por ele. E queria saber se estávamos juntos para ela pode investir nisso. Provavelmente essa noite. Para aproveitar a oportunidade.

E aí eu me pergunto: o que quer que seja que ela sinta por ele é de agora ou desde os tempos da escola?

Será que alguma vez Lorenzo percebeu isso?

Mas aquela noite, durante o jantar, ela não deu nenhum sinal de que estava interessada nele. Ela foi tão amigável, simpática e querida. Não se insinuou e nem disse nada suspeito. Mal olhou para ele! Ou talvez ela só seja boa em disfarçar.

Ela pode até ser boa em disfarçar o que sente, mas eu não. Eu pelo menos tento, mas não sei se está funcionando agora. Porque de repente sinto meu peito espremido como uma laranja. Não quero nem pensar no que isso significa!

— Tem algum banheiro por aqui?

— Tem! Tem sim. Fica um pouco para lá da mata, perto do rio. Quer que eu vá com você?

— Não, não precisa. Eu encontro.

E saí dali depressa.

Não encontrei o tal banheiro. Mas também nem fiz muita questão. Não estava com vontade. Eu só queria me afastar por um tempo. Tentar me acalmar e por os pensamentos em ordem. Apenas isso.

— Você está bem? Te procurei e você tinha sumido! – Lorenzo veio até mim. Eu estava muito próxima a fogueira, tentando me aquecer.

Mas não estava funcionando muito.

— Eu fui ao banheiro. – Menti.

— Ah.

E então ele ficou calado. E eu continuei tremendo. Não só de frio, mas também de ódio de mim mesma por estar chateada com toda essa situação.

— Toma. Fica com isso. – Lorenzo tirou o cachecol de si mesmo e o colocou em volta do meu pescoço.

— Não precisava...

— Fique com ele.

Nós não íamos discutir por causa de um cachecol. Eu estava com frio e o gesto dele foi muito gentil. Algo que qualquer amigo faria um pelo outro: proteger.

Mas a questão é que não já não sei mais se quero só isso. A minha mente está uma bagunça. Meus sentimentos muito confusos. E eu prometi a mim mesma que não iria permitir mais isso. Não iria deixar que essas complicações — que provavelmente só existe na minha cabeça — me abalassem tanto.

Então é isso. Sorri para mim mesma. Eu sou uma nova Luciana a partir de agora. Não vou dizer que deixarei de ser o que já estava acostumada a ser. Só serei um pouquinho mais evoluída. Ou pelo menos vou tentar. Vou tentar me superar.

Não quero mais ficar pensando tanto nas coisas e criando monstros na minha imaginação fértil. Eu só quero me sentir leve e livre. E Lorenzo faz eu sentir exatamente essas coisas e muitas outras também. Ele é bom para mim. E sinto que sou boa para ele de alguma forma também.

Viro-me para ele e elimino qualquer distância entre nós. Nos entreolhamos por alguns instantes: eu muito agitada, com o coração acelerado e ele evidentemente confuso. Em seguida eu meio que o abraço, querendo sentir cada pedacinho do corpo dele – mesmo coberto por roupas – colado no meu e por fim, deito minha cabeça em seu peito e fecho os olhos, me deliciando com aquela sensação de bem-estar.

Ele não diz nada. Mas também não me afasta. E afaga meus cabelos.

— Já sei: vamos dançar! – Digo, animada. Algum tempo depois.

— O quê? Não! Luci, você bebeu muito?

— Eu quase nem bebi. Assim como você também não. – Sorrio.

— Você estava me espionando?

— O tempo todo.

É a vez de ele sorrir com seus olhos azuis.

— Vamos! Vamos dançar.

— Mas nem tem música!

— É claro que tem. Escuta.

É verdade. Não tem aquelas músicas dançantes, animadas, que fazem todos pularem e suarem. A música de hoje é mais leve, mais calminha e harmoniosa.

— Lorenzo! Você está com vergonha dessas pessoas?

Ele desviou o olhar rapidamente.

— Talvez.

Lembro-me de mim e do Alex. Do quanto éramos desinibidos. Do quanto nos divertíamos dançando juntos sem se importar com mais nada. Não é que eu esteja comparando as coisas ou desejando que sejam parecidas ou até mesmo iguais. Eu só quero que o Lorenzo também sinta um pouco disso. Do que eu costumava sentir com o Alex: como se fosse capaz de qualquer coisa, mesmo que isso me fizesse parecer muito ridícula e boba.

— Vem. – Puxo pelo braço. — Você vai se sair bem.

Eu quase pensei que não ia rolar. Pois no começo eu dancei sozinha, como uma maluca. Todos olhavam para mim! Mas eu não me importava. Tudo que me importava era que ele estava olhando para mim e rindo de mim. Mas sem debochar. Apenas porque me achava engraçada e um pouco corajosa.

— Pensa que estamos sozinhos no seu carro. – Sussurrei em seu ouvido. — Feche os olhos e pense nisso.

E deu certo.

Tão certo que nossos amigos se juntaram a nós também. Talvez um pouquinho bêbado demais? Talvez. Mas pelo menos nós nos divertimos bastante.

Nós demos vida a essa festa!

— Porque você está fazendo isso? – Perguntou Malena. Eu fui até o “bar” pegar algo para matar a sede e pelo que parece ela veio atrás de mim.

— Mas eu não fiz nada.

— Você disse que vocês não estavam juntos!

— Ah, isso.

Eu tinha me esquecido, mas não disse isso a ela para não magoa-la ainda mais.

— Me desculpe, Malena. Por favor, não fiquei chateada comigo. É só que.... Eu não tinha certeza quando te dei aquela resposta. E aí quando vi que você poderia nutrir algo por ele eu meio que pirei e pensei sobre isso e aí me dei conta: eu gosto dele!

— Então você gosta mesmo dele?

— Eu gosto! – Quase chorei ao dizer isso.

Era libertador, mas ao mesmo tempo doloroso ter que admitir.

— Tudo bem. – Ela sorriu. — Ele também parece gostar muito de você. Então, de qualquer forma, eu não teria chances alguma. Olha só pra mim!

Senti que ela ia chorar também.

— Não! Você é linda e sabe disso! Só precisa encontrar o cara certo.

Então eu a abracei.

— Vai acontecer no momento certo.

— Luci! Luci! – Afastei-me imediatamente da Malena e vi que o Chris se aproximava com uma Fabi muito bêbada e meio desmaiada apoiada nele.

— Meu Deus! O que houve? Você embebedou ela?

— Não! Não fiz nada.... Ela se embebeu sozinha. E agora, acho melhor leva-la para a casa.

— Para a casa dela não! A mãe dela vai nos matar. Leve-a para sua casa. – Digo, seriamente. — Vou buscar o Lorenzo e dizer que vamos para casa agora mesmo.

— Não, Luci. Vocês não precisam perder o resto da noite por nossa causa. Eu cuido dela, ta? Eu posso fazer isso. Confie em mim! Vamos pegar um táxi e ir para minha casa e....

— Mas e se não tiver táxi a essa hora? – Perguntei, aflita.

— Eu tenho um amigo. – Malena disse de repente. — Ele pode ajudar.

— O.K. – Olhei bem dentro dos olhos dele. — Cuide dela.

Ele assentiu e Malena os levou.

Fui a procura do Lorenzo que ainda estava dançando com os garotos.

— Aconteceu uma coisa. – Eu disse após puxa-lo para um canto mais tranquilo. — Fabi bebeu demais. Christian teve que levá-la para casa. Malena disse que tinha um amigo taxista que poderia ajudar. Então, eles foram embora.

— Tem certeza de que está tudo bem? Você parece abalada.

— Eu estou! Um pouco, mas estou. Eu fico preocupada com ela! Ela não sabe beber. Eu queria que fossemos todos juntos para casa, mas o Chris...

— Tudo bem. Tudo bem. – Ele me puxou para um abraço. — Ele vai cuidar bem dela.

E como se não bastasse, começou então a cair um grande temporal. Como eu não sei. Já que não tinha nenhuma evidencia de chuva no céu hoje mais cedo. Mas eu também não era nenhuma especialista no assunto.

A festa chegou ao fim. A fogueira foi apagada. E todos saíram correndo em direção aos seus carros e casas, rindo e chutando água barrenta um no outro.

— De qualquer forma, temos que ir para casa agora. – Disse Lorenzo, ofegante, assim que entramos em seu carro após corremos muito e eu quase ter caído umas dez vezes.

— Não acho que seja uma boa ideia. – Digo, tentando enxergar alguma coisa pela janela. Mas estava impossível. Pois a chuva só aumentava sem parar. — Acho arriscado. Você não acha?

— Talvez.

Ficamos calados, só escutando a chuva forte bater na lataria do carro como se tivéssemos sendo atingidos por pedras.

— Já sei. Vamos para a minha casa. É pertinho daqui.

— Sua casa?

— Minha antiga casa.

— Você ainda tem a chave?

— Não, mas eu sei o esconderijo dela.

— Se é assim... Então vamos lá.