Tudo de Mim

3 Cupido do amor.


Notas iniciais
Sei que a história só está no comecinho, mas é por isso mesmo que eu queria dar um aviso a vocês leitores: dessa vez as coisas aconteceram com certa calma. Nem sempre poderia garantir quando os capítulos serão postados, pois tenho passado por um fase difícil de falta de inspiração. As idéias estão todas na minha cabeça, mas quando tento escreve-las não saí exatamente do jeito que eu planejava. Então, por favor, vou pedir a vocês que sejam pacientes e compreensivas. Quero que as coisas funcionem melhor dessa vez. Não quero forçar nada pra não ficar uma merda. Tudo bem? Espero que entenda. E saibam que vou me esforçar ao máximo para postar pelo menos um capítulo por semana. É isso. Espero que estejam gostando. Boa leitura!

Se eu achava que as coisas seriam tão fáceis assim, eu estava completamente enganada.

Eu já conhecia o Alexandre há bastante tempo para saber que ele não ia facilitar para o meu lado.

Um de seus maiores defeitos é não me ouvir e não levar nada do que eu digo a sério. Mas eu estava dando o meu próprio jeito nessa situação: ignorando todas suas ligações, mensagem e tentativa de aproximação. Eu disse que precisava de um tempo e falava sério, por mais que ficar longe dele fosse tão difícil e doloroso.

— Quando o Alex vem pra cá almoçar com a gente? Estamos com saudade dele.

— Mãe, Alex e eu brigamos. Você está lembrada?

Ela revirou os olhos de uma forma muito infantil.

— Vocês sempre brigam, mas logo passa. Eu sei que sim.

Foi a minha vez de revirar os olhos.

— Não é tão simples assim dessa vez, mãe.

Ela olha sério para mim.

— Tudo bem, tudo bem. Me desculpe. É só que... Ele faz falta por aqui.

Não acredito que acabei de ouvir isso.

Eu sempre suspeitei que meus pais amavam mais o Alex do que eu, mas agora isso está comprovando: definitivamente eles gostam mais do meu namorado do que de mim.

Meus pais nunca foram um problema para mim. Muito pelo contrário, eles sempre foram compreensíveis comigo. O tipo de pais que todo adolescente sonha em ter. Eles nunca pegaram no meu pé por causa dos estudos, eles já aceitaram que eu sou uma aluna comum. Não muito acima da média e não muito abaixo da média. E também sempre me deixaram sair com meus amigos. Desde que eu tenha plena consciência dos meus limites. E em relações aos garotos, eles também nunca foram muito exigentes. Basicamente eles deixam que eu aprenda sozinha as principais lições dessa vida.

O que eu acho muito bom. Pois assim eu não me sinto tão presa, ou tão pressionada ou tão desfavorecida. E mesmo que eu cometa alguns erros, por fim eu acabo aprendendo a lição com as minhas próprias pernas e escolhas. Afinal, eu não terei meus pais por perto para sempre. Então desde cedo aprendi a me virar muito bem sozinha para quem sabe futuramente me tornar uma boa adulta.

E não é como se eles não estivessem lá quando eu preciso. De jeito nenhum eles me negariam apoio ou ajuda ou um grande conselho. Meus pais também são muito abertos, então eu posso falar com eles sobre qualquer coisa que eu quiser.

Eu é que sou muito boba e prefiro guardar algumas coisas só para mim.

~*~

— Então vocês terminaram de vez? – Pergunta a Fabi.

Viemos direto para a minha casa depois do colégio. E nesse momento estou fazendo uma trança embutida em seu cabelo alaranjado e rebelde.

— Não exatamente. Só estamos dando um tempo.

— Mas porquê? Vocês são tão perfeitos juntos!

— Fabi, qual é? Por acaso você e minha mãe estão fazendo um complô contra mim?

— Não, não é isso. Você sabe que eu te apoio em tudo. Mas você anda tão tristinha ultimamente e as vezes até um pouco estressada. Talvez você não perceba. Mas como sua amiga que te conhece há bastante tempo, vejo isso. Sei que você não está bem. O que eu acho é que você e o Alex deveriam conversar de verdade. Parar de adiar isso. Dizer tudo um ao outro e tomar uma decisão, seja ela qual for.

— Porque você é assim, hein? Porque sempre tão sensata?

Ela riu, tímida.

— Eu só estou fazendo o meu papel de amiga.

— E fazendo muito bem. – Sorrio para ela. — Tá, mas eu vou pensar sobre isso uma outra hora. Vamos falar agora você. Me conta, quais são as novidades?

— Novidades? Eu nunca tenho novidades! Você sabe disso.

— Não é verdade! Você só não quer me contar.

Fabi se espanta.

— Luciana, assim você me ofende! Eu não sou de esconder coisas de você.

— Mas está e você não quer admitir.

Ela se afasta e eu nem terminei a trança.

— Não venha descontar suas frustrações em mim, só porque você e o Alex estão passando por mais uma de suas fases ruins.

— Ei, agora sou eu que estou ofendida! Não estou descontando nada em você.

— Está sim. – Ela levanta-se e pega sua mochila. — Eu vou embora.

Eu não a impeço.

Se tem uma coisa que eu sou boa é em perceber quando alguém está me escondendo alguma coisa. E eu tenho certeza que a Fabi está. Assim como eu tive certeza que o Alexandre estava. E olha que eu não boa em quase nada. Mas nisso eu sou e eu vou arrancar isso dela. Só tenho que esperar pelo momento certo.

Como não tenho muitas escolhas, aproveito meu tempo livre pela tarde para fazer minha lição de casa.

E só depois eu desço até a sala para me jogar no sofá e perder mais algumas horinhas do meu dia assistindo alguns filmes que estão passando na TV.

Meus pais chegam juntos as sete da noite, coisa que normalmente não acontece. Mas essa não é a grande surpresa. O que eu não posso acreditar é que o Alexandre está com eles. Entrando nesse segundo dentro da minha casa segurando algumas sacolas de mercado e rindo de alguma coisa que meu pai disse.

Isso não pode real.

Como ele ousa?

— Oi, docinho. Chegamos! E adivinhe só quem nos encontramos no caminho? O Alex! E eu o convidei para jantar essa noite aqui em casa, tudo bem?

Não. Não está tudo bem. Está tudo péssimo.

Mas não vou fazer um showzinho na frente dos meus pais.

— Foi muita gentiliza de vocês me convidarem para jantar aqui hoje. Há dias eu não como nada descente. Seria uma honra poder ajuda na preparação da refeição.

Tá vendo? É por isso que meus pais amam tanto ele! Porque ele é assim na frente deles. O maior cara de pau de todos os tempos. Prestativo, simpático, gentil. Ao contrário de mim que sou rabugenta, mal-humorado e esquisitona.

Alex olha para mim brevemente e eu tento manter a compostura de menina malvada, quero deixar bem claro o quanto ele não é bem-vindo aqui essa noite.

— Vem, Alex. Me ajude com essas sacolas! – Minha mãe o chama.

Meu pai me dá um beijinho, coisa que ele sempre faz quando chega e até consigo forçar um sorrisinho amigável. Mas logo depois subo para o meu quarto. Não suportaria ficar ali em baixo ouvindo minha mãe conversar animada com Alex, enquanto ele o ajuda na preparação do jantar e discute com meu pai assuntos de “homem”.

Finjo não ouvir minha mãe me gritar lá de baixo, pedindo para eu descer e me juntar a eles. Como se fossemos todos uma grande e feliz família perfeita.

Estou distraída lendo um dos livros que a Fabi me emprestou quando batem na porta e no mesmo segundo ela se abre.

É o Alex e seu sorriso sínico.

— Eu não disse que você poderia entrar. – Comento sem tirar os olhos do livro. — E também não disse que você poderia aparecer aqui em casa sem avisar.

— Ei, calma. Eu não fiz de propósito. Só estava passando por aqui quando esbarrei com seus pais voltando do trabalho. Eu não podia recusar o convite deles. Seria muito grosseiro da minha parte, você não acha? Eles ficariam ofendidos!

— Ah, claro. Até porque você estava passando aqui perto de casa como quem não quer nada. – Fecho o livro com força e o coloco de lado. — Ainda dá tempo de cair fora. Invente uma desculpa. Qualquer coisa! Mas vai embora. Eu não quero você aqui.

Ele não parece nem um pouco chateado com que eu disse, muito pelo contrário, ele abre aquele seu sorriso travesso, que serve apenas para me testar e me irritar ainda mais.

— Eu não vou embora, Luci. Eu vou ficar e jantar. Aliás, já está tudo pronto e uma delícia. Sua mãe pediu para eu descer aqui e te chamar. Vamos?

— Eu não vou descer!

Ele faz uma careta.

— Ah, por favor, Luciana. Deixa de ser infantil!

— Infantil? Eu? Foi você quem começou tudo isso, Alexandre.

— Eu já me expliquei e já pedi desculpas. Mas mesmo assim você resolveu terminar comigo! – Agora sim ele parece bem bravo e até magoado.

— Eu não terminei com você! Eu só disse que precisava de um tempo.

— Mas eu não disse que concordava com isso!

— Você não tem escolhas!

As coisas estavam prestes a ficar ainda piores entre nós, quando minha mãe apareceu de repente.

— Vocês não vão descer? A comida vai esfriar.

Passei o jantar inteiro calada, sem conseguir olhar para o Alexandre sentando bem na minha frente. Eu estava morrendo de ódio dele. E ele estava disposto a me contrariar de todas as formas possíveis. Que é o de melhor que ele sabe fazer.

— A comida estava uma delícia, tia Mariana.

Sim, ele chama a minha mãe de tia.

— Oh, Alexandre. Você é muito gentil!

Será que alguém pode, por favor, me tirar daqui?

— Deixa que eu lavo a louça em forma de agradecimento. – Disse ele já recolhendo os pratos vazios. — E a Luci vai ajudar, não é meu amorzinho?

Ele só pode estar de sacanagem comigo.

Eu realmente ajudei com a louça, antes que minha mãe resolvesse dizer o quanto eu era ingrata. Mas eu não dirigi nem uma palavra ao Alexandre, que estava inutilmente tentando puxar papo comigo. Como se nada estivesse acontecendo.

— Você não pode continuar agindo assim para sempre.

— Assim como? – Viro-me bruscamente para ele. — Com raiva de você?

— Não. Ignorar o que você sente por mim.

— Mas tudo que eu sinto nesse momento por você é ódio.

Ele recuou um pouco, parecendo realmente magoado.

Eu estava mesmo pegando pesado com ele, mas não era como se ele não merecesse.

— Tudo bem então, Luciana. – Ele colocou o pano de prato sobre a mesa. — Eu vou embora se é o que você quer. – Ele me deu um beijo na bochecha. — Tchau.

Não! Eu não queria que ele fosse embora. Eu sei que disse isso a ele a alguns minutos atrás, mas não era bem verdade. Ou era? Não sei. Só sei que eu não gosto quando ele faz isso. Quando vai embora chateado comigo. Eu me sinto tão culpada. Com um peso enorme no peito. Mas como não poderia? Depois da forma como eu o tratei? Depois de tudo que eu disse a ele? Pensei seriamente em correr atrás dele, mas quando eu fui já era tarde demais. Ele já tinha partido com seu carro.

Tentei ligar para ele, pedir desculpas por estar agindo feito uma maluca rancorosa. Mas ele não me entendeu. E eu só me senti ainda pior. Sabia que eu tinha todo o direito de estar com raiva depois do que ele fez. Mas sabia também que não só Fabi tinha razão, como meus pais também. Nós precisávamos conversar de verdade, sem gritos, sem xingamentos. Conversar e se resolver de uma vez por todas. Nem que isso significasse que seria o fim do nosso relacionamento. Um final definitivo, pelo bem de nós dois.

~*~

Na manhã seguinte, a Fabi me convenceu a aproveitar a aula vaga para a gente estudar. Eu não era muito fã de estudos não. Era mais do tipo que contava com a sorte. Mas a Fabi era a maluca dos estudos. Do tipo que troca uma festa no final de semana por uma noite com os livros. Desde o primeiro ano ela era muito focada em seus objetivos futuros. E agora com a aproximação do vestibular ela só ficou pior.

Sabe porque eu detesto estudar? Porque me dá um baita sono. Eu já estava quase caindo com a cara na mesa quando a Fabi me deu um cutucão e continuou me explicando aquelas coisas malucas de químicas que não entravam de jeito nenhum na minha cabeça. Aquilo era coisa de gente doida! Como eles conseguem?

Tentei a todo custo continuar prestando atenção no que ela dizia, mas tudo em volta parecia muito mais interessante. Tanto que nem me dei conta de que ela não estava mais falando nada. E quando olhei para ela, vi que ela também tinha se distraído e estava nesse momento olhando fixamente em outra direção. Mais precisamente na direção de um garoto da minha sala que estava de conversinha com um grupo de garotas.

E foi então que eu entendi tudo.

— Você gosta dele. – Observei com um sorrisinho.

— O quê? – Ela voltou-se para mim, surpresa.

— Você gosta do Christian da minha sala.

— O quê? Não... Não! Ficou doida, Luciana?

— Não tente me enganar. – Sorri ainda mais. — Eu te conheço bem, Fabiana. E agora sei exatamente o que você estava me escondendo. Mas porquê? – Meu sorriso desaparece. — Porque você não me contou antes? Você sabe que eu te apoiaria em qualquer coisa. Eu jamais iria debochar de você. Você não confia mais em mim?

— Não é isso! É só que eu ainda não tenho certeza dos meus sentimentos por ele. Olha só para nós dois! Somos completamente diferentes. Isso nunca daria certo.

É verdade. Eles não devem ter nada em comum. Mas pouco conheço o Christian. Tudo que sei sobre ele é que ele é um moreno lindo de olhos claros. Forte, alto e atraente. Por isso vive rodeado de garotas. E se aproveita disso para se tornar cada vez mais popular. Ao contrário da Fabi, que é uma nerd apaixonada por livros e estudos. Tímida, reservada, calada. Não parece fazer muito o tipo do Christian.

Mas nunca se sabe não é mesmo?

— Você deveria ir falar com ele.

— Não! De jeito nenhum, Luciana! Eu morro de vergonha, além do mais eu chegaria nele e perguntaria o quê? Que nota ele tirou na prova de matemática?

Pensando bem...

— E se ele for o típico aluno popular e bonito que não sabe usar muito bem a inteligência e tira notas horríveis? Você poderia ser uma espécie de tutora.

— E se ele não tiver interesse?

— Você nunca vai saber se não perguntar.

— Mas eu não vou perguntar!

— Ta bom. Já sei! Que tal se eu te der uma forcinha?

— O que você sugere? — Ela me olha desconfiada com seus olhos claros.

— Eu posso me aproximar dele, tentar conhece-lo melhor e contar tudo a você, assim você pode avaliar, saber se ele é ou não um bom partido. E quando você se decidir, você estará preparada para falar diretamente com ele. Que tal?

— É... Me parece uma boa ideia.

— Então está combinado. Começaremos essa missão amanhã mesmo!

— O.K. – Ela abre um grande sorriso. Parece muito empolgada. Gosto muito do que vejo. — Ai, estou tão ansiosa! Mas não quero pensar nisso agora. Deveríamos voltar a focar nos estudos. Foco Luciana! Foco!

Não dá, quero dizer isso a ela. Simplesmente não dá.

Minha vida amorosa está tão decepcionante ultimamente, que a vida amorosa dos outros passa a ser muito mais empolgante. Eu também mal vejo a hora de conhecer melhor o Christian e falar um pouco sobre a minha amiga misteriosa a ele.

Eu só quero que a Fabi seja feliz e finalmente encontre seu príncipe encantado.

Ela nem se quer deu seu primeiro beijo ainda!

Está na hora das coisas mudarem e evoluírem.

Se eu não mereço ser feliz, conheço alguém que merece: e essa pessoa é a Fabi. E eu farei qualquer coisa para ajudá-la nisso. Afinal, ela sempre esteve ao meu lado em todos os momentos bons e ruins. E me deu os melhores conselhos.

Fabi, se prepare, sua vida está prestes a mudar radicalmente.

Notas finais
Não esqueçam de comentar, assim vocês me ajudam muito na hora de escrever.