Tudo de Mim
9 Como é possível?
De fato, fui surpreendida por uma maravilhosa cachoeira. Não era muito grande e nada comparado ao que a gente vê pela TV e pesquisas na internet. Mas era realmente muito bonita, cheia de vegetação e pedras em volta. A água cristalina era muito convidativa. Como não tinha ninguém por ali além de nós, aproveitei para tirar várias fotos. Principalmente do Alexandre que parecia uma criança encantada com um novo mundo descoberto.
— Vamos entrar? – Ele se virou para mim com um sorriso de orelha a orelha e foi logo tirando a camiseta preta por cima da cabeça e deixando no chão junto das nossas mochilas.
— Ah, não. – Fiz uma careta e olhei em volta, só para garantir que não havia mais ninguém por ali além de nós. — Deve estar muito fria.
— Não posso acreditar no que estou ouvindo. – Ele se aproximou de mim ainda sorrindo e tirou a câmera fotográfica de minhas mãos para guardar.
— Alex! – Protestei, um tanto quanto sem graça.
— Eu não admito receber um “não” de você. Então, por favor, desfaça esse bico e vamos lá. – Ele pegou a minha mão. — Você não pode perder isso por nada.
Eu não tinha escapatórias.
Alex me conduziu até a beira da água e juntos, no 3, nós pulamos, de roupa e tudo.
Foi divertido e encantador observar o Alex boiando na superfície da água com os olhos fechados como se finalmente tivesse encontrado seu lar perfeito.
Como eu queria que minha câmera fosse a prova d’ água e eu pudesse registrar esse momento e guarda-lo para sempre!
Nadei em silencio por um tempo, saboreando aquela sensação de serenidade.
A água não estava tão fria assim. Na verdade, estava ideal por conta do sol forte brilhando no céu azul, cheio de nuvens branquinhas como algodão.
— Oi.
Estava tão envolvida naquele momento mágico, que nem percebi quando o Alex se aproximou de mim com seus olhos tão verdes quanto aquela água.
— Oi. – Sorri sem jeito, devido sua repentina proximidade.
Com suas mãos em baixo da água ele me puxou pela cintura até estarmos grudados um no outro.
— O que foi? Porque você está me olhando desse jeito? – Perguntei, constrangida.
Será que tinha meleca no meu nariz? O meu cabelo estava tão ruim assim?
— Não sei.... É só que é incrível como eu ainda me impressiono com a sua beleza mesmo depois de todos esses anos juntos.
— Alex... – Desviei o olhar, envergonhada.
— Ei. – Ele me chamou. — Você é linda e sabe disso, Luci. Eu sempre deixei isso muito claro. Não importa quantas garotas eu conheça, ou quantas eu já namorei ou vou namorar, porque você sempre será a única. A que verdadeiramente conquistou o meu coração de um jeito que nenhuma outra jamais conseguirá.
E então ele me beijou. Um beijo apaixonado.
Ficamos assim por um bom tempo: nos beijando como se nada mais no mundo importasse.
— Luci, eu queria me desculpar por não estar sendo totalmente sincero e aberto com você ultimamente. – Ainda estávamos abraçados na água, encarando um ao outro com seriedade. — Sei que isso te irrita e te incomoda, mas eu só preciso que você seja um pouco paciente. Eu não gosto de esconder as coisas de você. Mas dessa vez é diferente. Não tem nada a ver com a gente. São só uns problemas de família que eu tenho certeza que logo vão se resolver, ta bom? Você entende?
— Não, eu não entendo. Mas respeito a sua decisão. Eu só espero que você saiba que pode contar comigo para qualquer coisa, Alex.
— Sim, eu sei. – Ele me deu um rápido beijo e voltou a sorrir. — Você sempre será a primeira pessoa que eu vou procurar quando estiver precisando de algo.
— Espero que sim. – Foi a minha vez de roubar um beijinho dele.
Todas as coisas que ele tinha acabado de me dizer, eram muitos importantes para mim. Eu sou o tipo de garota que sei que sou bonita, apesar de saber também que não tenho aquele tipo de beleza das garotas da TV ou dos filmes. Mas eu sempre fui muito confiante comigo mesma. Ainda assim, gosto de ouvir certas coisas. Como se elas servissem para confirmar as maluquices que se passam pela minha cabeça.
Assim como também, preciso ouvir dele que sou única e especial e mais do que isso: uma amiga para todos os momentos. Leal, fiel e companheira.
Eu nunca vou me cansar de ouvir certas coisas. Elas podem ser repetidas por anos e ainda assim eu vou desejar ouvi-las sempre que necessário.
Ao saímos da água, nos acomodamos em uma das grandes pedras por ali para nos secarmos ao sol e fazer uma espécie de piquenique com as coisas que a mamãe tinha colocado na minha bolsa para eu trazer caso eu fosse precisar.
E esse momento aconteceu. Pois já era quase hora do almoço.
Voltamos para o nosso pequeno chalé no final da tarde. Tomei um banho morno e fui direto para a cama. Onde eu estava louca para tirar um cochilo. Até porque, a tarde foi exaustiva com toda aquela trilha e o sol forte batendo em nossas cabeças.
Eu não esperava que o Alex fosse se juntar a mim, mas foi exatamente o que ele fez, se encaixando atrás de mim e me abraçando. Então, juntos nós pegamos no sono e só acordamos algumas horas depois. Já eram quase nove da noite.
E para minha surpresa o Alex tinha simplesmente evaporado da cama.
Vi então a porta se abrir e ele entrou com uma pequena bandeja.
— Eu ia trazer seu jantar na cama, mas fiquei sabendo na recepção que está acontecendo um pequeno festival aqui nas redondezas e pensei que podíamos ir. O que você acha? Então eu trouxe só um lanchinho pra você comer antes de irmos e você não ficar me enchendo o saco no carro, se lamentando do quanto está faminta.
Achei ofensivo, mas dei risada mesmo assim.
— Obrigada. — Dei um selinho nele.
Rapidamente devorei meu pão na chapa e meu suco de goiaba.
Depois, precisei de um tempo para trocar de roupa e vestir algo mais apresentável e até criei coragem para passar um pouco de maquiagem.
Para a ocasião optei por um vestidinho preto muito básico, para os pés rasteirinhas e ousei no batom roxo e no delineado gatinho.
Meu cabelo curto, como não tinha muito o que fazer nele, deixei solto mesmo, prendendo para trás só algumas mechas da frente com uma pequena presilha.
O centro da cidade onde estávamos ficava há vinte minutos de carro de onde estávamos hospedados.
Chegando lá Alex teve um trabalho enorme para achar uma vaga para deixar o carro. Quando enfim conseguimos, depois de quase dez minutos rodando, ele pegou a minha mão e nós saímos em busca de diversão para aquela noite estrelada.
O pequeno festival tinha muita cerveja, comidas típicas e dança.
Pela primeira vez não fiquei só empolgada com a comida, até porque tinha acabado de comer. Fiquei muito empolgada com a dança e então eu criei coragem e fui me misturar com o pessoal que estava ali ensinando uns passos para a galera.
Me diverti horrores. Nunca tinha dançado nada parecido. O Alex apenas ficou ali, de longe, observando e morrendo de rir de mim e da minha maravilhosa performance. Porque é claro, em meia hora eu já era quase uma dançarina profissional.
— Ah, por favor, admita que eu fui sensacional.
— Você foi sensacional. A melhor.
Com a mão nas minhas costas ele me puxou e me roubou um beijo ali mesmo, na frente de todo mundo.
Demos uma volta pelo festival, compramos o que comer e beber e ficamos por ali, conhecendo gente nova e suas tradições e cultura até a meia noite. Então, decidimos que era hora de voltar e descansar. Amanhã seria nosso último dia e Alex estava ansioso para aproveitarmos o máximo possível.
~*~
Acordamos as sete da manhã e diferentemente do que normalmente acontece, eu não estava mau humorada por isso. Não tinha como ficar com aquela vista maravilhosa vinda da janela ao lado da cama. O céu já estava claro e os pássaros já estavam cantando animados no alto das arvores que nos redondeava.
— Bom dia, Flor do Dia.
— Bom dia, meu amor.
Permanecemos um tempo na cama, enrolados um no outro e trocando beijos e caricias antes de criarmos coragem para levantar e aproveitar o dia lá fora.
— Dessa vez eu aceito o café da manhã na cama. – Brinquei ao me levantar e seguir direto para o banheiro, onde finalmente eu iria usar a banheira.
Alex foi um fofo em aceitar ir buscar nosso café da manhã, enquanto eu me sentia a riqueza em pessoa naquela banheira cheia de espuma.
— Trouxe tudo que você gosta. – Anunciou ele ao entrar no banheiro alguns minutos depois e já tirando sua roupa com um sorriso malicioso no rosto.
— Então vem cá, gatão. Eu vou te recompensar por isso. – Brinquei, chamando com o dedo. Alex então sentou-se atrás de mim, comigo entre suas pernas.
Nada parecia tão prazeroso quanto aquilo.
Poderíamos ficar assim o dia inteiro e eu não me importaria. Mas é claro que eu não posso ter tudo que desejo. Então depois de inúmeras brincadeiras e provocações na banheira, nós tomamos nossos cafés da manhã na cama e de roupão. Depois de nos vestimos, saímos e pegamos o carro para ir até um outro local recomendado.
Pela primeira vez na vida eu andei de barco. No começo fiquei um pouco enjoadinha, mas aí o Alex ficou o tempo todo ao meu lado, tentando me distrair, apontadas coisas que eu deveria ver, apreciar e fotografar com a minha câmera. O enjoo sumiu e eu pude então aproveitar melhor o nosso passeio de barco.
Olha só, que romântico!
A tarde fomos almoçar no centro da cidade, que a luz do dia, estava muito diferente de ontem à noite, com a agitação do festival e aglomeração de pessoas. Hoje estava tudo tão calmo e vazio. Parecia um bom lugar para se viver. Não sei se eu me acostumaria. Mas com o Alex do meu lado eu seria capaz de qualquer coisa.
Eu optei por um risoto de camarão e uma Coca-Cola geladinha com rodelas de limão e o Alex optou por um risoto de cogumelos e rúcula e um suco de laranja.
Depois do almoço demos nossa última voltinha pela cidade e acabamos encontramos uma ferinha muito interessante, onde um senhorzinho me parou e perguntou se eu gostaria de ser pintada. Achei estranho. Mas o Alex ficou empolgado e topou. Disse que pagaria qualquer quantia para ter um quadro meu.
A experiência foi interessante.
Eu estava vivendo muitas primeiras vezes naquela viagem.
No final da tarde, enquanto juntávamos nossas coisas no quarto, o tempo mudou drasticamente e começou então um temporal. Pensamos em esperar, mas não adiantou muito e continuou chovendo forte. Corremos até o carro com nossas coisas e decidimos colocar o pé da estrada de volta para casa antes que escurecesse completamente.
Apesar de tudo, a viagem de volta para casa foi tranquila. Alex e eu cantarolamos praticamente o caminho inteiro nossas músicas preferidas.
Ele me deixou na porta de casa as nove e quinze da noite.
— Obrigada por tudo. – Disse eu, jogando meus braços em volta de seu pescoço e o puxando para mais perto.
— Você merece muito mais do que isso. – Disse ele, tocando meu rosto com carinho e unindo nossos lábios para um beijo doce.
Meus pais me prenderam na sala até eu contar tudo que tinha acontecido no meu final de semana e mostrar todas as fotos que eu tirei a eles.
Quando eu subi para o quarto estava muito exausta e nem me dei o trabalho de tirar as coisas da mochila. Apenas capotei na minha cama.
Para a minha felicidade amanhã não tinha aula, apenas reunião de pais.
~*~
Acordei somente por causa do barulho da campainha.
Olhei as horas no celular e me assustei. Era quase meio-dia.
Desci correndo para ver quem era.
— Fabi?
Ela foi logo entrando com algo em mãos.
— Me desculpe, Luci. Eu sou tão idiota! – Chorosa ela me abraçou apertado.
— Não diga isso. – Eu sorri, maravilhada. Enxuguei suas lágrimas.
Nos sentamos no sofá.
— Eu vim aqui ontem à tarde, mas sua mãe me contou que você tinha ido viajar com o Alex. E aí? Me conta! Para onde vocês foram? O que fizeram? E, por favor, deixe de fora os detalhes picantes.
Eu ri.
Era como se nunca tivéssemos brigado.
— Porque você trouxe uma garrafa de vinho? – Perguntei surpresa, logo após contar mais sobre meu final de semana com o Alex a ela.
— Ah, isso. – Ela olhou para a garrafa em seu colo. — Eu pensei muito em tudo que você me disse e achei que já estava na hora de mudar um pouco.
— O que você quer dizer com isso? – Perguntei, intrigada. Não estava entendendo nada. — Resolveu se tornar uma alcoólatra, é isso?
— Não, Luci. – Ela riu e depois me olhou horrorizada. — Eu só meio que cansei de ser quem eu sou, sabe? Poxa vida! Eu já tenho dezessete anos. Já está mais que na hora de viver nossas experiências, conhecer coisas novas e...
— Mas eu amo quem você é. – Interrompi-a.
— Eu sei! Você não está entendendo... Bom, deixa pra lá. – Ela se levantou e foi até a minha cozinha e eu a segui.
Fabi tirou do armário dois copos e abriu a garrafa com certa dificuldade.
— Nós vamos beber?
— Mas é claro! – Disse ela, empolgada.
— Quem é você e o que fez com a minha amiga?
Fabi caiu na risada.
— Deixa de ser boba, Luci. É só um vinho que eu roubei dos meus pais.
— O quê? – Praticamente gritei. — Que eu saiba você nunca bebeu nada alcoólico antes e nunca roubou ou mentiu para os seus pais.
— É, eu sei. Mas tem sempre uma primeira vez pra tudo. – Ela me estendeu um copo cheio de vinho.
— Fabi, eu acabei de acordar, nem comi nada ainda...
— Pega logo antes que eu desista da ideia.
O.K. Ela me venceu.
Subimos para o meu quarto para termos mais privacidade, antes que minha mãe resolvesse aparecer do nada com o meu boletim cheio de notas vermelhas em mãos.
Sim, a ideia parece maluca e absurda. Mas era real. Fabi e eu ficamos bebendo e conversando por um bom tempo. Mostrei as fotos novas a ela e ela me contou o que tinha feito da vida nos dias em que estivemos brigadas, principalmente do resfriado que pegou na quinta-feira e fez ela faltar no colégio na sexta-feira.
— Ah, meu Deus! Será que fiz mal em roubar meus próprios pais? E se eles perceberem? E se desconfiarem de mim? Vão me expulsar de casa!
— Calma, Fabi. – Dei risada, levemente zonza. Juntas, em quase uma hora, tínhamos quase acabado a garrafa inteira de vinho. — Não foi bem um roubo. Você só pegou emprestado. Depois a gente faz uma vaquinha e compra uma nova garrafa pra eles.
Ela concordou, parecendo mais calma.
— Tive uma ideia! – Disse ela, empolgada. Fabi se esticou no chão e alcançou seu celular esquecido sobre a minha cama ainda bagunçada. — Vou ligar pro Chris.
Até então eu não tinha tocado no assunto por medo de aborrece-la, mas que bom que ela resolveu falar nele primeiro.
— Sério? E vai dizer o quê?
— Que estou apaixonada por ele!
— Não acredito! – Caio para trás de tanto rir.
— Você acha que é muita loucura?
— Acho! Você não deveria começar por aí.
— Você tem razão! Ah, meu Deus. Eu estou tão bêbada!
Rindo ela se deitou no tapete ao meu lado.
— O que eu digo, então? – Ela olhou para mim.
— “Oi, Chris. Sou eu a Fabi, a ruivinha do colégio. A amiga da Luciana da sua turma. Tudo bem? O que você está fazendo de bom agora? E que tal a gente sair? ”
Falei, imitando a voz dela.
Fabi riu horrores e logo depois me deu um tapa.
— Não, maluca! Isso parece um pouco demais.
— Ah, então sei lá.... Porque não começa com uma pequena aproximação? Pergunta como ele tá, o que ele tá fazendo. Sabe? Essas coisas bobas.
— É, pode ser.
Então ela realmente ligou para o Christian. Coisa que ela só faria se estivesse de fato muito bêbada ou desesperada. Eu voto na primeira opção.
— Oi... Christian? – Ela arregalou os olhos. Afastou o celular da orelha e deu um grito. — É ele! Ah, meu Deus. É ele! O que eu faço? O que eu digo?
— Seja você.
A princípio a ideia pareceu absurda para ela, mas então ela pensou por um instante e concordou.
Fabi se levantou com o celular já próximo do ouvido e saiu do meu quarto meio que tropeçando nas coisas para falar com o Christian com mais privacidade.
Eu não sei se estava feliz por ela pela coragem que ela finalmente criou. Ou com medo de ela falar alguma bobagem e acabar assustando o Christian.
Mas ele que se dane.
A Fabi é boa demais para ele.
~*~
No outro dia, quando entramos no colégio juntas pela manhã, vi de longe o Christian se aproximar todo avoado e meu coração deu um pulo.
Apertei a mão da Fabi com força e pensei: É hoje.
— Luciana, preciso falar com você. – Sem mais nem menos ele me puxou pelo braço para longe da Fabi. O cretino nem cumprimentou ela. Que babaca!
— Que merda é essa, Christian? – Olhei brava para ele.
— Eu que te pergunto, Luci. – Quando paramos no meio do pátio ele se virou para mim muito sério. — Você está de sacanagem comigo? Porque resolveu passar um trote para mim ontem? Eu pensei que fôssemos amigos.
Onde? Quando? Como?
— Christian, não sei do que você está falando. Tá doido?
— Não se faça de desentendida, Luci. Ontem, por volta da uma da tarde, sua amiga me ligou e disse umas coisas que não faziam um pingo de sentido para mim. Ela está bêbada, não estava? Foi você que mandou ela zoar com a minha cara, não foi?
Mas que... idiota!
— Ei, não a ofenda dessa forma. É claro que ela não estava bêbada! – Menti sim, na maior cara dura. Não ia deixar ele agir assim com a Fabi. — E é claro que eu não mandei ela te ligar só pra zoar com a sua cara. Se toca, Christian!
Virei as costas para ele e segui rumo a nossa sala, pois o sinal tinha acabado de tocar.
— Mas então porque ela me ligou? – Perguntou ele intrigado, vindo logo atrás de mim.
Como ele pode ser tão burro desse jeito? Como é possível?
— Me deixa em paz, Christian. Não estou com um bom humor hoje!
— É, tô vendo. – Ele bufou e foi para o outro lado da sala, sentando-se bem longe de mim.
Ainda bem, porque eu estava tão puta naquele momento, que seria capaz de pegar a cabeça dele e bater sem parar na parede até ele cair na real.
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