Tudo de Mim
28 Atraídos um pelo outro.
Notas iniciais
— Tem uma coisa que eu quero te mostrar faz um tempinho.
Lorenzo veio passar o final de semana por aqui na cidade para ficarmos mais perto um do outro e aproveitar nossos momentos tão preciosos juntos.
— Ah, é? Então me mostra! – Digo, animada ao pegar uma batatinha.
Ele sabe mesmo como conquistar uma garota.
Não só com o fato de ser lindo de morrer, ser atencioso, educado, gentil e completamente apaixonante em vários sentidos. Hoje, por exemplo, antes de vir até a minha casa ele passou numa lanchonete e comprou umas batatinhas fritas para mim.
Ele sentou-se na minha cadeira, em frente à minha escrivaninha, e ligou meu laptop. .
Eu sentei em seu colo para poder observar mais de perto.
Meus pais estavam lá em baixo vendo tevê.
— Eu não acredito! Você tem um blog?
Olhei para ele, surpresa.
— Não é exatamente um blog. É um portfólio online.
Agora eu estava boiando.
— Tá... Explica melhor isso.
Ele sorriu, carinhosamente.
— É simples. Eu criei um site com meu nome e coloquei nele todos os meus trabalhos fotográficos, junto do meu contato, caso algum profissional se interesse e queira conversar melhor comigo ou até mesmo me contratar e saber mais sobre o meu trabalho. Entendeu? – Assenti. — E eu acho que você deveria fazer o mesmo.
— Eu?
— Sim. Porque não?
— Ah, não sei.... Parece complicado para mim. E além do mais, quem iria se interessar pelas minhas fotos? Eu sou uma amadora! E eu não sei se conseguiria manter meu portfólio atualizado.
— Não diga isso! – Ele parecia realmente chateado comigo. — Quantas vezes vou precisar dizer o quanto você é ótima e tem talento? – Ele me roubou um beijo. — Luci, você precisa acreditar mais em você. Eu acredito em você, seus pais acreditam em você, seus amigos acreditam em você. Acredite em nós também!
Abaixei a cabeça, constrangida.
É claro que ele tinha razão. Qual era a minha dificuldade em acreditar que eu tinha algum potencial na vida? Chega de se menosprezar, Luciana. Credo!
— Se você tiver interesse, eu posso te ajudar. Olha, nem eu mesmo consigo manter o meu portfólio atualizado. Mas quem sabe agora poderemos ajudar um ao outro, o que você acha?
— Bom, eu acho que seria uma boa. – Sorrio.
— Então você topa fazer um?
— Sim! Podemos começar agora!
— Não.... Agora não. Temos outras coisinhas para fazer.
Então ele me pega no colo e me leva até a minha cama, onde ele me deita e começamos a nos beijar intensamente e dar alguns amassos. Por sorte, a porta do meu quarto está fechada. Assim não corremos o perigo dos meus pais darem de cara com essa cena nada picante. Seria constrangedor até mesmo pra mim.
Meu celular começa a tocar feito um louco. Mas eu ignoro.
Deve ser a Fabi ou o Chris com seus dramas de transar ou não transar.
Como se eu tivesse resposta e solução pra tudo nessa vida.
— Você não vai atender? – Lorenza pergunta ofegante, com a boca próxima ao meu pescoço.
— Não. Deixa tocar. Não deve ser nada importante. Eu retorno depois.
Voltamos a nos beijar, mas o barulho começa a ficar irritante demais.
— Droga! – Suspiro e me sento, afastando o Lorenzo. Me estico e pego o celular sobre a escrivaninha. É o nome do Luiz que pisca na tela.
— Você deveria atender.
— Mas e se for o Alex usando o irmão para falar comigo?
— Talvez seja importante.
— Mas eu não quero falar com ele!
— Talvez não seja ele.
— Mas...
— Luci. Por favor, atenda.
O.K. Dessa vez vou atender.
— Alô?
Houve um longo momento de pausa.
— Oi... Luiz?
— Luci, é você? Luci, por favor. Vem aqui. Aconteceu uma coisa. – Ele falava tão rápido que mal dava pra entender. E parecia estar apavorando. Chorando muito. — É urgente. Eu preciso de ajuda! Eu não sei o que fazer. Eu não sei!
— Ei, Luiz. Calma. Respira fundo. E me conta devagar o que está acontecendo. Porque você está chorando?
Meu corpo todo fica tenso no mesmo minuto.
— É minha mãe. Ela está com problemas.
Parece que quanto mais eu tento me afastar dos dramas dessa família, mas eles insistem em que perseguir.
— Tudo bem. Eu vou até aí. Mas eu não sei onde vocês moram agora. Você pode me passar o endereço por mensagem?
— Ta bom. – E ele desliga.
— Algum problema? – Lorenzo pergunta.
— Parece que sim.
Começo a colocar meu All Star depressa, depois procuro algum casaco.
— Preciso ir até lá. Parece que aconteceu alguma coisa.
— O.K. Eu te levo. – Ele se levantou no mesmo instante.
— Não! Não precisa. Você não tem essa obrigação.
— Mas eu quero! Vamos lá.
Não sei nem porque não cogitei a possibilidade do Lorenzo me levar de carro, já que seria tão mais rápido do que pegar o ônibus e atravessar a cidade.
Eu sou muito cabeça oca as vezes.
Quando chegamos em frente o tal endereço, eu comecei a me sentir muito apavorada e tensa também. A casinha parecia pequena e muito simples. E sombria! Eu não queria entrar, estava com medo. Mas sentia que deveria fazer isso.
Pelo Luiz.
— Quer que eu vá com você? – Lorenzo pegou a minha mão.
— Por favor.
Descemos do carro ao mesmo tempo e seguimos rumo a entrada da casa.
A porta estava só encostada.
— Luiz? – Chamei no escuro.
Ele veio correndo até nós. Surgiu não sei de onde.
— Por aqui. Rápido!
Seguimos por um corredor também escuro.
— Cadê as luzes dessa casa? – Perguntei, mas não houve resposta.
Luiz me puxou pelo braço até a única luz acessa naquela casinha. A luz do banheiro, onde me deparei com a mãe dele estirada no chão. Totalmente inconsciente e com uma garrafa vazia de bebida alcoólica estraçalhada ao lado.
— Meu Deus! – Levei a mão até a boca, em choque. — O que aconteceu?
O Luiz, coitado, estava tão apavorado com tudo aquilo que nem conseguia falar. Acho que não conseguia nem raciocinar. Era obvio que ele sabia tão pouco quanto eu sobre aquela situação. Ele só sabia chorar e gaguejar e se tremer todo.
A minha sorte era que o Lorenzo estava ali e ele tinha um raciocino muito mais rápido do que o meu.
Imediatamente ele se abaixou e verificou o pulso dela.
— Ela deve ter desmaiado.
Luiz suspirou ao meu lado, parecendo aliviado. Mas continuou chorando feito um garotinho de cinco anos. O que era totalmente compreensível. Afinal, qualquer um agiria da mesma forma diante de uma situação como aquela.
Eu tinha milhares de perguntas: O que ela fez? Como chegou a esse ponto? O que está acontecendo aqui? Cadê o idiota do Alexandre? Porque você não ligou para a emergência? Porque não procurou pela ajuda de algum vizinho? Porque me ligou?
Mas não era hora para perguntas. Era hora de tomar alguma atitude.
— Vamos leva-la ao hospital mais próximo.
Abaixei-me e ajudei o Lorenzo a levanta-la e carrega-la até o carro.
— Luiz, pegue dela tudo que encontrar. Principalmente os documentos!
Ele foi muito ágil. Coisa que me impressionou.
Assim que ele entrou no banco de trás, Lorenzo deu partida.
Entramos no primeiro hospital que encontramos diretamente pela emergência, onde várias enfermeiras se aproximaram e tomaram conta da situação assim que nos viram, pedindo a todo tempo que nós nos acalmássemos que tudo se resolveria.
— Ei, fica calmo. – Apesar de estar igualmente apavorada, eu tentava não demonstrar isso na frente dele para não piorar tudo. — Ela vai ficar bem.
— Fiquem aqui me esperando. – Lorenzo disse, todo o tempo muito calmo, apontado para a sala de espera, que por sinal estava lotada. — Vou buscar algo para ele beber.
Dois minutos depois ele voltou com uma água para o Luiz.
— Me dá os documentos dela. – Pedi ao Luiz. — Vou até a recepção tentar colher alguma informação para você.
Lorenzo me acompanhou.
— Ele é um garotinho forte. – Disse ele enquanto esperávamos a boa vontade da recepcionista em nos atender.
Alguns longos minutos depois ela disse:
— Me desculpem, mas não tenho nenhuma informação ainda sobre o caso.
Eu quase voei no pescoço dela. Mas o Lorenzo percebeu antes e tentou me conter.
Voltamos para perto do Luiz, na sala que esvaziava aos poucos conforme as horas iam passando. Ele estava muito quieto, de cabeça baixa. Mas não parecia mais tão apavorado. Nem mesmo estava chorando. Ele realmente era muito forte.
— Meu irmão está vindo para cá. – Ele murmurou. — Ele vai chegar logo.
Foi só falar que, de repente, o Alexandre surgiu. Entrou na sala como um foguete, todo desajeitado e com os cachos atirando para todos os lados. A primeira pessoa que ele viu foi o irmão, a quem ele abraçou forte e pediu um milhão de desculpas.
Quando ele enfim se recompôs, ele me viu. Ele nos viu.
— Ah, oi. Por acaso vocês têm alguma informação?
Lorenzo e eu fizemos que não.
Meu coração batia a mil.
Eu não sei para que eu estava menos preparada: para lidar com toda essa situação ou em rever o Alex depois da última ceninha que fizemos no meio da rua.
— Vou tentar saber alguma coisa. – Ele desapareceu.
Ficamos aguardando.
Quase roí todas as minhas unhas, mas não importava. Porque o esmalte estava mesmo horroroso, todo descascando.
— Vocês só podem estar de brincadeira!
Até então estava tudo muito calmo, tranquilo e assustadoramente silencioso. Aquele típico climão pesado de hospitais. Mas a voz exaltada do Alex foi como um trovão em meio ao céu nublado. Pegou todos que estavam ali de surpresa.
Fomos correndo até ele saber o que estava acontecendo.
Quando ele chegou aqui, mesmo que não tenhamos trocado nenhuma palavra, percebi que ele estava assustado, mas estava calmo. Mas agora não era bem assim. Ele parecia muito furioso. Gritando com todos. Querendo saber algo sobre sua mãe.
E isso foi o bastante para fazer o Luiz voltar a chorar com medo.
— Leve-o de volta para a sala de espera. – Pedi ao Lorenzo. — Vou tentar dar um jeito nisso.
Me aproximei do Alex morrendo de medo de ser esmurrada, mas felizmente consegui sobreviver e puxá-lo com o máximo de força para longe antes que chamassem a segurança que o chutassem diretamente para a rua.
— Você ficou doido?! – Eu meio que o joguei contra a parede, do lado de fora do hospital. — Você assustou seu irmão, sabia? Pelo amor de Deus, não dificulte ainda mais as coisas, Alexandre. Vê se acalma e seja paciente por algumas horas.
Virei as costas, disposta a deixa-lo ali sozinho, para refletir sobre suas atitudes, mas ele me puxou de volta.
— Obrigado. – Disse ele, olhando fixamente para mim. — Eu nem sei o que teria acontecido de pior a ela se vocês não tivessem chegado a tempo.
— Tudo bem. – Dei de ombros, como se aquilo não fosse significativo — Agradeça ao seu irmão por ter me ligado.
— Mas você não tinha a obrigação...
— Não... Mas...
— Obrigado.
Ele me puxou para um abraço. Um abraço desajeitado e longo até demais. Comecei a me sentir desconfortável, até ele começar a chorar no meu ombro e eu mudar de desconfortável para assustada.
— Não chora. Por favor!
Eu realmente não sei lidar com homens que choram.
Levei-o para se sentar ali em um banquinho antes que ele desabasse.
— Eu não sei o que aconteceu! – Ele abaixou a cabeça para esconder as lágrimas. Acho que estava envergonhado. — Ela parecia tão... Normal. E tão bem. Já estava começando a ajudar na casa e fazendo planos para o futuro. Tinha até prometido que ia tentar melhorar, ser uma mãe melhor e parar de beber e causar problemas. Mas pelo visto era tudo encenação. Ela devia estar bebendo escondido no banheiro, perdeu o controle e..... Desmaiou. Não sei. Ou então, sei lá, tentou se matar. Cansou de tudo.
Não sei porque ele estava me dizendo todas aquelas coisas.
— Não. Foi só um acidente. Ela vai se recuperar rapidinho.
Eu estava tentando enganar quem?
— Eu não sei! Nós não sabemos. E esse é o pior! – Ele ergueu a cabeça para respirar melhor e enxugar as lágrimas, mas não me olhou. — Por isso eu surtei.
— Eu entendo. Mas tente ser mais controlado agora, tá? Seu irmão está assustado e com medo. Tanto quanto você. Tenho certeza que estão cuidando de tudo lá dentro.
— Mesmo que ela saia daqui bem, eu simplesmente não sei o que fazer depois. Abandoná-la de vez? Deixar ela fazer o que quiser? Interna-la numa clínica ou em um hospício? Colocar a culpa toda no meu pai? Mentir para o meu irmão? Leva-lo para longe daqui? Eu estou perdido, Luciana. Estou completamente perdido!
Ele curvou a cabeça de novo e começou a chorar ainda mais, com os ombros tremendo violentamente.
Meu coração parecia exprimido.
Eu tinha que fazer alguma coisa! Porque só palavras parecia não ajudar. Então, sem pensar muito, me aproximei um pouco mais dele e coloquei minhas mãos em suas costas para dizer que eu ainda estava ali e que ele podia se abrir comigo.
— Me desculpe pelo vexame. – Algum tempo depois ele enfim parecia ter se acalmado mais. Ele até conseguiu sorrir e olhar para mim. — Nossa! Que vergonha!
Eu sorri também, mas ele não continuou sorrindo. Ele ficou sério de repente, mas continuou olhando para mim. Isso meio que me deixou paralisada e sem ar.
Eu não estava esperando por algo assim. Nem se passou pela minha cabeça que em algum momento ele tentaria me beijar. Mas foi o que aconteceu.
Ele me beijou! Do nada ele me beijou!
— Eu ainda te amo tanto. – Sussurrou ele com a boca colada na minha. — Sinto sua falta, Luciana. Queria que você ainda fizesse parte da minha vida, mas parece que isso nunca mais vai acontecer. Você parece tão distante agora. Com todos esses meus problemas entre nós, sinto que não tenho espaço para mais nada. Nem mesmo para você, a coisa mais preciosa que já aconteceu na minha vida.
Agora quem estava chorando era eu.
— Você merece ser feliz. Merece coisa melhor do que eu.
Ele simplesmente se levantou e se foi, deixando-me ali paralisada.
Uma parte de mim queria gritar, implorar para ele voltar, porque ainda não tínhamos terminado o que ele começou. Poderíamos nos beijar a noite toda, mas só depois de conversar e resolver tudo. Mas outra parte de mim me fez voltar no tempo. Retomar a aquela noite, na pizzaria, quando eu olhei nos olhos na mãe do Lorenzo e disse que eu nunca o machucaria.
Ah, meu Deus. AH, MEU DEUS!
O foi que eu fiz?
O foi que o Alex fez?
Assim que me estabilizei novamente, respirei fundo, enxuguei as lágrimas e voltei lá para dentro, onde o Lorenzo me esperava sozinho na sala de espera.
— Eles foram ver a mãe no quarto. – Disse ele, sem eu nem precisar perguntar nada. — Pelo que disseram, ela está bem. Mas precisa de um tempo.
— Que ótimo! – Tentei sorrir. — Vamos para casa, então? Nós nem somos da família mesmo. Nem poderíamos entrar para vê-la de qualquer forma e eu nem sei se iria querer, então, basicamente, não há mais nada que possamos fazer aqui.
~*~
— Prontinho. Você está entregue. – Disse ele, todo brincalhão, quando paramos o carro na frente da minha casa minutos depois.
— Você não vai descer? – Perguntei, apreensiva. — Pensei que você ficar para dormir aqui hoje. Poderíamos por um colchão para você ao lado da minha cama.
— Parece tentador. – Ele sorriu. — Mas não. Melhor não. Prefiro que você descanse. E amanhã eu venho aqui para te pegar e darmos um passeio.
Eu queria muito que ele ficasse. Poderíamos ver um filme, comer algo e depois ir dormir ou dar vários beijinhos até pegarmos no sono abraçados. Mas eu não podia insistir. Ainda mais depois de ter sido beijada pelo meu ex e ter permitido isso.
— Ta bom, então.
Me inclinei e lhe dei um beijinho rápido, só então desci do carro.
Segui até a minha porta me sentindo muito mal. Com um grande peso na consciência. E eu sabia que ele ficaria ali até eu desaparecer de vista. Então eu voltei.
— Esqueceu alguma coisa?
— Não. Sim. Não sei.
Precisei de uns minutos até criar coragem e ser franca.
— Alguns minutos atrás, um pouco antes de virmos embora, Alex e eu nos beijamos lá fora, enquanto eu tentava acalmá-lo. Na verdade, ele me beijou! Mas eu não fiz nada para impedir. Então, de qualquer forma, sou tão culpada quanto. E eu só queria que você soubesse disso porque...
Nem consegui terminar de falar, porque na mesma hora as lagrimas vieram com força total.
— Me desculpe. Eu não queria te machucar. Eu nunca quis te machucar, Lorenzo.
Me sentia tão mal que nem conseguia olhar nos olhos dele.
Enquanto eu tentava conter minhas lágrimas, Lorenzo permaneceu calado do tempo todo. Acho que me odiando por ser uma ordinária. Ele nunca mais iria querer me ver e com toda razão. Eu levaria essa culpa por toda a minha e nunca me perdoaria.
— Tudo bem, Luci. Obrigado por me contar a verdade.
Olhei para ele, sem entender.
— Eu já esperava que isso algum dia aconteceria. – Ele se explicou. — Vocês ainda se amam e desejam um ao outro.
Abri a boca para dizer algo, mas ele me interrompeu:
— Não estou dizendo que eu super apoio e levo isso numa boa. Porque é difícil para mim também. Eu gosto de você, poxa! Mas sei que você jamais vai me amar como ama ele. E tudo bem. Eu nunca esperei ou exigi isso de você. Se estou com você agora, é porque gosto da sua companhia. Gosto de você inteira.
— Eu gosto de você também, Lorenzo.
— Sim, mas você nunca vai me amar. Entende isso? Pode ser que eu não ame você agora. Pelo menos ainda não tenho cem por cento de certeza. Mas acho que pode acontecer de algum dia eu chegar a te amar muito e você não poder retribuir.
— Você não tem como saber disso!
Eu não sei o que dói mais: o beijo do Alex, a tristeza dele, machucar o Lorenzo, não ter respostas ou não amá-lo o bastante nesse momento para me decidir de uma vez por todas que eu quero ficar com ele, só com ele, hoje, agora e pelo tempo que for.
— Mas e agora, o que nós faremos? – Pergunto, aflita.
Meu coração bate depressa.
— Acho que devemos dar um tempo, sabe?
— Não! Isso não! – Volto a chorar. — Não quero ficar longe de você!
— Eu sei, eu sei. Eu também não quero. Mas as coisas começaram a ficar complicadas. Lembra-se que o propósito de tudo isso era totalmente o contrário?
— Sim! Mas, não vai acontecer de novo. Eu prometo! Nada disso vai acontecer outra vez. Vamos apenas ficar juntos. Eu preciso de você! Eu quero você.
O espaço que nos separa nesse momento parece infinitamente maior. E eu não quero isso. Eu quero ficar perto dele. Quero senti-lo por inteiro. E por essa razão, eu saio do meu banco e pulo no colo dele. Eu o abraço, puxando-o para mim.
— Eu amo você, Lorenzo. Me desculpe se ainda não é o bastante.
Enterro meu rosto no seu ombro e choro.
— Eu também amo você, Luci. Você é especial demais para mim!
Ele toca meu rosto e faz com eu encoste minha testa na dele.
— Vamos só ficar juntos. – Eu estou quase implorando, o que é meio ridículo. Acontece que eu não sei mais o que fazer ou dizer.
Eu só não quero perde-lo.
— Ta bom. Vamos ficar juntos. – Ele sorri de leve. — Não sei dizer porque é tão diferente com a gente. – Ele passa a mão de leve nas minhas costas e continua me olhando profundamente. — Somos duas pessoas que querem ser amigas, mas que as vezes, ficam atraídas uma pela outra. Será que isso é normal?
Consigo dar uma risadinha.
— Eu não sei. Nada mais nesse mundo parece normal. – Volto a ficar séria e toco suavemente o rosto dele. — Principalmente as coisas que eu sinto por você.
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