Tudo de Mim
23 A culpa é minha.
Notas iniciais
Tem sido uma das piores fases da minha vida. Pior do que qualquer outra coisa pela qual já passei antes. Muito pior do que estar desesperado para tirar notas boas e se livrar logo do colégio. Muito pior do que não ter grana o bastante para comprar aquilo que você deseja a meses. Muito pior do que chorar por ter caído do balanço e todos rirem de você. Só não parece pior do que abrir mão da pessoa que você ama.
Até hoje eu fico me perguntando se eu fiz a coisa certa.
Uma voz na minha cabeça diz que sim. Que foi uma decisão muito corajosa da minha parte. Mas a outra voz insiste em dizer o quanto eu fui estupido e cruel.
Pode ser que eu me arrependa disso pelo resto da minha vida. É muito provável que sim. Já que eu nunca faço nada direito. Mas pode ser que com tudo isso eu finalmente aprenda alguma coisa. Finalmente aprenda a ser um cara melhor.
— Alex, querido, será que pode me ajudar a encontrar o abridor de garrafas?
— Não, mãe. Eu realmente não posso cooperar com isso.
Minha vida é uma grande bagunça nesse atual momento.
Ainda estou tentando entender tudo isso.
Faz algumas semanas que nós mudamos de casa. Tivemos que sair da casa grande em um bairro de alto padrão para morarmos numa casinha com poucos cômodos em um bairro cheio de outras casinhas igualmente simples e pequenas.
Isso nunca teria sido um problema para mim já que eu nunca liguei muito para dinheiro. Desde que me entendo por gente sou um cara que apesar de ter tudo, sempre preferiu coisas mais simples, discretas. Nada muito extraordinário e sofisticada. Mas tem sido um grande problema para minha mãe lidar com a falta de dinheiro.
De um dia para o outro ela perdeu tudo por causa do meu pai que por ganancia botou tudo a perder. Inclusive nossa família para ficar com outra mulher que o ajudava com propina. A sensação que eu tenho é que minha mãe foi jogada de cima de um precipício onde tudo era perfeito e mágico e agora ela está largada no chão, sem nada e ferida.
Pelo menos é isso que ela acha.
Pois ela ainda tem a mim. Ela ainda tem ao meu irmão.
Minha mãe sempre foi uma megera, exibindo suas roupas caras, suas joias, sua grande mansão, seu carro importado, seu celular de última geração. Ela sempre se importou muito com o que as pessoas iriam pensar ou falar dela. Na cabeça dela, nós tínhamos uma imagem a ser zelada. Para que pensássemos que éramos felizes e que tínhamos tudo que sempre merecemos. Quando na verdade não era bem assim.
Mas ela gostava de fingir que era, principalmente na frente de seu ciclo de amigos. Amigos que hoje sumiram todos e nem se quer ligaram para saber como ela estava e se estava precisando de alguma coisa. Hoje ela mal sai de casa. Por vergonha de todos saberem a nossa verdadeira realidade: um marido traidor e um pai ladrão.
No começo, quando descobrimos as mentiras do meu pai ela ficou arrasada. Mas fez de tudo para tentar defende-lo, dizendo que éramos uma família e que família deve se manter unida em todos os momentos. Aí começaram as investigações contra o meu pai. E nós descobrimos cada vez mais podres dele. E ela foi caindo lentamente, até chegar um momento em que ela não saia da cama por nada. Nem mesmo queria comer. Eu fiquei muito preocupado, achando que ela estava doente. Entrando em uma profunda depressão. O médico dela pensava o mesmo e depois de eu insistir muito e alegar que ela estava sem condições alguma de ir até ele, ele veio até nós e eles começaram algumas sessões dentro da nossa própria casa.
O advogado da família também deu vários conselhos a ela. Pedindo para que ela fosse forte nesse momento e dar a volta por cima. Mostrando ser uma mulher guerreira que foi cruelmente enganada pelo marido infiel e que não tinha nada a ver com as coisas que ele tinha feito. Conclusão: ser a vítima e sair dessa com tudo em cima.
Isso meio que funcionou, pois de uma hora para outra minha mãe tinha deixado a tristeza de lado e se mostrado uma mulher mais determinada. Disposta a acabar com o marido infiel e colocá-lo atrás das grades a qualquer custo.
E ela conseguiu. Meu pai foi preso. E agora ela era uma mulher livre e divorciada. Mas com isso nós perdemos muita coisa: a casa, o carro, os móveis, uma boa quantia no banco e restou muito pouco para dar conta de tudo. Principalmente das coisas as quais ela estava acostumada a ter. Então foi preciso sacrificar algumas coisas que ainda tínhamos para conseguir sobreviver e começar do zero.
É o que venho tentando fazer ultimamente: ajudar.
Minha mãe pode nem sempre ter sido a melhor do mundo. Principalmente comigo que ela achou que poderia determinar cada passo que eu daria mesmo depois de adulto. Mas ela ainda é minha mãe e sempre será. Eu tenho muita gratidão por ela. E preciso fazer isso não só por ela, mas como também para o meu irmão caçula que mesmo sem a gente querer está envolvido nisso também.
— Você é muito mal-agradecido, sabia? – Ela resmungou, aborrecida.
E continuou vasculhando as caixas espalhadas pela nossa nova casa. Eu bem que tentei insistir para nos livrarmos delas e colocar as coisas eu seus novos e devidos ligares. Mas ela se recusou, dizendo que não iriamos ficar ali por muito tempo. E que em breve voltaríamos para nossa casa. Desfazer as caixas não era necessário.
Eu duvidava muito que isso fosse acontecer algum dia. Nossa atual situação financeira deixava isso muito claro. E além do mais, a casa já deveria estar à venda e muitas pessoas devem estar interessadas nela, pois ela tem uma ótima estrutura e localização.
Eu tento convencê-la de que seria melhor procurarmos outro lugar assim que for possível. Um lugar um pouco maior se é isso que ela quer. Mas que seja longe daqui. Longe desse lugar tão cheio de más recordações. Recomeçar do zero para valer. Fazer tudo do jeito certo dessa vez.
Mas quem disse que ela me escuta?
Vê-la vascular as caixas de forma desesperada estão começando a me deixar irritado. Ela está espalhando tudo como se tivéssemos alguém que limpasse tudo para nós depois. Minha mãe ainda não entende que estamos falidos. Que o pouco que temos agora é tudo que temos.
Ela precisava se conformar.
— Mãe, esquece isso. – Levanto-me do sofá velho que já estava na casa quando a alugamos e vou até ela. — Você não vai beber mais hoje. Sua cota do dia esgotou.
Eu realmente não sei o que é pior. Tem uma mãe afogada na depressão relutante a sair da cama até mesmo para ir no banheiro. Ou uma mãe descontrolada, totalmente desequilibrada que tem um novo hábito: beber como se não houvesse amanhã.
Eu não vou permitir que ela siga por esse caminho. Não mesmo.
— Se não parar com isso vou jogar todas essas garrafas fora agora mesmo.
Ela me olha assustada.
— Você não tem esse direito, Alexandre! Eu sou sua mãe!
— É você que não tem o direito de foder ainda mais com as nossas vidas. – Digo seriamente, olhando bem nos olhos dela. Isso parece fazê-la se encolher ainda mais.
Estou farto de discutir com ela sobre isso, então para evitar que isso se agrave ainda mais, saio dali o quanto antes e vou até o quarto que estou dividindo temporariamente com o meu irmão no final do corredor.
— E aí, maninho. Já terminou a lição?
Luiz mexendo no celular, jogado na única cama presente no cômodo a qual ele estava dormindo ultimamente.
Eu fiquei com um colchãozinho no chão.
— Já sim. Quer ver?
Fiz que sim e dei uma olhada no caderno dele.
O peso das minhas costas era enorme. Eu me sentia como se tivesse exercendo a função que meu pai nunca teve nessa família: o homem da casa.
Minha mãe sempre fui muito fútil. Ou ela estava ocupada com o trabalho que ela sempre amou muito ou ela estava ocupada gastando o dinheiro da família com coisas que na maioria das vezes ela nem usava, mas fazia questão de ter no closet.
Meu pai também sempre foi muito frio e distante. Igualmente ocupado com o trabalho ou jogando golfe com os colegas ou por aí bebendo alguns drinques.
Ah, não posso esquecer desse detalhe: e também roubando e ficando com outras mulheres.
No momento, eu estou assumindo a função de pai e mãe ao mesmo tempo. Tendo que pegar no pé do meu irmão para se sair bem na escola. Tendo que ficar de olho nas contas e nos gastos. Tendo que fazer as tarefas da casa já que minha mãe se recusa a lavar uma louça para não destruir as unhas que agora ela não tem dinheiro para refazer. Tendo que manter tudo organizado e limpo. Tendo que controlar o que entra e sai. O que se compra ou não.
Acho que eu nunca fui tão adulto quanto agora.
As pessoas devem se perguntar o tempo todo porque é que eu estou fazendo tanto sacrifício, deixando minha vida de lado por um tempo para cuidar das coisas por aqui. E a resposta é a seguinte: é a minha família, é o meu dever e minha obrigação. Eu sinto que se eu colaborar as coisas vão se resolver depressa e logo, logo eu poderia voltar para minha casa, para a minha vida, para as minhas coisas com a sensação de missão cumprida.
É tudo que desejo no momento.
— Você está com fome? – Pergunto a ele, depois de lhe entregar seu caderno. — Podemos sair e comprar alguma coisa fora.
— Eca. Não! – Ele faz uma careta sem tirar os olhos do celular. — Aposto que você vai querer me levar a algum lugar onde só se come vegetais. Eu nem sei como a Luci aguentava isso.
Luci...
Só de tocar no nome dela me sinto estremecer.
Eu me sinto péssimo por ter feito o que fiz com ela.
Mas não tinha outro jeito. Eu precisava resolver isso sozinho, sem que ela sentisse a obrigação que tinha que me salvar de alguma forma. Eu precisava cuidar da minha família. Dedicar-me totalmente a ela, porque eles precisavam de mim mais do que nunca. E eu não queria envolve-la ainda mais nisso. Não achava que ela merecesse. É um fardo muito pesado para uma garota de dezessete anos que tem que ter como única preocupação em que faculdade vai ingressar em poucos meses.
Eu sempre admirei a Luciana por ser tão madura para a idade dela. Mas mesmo assim... Ela ainda é uma menina. Uma menina que está no último ano do colégio. Uma menina que precisa dedicar-se a isso agora. Em tirar notas boas, se preparar para o vestibular, passar nas provas, se matricular em uma faculdade, pensar no futuro, estar com a sua família, com seus amigos e acima de tudo, se divertir e ser feliz.
Eu sabia que se continuasse com ela mesmo com tudo isso acontecendo na minha vida, ela acabaria se envolvendo demais. Acabaria se preocupando demais e tentando ajudar demais. A Luci é aquele tipo de garota que faz qualquer sacrifício pelas pessoas que ela ama. E sabendo que eu era uma dessas pessoas, ela faria qualquer coisa por mim e acabaria perdendo um pedaço de si mesma para completar um pedaço que eu estava perdendo de mim.
E isso eu não poderia suportar.
Seria mais um fardo que eu teria que carregar.
Eu não suportaria vê-la triste por eu estar triste, vê-la chorar por eu estar chorando, vê-la infeliz por eu estar infeliz, vê-la preocupada por eu estar preocupado.
Eu não suportaria!
E foi aí que eu parei para pensar e tomei uma decisão: afasta-la da minha vida. Mesmo que fosse doloroso e difícil. Era o que precisava ser feito. As vezes certos sacrifícios precisavam ser feitos para o bem ou para mal. Eu sei que nesse caso parece que foi para o mal, que fiz a coisa errada. Mas é só por enquanto. Pois eu tenho certeza que logo, logo vai passar e ela vai perceber que foi só para o bem dela.
O tempo todo eu só pensei nela.
Posso não a ter ao lado agora quando mais parece que preciso de alguém que me ajude a carregar esse peso, mas pensar nela me faz ter forças, me faz acreditar que posso fazer isso sozinho. Não só por mim, mas também pela minha família e principalmente pelo meu irmão que não merece passar por tudo isso sozinho.
— Não envolva a Luci nessa história.
— Porque? – Luiz deixou o celular de lado e me analisou. — Você ainda pensa muito nela, né?
— Sim, basicamente o tempo todo. – Admito.
— Então porque você não vai atrás dela?
— Não é tão simples assim, Luiz.
— É claro que é! Aposto que ela também sente muito a sua falta.
— Acho que sim... mas eu não posso.
— Porque? Você já tem outra namorada?
— É claro que não!
— Então.... Porque? Você não ama a Luci?
— Eu amo, mas.... Eu amo mais você. E preciso focar nisso agora.
— Eu não preciso de você o tempo todo!
— Mas a mamãe precisa.
— Mas a mamãe já é adulta. Ela sabe se cuidar sozinha.
— Não sabe não. E você e eu sabemos disso.
— Mas a Luci também precisa de cuidados.
— Não precisa não.
— Como você sabe? Você nem liga para ela para saber como ela está!
— Nós terminamos!
— Não. Você terminou com ela...
— É, eu terminei. Foi pelo bem dela.
— Como você pode ter tanta certeza? Aposto que ela discorda de você.
— Ela pode até discordar. Mas eu já tomei a minha decisão.
Isso o calou por alguns instantes.
— Você não tem medo? – Perguntou ele, segundos depois.
— Medo do que?
— De perdê-la para sempre.
Isso me calou também.
— É um preço pelo qual tenho que pagar. — Respondi, por fim.
Perder a Luciana nunca foi uma cogitação. Nós brigávamos muito por qualquer coisa e terminamos muitas vezes. Mas nós sempre acabávamos voltando um para o outro. Essa era uma das poucas certezas que eu tinha. Pois eu sabia que apesar de tudo, nós nos pertencíamos. E era assim que funcionava: sempre achávamos um jeito de voltar e recomeçar.
Só que dessa vez é diferente. E eu sabia disso no exato momento em que tomei minha decisão. Eu precisava ser firme e forte. Precisava me afastar dela em todos os sentidos para que ela fosse incapaz de encontrar o caminho de volta.
Eu precisava que ela me odiasse por isso, porque só assim seria mais fácil para ela seguir em frente.
Eu precisei agir feito um idiota. Isso tudo fazia parte do plano. Ou não daria certo e acabaríamos cedendo e voltando e estragando tudo até não restar mais nada.
Eu sei que fui cruel por saber que isso iria despedaçar o coração dela fazendo com que provavelmente ela nunca mais fosse me querer por perto. Mas essa era a real intenção: afasta-la definitivamente. Para o bem dela. Eu tenho que acreditar nisso. Tenho que acreditar que o que fiz, por mais errado e cruel, foi só para o bem dela.
— Será que ela gostou do presente de aniversário?
Foi um erro estupido ter mandando aqueles mimos no dia do aniversário dela.
Não era justo, ainda mais quando já tinha se passado tanto tempo desde que terminei com ela e que agora ela já poderia estar bem melhor sem mim.
Eu nem sei o que se passou pela minha cabeça quando eu comprei aquelas coisas.
A única coisa que eu sei é que eu não queria que uma data tão importante na vida dela passasse em branco. Eu queria que ela soubesse que apesar de eu ser um imbecil, eu sempre a amaria mesmo que eu já não a merecesse e talvez nunca tenha merecido.
— Espero que tenha gostado.
— Aposto que ela devorou os chocolates em três segundos!
Então nós rimos.
Eu sabia que o Luiz sentia muita falta da Luci também. Eles tinham rapidamente se tornado bons amigos. E eu sabia que ele secretamente desejava que eu me tornasse homem o bastante para ir atrás do perdão dela. Mas eu não podia fazer isso agora, nem por ele, nem por mim, nem por ninguém. Certamente esse não era o momento certo. E provavelmente quando for, será um pouco tarde demais.
Eu não vou ficar aqui me lamentando por isso. A merda já foi feita. Não tem volta. Eu a feri, eu a machuquei, eu a fiz sofrer. Eu sinceramente não acho que isso tenha perdão. Nem hoje nem em um milhão de anos. Tudo que eu quero agora é sair dessa situação. Salvar a minha família. E quero que ela seja feliz mesmo sem mim.
Tudo que passamos juntos nos últimos anos vai estar marcando para sempre na minha vida. Coisas que eu jamais esquecerei e farei questão de levar para sempre comigo em cada momento da minha vida como um aprendizado, uma lição.
Um motivo para tentar ser um alguém melhor.
Meu celular começou a tocar de repente dentro do bolso da calça.
Xavier.
— Oi, e aí cara?
Fui até lá fora para podermos conversar melhor.
Estava fazendo um friozinho agradável essa noite estrelada.
— Alex? Lembra daquela festinha que te convidei pra ir comigo?
— Sim. Era hoje, não é? Olha eu sinto muito...
Já ia inventar uma desculpa qualquer por não ter podido ir para ficar aqui cuidado da minha família.
Eu não estava muito para festas ultimamente. Elas já não tinham tanta graça assim com a minha cabeça cheia de merdas. E eu corria o risco de encontrar a Luci em qualquer uma delas. E eu não queria vê-la agora. A dor por ter aberto mão dela ainda era muito forte no meu peito.
— Não, cara. Sem problemas. – Ele me interrompeu. — Mas adivinha só quem está aqui.
— Hm... Não faço ideia.
Ele deu uma risada.
Lá vem o Xavier e sua lista interminável de “gatinhas” por quem ele é afim.
— Sua namorada, cara! E ela não está sozinha.
— Como é que é? A Luci está aí?
— É, ela tá aqui sim. E parece muito bem acompanhada.
Por motivos óbvios isso me deixou transtornado.
Eu sou um imbecil e um completo estupido por tê-la deixado de uma hora para outra quando eu poderia muito bem ter tentado lidar com tudo isso ainda com ela ao meu lado, mas se tem uma coisa que eu ainda não estou preparado é lidar com o fato de que ela já está em outra, mesmo sabendo que isso aconteceria uma hora ou outra.
— Como ele é? O cara que está com ela. Como ele é?
— Um gato, para ser bem sincero. – Disse ele, rindo. Muito provavelmente já bem chapado para admitir que um cara era um gato. — Não muito alto, magro, cabelo daora, olhos claros. Nem parece desse país! O cara é puro estilo.
Nem preciso de mais detalhe.
Essa pequena descrição já me faz lembrar dele. O cara que eu a vi abraçando um pouco depois da gente terminar. Em frente à casa daquele amigo dela, o Christian, quando eu fui colocar o lixo para fora.
Então eles estão juntos?
— Cara, não queria te dizer isso não, mas parece que ela está caidinha por ela! E porque não estaria? Ele é um gato. Muito mais bonito que você, amigão.
— Nossa. Uau! Valeu, hein.
Ele riu de novo.
— Alex, amigo, preciso desligar. Tem umas gatas aqui implorando pela minha atenção. Olha, sinto muito pelas más notícias. Fica bem, amigo. Tchau.
E sem mais, ele desligou.
Não sei nem porque estou tão puto agora. Eu não tenho esse direito. Não tenho direito de sentir ciúmes da garota que eu deixei por escolha própria.
Ela seguiu em frente e está feliz ao que parece. Não era isso que eu queria?
Então, só me resta me conformar.
Eu perdi. E a culpa é toda minha.
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