Tudo Pode Acontecer em Ny
6 Capítulo VI
Notas iniciais
O tempo voava, eu me espantei quando vi o meu single estreando. A recepção da critica foi boa e do publico foi razoável, para um começo ate que estava bom. Eles estavam divulgando loucamente e pensavam ate em gravar um clipe. Era tudo uma jogada de marketing eficiente e inteligente. O CD começou a ser gravado depois do elogio da critica, claro que eu estava palpitando e co-escrevendo tudo.
Minha vida conjugal estava as mil maravilhas, eu descobri que adorava bebês (principalmente o Dylan o bebê mais bonito do universo) já que eu passava grande parte do meu tempo com o Dylan. Eu o carregava para cima e para baixo. Johnny tinha ate brincado comigo dizendo que podíamos ter o nosso, mas eu revidei perguntando “Mas o Dylan já não é nosso?” eu nunca tinha visto um sorriso tão genuíno.
A mídia tinha parado de pegar no pé do Johnny, então sair na rua já não era um programa altamente perigoso. Eles estavam fazendo propaganda positiva dele. Com meu lançamento no mundo da mídia, privacidade era sonho. Mas isso eu já tinha abdicado quando casei com Johnny.
O quarteto participava de vários eventos, desde premiações musicais a políticas. Não foi surpresa nenhuma quando foram convidados para um evento militar. Era um jantar, normalmente nós levamos Dylan a tudo, mas esse Johnny pediu que eu não o levasse.
O jantar foi no saguão de um hotel muito famoso em NY. A decoração era impecável. Havia somente militares importantes e de alto escalão. Eu estava bebendo quando uma pessoa nada agradável me abordou. Quem acertar ganha um doce? Lucy. O que afinal ela estava fazendo aqui.
- Dorothea que prazer te rever. – Cretina ela ainda errou meu nome, mas eu não me estressei. E ela percebeu. – Esta na mídia como cantora. Uau. Mundo pequeno. – Como ela era sínica.
- Pequeno que chega a ser apertado. – Eu cuspi as palavras por entre os dentes.
- Meu marido é General Godfrey. – Ela apontava para um velinho corcunda no meio dos generais. – Ele é tão amável comigo. Me trata como eu mereço. – Como uma vadia cretina, pensei maldosamente. — Como uma rainha... – Eu já não prestava atenção em Lucy, eu parei para pensar de onde eu conhecia esse sobrenome. Godfrey... Oh meu Deus! Não é, isso é impossível. – O filho dele me vê como uma mãe. – Ela se gabava, enquanto eu me tocava de onde o conhecia.
- O filho dele já é um marmanjo, é mais velho do que eu. Quer saber ele é um mimado, egoísta e mesquinho. Você se vinculou a família certa. – Eu sai de perto de Lucy.
Harry Godfrey. Alto, moreno, olhos azuis e uma personalidade altamente destrutiva. Ex – namorado dos tempos de faculdade.
- Johnny, quero ir embora. – Assim que eu me toquei que o Harry podia estar aqui, fugir por enquanto era uma ótima opção.
- Por que Honey¹? – Ele me olhava no fundo dos olhos. Nós estávamos sozinhos quando eu fui aborda – lo.
- Conflitos com o passado. – Eu não consegui olhar em seus olhos.
- Só porque Lucy esta aqui? – Ele continuava bebendo tranquilamente.
- Ela, meu ex – futuro sogro e meu ex – namorado. Os Godfrey’s, eu os conheço. – Ele me olhou estranho.
- Você vai me explicar isso em casa. – Ele já me guiava saída afora.
A explicação foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Eu sabia que Johnny era explosivo, mas ciumento era um fator novo. Ele engolia cada informação possesso. Essa foi nossa primeira grande briga, ele ficou tão ignorante que não dormiu no quarto. Foi para o quarto de hospedes. Eu chorei a noite inteira e não conseguia entender o motivo de tanto escândalo.
A minha semana foi uma droga. Eu estava gravando feito louca. O Dylan foi afastado de mim e o Johnny me evitou a semana inteira. Eu acordava e ele não estava mais lá, eu ia dormir e ele ainda não tinha chegado.
- Por que, Gim? – Eu estava desesperada falando ao telefone com a Gim.
- Ele esta passando por uma fase. Vai ver ele achou que você não tinha vida social. – Ela era um amor sempre tentando me confortar.
- Pior que se acontecer alguma coisa, Susan vai ficar contra mim e ainda tenho um contrato a cumprir. – Minha situação estava realmente ruim.
- Por que você não tenta conversar com ele? – Problemas simples, soluções simples. Gim era tão pratica.
- Ele esta me evitando. – Nós passamos meia hora conversando, mais exatamente eu falando e ela me consolando.
Eu realmente odiava sextas feiras. Motivo: eu não era uma pessoa muito social. Eu esperava tudo do Johnny, menos uma coisa. Chegar bêbado em casa.
- Por que, Honey? Poooor que? De todos os homens você ficou com o Harry. Ele é um desgraçado, o pai dele é um corrupto. Tem noooçao do que eles podem te fazer? Já não basta eu tentar te proteger de todos os inimigos do quarteto, agora eu tenho que lidar com um mafioso. – Ele atropelava as palavras e falava meio enrolado.
- Eu sei me cuidar, ok? Posso me cuidar sozinha. Eu fiz isso durante dez anos da minha vida. Eu não sabia que o Harry era um idiota, ok? – Era um fato inútil discutir com um bêbado, mas a emoção dominava a razão.
- Claaaro que você pode se cuidar sozinha. – Ele era um bêbado irônico. – Com o Namor por exemplo você podia ter socado. – Eu não podia acreditar que ele estava jogando aquele incidente na minha cara.
- Seu bêbado. – Se ele queria briga, era briga. – Pelo menos eu não agi feito um idiota durante toda minha vida. – Eu não pude pensar com sua reação. Ele tinha me jogado na parede.
- Você não sabe o quanto eu te amo. – Não foi um empurrão para machucar e sim um empurrão para me prensar na parede. Ele beijava desde a curva do meu pescoço ate a minha boca.
A noite tinha sido bem agitada. Foi uma noite violenta, sem danos permanentes. Se é que me entende?
- O que eu faço com você Johnny? – Eu estava me sentindo uma idiota por ceder aos encantos de um bêbado. Não qualquer bêbado, o meu bêbado.
- Me traz uma aspirina e diz a Sue que eu não estou em condições de trabalhar hoje. Por favor. – A minha pergunta tinha sido para eu mesma, mas ele já estava acordado.
- Não antes de você me prometer que não colocar o Dylan nas nossas brigas. Poxa Johnny eu não sou a mãe de sangue, mas eu criei laços maternos com ele. É difícil estar longe dele agora. – Eu estava sussurrando em seu ouvido.
- Você pedindo desse jeitinho. – Manhoso, ele era manhoso.
- Eu estou falando serio. Ta vendo porque nós brigamos porque você não leva nada a serio. – Eu estava um pouquinho histérica essa manha, mas só um pouquinho.
- Nos brigamos por causa dos Godfrey, ok? Não dissimule as coisas. — Ele ainda estava com cara no travesseiro então sua voz saia abafada.
- Brigamos por causa do seu ciúme bobo. – Eu estava chorando para variar.
- Eu não sou ciumento. – Ele levantou da cama e foi ao banheiro.
- Você não pode chegar em casa bêbado e fazer sexo comigo e achar que esta perdoado. Isso não funciona comigo. – Como eu disse eu estava histérica.
- Você esta se saindo uma verdadeira chata. Aonde esta a Dorothy que eu conheci? – Ele estava me irritando profundamente.
- Eu nunca menti, sempre fui verdadeira. Agora você eu tinha razão. É UMA CRIANÇA. Você vai fazer 27 anos, mas parece que tem 5 anos. – Eu não queria saber se eu não tinha tomado banho ou não. Fui logo trocando de roupa, escovando os dentes e cabelo. Pguei uma pequena mala e joguei algumas roupas lá.
Quando eu ia sair, Johnny não me deixou passar. Ele me usou como na noite passada.
- Isso é humilhante, sabia? – Eu estava na cama sentada e olhando para porta.
- É o único jeito em que você fica quieta. – Ele era um cretino. – Se continuarmos desse jeito essa droga de casamento acaba rápido.
- Johnny o que aconteceu com você? – Se água do mundo acabar a culpa é minha. Chorando.
- Simplesmente eu descubro que a mulher que eu amo, já teve um romance com o filho do cara que mais adora estragar o quarteto. – Ele era um cabeça dura.
- É passado. O que acha que vai acontecer se eu for ter ciúme de cada ex –namorada sua? O mundo vai desabar. Por que você não pode se contentar com aqui e o agora? – Eu estava tentando por um pouco de razão na cabeça dura dele.
- Não exija muito de mim, afinal eu sou uma criança. – Ele estava usando minhas palavras contra mim.
- Se você quer assim, assim será. Quer um casamento de fachada, ok. Por mim tudo bem. Quer sexo, procure uma puta. Quer uma mãe para seu filho, procure a desgraçada que largou ele na maternidade. Quer amor, se ame. Pois eu quero que você se dane. – Ele ia me interromper, mas eu fui mais rápida. – Faz uma coisa por mim: VÁ SE FUDER! – Eu levantei da cama e me fechei no banheiro.
Enquanto eu tomava banho não pude deixar de pensar como minha vida tinha dado essa virada. No primeiro encontro com o meu passado ele reagia dessa forma. Eu nasci quando o conheci.
Eu encontrei com o Johnny na sala. Eu precisava sair para ir a gravadora. Eram os detalhes finais. Faltava muito pouco para o lançamento do cd.
- Aonde você vai? – Ele realmente tinha tirado o dia para me irritar.
- Você perdeu o direito de me perguntar isso quando brigou comigo. – Eu revidei na mesma moeda.
Eu sai de casa bati a porta. Talvez depois da gravadora eu precisasse rever Suzannah. Ela tinha se casado com cara de classe media e deixado o emprego. Isso já fazia uns três meses.
Quanto tempo tinha que estávamos casados mesmo? Dez meses. Isso mesmo Dylan já ia fazer um ano e eu 24. Eu sorri amarga para mim mesma lembrando das palavras do meu pai. “Você vai ser feliz? Você vai ficar com isso durante quanto tempo? E essa criança? Não se esqueça que estamos falando de Johnny Storm, o mulherengo mais perigoso NY.” Ele só tinha esquecido de dizer que Johnny era o idiota mais perigoso de NY também.
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