Tudo Pode Acontecer
2 A surpresa
Notas iniciais
–Eu não acredito que seja você... Pera! O que você faz na minha casa? -ia atropelando as palavras sem me dá conta do que ele representava ali, na verdade já havia entendido, mas precisa acreditar que eu estava errada.
–Essa casa também é minha agora Parke, e oi pra você também! -ele continuava imóvel no sofá bege que decorava a imensa sala, a sala havia detalhes em branco, uma televisão grande, e o assoalho feito em madeira, possuía pequenos criados-mudos com vasos de rosas-vermelha espalhados pela casa, e grandes cortinas brancas rendadas nas gigantescas janelas.
– Eu quero que saia da minha casa imediatamente! -disse me alterando mais, e fui para frente de Petter.
–Eu já disse Meredith, essa casa é minha também! -a única coisa que ele fez foi levantar aqueles olhos azuis para me encarar, tirando a atenção da televisão.
–Ei que gritaria é essa aqui? Mega você acabou de chegar e já tá fazendo escândalo? -meu irmão disse vindo da cozinha e me olhando sério. –Ah Petter, nem tinha te visto, iai cara?
–Você já sabia que ele era o filho da Susan, Andrew Victor Alvares Parke????? -eu disse indo até Drew.
–Já... e se você prestasse mais atenção nas coisas também saberia! Ah qual é Mega?! O cara estuda com você desde da 5ª série e você nunca reparou no sobrenome dele! -Drew tentava manter a calma, sendo isso uma coisa que não conseguia muito.
–E desde quando você se chama Potter? -olhei para aquele ser que estava no sofá da mina casa.
–Desde que nasci Park! Mas uso o nome do meu pai, Alcântara! -disse agora se levantando e continuou. –Também não gosto dessa situação! Desculpa Drew, você é um cara superultramega legal! -olhando para o meu irmão, e agora direcionou pra mim. –Mas você é insuportável garota! Você acha que eu queria ser seu “irmão”! Fala sério!. -ele fez aspas com as mãos na palavra irmão
E subiu os degraus da escada sumindo, agora que eu tinha notado a roupa dele, ele estava com uma camisa social branca e uma calça jeans. E olhei para mim e pro meu irmão e disse para Drew:
–Ainda estamos de uniforme Drew!
–Eu sei! Saímos as pressas Mega, vai pro seu quarto e depois conversamos. Ok? -meu irmão disse pra mim direcionando-se para as malas.
–Eu não acredito que minha menina chegou e não veio falar comigo! -essa voz não podia ser outra que se não da nossa amável cozinheira Marisa, ela era uma senhora de 68 anos, pele morena, estatura baixa, batia mais ou menos no meu ombro, seus cabelos já grisalhos por consequência da idade, ela que cuidava de nós quando nossos pais saiam em viagem.
–Oxi Mari claro que não! É que descobrir que meu arquinimigo agora é meu irmão. Dá pra acreditar? Ele é um grande idiota, não tem cérebro! -disse me aproximando dela dando um beijinho gostoso na sua bochecha direita. –Bom vou tomar banho, não posso receber meu pai e a bruxa da Susan de uniforme, ah meu quarto ainda é no mesmo lugar Mari? -disse indo para a escada.
–Bem menina é sim, e você não deveria chamar a dona Susan assim, seu pai não vai gostar nada disso. E o senhor Petter, é um garoto de ouro. Diferente de vocês ele vive aqui! -ela disse abaixando a cabeça.
E me voltei para olha-la e disse:
–Como assim aquele moleque vive aqui?
–Você não deveria ter contado pra ela Marisa! Maninha vai tomar seu banho! Depois conversamos só nós dois! -e me empurrou para andar mais rápido as escadas.
POV DREW
–Você não deveria ter contado pra ela Marisa! –disse mais uma vez para Marisa e continuei. –Ela o detesta, e se não viemos tanto aqui quanto ele, você sabe muito bem o motivo! -disse pegando as malas de Mega. Já estava sendo difícil o fato dela aceitar esse casamento, e a dor dela se tornava em raiva à medida que ouvia o nome de Susan, e até hoje não sei o motivo, nossa última viagem para “nossa casa”, porque na realidade não era nossa casa, apenas uma casa que nos obrigavam a morar e que tinha poucas lembranças da nossa mãe, foi um pouco mais de dois anos. Depois disso a Mega se negava vim, até nosso pai ter a brilhante ideia de nos trazer a força para cá.
–Eu não sabia, me desculpa Drew! Agora vou continua o jantar. Qualquer coisa estarei na cozinha! –a senhora saiu e foi em direção a cozinha.
–Ai meu Deusssss!!!!!!!!! –esse grito era da Mega, e vinha do andar de cima.
– E agora o que foi dessa vez? -só isso que conseguir dizer, correndo para o quarto de Mega. –O que tá acontecendo aqui agora? -perguntei para Petter que estava saindo do quarto da frente do de Mega.
–Deve ser só uma barata Drew, sabe como mulher é fresca pra tudo! -ele disse dando de ombros.
Petter era um cara legal, meu parceiro do time, sempre o considerei como irmão, porém explicar para Mega era o problema. Mega era por isso que havia subido, e quando abrir a porta minha surpresa, ela estava em estado de choque.
–Mega o que foi? -a sacudia sem sucesso.
–Disse é frescura dessa patricinha mimada! -Petter falou entrado no quarto.
–O que fizeram com o meu quarto??? -ela disse com ódio depois de cerca de um minuto.
E agora fui me dar conta do que se tratava, o quarto que eu guardava na memória ser branco, pois foi minha própria mãe que escolheu, e Mega sempre deixava do mesmo jeito para não se esquecer do gosto de nossa mãe, agora estava pitado de laranja, azul, verde e roxo, eu não era especialista em cores, mas nenhuma cor combinava, mais sabia que duas cores dali a garota loira detestava que eram o laranja e o roxo, principalmente o laranja que tomava a maior parede, os pelúcias que ficavam sobre a cama, que para mim era coisa de criança já não estavam mais lá. E sem contar, que as bonecas de porcelana que nossa mãe havia trago de viagem, e Mega tinha deixado algumas para decorar o quarto, nas prateleiras na parede perto do closet, haviam sido substituídas por pequenos objetos que não sabia para que serviam, e alguns livros também. Sua cama estava com uma colcha sem a menor vida, além do cheiro de tinta que estava forte, e as poucas coisas que era de fato da garota estava tudo fora de lugar.
–Mega, calma!- foi a única coisa que disse, porém quando virei para olha-la, algumas lágrimas estavam rolando pelo seu rosto delicado.
–Drew...destruíram meu quarto... o quarto que a mamãe fez. Atchin....
–Você precisa sair daqui, você tem alergia a tinta!- fui a empurrando para fora do quarto.
–Atchin....mas preciso concertar meu quarto! Atchin- ela continuava a espirar. Ela era alérgica a cheiros fortes, pois minha pequena, como a chamava, era asmática. E ao ficar próximo de cheiros fortes começava a passar mal.
–Cadê o seu remédio? –disse, pois começava dessa forma, com os espirros e depois se não tomado o remédio, vinha a falta de ar.
–Eu não sei Drew! –e mais um espirro, tava piorando.
–Vem, deixa eu ver se meu quarto não estar assim também!- levei para o meu quarto, ele não havia mudado nada, continuava branco, com alguns pôsters na parede, ele parecia que havia sido pintado, porém não havia cheiro, pelo contrário ele estava com cheiro de lavanda. As prateleiras com meus livros, estava tudo em ordem. Nada tinha saído do lugar.
–Petter fica com ela! Eu já volto! -disse correndo em direção as malas. –Onde foi que coloquei a merda do frasco? –perguntava para mim mesmo, eu sempre andava com um frasco por causa dessas crises, embora nunca mais tivesse acontecido isso.
–Andrew tudo bem? -disse Guto me olhando.
–Não...encontrei! -e sai correndo para meu quarto.
Quando cheguei minha irmãzinha estava soluçando por consequência de um quarto, um quarto que para muitos poderia ser só isso, mas aquele quarto tinha sido planejado por dias, e até meses pelas duas, antes de nós sermos ricos, passamos por bons bocados na nossa vida. Morávamos em uma casa pequeninha, eu dividia o quarto com a loira, porque na casa só tinha dois quartos. Mas não me importava.
–Ei toma isso! –a dei o remédio.
–Toma, para você não toma isso a seco! –Petter estendeu um copo d’água para Mega, que pegou com relutância. Após ter tomado, colocou o copo sobre o criado-mudo da minha cama, e disse limpando as lágrimas:
–Levaram até o meu espelho! –o espelho era daqueles de balet, Mega adorava dançar, e aquele espelho era como o símbolo da cumplicidade da minha mãe e dela. –Ta horrível! Aquela vadca vai pagar!
–Vadca??? Aff...não vou ficar aqui vendo vocês xingando minha mãe! –Petter saiu batendo a porta atrás de si.
–Você não pode entra lá, vai ter uma crise de novo!
–Mas e agora?
–Vamos dá um jeito! Você ainda tem o número da Andy? –disse surgindo uma ideia.
–Tenho....porque? –ela disse desconfiada.
–Liga pra ela agora! Tenho uma ideia! –ela deu uma gostosa gargalhada, adorava o jeito que ria, parecia com a risada da nossa mãe.
–Você? Uma ideia? Já vi que vou ficar sem meu quarto mesmo! –disse se jogando em cima da cama, graças a Deus a crise já havia passado.
–Liga logo para Andy! –disse me jogando ao seu lado.
Ela sacou o celular e procurou por algum tempo até que encontrou o número e discou.
–Ah...alô Andy? Aqui é a Mega! Você tem um minuto? –ela disse mordendo o lábio inferior.
Fale com o autor