Notas iniciais
BOA LEITURA ♥

Maura se deitou e massageou as mãos dela até ver que Jane tinha adormecido. Então a observou por alguns segundos, ela poderia ficar assim, somente a olhando, por horas, mas fechou os olhos e dormiu também.

Quando Maura acordou, sentiu Jane bem próxima de si, de frente para ela. Uma das mãos da morena estava segurando a cintura de Maura e seus corpos estavam bem colados.
Maura tinha tido uma noite maravilhosa ao lado de Jane. Dormir assim, tão junto dela, tinha sido incrível e especial.
A relação das duas não podia estar melhor. Maura já amava tanto Jane e vice versa. Elas nasceram para estarem juntas, uma completava a outra.
Maura ainda deitada, tocou no rosto de Jane, acariciando devagar, então chamou a morena pelo nome, tentando acorda-lá, porém Jane apenas resmungou e não abriu os olhos, nem nada.

— Jane, acorda, vamos! Temos que ir trabalhar e você ainda tem que passar em sua casa para se trocar. — falou e balançou ela delicadamente.
— Está bem, vou levantar. — abriu os olhos. — Oi, bom dia! — Jane sorriu.
Jane se sentiu tão abençoada por presenciar Maura assim, desse jeito tão fofo, após acordar. Ela ficou encantada com a beleza de Maura, se ela já era maravilhosa arrumada, naquele momento ela estava deslumbrante.
— Bom dia. — Maura sorriu também. — Dormiu bem? Acho que sim, né? Está com um sorriso enorme no rosto.
— Sim, dormi muito bem e graças a você, obrigada.
— Imagina, é para isso que servem as amigas.

Maura levantou, tomou banhou e se trocou para ir ao trabalho, enquanto Jane estava na cozinha preparando o café de ambas, pois Callie já tinha ido trabalhar.
Maura e Jane tomaram o café da manhã juntas, entre troca de olhares, sorrisos e conversas divertidas. Depois Maura levou Jane em seu carro, até a casa dela, para trocar de roupa e seguiram para o trabalho juntas.

Callie chegou em casa a tarde, já estava quase anoitecendo. Trocou de roupa, colocando uma mais confortável e foi para o jardim de inverno que tinham na casa.
Maura e Callie plantaram algumas plantas muito bonitas no jardim de inverno no fosso de luz. O lugar era perfeito, espaçoso, entrava água da chuva, pois tinha um ralo onde a água saia para o lugar não ficar encharcado e também entrava sol. Ao lado, depois do vidro transparente que ficava em volta do jardim, tinha um sofá e uma mesinha com um lindo jarro em cima que dava ao ambiente, um toque fofo e muito perfeito.
Callie se trancou lá dentro, o ar das plantas a deixava calma e ao lembrar do que havia acontecido, se sentia sufocada, seu corpo tremia. Tentou afastar as lembranças, mas não conseguiu.

***

Após longas vinte e quatro horas de serviço, Callie entrou no vestiário, quando estava prestes a trocar de camisa, Arizona chegou, começando a se trocar também e conversaram, ambas usando poucas palavras.
Arizona a olhou disfarçadamente, mas quando Callie pegou suas coisas e foi até a porta, ela não aguentou mais guardar seus sentimentos só para si.
— Não aguento mais! Isso está me sufocando, isso machuca, sabia? — Arizona disse com a voz alterada.
— Aconteceu alguma coisa? — Callie se virou e a encarou.
— Aconteceu, você mexe comigo de uma maneira incrível e nem percebe isso, ou se percebe, parece fechar os olhos para os meus sentimentos. Penso em te beijar a cada segundo que está ao meu lado, sinto vontade de te abraçar, de ter você sempre junto comigo e não como só amigas.

Callie se surpreendeu com a declaração de Arizona, ela já sabia que a loira sentia algo por ela, mas não imaginava que ela iria revelar seus sentimentos assim dessa maneira. Callie estava com medo de fazer qualquer movimento ou de falar qualquer coisa sem pensar, pois aquelas palavras mexeram com ela.
Com dois passos largos, Arizona chegou até ela e Callie foi para trás deixando suas coisas caírem no chão, ficando entre ela e a parede. As mãos de Arizona envolveram seu rosto a puxando para si e olhou nos seus olhos.
— Diga que não sente o mesmo por mim, que quando estamos próximas seu coração não fica acelerado igual ao meu. — disse Arizona com a voz baixa.
Callie tentou se soltar de suas mãos, porém Arizona envolveu seus dedos em seu cabelo, assim ficou mais difícil a saída.
— Me... me solta.
Arizona não se importou com as palavras da outra, aproximou seus lábios da morena e apenas com o roçar de lábios fez com que Callie vibrasse em seus braços que a envolviam com tanta firmeza. Arizona soltou uma risada baixa, abrindo aquele sorriso quadrado maravilhoso, não teve dúvidas e a puxou para mais perto de si, seus corpos se tocando, puxando seu lábio inferior e o chupando com delicadeza. Callie tentou se soltar, sem soltar dos lábios dela, mas aos poucos foi se rendendo e se deixou ser beijada.
O beijo foi se intensificando, suas línguas se tocavam com mais rapidez, Arizona soltou seus cabelos e suas mãos foram descendo na costa de Callie e uma delas deslizou mais para baixo, indo em direção a seu quadril.
Callie percebendo onde aquelas caricias iriam, se soltou, a empurrando com um pouco de força para trás.
— Não, não posso fazer isso, eu nem gosto de mulheres. — seu rosto trazia confusão. Pensou em falar que o beijo tinha sido horrível, porém mentiria para si mesma, o beijo foi maravilhoso, mas não conseguiu falar isso. Imaginar o que seus pais achariam disso, sua filhinha com outra mulher, os matariam de desgosto. O que seus irmãos diriam dela? Pensou na melhor solução, mentir.
— Callie... — Arizona se aproximou novamente, mas agora Callie pegou as coisas que deixara cair e saiu.

***

Callie fechou os olhos, tentando afastar as lembranças com Arizona e se forçou a imaginar ela com o Mark fazendo sexo, a beijando, deslizando seu corpo no dela... mas Arizona apareceu em seus pensamentos, beijando cada centímetro de seu corpo, lhe beijando novamente, seus lábios gostosos nos dela, abriu os olhos rapidamente.
— MERDA! — gritou.
Então escutou a porta se abrindo, mas não saiu do lugar onde estava.

Arizona entrou na casa de Callie e Maura, foi tirando os sapatos e a jaqueta. Deu uma olhada no ambiente e não viu Callie. Os passos de Arizona eram calmos, tudo já estava planejado e colocaria em prática.

— Maura, é você? — Callie gritou.
Após ouvir a voz de Callie, Arizona soube de onde veio a voz e foi até lá.
Callie estava de costas para ela, agachada, cutucando um potinho com uma plantinha morta.
— Ahhh não, você também morreu! — disse soltando uma lufada de ar.
— Estou vendo que para plantação você não é tão boa, diferente de outras coisas, onde você é maravilhosa. — passou um dedo nos lábios.
— O que faz aqui? — perguntou sem se virar.
— Vim terminar o que começamos!
— Melhor você ir embora, estou esperando o Mark.
— Qual é! Você sabe muito bem que ele não vai vir e ele não presta, não sei o que você viu nele.
— Não fala assim dele! Somos bons amigos, gosto de estar com ele. — falou com a voz alta, se levantando e virando de frente, olhando para Arizona que estava perto da entrada do jardim.

Arizona deu uma olhada no lugar onde Callie estava, viu uma chave pendurada, percebeu que era do lugar e sem pensar duas vezes trancou a porta, deixando Callie trancada.
— Jura? Quantos anos você tem? — Callie respirou fundo, tentando se controlar.
— 33, ainda sou nova.
— Aff.
E sem delongas, um pé d'água caiu em Callie, em segundos ficara ensopada. Naquele cubículo, ela andava de um lado para o outro, não olhou para Arizona que estava bem na sua frente, sentada em um banquinho que e , em um lugar quentinho, com roupas quentinhas.
— O QUE VOCÊ QUER DE MIM? — gritou, sua visão já ficava embaçada.
— EU QUERO VOCÊ! Sabe, foi algo inexplicável, desde o dia que te vi cantando, algo dentro de mim mudou.
Callie tentou falar algo, mas ela a interrompeu.
— Espere, isso é um monólogo, você não consegue perceber isso, porque todos já perceberam. Jane, Maura, até meus pacientes e olha que eles são crianças. Você mexe comigo de uma maneira, eu penso em você o dia inteiro. Eu tenho ciúmes de quando você está com o Mark, de quando você solta esse sorriso maravilhoso para alguém que não seja para mim. — deu um sorriso verdadeiro. — Sinto ciúmes quando você some do meu campo de visão. Sinto ciúmes quando você está com a Maura e vocês se abraçam. Sinto ciúmes quando dançam juntas ou qualquer outra coisa. Mas não é aqueles ciúmes doentios, que a pessoa quer sair batendo em todo mundo que chega perto da pessoa que gosta, mas sim aquele ciúme que a pessoa tem vontade de colocar a outra no colo e a mimar, proteger e que nunca mais passe medo. É assim que eu te quero, quero te colocar num potinho e te levar comigo a qualquer lugar, sentir seu perfume, escutar sua risada, sentir sua presença ao meu lado, o seu jeito fofo, seu jeito ainda de adolescente, como você trata os seus pacientes.

Os olhos de Arizona se encheram de água após dizer todas essas coisas para Callie. Se abrir assim nunca foi tão fácil, principalmente para alguém que não sentia o mesmo, sua cabeça olhava para o carpete branco, tão branco que dava dó de pisar.
Arizona já não aguentava mais, todas aquelas palavras não ditas estavam a sufocando e quando foram ditas em voz alta, deixou um buraco de dor. Com medo da rejeição, levantou a cabeça e começou a bater no vidro.
Callie se assustou, mas ao perceber suas lágrimas, entendeu que a coisa era séria.
— Aquela cena de semanas atrás, você ficando quase nua na minha frente foi torturante. Eu deveria pensar naquele recém-nascido, mas só conseguia pensar em você, em nós se beijando, fazendo amor. Passei a noite inteira exitada, ele quase morreu por minha culpa, porque minha mente não parava de pensar em você e te ver com o Mark, isso machuca, dói, você não faz ideia. — deixou as lágrimas rolarem por seu rosto. — E te ver se esfregando nele aquele dia no bar... Deixa de ser essa menininha mimada e me deixe te mostrar como te quero. Você merece muito mais que uma noite de prazer com o Mark ou com qualquer outro, eu duvido que ele te fale todos os dias o quanto te ama! Porque se fosse eu, eu diria, todos os dias. Eu sei que você sente algo por mim, porque você fica com a respiração agitada, fica nervosa e se atrapalha toda. Sei que você tem medo de mostrar o que senti, que você não gosta de mulheres, que não gosta de mim. Te ver e não poder te tocar, te ver e não poder te beijar. — sua voz foi ficando rouca, sentia a garganta se fechando, dificultando a passagem da voz. — queria só uma chance de te mostrar, que podemos ter um futuro. Te senti vibrar em meus braços hoje, com o beijo, não negue que não gostou.

Callie a olhava, seus braços estavam caídos ao lado do corpo, a água já não era mais gelada, seu corpo pegava fogo com aquelas palavras. Não conseguia negar que não estava sentindo algo por ela, mas tinha medo. Se dissesse que a queria, teria que explicar que seus pais não aceitariam, talvez Arizona zombasse dela por isso, por ser uma filha tão mandada pelos pais tão conservadores e mesquinhas.
— É claro que tenho medo Arizona, uma vez me abri para uma pessoa e ela me usou, brincou com meus sentimentos. Eu nunca senti nada por uma mulher, aí você chega, ficando tudo confuso, como se tivesse uma neblina em meus olhos, não sei para onde ir, estou com medo, eu não consigo me expressar. Não sei se você estará ao meu lado quando acordar, não sei se você estará ao meu lado quando as coisas ficarem difíceis. Sim, sinto algo por você, mas não sei o que é isso e não sou uma menina mimada.
— Me desculpe, só que essas palavras estavam presas aqui dentro. — suas mãos foram para sua garganta. — mas eu jamais a deixaria em tempos difíceis, eu não sou essa pessoa que brincou com seus sentimentos.
— Ai Arizona, por favor me deixe sair, está muito gelada essa água.
Ela destravou a porta e a olhou com vergonha, não com vergonha por ter falado de seus sentimentos e sim por ter a trancado.
— Me desculpe por ter te trancado, só queria que soubesse dos meus sentimentos. — disse, olhando para baixo.
— Tinha outras maneiras de se fazer isso, mas... Ó MERDA. — entrou no jardim e fechou a porta novamente, assustando Arizona.
— O que houve?
— Se eu pisar nesse tapete, Jane vai ter que prender a Maura, pois ela irá me matar. Então, vai até meu quarto e pegue meu roupão, por favor.
Arizona saiu e quando voltou, Callie estava apenas de sutiã e calcinha, ela não conseguiu desviar o olhar.
— Pode parar de me olhar assim, não tenho nada que você não tenha.
— Não tem? Você já se olhou no espelho?
Callie se secou e deixou as roupas lá mesmo, foram até o sofá e se sentaram bem próximas
— Não sei como te falar isso, mas nunca tive interesse em mulheres, sempre gostei de homens, mas...
— Tudo bem, eu acho que fui apressada demais, sei que não vai gostar de mim, assim de um dia para o outro.
— Arizona, deixa eu terminar de falar! Isso é difícil, mas eu gostei, gostei do beijo e mentiria se falasse que não tinha gostado.
Robbins abriu um sorriso tão grande que não cabia no rosto, Callie exitou em pegar em sua mão, mas por fim, a pegou e a apertou contra a sua.
— Se, se no futuro, não sei se vai ser próximo ou longe, acontecer algo entre a gente, quero que saiba que meus pais são difíceis, eles são uma família tradicional. Quando meu irmão engravidou uma menina de menor, eles quase morreram, agora que passou anos, eles são um grude com a neta, mas não sei como vai ser se eles nos virem como um casal lésbico.
— Não espero que eles entendem assim, tão depressa, você vai jogar uma bomba no colo deles, meus pais levaram numa boa. Sempre fui lésbica desde menina, tinha o pôster da Cyndi Lauper e a adorava, nunca levei um garoto para casa assim como você levou, eu levei uma menina e os apresentei e foi assim, não precisa ficar nervosa vamos passar por isso juntas e… — deu um pausa em suas palavras, pensando. — espera, se você está com medo da reação deles, quer dizer que pensa em nós juntas em um futuro próximo? E você gostou do beijo, Calliupe você... — sorriu e a puxou para perto de si e lhe beijou.

Callie a aceitou, o beijo foi bem mais intenso do que antes, suas mãos apertavam a outra com desejo, só se separavam para buscarem ar. Arizona foi puxando o laço do roupão dela e tocou em sua pele nua.
— Epa, sinal vermelho, vamos com calma.
Arizona ainda estava com os olhos fechados, passando lentamente a língua pelos lábios saboreando ainda seu gosto.
— Tudo bem, mas, aí morena, você é um pedaço de mau caminho.
— Você também não é de se jogar fora. — Callie se levantou. — vou tomar um banho, você fica aqui. — depositou um beijo na testa dela e saiu.


A água quente batia no corpo de Callie e isso era relaxante. Estava sorrindo, se sentia nas nuvens, como uma adolescente de uns quinze anos que fora beijada pela primeira vez pelo seu príncipe encantado.
Se trocou, ficou uns minutos deitada na cama, tomou coragem e desceu.
Arizona estava sentada no sofá, seus olhos estavam fechados, sua cabeça inclinada para trás, Callie se aproximou e admirou-a.
Ela era tão linda, curvas suaves, cabelos loiros sedosos, lábios bem desenhados e a única coisa que queria era beijá-la novamente. Se inclinou, lhe deu um selinho, fazendo assim com que ela abrisse os olhos e a recebera com um sorriso.
— Melhor maneira de ser acordada.
— Desculpa, deve estar muito cansada, mas não resisti.
— Não, não resista nunca.
Callie se sentou ao seu lado sorrindo com esse tal comentário. Arizona dava longas piscadas demoradas, ficara de plantão trinta e duas horas. Callie percebendo que ela estava cansada, se deitou, a puxou para junto de si e como uma pétala de rosa que desaba no chão, com um simples vento, Arizona desabou ao seu lado.
— Gostoso, muito gostoso. — disse Arizona calmamente. — não consigo ficar de olhos abertos, me desculpe, queria tanto conversar.
— Tudo bem, vamos ter tempo de sobra para conversar.
Callie depositou um beijo em seu pescoço, a deixando arrepiada e em um piscar de olhos, Arizona dormiu. Callie esperou um pouco, se levantou e preparou algo para comer.
Quando preparava seu lanche, o telefone tocou, era Maura falando que teria que ficar no necrotério até mais tarde, mas se acontecesse algo ela poderia ligar, que ela iria rapidamente para casa. Ela acabou de comer e se arrumou para dormir, pensou em chamar Arizona, daria a cama de Maura para ela, então arrumou a cama e foi chamá-la.

Jane chegou em casa depois do trabalho e achou uma enorme caixa na porta, a pegou e deixou na sala.
Foi tomar um banho, quando saiu do banho pegou uma cerveja e ficou olhando para caixa, a pegou, colocou na mesinha de centro e a abriu.

— Arizona acorda, se quiser pode ir dormir na cama da Maura. — disse Callie chegando perto do sofá onde a outra estava.
Arizona resmungou e se virou. Callie sentou no sofá e começou a alisar seus cabelos.
— Acorda, vamos para cama.
Arizona permaneceu na mesma posição, seus olhos fechados.
— Acorde Arizona, ela levou a boca até seu ouvido e sussurrou. — vamos para cama.
Após ouvir essas palavras e sentir Callie tão perto de si, Arizona se arrepiou por inteira.
— Vou para onde você quiser, principalmente para a cama. — sorriu e se sentou.
Seus cabelos estavam bagunçados, a luz da cozinha machucava seus olhos, fazendo com que os deixassem semifechados.
— Eu vou para minha cama e você vai para a cama da Maura.
Arizona fez um bico enorme, demorou alguns minutos para despertar.
— Esse sofá é muito gostoso, mas tenho que ir embora, não avisei a Jane que ficaria fora e amanhã tenho muitas coisas a fazer, me desculpe.
— Imagina.
Pensou que seria muito melhor que ela fosse embora, tinha medo do que poderia acontecer, pois elas estavam a sós.
Se levantaram, Arizona pediu um copo de água e na porta se despediram. Uma ficou olhando para outra sem falar nada.
A vergonha tomava Callie por completa, não sabia se despediriam com um beijo ou só um adeus.
— Por que está me olhando assim Calliope? — passou o dedo em sua bochecha que começara a ficar corada.
— Por nada, só que, não sei o que fazer.
Arizona revirou os olhos de uma forma engraçada e brincalhona.
— Bem, como você se despedia de seus “ficantes”? — fez uma cara feia ao pensar que ela já beijara outros lábios que não eram os seus.
— Nos beijávamos, mas...
Arizona queria que ela tomasse iniciativa.
— Já entendi, isso poderia ficar em segredo por enquanto? Só até ver o que vou falar para meus pais. — perguntou Callie.
Arizona quase caiu para trás, suas pernas não eram mais confiáveis para deixaram ela de pé.
— Você... Você, Callie, a... acabou de falar... pode repetir?
— Hã, quer se sentar? — segurou o braço dela, lhe dando apoio.
—Você acabou de dizer que me aceita ou entendi errado?
— Você está com sono, vai para casa e me liga quando chegar.
— Está preocupada comigo, que lindo. — sorriu.
Vendo que Callie não tomaria iniciativa, ela se aproximou e lhe beijou. Um beijo calmo, sem língua, uma sentindo o maravilhoso sabor dos lábios da outra. Se separaram, porém ainda próximas o suficiente.
— Não vou esquecer de te ligar. — disse Arizona, seus lábios se tocaram novamente.
Arizona foi para sua casa e Callie ainda ficou ali por alguns segundos, sentindo sua presença, sentindo seus lábios nos seus, com um enorme sorriso foi para o quarto e sabia que estava fazendo o certo.
Seu coração acelerava quando estavam perto, mas ela negava que sentia algo, buscava no Mark o que não podia ter com ela e agora que esse desejo foi libertado, ela percebia que Arizona Robbins era uma droga das boas, sabia que não iria se contentar apenas com algumas horas com ela.
Era meio perturbador aquele sentimento que florou em seu peito, com tanta facilidade, pensar nisso a deixou maluca.
Se deitou, tapando o rosto com o travesseiro e esperou pela chamada de Arizona.

Arizona chegou em casa, mas antes de entrar, respirou fundo e tirou o sorriso do rosto.
Queria gritar para Jane como Callie era perfeita, como quase havia aceitado ela em sua vida, porém respeitou sua decisão. Quando entrou, encontrou várias malas perto da porta e Jane sentada de frente para porta.
— Temos visita? — Arizona perguntou. — Ou você vai viajar?
— Não, essas são as suas coisas, está na hora de você arrumar uma casa, quero ficar sozinha, preciso de um tempo livre.
— Está de brincadeira! Ganhou na loteria e está jogando todas as roupas fora? — disse sorrindo.
— Arizona, só pegue suas coisas e vá embora. — sua voz estava ainda mais rouca que o normal e dura.
Toda a alegria de Arizona desceu ralo a baixo, dando lugar as lágrimas.
— Por que está fazendo isso? Não conseguiu me perdoar ainda? Você já gosta de outra pessoa e…
— Sim, ainda te odeio por ter me traído, você simplesmente quebrou minha confiança, apenas vá embora.
Arizona a olhou, com os olhos cheios de lágrimas, Jane passou por ela esbarrando seu ombro no dela com força.
— Te dou uma hora pra sair daqui e não te quero ver nunca mais na minha frente, me entendeu?
— Parece que todos esses anos, de serviço na polícia acabaram com seu coração.
— Não me importo, só quero ficar longe de você. — fechou a porta com força.

Jane estava no sofá sentada, com os olhos cheios de lágrimas.
Se sentia uma idiota por ter agido daquela maneira com Arizona, mas tinha feito o seu melhor. Não se arrependia de nada do que fez, sentia muito ao lembrar das lágrimas nos olhos da amiga, mas não se arrependia, tinha feito o que era para fazer.
Quando estava prestes a se levantar para ir se deitar, Jane escutou o barulho da campanhia tocando. Se sentiu com medo, ao imaginar quem podia ser, mas se fez de forte e olhou no olho mágico da porta e se sentiu um pouco aliviada ao ver quem era.
Quando abriu a porta, viu Callie, Arizona no meio e Maura a abraçando.
Maura tinha chegado em casa tarde, após sair do serviço e encontrou Callie consolando Arizona. Depois de ouvir de Arizona como Jane tinha agido, chamou-as para irem a casa de Jane, conversarem com ela e ali estavam as três.
Ao olhar para ver quem era, não esperava ver as três ali, as duas consolando Arizona.
— O que fazem aqui?
— Sério, precisava expulsar ela de casa? Eu sei que você está chateada, ela te traiu, mas isso já foi longe demais. — Maura disse baixo, sua voz não escondia que ela tinha chorado também.
— Por que não a levam para morar com vocês? Eu não sei lidar com as pessoas, ela mesmo me disse isso. Não é mesmo Arizona? Eu não tenho coração.
— Nunca pensei que faria isso comigo, eramos amigas. Poxa! Eu te pedi mil perdões. — Arizona falou.
— Eramos, passado. VÃO EMBORA! — gritou, fazendo com que as três levassem um susto.
Jane retirou os sapatos e o blazer, o jogando longe. De repente, sua respiração começou a ficar pesada e as três agora a encaravam. Jane andava em círculos, seus dedos se enroscavam em seus cabelos.
Ela não era de chorar, mas suas lágrimas se explodiram em um frenesi de soluços e a respiração entrecortada, Arizona secou suas próprias lágrimas se aproximando.
Só viu a amiga assim uma vez, naquela vez que um maníaco tentou matar ela.
Ele a machucou bastante e a deixara com duas cicatrizes nas costas da mão e na palma. As cicatrizes sempre doíam quando ia chover, então era impossível de esquecer o passado, já que em Seattle sempre chovia.
— É ele?
— Sim, é ele... Não sei se é ele ou... outro aprendiz. — seus braços procuraram apoio na amiga.
Naquele momento Arizona foi seu porto seguro, pois ela passou os maus momentos junto com Arizona. Sempre que estava em casa ficava acordada até que ela adormecera, vinha do hospital quando podia quando ela tinha crises de medo.
— Vai ficar tudo bem, ele não vai te fazer mal, vou te proteger.
— Ele me mandou várias fotos, suas, de vocês também. — Jane falou olhando para Callie e Maura. — E disse que me machucaria no que eu mais amava e vocês fazem parte de minha vida agora. Não queria ter te mandado embora, mas também havia uma carta falando que se você não fosse embora com raiva de mim, seria a próxima, que eu procuraria seu corpo sem vida e eu não posso imaginar viver sem você, principalmente ser machucada por ele, me perdoe Arizona. — seus braços a apertava mais, conseguia sentir seu coração batendo contra o seu, aquilo a acalmava.
— Callie, por favor, prepare um chá de camomila, bem forte e sem açúcar. —pediu Arizona
Callie saiu em silêncio e Maura a seguiu logo em seguida.
— Sabia do caso? — Callie perguntou.
— Por fora, fiquei sabendo que ele tinha fugido, podemos ficar aqui com ela, o que acha?
— Se ela quiser, ficamos sim.
Quando voltaram para sala, Jane estava deitada e Arizona alisava seus cabelos. Jane se sentou apenas para tomar o chá e se deitou novamente. Maura avisou a elas, que passariam a noite ali, então Arizona arrumou sua cama para elas e foi dormir com Jane.

Arizona não pregou os olhos, deitada de conchinha com ela, Jane não sabia o por que, mas confiava sua vida nas mãos dela.
Era por volta das quatro da manhã quando Maura entrou na ponta dos pés no quarto onde as duas estavam.
— Quer que eu fique um pouco com ela? Deve estar cansada.
— Não precisa, estou bem.
— Pode ir, eu me deito com ela e Jane nem vai perceber, somos bem parecidas.
Arizona soltou uma risada fraca, o cansaço batia forte e ela sabia que Jane iria gostar de acordar e ver a sua alma gêmea ao seu lado.
— Tudo bem, mas ela vai acordar com pesadelos, só a envolva forte e depois mexa em seu cabelo
— Está bem, vou cuidar bem dela.
Arizona saiu bem devagar e Maura se deitou, a envolvendo.

Arizona foi até a cozinha, pegou um copo de leite e foi para o quarto .
Chegando lá, se deparou com Callie deitada espaçosamente, uma de suas pernas estava caída para fora da cama, os braços para cima da cabeça que se encontrava afundada entre os travesseiros.
Pensou um pouco, o outro quarto estava sem arrumar, o sofá era bom, mas não tanto como sua cama, então se deitou sem fazer movimentos bruscos e quando se aconchegou, Callie se mexeu a puxando para si. Uma de suas pernas foram para cima de seu corpo, como se ela fosse um travesseiro humano, seu rosto se afundou entre sua clavícula e pescoço, sua respiração deixava Arizona arrepiada, seus corpos tão próximos, isso era uma tortura.
Arizona fechou os olhos com força e tentou ignorar que uma perna, só com um pedaço de pano estava em cima dela, para conseguir dormir teve que literalmente contar carneirinhos e se passaram uns vinte minutos até seu corpo conseguir digerir a ideia de tê-la tão perto e conseguir relaxar.

O despertador do celular tocou as cinco e dez, Callie despertou com um peso em suas costas, tentou se mover, mas era impossível, o corpo da Arizona estava completamente em cima dela.
— Maura, sai de cima, tenho que passar em casa para me trocar.
Mas nada acontece, então tomando fôlego, Callie se movimentou com força, os braços ajudaram a tentar levantar o tronco da cama e quando conseguiu tirar o peso de cima, desabou na cama novamente.
Se virou e deu de cara com Arizona, ela se assustou, desabando, caindo de costas no chão, o barulho junto com o grito de dor, despertou Arizona.
— O que houve? — perguntou, se sentindo perdida.
— Por que estava dormindo comigo, principalmente em cima de mim?
— Porque você ocupou toda a cama, não me cabia só no espacinho que me deixou, então a solução foi rolar para cima de você, mas por que está no chão?
— Ai, eu cai, tenho que estar no hospital as seis, tenho que passar em casa, você vai agora?
— Não, só as oito, por quê?
— Por nada.
Se levantou, Arizona puxou o seu travesseiro e sentiu o cheiro de Callie, que ainda pairava no lençol e isso era maravilhoso.
— Mande um beijo para elas, nos vemos mais tarde.
— Até mais tarde. — se acomodou e dormiu novamente.

Notas finais