Tudo Foi Manchado Por Um Vermelho
2 1. Vermelho
Notas iniciais
Não se assustem, o capítulo não está "forte" ou algo assim, apenas sou muito sensível quando se trata desses assuntos. Enfim, espero que gostem (:
Era um dia normal de quarta-feira. Como sempre, eu e minha família saímos para jantar fora. Nós gostávamos de ir a um lugar mais afastado da cidade, porque minha mãe dizia que o ar puro nos fazia bem. A gente não ia para um restaurante como as pessoas normais fazem, mas apenas nos sentávamos em uma mesinha perto da floresta e fazíamos um piquenique.
Eu realmente amo passar esse tempo com minha família. Sou muito próxima da minha irmãzinha Dominique, de cinco anos. Espero que ela cresça e se torne uma pessoa realmente boa, porque sinto que ela é tão boazinha naturalmente. Não é aquele tipo de criança egoísta ou algo assim.
Às vezes eu e meus pais não nos damos bem, mas eu sei que eles são pessoas gentis e apenas não conseguem se expressar direito. Acho que somos bastante parecidos nesse aspecto então, não que eu me ache gentil...
— Vamos Alice. – minha mãe me chamou, então sai do carro rapidamente.
Assim que estava fora do carro, ajudei Dominique a retirar seu cinto e descer. Então peguei em sua pequena mão e fomos ao encontro dos meus pais. Sentamo-nos na mesinha e minha mãe espalhou a comida sobre a mesa.
E quando estávamos comendo, um homem se aproximou de nós. No início não levamos muito a sério, mas depois vimos que ele estava com uma faca e nos apavoramos. Meu pai se levantou rapidamente e se colocou na frente de nós três.
— O que você quer? Se for dinheiro, nós daremos todo o dinheiro que você quiser. – meu pai falou.
O homem não pareceu se importar com o que o meu pai disse. Na verdade, ele não parecia estar normal... Foi tão de repente, tão rápido, minha mente mal conseguiu acompanhar. O homem apunhalou a barriga do meu pai com o seu gigantesco facão.
Minha mãe deu um grito agudo e empurrou Dominique para longe, correndo em direção ao meu pai. Mas... O homem também atacou minha mãe e em questões de segundo a grama verde estava cheia de sangue. Eu estava em choque, meu corpo não se mexia...
Então eu me lembrei de que meu pai guardava uma arma no porta luvas do carro. Sem pensar duas vezes, corri rapidamente em direção ao carro. Era a única chance de me salvar e salvar Dominique. Quando finalmente peguei a arma, ouvi um grito. Eu não queria olhar pra trás, mas eu tive que fazê-lo.
E quando o fiz, meu coração se despedaçou. Dominique estava morta. E não só isso, seu corpo estava grotescamente deformado e aberto. Aquela visão... Era tão perturbadora. Era tão terrível. Meu corpo começou a fulminar, era como se meu coração estivesse queimando. Queimando de raiva, de ódio e inegavelmente de tristeza.
O homem me encarava com medo, já que eu carregava uma arma em minhas mãos. Engatilhei a arma, assim como meu pai tinha me ensinado e com apenas um único e rápido tiro, o corpo sem vida do homem caiu no chão.
Foi tudo tão rápido... Minha mente estava desmoronando. A arma caiu das minhas mãos antes que eu notasse, e fiquei ali imóvel, sem conseguir mexer nenhuma parte do meu corpo. Estava em total choque, e eu ainda não sei ao certo quanto tempo eu passei parada ali.
Ouvi barulhos de sirenes, e foi aí que eu notei o que eu havia feito: Eu tinha matado um homem. Eu não poderia voltar pra sociedade daquele jeito... Depois que tudo isso havia acontecido, eu não tinha para onde ir. Não sabia o que fazer, então eu corri floresta adentro, corri o mais rápido que podia.
Eu sabia como voltar para a cidade, mas sinceramente, eu nem estava pensando nisso naquele momento. Repentinamente, lágrimas brotaram dos meus olhos e desceram pelo meu rosto, parecia uma cachoeira, era como se as lágrimas nunca fossem parar de descer.
Não sei por quanto tempo eu andei por aquela escura e amedrontadora floresta, só sei que minhas pernas doíam bastante. Até que eu cheguei até a cidade, finalmente. Mas... Eu não sabia o que eu faria ali, eu nem havia processado o que havia acontecido.
Foi aí que eu me lembrei de um lugar. O bairro do medo. O lugar do qual eu nunca iria imaginar que entraria na minha vida inteira. Era lá onde se encontravam ladrões, assassinos e traficantes dos mais variados tipos, que viviam uma vida corrompida e suja.
Eu havia sujado minhas mãos. Então agora... Eu era um deles? Não, não é isso. Não é nada disso! Eu havia matado o homem que tirou a vida de toda a minha família. Esse pensamento me causou uma dor no peito forte e tão profunda. Aquela imagem... Eu não conseguia retirá-la da minha mente.
Adentrei a cidade e ela estava tão vazia e silenciosa... Não havia ninguém nas ruas, então presumi que já estava de madrugada. Andei por algum tempo por entres os bairros. Aquilo tudo era tão familiar que eu até conseguia ver um filme da minha vida.
Lá estava eu, correndo pra chegar o colégio, e depois correndo pra comprar a comida para o jantar... Eu estive sempre correndo, mas se eu soubesse que toda a minha vida seria manchada de vermelho, talvez eu parasse de correr tanto. Talvez eu devesse ter parado e aproveitado... Eu deveria ter aproveitado tudo que agora eu não tenho mais.
Ouvi um barulho alto e muita gritaria. Eu estava chegando ao bairro de medo. Provavelmente eu deveria estar apavorada, mas naquela altura eu nem me importava. Qual a diferença que faria se eu fosse atingida por um tiro ou se alguém me matasse? Eu não ligava mais.
Assim que eu me aproximei do local, uma luz forte fez com que meus olhos lacrimejassem um pouco e se fechassem instantaneamente. Quando finalmente me acostumei, consegui observar claramente a loucura que aquele local se encontrava.
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