Tudo Começou em Letras
33 Capítulo 33 — Novas Vivências
Min-su caminhava rápido, as mãos enfiadas no bolso do casaco, o olhar fixo à frente como se estivesse mais interessado no próprio ritmo do que em qualquer destino específico. Isabelle vinha ao lado dele, acompanhando sem dificuldade, mas observando, sempre observando.
— … Você tá bem? — ela perguntou, depois de alguns passos em silêncio.
Min-su nem virou o rosto.
— Sim. Normal…
A resposta saiu automática demais, lisa demais.
Isabelle soltou um pequeno suspiro pelo nariz, quase um riso.
— Tá. Essa pergunta foi meio idiota.
Ele não respondeu.
Ela continuou andando ao lado dele por mais alguns segundos, até diminuir o passo de leve, como se estivesse escolhendo melhor as próximas palavras.
— Eu sei o que tá te afligindo.
Min-su manteve o olhar à frente, mas o maxilar dele travou por um instante. Ainda assim, continuou andando.
Isabelle então estendeu a mão e segurou de leve o braço dele, fazendo com que ele parasse.
— Min-su.
Ele virou o rosto, finalmente olhando pra ela, a expressão neutra… mas com um fundo de alerta.
— O quê?
Ela sustentou o olhar, direta.
— Eu sei de você e do Tyler.
Por um segundo, o tempo pareceu travar.
Min-su franziu o cenho, claramente pego de surpresa.
— …Como assim?
Isabelle inclinou a cabeça de leve, quase tranquila demais.
— Desde a festa.
O olhar dela suavizou um pouco.
— Eu vi vocês dois saindo juntos aquele dia.
O silêncio caiu entre eles, mais denso agora.
Min-su desviou o olhar por um instante, passando a língua pelos lábios, como se estivesse reorganizando os pensamentos. Depois voltou pra ela.
Ela respirou fundo antes de continuar.
— É que… eu sei que você ficou mal quando viu o Tyler com o Charles agora há pouco.
Min-su fechou um pouco mais a expressão.
— Isabelle—
— Provavelmente não aconteceu nada ali — ela completou, firme. — O Tyler já tinha dispensado o Charles antes. Você sabe disso.
Min-su soltou o ar, desviando o olhar de novo.
— Eu não quero falar sobre isso.
Ele tirou o braço da mão dela com cuidado, mas decidido, e voltou a andar.
Isabelle não foi atrás imediatamente.
— Min-su—
Ele não parou.
Ela ficou onde estava, observando ele se afastar alguns passos, antes de falar mais alto:
— Só não fica criando coisa na sua cabeça que pode ferrar o que vocês têm.
Min-su diminuiu o ritmo por um segundo, mas não virou e não respondeu. Depois continuou andando, se afastando de vez.
Isabelle ficou parada ali, os braços cruzados, soltando um suspiro leve enquanto via ele desaparecer mais à frente.
***
Tyler ainda ficou alguns segundos parado ali com o grupo, tentando voltar para a conversa como se nada tivesse acontecido, mas a cabeça já não acompanhava mais. Charles falava alguma coisa com Finn, Adam fazia um comentário no meio, Isabelle já tinha sumido atrás de Min-su… e ele só conseguia pensar no jeito que Min-su tinha ido embora sem nem olhar direito.
— Eu… — Tyler interrompeu de repente, já puxando o celular do bolso. — Preciso ir ao banheiro.
Finn nem olhou muito.
— Vai lá.
Adam assentiu com a cabeça, distraído.
Charles só deu um meio sorriso, mais contido dessa vez.
Tyler não esperou mais nada. Só virou e saiu andando, atravessando o pátio com passos um pouco mais rápidos do que o necessário, desviando das pessoas sem prestar muita atenção. Assim que entrou no prédio, o barulho diminuiu, substituído pelo eco dos corredores.
Ele entrou no banheiro quase vazio, indo direto para a pia. Ficou alguns segundos olhando o próprio reflexo no espelho, passando a mão pelo cabelo como se isso fosse organizar alguma coisa dentro da cabeça.
— Droga… — murmurou baixo.
Ele puxou o celular de novo, desbloqueando rápido, abrindo a conversa com Min-su sem nem pensar muito no que ia escrever.
Tyler: oi… a gente pode conversar?
Ele ficou olhando a mensagem por um segundo antes de enviar, o polegar pairando sobre a tela. Quando finalmente mandou, apoiou as mãos na pia, encarando o próprio reflexo enquanto esperava.
A resposta veio rápido.
Min-su: Tô meio corrido agora… tenho que me arrumar pro turno no bar
Min-su: Mas pode falar
Tyler leu aquilo e já balançou a cabeça sozinho, como se Min-su estivesse ali na frente dele.
Digitou.
Apagou.
Digitou de novo.
Tyler: não
Tyler: prefiro falar pessoalmente
A bolinha de “digitando…” apareceu do outro lado.
Sumiu.
Voltou.
Min-su: Tyler…
Só isso já dizia muita coisa. Tyler respirou fundo, passando a mão pelo cabelo antes de insistir.
Tyler: é sério
Tyler: eu te encontro depois do seu turno
Dessa vez demorou mais.
O silêncio da conversa parecia mais pesado do que devia. Tyler ficou encarando a tela, o maxilar travando de leve. Até que veio:
Min-su: Hoje?
Tyler: hoje
Mais alguns segundos.
Min-su: Eu vou sair tarde
Tyler: eu espero
A resposta demorou tempo o suficiente pra Tyler começar a se irritar… ou ficar inquieto, ele nem sabia direito qual dos dois.
Então:
Min-su: Tá
Min-su: Pode ser
Tyler soltou o ar devagar.
Tyler: então te encontro mais tarde!
Min-su: Ok
A conversa parou ali. Sem emoji ou tentativa de suavizar.
Tyler ficou olhando a tela por mais alguns segundos antes de bloquear o celular, suspirando baixo.
— Ótimo… — murmurou.
***
A rua já estava mais silenciosa quando Tyler chegou. O frio da madrugada fazia o ar parecer mais pesado, e o letreiro do bar piscava fraco, como se também estivesse cansado depois de uma noite longa.
Lá dentro, as luzes estavam mais baixas. Algumas cadeiras já estavam viradas sobre as mesas, e o som ambiente tinha sido desligado. Só restava o barulho discreto de copos sendo organizados, pano passando no balcão, pequenos gestos de fechamento.
Min-su estava atrás do balcão, concentrado, alinhando alguns copos com precisão quase automática.
Tyler empurrou a porta de vidro e entrou. Min-su levantou o olhar na hora. Por um segundo, os dois só se encararam.
— Oi — Tyler disse, a voz mais baixa do que o normal.
Min-su assentiu de leve.
— Oi.
O tom veio… contido. Sem frieza explícita, mas sem a leveza de sempre.
Tyler se aproximou devagar, parando do outro lado do balcão. Ficou ali, apoiando as mãos na madeira, observando enquanto Min-su continuava arrumando as coisas como se aquilo fosse urgente demais pra parar.
O silêncio se estendeu por alguns segundos.
— Sobre hoje… — Tyler começou.
Min-su não respondeu. Só pegou outro copo, secando com o pano, mas Tyler sabia que ele estava ouvindo.
— Aquilo não foi nada — continuou. — O Charles só… veio falar comigo. Foi isso.
Min-su seguiu no mesmo ritmo, colocando o copo no lugar, pegando outro. Tyler soltou o ar, passando a mão pela nuca.
— Eu não tenho nada com ele. Não tem nada ali. Já acabou faz tempo.
Ainda silêncio.
— De verdade.
Min-su apoiou as mãos no balcão por um segundo, olhando para baixo, como se estivesse absorvendo cada palavra sem saber exatamente o que fazer com elas.
Tyler inclinou um pouco o corpo pra frente.
— Você sabe.
Nada.
Tyler hesitou… e então estendeu a mão por cima do balcão, segurando a mão de Min-su antes que ele pudesse simplesmente se ocupar com outra coisa.
O gesto fez Min-su parar. Os dedos ficaram imóveis por um segundo, ainda segurando o pano.
— Olha pra mim — Tyler disse, mais baixo.
Min-su respirou fundo antes de levantar o olhar. Os olhos dele estavam diferentes. Mais fechados. Mais cautelosos.
Tyler apertou de leve a mão dele.
— Acredita em mim. Por favor.
O pedido saiu sem defesa, sem ironia, sem aquele tom seguro que Tyler costumava ter pra tudo. Só… sincero.
Min-su sustentou o olhar por alguns segundos. Longos o suficiente pra Tyler sentir o próprio coração bater mais forte.
Então, devagar, ele assentiu. Um movimento pequeno de cabeça. Simples, mas suficiente.
Tyler soltou o ar, ainda segurando a mão dele por um segundo a mais antes de soltar.
Eles ficaram ali mais um tempo, Min-su terminando de organizar o bar junto dos outros funcionários enquanto Tyler permanecia encostado no balcão, observando em silêncio. De vez em quando trocavam um olhar rápido, meio contido, como se ainda estivessem medindo o clima entre eles depois de tudo. Quando finalmente as luzes começaram a ser apagadas e a porta foi fechada, os dois saíram juntos para as ruas frias de Dublin.
O ar gelado bateu no rosto de Tyler, fazendo ele encolher os ombros dentro da jaqueta. Por alguns minutos, caminharam lado a lado sem dizer nada, o som dos passos ecoando baixo na calçada quase vazia. Até que, sem aviso, Min-su esticou a mão e entrelaçou os dedos nos de Tyler.
Tyler olhou pra baixo, surpreso por um segundo… e então sorriu, daquele jeito mais leve. Continuaram andando assim, de mãos dadas, como se aquilo resolvesse mais do que qualquer conversa.
— Tô com fome — Tyler disse de repente, quebrando o silêncio. — Tipo… fome de verdade.
Min-su soltou um pequeno riso.
— Eu também. Trabalhei o dia todo sem comer direito… então, sim. Eu topo qualquer coisa agora.
Eles avistaram uma hamburgueria ainda aberta na esquina, com luz forte escapando pelas janelas, e entraram quase ao mesmo tempo, fugindo do frio. O lugar estava meio vazio, só algumas mesas ocupadas por gente igualmente perdida na madrugada.
Fizeram o pedido e se sentaram. Quando a comida chegou, o cheiro quente e salgado pareceu trazer um pouco de normalidade de volta. Começaram a comer sem cerimônia, como se o corpo estivesse mais urgente que qualquer assunto.
Foi Tyler quem falou primeiro.
— Eu queria te dizer uma coisa.
Min-su levantou o olhar, mastigando devagar, e apenas assentiu.
Tyler apoiou os cotovelos na mesa, olhando para a comida por um segundo antes de continuar.
— Eu não quero que você ache que eu sou… — ele fez uma careta leve — um depravado.
Min-su franziu o cenho, claramente sem entender.
— Eu não penso isso. Por que você acha que eu pensaria isso?
Tyler deu um meio sorriso, sem humor.
— Porque eu sei qual é a minha fama. No grupo e tal… — ele deu de ombros — eu sempre fui alguém que fica com vários caras, que não se apega, que tá sempre com alguém diferente.
Min-su não desviou o olhar dele.
Tyler soltou um ar pelo nariz, quase rindo, mas sem graça.
— Eu fiz mesmo isso. Bastante, inclusive. — Ele pegou uma batata, girando entre os dedos. — Mas… não era exatamente o que eu queria lá no fundo…
Min-su inclinou levemente a cabeça, prestando atenção de verdade agora. Tyler continuou, mais baixo:
— Às vezes era só… pra não me sentir tão sozinho. Pra preencher alguma coisa que eu nem sabia explicar direito. — Ele deu um sorriso curto. — E funcionava. Por algumas horas.
O silêncio entre eles não era desconfortável. Era atento.
— Mas na maioria das vezes, no dia seguinte… — Tyler deu de ombros de novo — eu acordava pior.
Min-su abaixou o olhar por um instante, absorvendo aquilo, depois voltou pra ele, dizendo:
— Você não devia se sentir sozinho. — A voz dele saiu mais firme do que o normal. — Você tem a gente. Eu… o Finn, o Adam, a Isabelle. A gente é um grupo.
Tyler assentiu devagar.
— Eu sei. — ele realmente parecia sincero. — E vocês fazem diferença. Muita.
Min-su esperou, como se soubesse que ainda não era tudo. Tyler passou a mão pelo cabelo, bagunçando levemente.
— Mas… mesmo assim. — Ele procurou as palavras. — Às vezes não tem a ver com estar cercado de gente. É… outra coisa.
Min-su não interrompeu.
Tyler então levantou o olhar pra ele, mais direto.
— E eu não quero que você ache que o que tá acontecendo entre a gente… é só mais uma dessas coisas.
Aquilo pousou entre eles de um jeito diferente.
Min-su ficou em silêncio por alguns segundos, estudando o rosto dele, como se estivesse tentando separar o Tyler que todo mundo conhecia… do Tyler que estava ali agora, mais exposto.
— Eu não acho — ele disse por fim, simples.
Tyler relaxou um pouco os ombros, quase imperceptivelmente.
Eles voltaram a comer, mas agora o clima era outro. Mais calmo. Mais alinhado. E, debaixo da mesa, em algum momento, as mãos deles se encontraram de novo, dessa vez sem dúvida nenhuma.
***
Eles saíram da hamburgueria ainda rindo baixo, o calor do lugar ficando pra trás enquanto o frio da madrugada voltava a envolver os dois. Dublin estava mais silenciosa àquela hora, as ruas quase vazias, iluminadas por postes que refletiam no asfalto úmido. Caminharam sem pressa, lado a lado, os ombros às vezes se encostando, como se nenhum dos dois tivesse vontade de quebrar aquele momento.
Sem perceber muito bem como, foram seguindo até a margem do rio Liffey. A ponte à frente estava praticamente deserta, só o som distante da cidade e a água escura correndo lá embaixo. As luzes refletiam no rio, tremidas, e o vento frio passava leve, fazendo Min-su puxar um pouco mais o casaco contra o corpo.
Eles pararam ali, encostados na grade, olhando a vista por alguns segundos em silêncio.
Tyler apoiou os braços no metal, soltando o ar devagar.
— Eu gosto daqui — murmurou.
Min-su virou o rosto pra ele em vez de responder.
Ficou apenas observando os traços dele sob a luz amarelada, o cabelo loiro, o jeito mais quieto do que o normal… diferente do Tyler expansivo de sempre. Mais real.
Sem pensar muito, Min-su levantou a mão e segurou o rosto dele, puxando devagar.
O beijo veio natural. Tyler correspondeu na hora, aproximando o corpo, como se já soubesse o caminho. O frio parecia desaparecer por alguns segundos, substituído pelo calor daquele contato.
Quando se afastaram, ficaram próximos, as testas quase encostadas.
Min-su respirou fundo. Dava pra ver que ele estava reunindo coragem.
— Posso falar uma coisa?
Tyler ainda estava perto, os olhos nele.
— Pode.
Min-su soltou um pequeno riso nervoso, desviando o olhar por um segundo antes de voltar.
— Eu… não sou bom com essas coisas.
Tyler franziu levemente a testa, mas não interrompeu.
— Tipo… falar. Fazer discurso. — Ele deu de ombros, meio sem jeito.
Tyler sorriu de leve.
— Tá indo bem até agora.
Min-su soltou um ar, como se isso ajudasse um pouco.
— Eu só… — Min-su hesitou, passando a mão pela nuca, claramente tentando organizar o que queria dizer — eu gosto de você. E eu já te falei isso.
Tyler ficou em silêncio, atento, sem desviar o olhar.
Min-su respirou fundo antes de continuar, mais firme agora, mas ainda com aquele jeito sincero e um pouco desajeitado.
— E não é uma coisa leve, sabe? Não é só… ficar por ficar, ou algo puramente romântico. Eu gosto da sua amizade, de estar com você, gosto de conversar… — ele deu um sorriso pequeno — gosto de tudo isso.
O silêncio entre eles se alongou, mas não era desconfortável. Era cheio.
Min-su sustentou o olhar dele.
— A gente já tá nisso há um tempo… e pra mim já é mais do que só… qualquer coisa.
Ele engoliu seco, mas não recuou.
— Então eu queria saber… se você quer oficializar isso comigo.
Uma pausa curta.
— Se você quer namorar comigo.
Tyler piscou, como se o cérebro tivesse demorado meio segundo a acompanhar. Os olhos dele começaram a brilhar antes mesmo de ele perceber. Ele riu, baixo, meio incrédulo, passando a mão rapidamente pelo rosto.
Min-su franziu o cenho, preocupado.
— O que foi?
Tyler balançou a cabeça, ainda sorrindo, mas com a voz um pouco embargada.
— Nada… é só… ninguém nunca me pediu em namoro antes.
Min-su ficou em silêncio.
Tyler continuou, mais baixo:
— É que isso aqui… — ele gesticulou entre os dois, quase sem jeito — desse jeito… agora… com você… foi perfeito.
Min-su relaxou os ombros, como se nem tivesse percebido o quanto estava tenso.
— Então…?
Tyler nem deixou ele terminar.
— Sim. — Ele sorriu, mais aberto agora. — É claro que sim.
Min-su não conseguiu conter o sorriso.
E dessa vez foi Tyler quem puxou o beijo.
Mais firme.
Mais seguro.
Ali, no meio da madrugada fria, com a cidade quase dormindo ao redor deles, parecia que tudo finalmente tinha encontrado um lugar certo pra ficar.
***
Alguns dias depois, tudo parecia… normal demais.
A aula seguiu como qualquer outra, o professor falando, cadeiras arrastando, gente cochichando no fundo. O grupo estava ali junto como sempre. Adam prestando atenção só pela metade, Isabelle mexendo no caderno distraída, Finn encostado na cadeira com aquela cara de tédio ensaiado… e Tyler e Min-su trocando olhares rápidos que ninguém parecia perceber.
Assim que saíram para o pátio, o ar aberto e o barulho dos outros estudantes tomando conta, Tyler parou de andar de repente.
— Ei, pessoal… — ele chamou.
Os quatro olharam pra ele. Tyler deu um passo pro lado, encostando levemente no ombro de Min-su.
— A gente tem uma coisa pra contar.
Isabelle abriu um sorriso na mesma hora, cruzando os braços, como quem já estava só esperando aquilo acontecer.
Finn, por outro lado, revirou os olhos.
— Lá vem… o que foi agora?
Mas o jeito dele já denunciava: ele queria saber.
Adam só olhou de um para o outro, curioso.
Min-su respirou fundo, mas não enrolou.
— Eu e o Tyler… — ele começou, e por um segundo a voz quase falhou — a gente tá namorando.
Silêncio.
Adam foi o primeiro a reagir.
— O quê? — ele arregalou os olhos, olhando de Min-su pra Tyler como se estivesse tentando confirmar visualmente. — É sério?
Tyler só assentiu, um sorriso escapando, meio contido mas claramente feliz. Finn franziu o cenho, olhando pros dois com desconfiança.
— Tá. — Ele cruzou os braços. — Isso é tipo… uma pegadinha? Tem câmera escondida? Eu preciso reagir de algum jeito específico?
Isabelle soltou uma risadinha, completamente tranquila.
— Não é pegadinha.
Adam ainda parecia processando.
— Eu… acho que não é mentira, não — ele disse devagar. — Mas… caraca.
Finn estreitou os olhos, observando melhor agora. Algo começou a encaixar na cabeça dele.
— Espera… — ele apontou de leve pros dois. — Eu sempre tive uma pulga atrás da orelha… mas nunca dei muita atenção.
Ele inclinou a cabeça, analisando.
— Agora faz sentido. Tipo… muito sentido.
Tyler e Min-su trocaram um olhar rápido e riram.
Isabelle se aproximou um pouco mais, curiosa.
— Tá gente, mas… quando isso começou?
Tyler abriu um sorriso meio malicioso.
— Digamos que… teve um certo quarto de hóspedes no Natal que ajudou um pouquinho.
Finn levou meio segundo e então arregalou os olhos e a boca ao mesmo tempo.
— Não. — Ele apontou pra eles, indignado. — Não. Vocês não fizeram isso na casa dos meus pais.
Tyler deu de ombros, completamente despreocupado.
— Vocês não profanaram minha casa não, né? — Finn continuou indagando.
— Finn… você tá sendo meio hipócrita, não acha? Tenho quase certeza que você também “profanou” aquele quarto com o Ian. — Tyler respondeu.
— Isso não vem ao caso! — Finn rebateu na hora. — A casa é da minha família!
Adam começou a rir, incapaz de se segurar.
Finn passou a mão no rosto, incrédulo.
— Eu não acredito que vocês tiveram essa coragem.
Tyler só levantou uma sobrancelha, provocativo.
Antes que Finn surtasse de vez, Min-su entrou na conversa, rindo:
— Ele tá brincando, ok? Não rolou nada lá. É sério.
Finn ainda olhou desconfiado por mais um segundo… depois suspirou, rendido.
— Eu vou fingir que acredito.
Isabelle balançou a cabeça, divertida.
Adam ainda olhava para os dois, sorrindo.
— Tá… isso eu realmente não esperava.
Tyler deu um pequeno sorriso, mais tranquilo agora. E, sem fazer alarde, a mão dele encontrou a de Min-su de novo, dessa vez na frente de todo mundo.
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