Tu Viens Avec Moi?

2 Capítulo 2 - Simplement Enregistré


Notas iniciais
Este capítulo está saindo um pouco atrasado, mas como não tenho leitor nenhum, não fará diferença kkk
Espero que alguém goste (:

Acordei no outro dia com minha cabeça doendo. A luz do dia entrava pela fresta da cortina e como sempre, clareava uma pequena parte de meu quarto. Estava tudo como eu havia deixado na tarde de ontem, a mesma bagunça e a mesma tristeza.

Levantei da cama e desci as escadas ainda de pijama. Não havia sinal algum de minha mãe. Peguei o cereal na cozinha e despejei-o em uma tigela junto com o leite. Só nesse momento percebi que não comia há muitas horas, meu estômago roncava como se estivesse pedindo ajuda.

Aos poucos minha cabeça parava de doer e minhas pernas descansavam, mas ainda sentia uma dor muito aguda em meu rosto, mais precisamente em minhas bochechas e, ao tocar em minha pele, senti que meu rosto estava completamente arranhado. Corri até o espelho mais próximo e me deparei com meu rosto em um estado depreciável, todo arranhado por... Minhas próprias unhas! Peguei o estojo de primeiros-socorros e tratei das feridas o mais rápido possível.

Após alguns minutos, já estava com meu rosto completamente vedado de medicamentos e band aids. O que acontecera ontem fora muito rápido, em questão de minutos eu já estava em um ataque de fúria e completamente sem controle de meu corpo. Difícil mesmo, foi imaginar a decepção de quando vi que minha mãe só piorava em seu estado.

Mas eu estava disposta a mudar aquela situação, por Lucy. Coloquei a primeira roupa em minha vista e segui até o Posto de Atendimento Psicológico da cidade, era bem perto, levando em conta o tamanho da cidade. Sua aparência era de abandonado há anos, porém era um dos locais mais visitados da cidade.

Quando passei pelo primeiro portão, percebi que eu não estava sozinha em minha causa. Na fila, minha mãe esperava sentada em um banco junta de minha vizinha, Elisabeth, a única pessoa que conhecia minha família realmente bem. Caminhei até elas desviando das filas pra atendimento.

– O que você faz aqui, Ariel? – perguntou Elisabeth.

– Eu vim cuidar da questão de minha mãe, mas pelo que vejo ela já encontrou uma ajuda – sorri para ela e sentei-me ao seu lado.

– Sua mãe já fez tanto por mim e está passando por tantos transtornos que me senti na obrigação de ajudar vocês. Bom, acho que agora você pode ir, eu cuido dela...

– Não tenho compromisso, vou ficar com vocês.

– Eu acho que você deveria preparar sua casa pra recepção dela e do Natal, isso tudo faz muito bem pra vocês. E também... – ela engoliu em seco e deixou uma lágrima escapar – E também Lucy adoraria ver que vocês se mantêm firmes.

– Eu já estou fazendo muito, apenas por estar aqui ajudando minha mãe. Ela nunca sequer, preocupou comigo tendo a Lucy presente. Quanto a Lucy, ela sempre teve a atenção e o coração de minha mãe, eram verdadeiras “Mãe e Filha”. Eu sou apenas uma intrusa. – terminei minhas palavras e percebi que minha mãe entrava para um sono profundo.

– Não sei muito bem a história de Lucy, mas você... Você não tem ideia do quanto Donna fez por você, fez por sua vida e pela sua consciência. Ela tem um enorme buraco no psicológico dela, sabe por quê? Pois ela guardou ele ao invés de te deixar com ele e com a ausência de seu pai ainda maior. Ela sofre há dezenove anos e você a julga como se fosse a pior mãe. – Elisabeth desviou os olhos e respirou fundo – Enfim, acho que você entenderá tudo a medida do tempo... Vá para casa e faça o que te recomendei.

As palavras dela entravam na minha cabeça aleatoriamente e me deixavam ainda mais confusa. Eu sabia que por trás daquilo tudo havia grandes partes da história que minha mãe nunca concretizou. E aquilo realmente mexera comigo, eu só precisava de um tempo e minha mãe ao meu lado para entender nossos passados.

– Hã... Tudo bem, eu vou... – peguei minha bolsa e segui até um mercado que subsistia no galpão ao lado, deixando minha mãe ainda num sono profundo e Elisabeth nos ajudando.

Uma multidão procurava por presentes e decorações para o Natal e era quase impossível encontrar uma loja vazia na cidade. Entre meu bairro, minha casa era a única vazia e sem pisca-piscas, além de que o jardim encontrava-se abandonado e a casa tinha um aspecto de morta.

Parecia tudo um poder de Lucy sobre o ambiente, mas era apenas duas moradoras em estado lúcido depressivas, Ariel e Donna. Uma família destruída. E como isso gerava comentários! Por onde passei, algumas pessoas me observavam à procura de um sinal de decepção ou tristeza, ou talvez até algo pior. Por mim, eles não encontrariam nada daquilo em mim.

Mantive minha melhor expressão e postura diante o passeio pela cidade e, quando cheguei a casa com as compras, me deparei novamente com o ambiente sacrificado que deixei. Não poderia ficar daquele jeito. Juntei todos os materiais de limpeza e comecei uma faxina pela casa.



Quase no fim, quando terminava a decoração de natal e a organização das coisas de Lucy, o telefone tocou. Por um minuto, aquele som era totalmente estranho, não o ouvia há... Há duas semanas, quando minha mãe desligara pela morte de minha irmã. Quando voltei de meu devaneio, corri as pressas para alcançar o telefone na sala de estar.

– Alô, Ariel? – a voz de Elisabeth soou preocupada.

– Elisabeth, sou eu. Algum problema?

– Sim, um grave problema. A sua mãe, não está apenas afetada com a morte de sua irmã, como está também tendo uma grande recaída na saúde. Ainda não se sabe o que ela tem, mas sua ajuda e presença serão essenciais pra melhora. Não sei se você a terá por muito prazo, então tente recuperar o tempo que você perdeu se trancando no quarto e a ignorando.