Tsuki And Hoshi
1 Ao enlouquecer
Andar pelas ruas não é mais tão fácil como antes, é isso que sempre meus pais dizem. “Não saia sozinha”, “Ande sempre em grupos”, “você não pode sair de noite, pois é muito perigoso”.
Que merda é essa que eu não posso ter minha própria liberdade, e isso que quando tinha uns 13 anos nem dentro de casa eu podia andar direito. De vez em quando eu soltava u “tomara que morra logo porque ai eu vou ser livre” ou algo assim. Mas sempre foi da boca para fora.
Ao andar pela rua esbarrei em alguém e sai sem nem pedir desculpas ou falar algo, nem prestei atenção, estava muito desligada. Logo ouvia um barulho de buzina e depois não via mais a luz.
O que será isso? Eu morri? Isso é meu subconsciente? Eu não posso ter morrido, não agora! Eu não sinto meu corpo, será que estou no céu? Não pode ser sou muito ruim para ir para o céu, não sou e não fui uma boa garota. Será que vou para o inferno? Como será lá? Meus pais sempre me pressionaram de um jeito que eu não percebi que eles me arrastavam para igreja, meu pai sempre dizia que quando fizesse 17 anos iria explodir, mas nem chegou a isso, com 15 eu já estava de saco cheio dos meus pais, e lá vêm eles de novo com aquela coisa de adolescente é isso e adolescente é aquilo. Cansei.
Meus olhos aos poucos foram se abrindo e vi na minha frente olhos castanhos avermelhados apontados para mim, minhas vista ainda estava um pouco embaçada mais já dava para se ter noção do que estava a minha frente. Era um homem magro e esbelto lá para seus 20 ou 19 anos, cabelos compridos de pouco ondulados, uma pele branca como suspiro e sua boca vermelha como sangue. Quem seria aquele que acabara de ver?
Quando vi que estava em uma cama com o braço enfaixado gritei como nunca gritei antes. Quem seria ele? Ta me seqüestrando? Tentei me levantar mais minha perna esquerda doía muito. Ele segurou a minha mão dizendo-me para não ficar em pânico, pois ele só queria me ajudar.
Agora que percebi avia mesmo sido atropelada.
Olhava para os lados procurando algo, mais não sabia bem o que era.
-Você está bem? Disse ele com uma voz gentil e amiga.
-S..sim, só um pouco dolorida!!
-Eu entendo, também já era de se esperar a quem acaba de morrer.
-Do..do que... do que está falando?
-Você ainda não percebeu? Você foi atropelada por um carro em alta velocidade, quando foi jogada pelo carro você quebrou o pescoço e morreu.
-E quee...e quem é você? O diabo? Ou deus?
-Bem, não me considero nem deus nem diabo mais sou meio que uma energia paralela, isso é quando uma pessoa que morre ainda não terminou sua missão na terra para ser mandada a outra vida.
-Co...como assim outra vida?
-Bem, por exemplo, Maria era uma menina loira de olhos azuis, uma garota preconceituosa, odiava qualquer espécie humana que não fosse como ela, como punição a mandarei a terra de uma forma que ela odiaria a si mesma. Ou até mesmo uma pessoa sem beleza alguma que mesmo sendo assim nunca reclamou de ser o que era. Ela renascera em um corpo esbelto. Nunca acreditou em vidas passadas?
-Em nem uma circunstância. E qual seria o meu caso?
-Bem o seu caso é o seguinte, deus lhe ofereceu um pai e uma mãe que ele sabia que seriam os melhores para você, mas você os rejeitou. Então para que sua vida se prossiga você terá que receber o perdão de cada um deles que não aja nem um pouco de arrependimento. Se o contrario acontecer seu espírito se prendera em sua casa e nunca mais poderá sair de lá. Você topa?
-E se eu não topar?
-Você não tem escolha, se não topar sua alma e seu corpo serão mandados para o inferno onde vagaras eternamente em meio a lamentos e dor. Então?
-Fazer o que, eu não tenho escolha.
Logo me via caindo em um abismo sem fim, e então meus olhos se abriam para realidade, estava deitada na cama do meu quarto, talvez isso fora um pesado no qual não quero mais pensar. Ou talvez até um aviso divino. Tipo aqueles “Você vai morrer amanhã”, ou apenas estou ficando louca. Preciso de férias urgente.
Quando percebi que nada avia acontecido desci para tomar café como todos os dias e me sentei à frente da TV para ver o que de bom estava passando. Então Riuyshi na TV como e como sempre falando sobre seus tão lidos e adorados livros, esse cara só sabia se exibir por causa dos seus livros. Livros que só falavam sobre um futuro próximo, algo incerto, tipo coisas como, o mundo vai acabar em 2012, quem tem certeza disso? Ele viajou no tempo e foi lá pra confirmar? Ou ele é um vidente de araque que acha que sabe o futuro? Que coisa de gente sem noção, em 2000 também falaram que o mundo iria acabar e cadê que o mundo ainda ta girando?
-Filha, venha aqui tem uma pessoa no telefone que quer falar com você! Disse minha mãe com raiva.
-Hi! Quem fala?
-Quando seus olhos se apagarem não esqueça que ainda lhe resta à luz de sua alma.
-Quem é?
Só ouvia o barulho do telefone sendo desligado, quem seria o louco que ligou pra mim sem nem mesmo se identificar? Olhei na lista de chamadas e a ligação foi feita por um orelhão, seria impossível saber quem foi que me ligou. A única coisa que sabia é que a voz é de uma mulher, ou melhor, uma garotinha, pois parecia uma voz de criança com uns 10 anos.
Com certeza eu to ficando é doida.
-Mãe você sabe quem foi que me ligou?
-Não, a pessoa só ficou repetindo o seu nome e não me respondia quando perguntava. Deve ser uma daquelas suas amiguinhas que ficam passando trotes para pessoas que tem mais o que fazer do que ficar ouvindo baboseiras.
-Não se preocupe vou falar com minhas amigas pra ver se foi uma delas que me ligou.
-E seu quarto você já arrumou?
-Ah mãe eu tenho coisas importantes para fazer, depois eu vejo isso.
Quando me virei para traz lá fora pela janela um homem com um capuz cobrindo o rosto me observava atentamente, quando um caminhão passou não conseguia mais velo, como que por mágica ele tivesse sumido. Tipo abra cadabra.
Fui para o curso de Frances como fazia todos os dias. Chegando lá me sentei na janela, pois qualquer coisa poderia ver se aquele homem ainda estava me observando pela janela. Que monde de gente sem nada pra fazer em vez de cuidar da própria vida fica olhando os outros pelas janelas.
Riuka sentou-se ao meu lado olhando para mim como se fosse uma assombração.
-O que ouve agora?
-Nada não é porque sua cara é engraçada! *-*
-Pois não vejo graça nem uma. ¬¬
-Ai que mau humor, o que ouve? Caiu da cama?
-Não que eu me lembre, só estou tendo um dia ruim, só isso apenas.
-O que é isso no seu rosto?
-Isso o que?
Riuka passou a mão no meu rosto em baixo dos olhos e mostrou-me sangue no meu rosto.
-Onde você vez isso?
-Eu não me lembro.
-Ta aparecendo muito?
-Um pouco, parece que você passou uma faca bem afiada ai.
-Só agora que apareceu isso?
-Estranho mais foi sim, quando eu cheguei não vi este machucado no seu rosto.
Levantei a mão pedindo para o professor se poderia sair da sala. Fui correndo para o banheiro para ver o machucado. Quando cheguei perto do espelho às luzes do banheiro se apagaram e logo acenderam novamente. Olhei para o espelho e vi pendurado atrás de mim um cachorro morto, estava enforcado. Dei um grito tão alto que minha garganta doía. Todos foram correndo para o banheiro para ver o que estava acontecendo. Estava encostada no canto de uma parede com as mãos nos olhos.
-O que foi senhorita Utaka? Disse o professor de Frances.
-Eu..Ee..Eu tava morta na minha frente!
-O que?
-Tinha um cachorro morto na minha frente!
-Do que está falando?
-Você deve estar perturbada com alguma coisa, pois aqui não tem nada.
-Mais eu vi, eu tenho certeza do que vi.
Ele colocou a mão na minha testa dizendo-me que estava apenas delirando por cansaço, estava febril.
Fui para casa e me deitei e então tive um sonho muito curioso e atormentador.
Estava sentada na minha sala de estar quando vi uma luz invadir a sala por completo e dela saiu um homem que dissera que estava a me procurar por todos os cantos, num estralar de dedos uma foice vermelha apareceu em sua mão e um capuz escondeu sua face, seria a morte a minha procura? O homem veio em minha direção tão rápido que quase não pude acompanhar com os olhos, era assustador o modo em que ele se esgueirava pelos cantos da sala, como se quisesse me dizer algo. Então ao assoviar um belo cão apareceu ao seu lado, quando me dei conta era o que eu avia visto logo cedo. Ele pulou sobre mim mordendo meu braço. Quando vi já avia o arrancado fora e logo o clarão desapareceu e tudo que eu avia visto também, como se nada tivesse acontecido. Fiquei muito apavorada e acordei com o susto.
-Que horas são? Disse com uma voz tremula e exausta.
Quando me dei conta já aviam se passado 3 horas dez do susto. Estou ficando doida, vou acabar em um hospício deste jeito.
Fui em direção ao banheiro lavar o rosto, para ver se minha mente refrescava um pouco, mas estava muito assustada, quando ouvi alguém bater na porta.
-Quem é? Disse com uma voz tremula.
-Sou eu Ryu. Abra a porta por favor?
Quando abri a porta Shinnosuke entrou rapidamente me tomando em seus braços.
-O que aconteceu para você ficar assim de repente? Disse sem entender o que estava havendo.
-Eu... eu fugi de casa Ryu-chan.
-Mais porque fez está burrice? Não está bom como está? Porque tem que agir como uma criança sempre? Já não chega de rebeldia?
-Me desculpe. Seus olhos começavam a lacrimejar em meu ombro.
-Desculpe, acho que fui rude de mais.
Peguei sua mão que estava gelada pois andava no frio do inverno sem se proteger. Levei até o meu quarto e consegui encontrar uma blusa de meu pai. Coloquei um par de luvas em suas mãos para que não sentisse mais frio e então fiz com que sentasse na frente da lareira.
-Você sabe que meus pais não vão deixar você ficar aqui não é mesmo?
-Eu sei mas, eu fiquei sabendo que você iria morar sozinha em breve, morar mais perto da faculdade não é mesmo?
-Sim vou morar perto da faculdade, por quê? Estava pensando em morar comigo?
-Por favor, eu não quero voltar para casa, eu sei que você esta na casa dos seus pais só porque não tem ninguém para te ajudar na casa. Mas eu posso te ajudar, posso até pagar aluguel se você quiser.
-Mas como iria mudar tão de repente?
-Eu sei, você pode dizer para seus pais que viemos fazer um trabalho e assim só passaria uma noite aqui a nos mudávamos para essa casa que seus pais compraram para você.
-Mas se não quiser tudo bem, eu só queria não ter que morar com aquela família.
De ver a sua face encantadora apenas me pedindo ajuda, então concordei em mudar de casa e deixa-lo morar comigo em Morioka. Quem diria, eu saindo de Fukuoka para ir morar em Morioka. Então arrumei todos os preparativos da viajem.
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