Três Almas
22 22° Capítulo
Notas iniciais
Combinamos que iríamos esperar uma semana para avisar o povo da minha ausência ao trono. Eu iria aproveitar meu tempo para conhecer mais o povo de Drakenyard, mais do que já conheço; ontem eu visitei a Tsunad, o Promethues, o Ren e Caius, eu estava com saudades deles, e hoje de manha passei um tempo com a Cecília e o Blue.
—Para onde está indo? – disse Vânia, que estava vindo ao meu encontro.
—Eu estava pensando em chamar o Daniel e a Lisa para almoçar. – eu respondi.
—Depois que do almoço eu, o Oliver e Túlio, queremos conversar com você. – disse Vânia sorrindo, ela era uma moça muito bonita.
— Tudo bem! – eu respondi sorrindo também – Podemos Jantar juntos?
—Claro! — Ela disse e depois saiu entrou no castelo.
Fui para o restaurante que o Daniel me mandou ir, eu gostaria de ir voando, mas eu não queria chamar muita atenção, pois sempre que alguém me via na rua de Drakenyard me parava para conversar, não é que eu achasse ruim, pelo contrario amo conversar com minha família, meu povo, mas eu não poderia me atrasar dessa vez, então peguei um táxi e fui para o restaurante.
— Dani! – eu falei para o Daniel e sentei na frente dele – Ele deu muito trabalho até eu chegar, Lisa?
—Se comportou bem! – disse Lisa rindo.
—Nunca mais me chame de Dani! – disse Daniel brabo.
—Ta bom, Dani! – eu ri e Lisa também. – O que vamos comer?
—Estamos namorando. – disse Daniel e Lisa ficou com uma cara de sem graça.
—Há quanto tempo? Quando pretendiam me contar isso? – falei fingindo estar seria.
—Talvez nunca, eu tinha medo que isso pudesse te machucar. – disse Daniel também fingindo estar serio e Lisa estava com uma cara de preocupada.
—Como assim? — perguntou Lisa achando que estávamos em um clima tenso.
—Depois de tudo o que nos passamos junto, Dani! – eu disse tentando conter o riso.
—Se talvez houver algum jeito que eu possa recompensar isso. – disse Daniel.
—Só há um jeito. – eu olhei para Lisa e para o Daniel, e fiquei alternando os olhares – Eu vou ser a madrinha de casamento. – e comecei a rir e Daniel não se conteve e riu também, e Lisa ainda sem entender nada.
Explicamos para Lisa que estávamos brincando, que éramos retardados e eu desejei felicidades e tudo que se deseja a um casal e disse mais uma coisa:
—Lisa, você é uma pessoa maravilhosa, você é inteligente e bonita, eu gosto de você e te amo como uma cidadã de Drakenyard e irei te amar como parte de minha família intima. – eu peguei as mãos dela – Mas eu coloco o Daniel à cima de você, então quero que cuide dele, o apoie e o proteja, o incentive e inspire, e o ame. – eu sorri para ela – Eu sei que ele irá fazer o mesmo por você.
—Imagina o discurso que ela vai fazer quando casamos. – disse Daniel sorrindo e todo vermelho de vergonha.
—Vai ser maravilhoso! – diz lisa sorrindo – Vai ser o casamento mais lindo de Drakenyard.
Almoçamos bem e eu fui para o castelo, como a paz reinava em Drakenyard e não era época de festivais eu não tinha muito serviço a fazer, a maioria dos serviços de uma Imperadora é secreto, e iríamos esperar uma semana para isso, para nossa plano secreto!
—Mãe? – eu gritei entrando no quarto dela que estava aberto e ela estava arrumando alguns vestidos dela.
—Olá meu amorzinho. – disse Laila, eu adorava esse carinho que ela tinha comigo.
—Mãe... – eu disse meio sem jeito.
—Aconteceu algo? – ela parou o que estava fazendo e me olhou.
—Daniel está namorando.
—Com a Lisa?
—Ele te contou?
—Não, mas quem mais seria? – disse Laila sorrindo.
— Como você conheceu Helias? – perguntei animada, pois minha mãe falava sempre de coisas que eles fizeram enquanto namoravam, mas nunca falou de como se conheceram.
—Da pior maneira possível. – Laila se sentou na minha frente.
— Não pode ter sido tão ruim assim – eu ri imaginado o que poderia ser.
—Seu pai me assaltou. – Laila cruzou os braços e eu fiquei de boca aberta – Seu pai era um ninguém, era um lutador de rua, não tinha nome familiar e nem dinheiro. – eu fiquei chocada com a história. Helias? Ninguém? Nem consegui questionar minha mãe — E eu era a filha do grande Herodes. – mamãe fez uma pausa — Meu pai nem sempre foi ruim, acho que ele ficou louco depois que minha mãe morreu. – eu iria dizer algo, mas Laila não deu chance – E em um dia eu estava andando e lendo um livro, e seu pai veio e pegou meu livro e saiu correndo! E eu estava cheia de guardas me protegendo! – ela fez uma cara engraçada – Então no outro dia quando eu tinha escapado para ficar sozinha, longe dos guardas que me seguiam, ele apareceu com o livro me pedindo desculpas, e eu xinguei ele! – ela virou os olhos de forma engraçada.
—Meu pai nunca foi bom em chamar a atenção de alguém – eu disse rindo e me lembrando do dia que eu o vi pela primeira vez.
—E eu disse para Helias que aquele era um livro de minha mãe que havia falecido há dois meses e eu tinha começado a chorar e entrei em prantos. – disse mamãe – Seu pai ficou louco, não sabia o que fazer, ele me pedia desculpas e falava que não fez isso por querer. – ela olhou para o quadro que ficava em frente à cama, no quadro estava ela, eu, Daniel e Helias – Ele falou que era uma aposta, se ele roubasse algo da filha de Herodes, uma família iria ajudar ele financeiramente.
—Não entendi. – eu perguntei confusa.
—Dragão tem isso minha filha, se alguém rouba algo de alguém importante, significa que a pessoa que roubou é esperta. Então sei pai me pediu muitas desculpas e me convidou para tomar chá, ele tinha dinheiro, pois a família o acolheu, seu pai passou a trabalhar para aquela família. – ela respirou fundo – Aqueles foram nossos momentos mais tranquilos, durarão até que seu pai viu que o mundo precisava de mudanças, seu pai era brigão e sempre aparecia machucado nos nossos encontros, ele trabalhou para varias famílias e ele sempre foi muito forte, meu pai não sabia do nosso namoro. Eu sempre fugia dos guardas para ver seu pai ou inventava que iria para casa de uma amiga. Até que seu pai se juntou com duas famílias fortes, a de Dennis e Cássio, isso chamou a atenção do meu pai, então nos começamos a nos encontrar menos. Foi ai que seu pai me pediu em casamento, e casamos nos dois em uma igreja pequena!
—Que romântico! – eu disse.
—Ele me disse que iria se tornar a pessoa mais importante do reino, e eu a sua esposa e viveríamos juntos, pois éramos casados. No outro dia ele virou imperador. Eu morava com Helias, desde que nos casamos. – mamãe sorria e ficava seria enquanto contava a historia – Passou um ano e meu pai entrou em guerra de verdade com Helias, e eu engravidei. Eu amava meu pai e tentava fazer as pazes entre ele e Helias, mas Helias ficou muito bravo e sentiu traído por mim, pois eu ajudava meu pai, então quando Daniel tinha três anos eu fui embora com o Daniel para o reino de Goldty's, mas quando Daniel fez 11 anos ele quis ir morar com o Helias. E eu? Eu ficava andando de Goldty’s e Drakenyard quase todo dia para tentar achar a paz, depois da guerra dos três reis, que Findoram perdeu a força os reinos pararam de lutar, mas ainda brigavam politicamente, até você aparecer e resolver tudo e eu voltar para minha família e ganhar você como filha.
—Você sentia falta do Daniel, tenho certeza! Mas e do papai, você sentia sempre saudade dele? – eu perguntei vendo minha querida mamãe me olhar calorosamente.
—Eu sempre amei seu pai, eu sentia muitas saudades dele, foi muito difícil me separar dele. – mamãe chorou – Eu pensei varias vezes em abandonar Herodes e ir viver com Helias e Daniel, mas eu achava que seu pai iria me expulsar. – ela limpava as lagrimas — Quando Helias disse que gostaria de casar comigo de novo, eu fiquei tão feliz.
Papai entrou no quarto, ele estava quase chorando também, me deu um beijo na minha testa e deu um beijo caloroso em minha mãe rápido, pois eu estava no quarto – Eu que tinha medo de você não querer voltar para mim.
—Seu enxerido! Estava escutando nossa conversa? – disse mamãe que já tinha parado de chorar, o amor de meus pais era lindo.
—Eu só tava passando pelo corredor. – Helias riu.
—Um dia quero ter um romance assim! – eu disse rindo e limpando as lagrimas, ultimamente eu estava experimentando tantos sentimentos novos.
—Vai ter minha filha. – mamãe me puxou e me abraçou.
—Talvez depois dos 518 eu deixe você fazer amigos. – disse Helias.
—Não vou falar nada para você! – eu disse enchendo as bochechas de ar.
—Luna, eu estava lembrando, – mamãe falou – quando você lutou com seu pai pela primeira vez, no hospital você me disse que iria entregar o trono para quem você achasse digno, esse alguém é o Daniel? Você o fez rei.
—Exato, mamãe.
—Achei que você iria falar da minha morte, sabe enquanto estive morto...
—Não! Aaaahhhh! – eu e mamãe começamos a fazer barulhos de tédio para que papai parasse, pois ele sempre falava uns trens sem sentido.
—Pai! – eu disse lembrando-se de algo e me levantei, pois eu estava rolando na cama com a minha mãe. – Você e eu podemos abrir o portal, agora eu abro quando eu quiser, e você também, pois eu deixo! Agora temos que fazer o Daniel abrir o portal! Temos que consagra-ló! Sangue de Kalaram!
—Como você quiser alteza. – disse Helias
Pelo que eu sei sempre só o consagrado (o imperador que antes era o único consagrado) poderia abrir os portais, mas quando era livre a comunicação entre os dragões e humanos os portais ficavam fixos por todo reino, só fechavam quando o imperador o fizesse. Seria legal se humanos e dragões pudessem viver juntos em harmonia.
—Mas tem que ser amanhã! – eu sai da cama, pois eu tinha que me arrumar para ir jantar com os meus conselheiros – Até pai, mãe!
Ainda estava na metade da tarde, mas eu tinha que ajeitar algumas coisas antes que jantar com Túlio, Vânia e Oliver.
Fale com o autor