Três Almas
2 2° Capítulo
Notas iniciais
Acordei no quarto que Helias tinha me colocado, ele tinha me dito que estava muito tarde para conversarmos e que depois iríamos nos falar depois de dormir, e assim eu fiz.
– Humana? – uma mulher me chamou.
– Sim? – eu me levantei da cama.
– Se arrume, tome um banho e coloque estas roupas. – ela colocou as roupas na mesa, era um quarto muito grande, tinha uma cama enorme, um sofá com poltronas ao lado, tinha um guarda-roupa gigante e uma sacada linda, com cortinas e almofadas para todo lado. – Depois desça para o café matinal. – ela saiu logo em seguida.
Fiz o que ela me ordenou, mas quando sai do quarto me perdi um pouco, estava quase equipando minha armadura de visão absoluta, mas um menino apareceu do meu lado, ele era loiro, de olhos azuis, era muito bonito, parecia ter uns 12 anos.
– Você deve ser a humana que Helias trouxe realmente você é interessante, mas ele não traz humanos há bastante tempo, isso deve ter um significado.
– Meu nome é Lunally! – eu disse ajeitando o vestido cor-de-rosa que me estava usando com sapatilhas combinando, eu nunca tinha vestido nada tão bonito. Notei que Daniel falou que Helias não trazia muitos humanos aqui (o mundo dos dragões), o motivo era porque Helias proibiu o contato dos dragões com os humanos.
– Está perdida, não é?
– Sim, eu não conheço muito esse lugar. Tenho que ir para o café matinal! – falei para o menino – Qual é seu nome?
– Daniel.
– Você sabe onde fica a sala do café?
Ele saiu andando e eu o segui, acabou que chegamos à sala do café.
– Vocês se conheceram! – disse Helias – O que achou do meu filho...
– Lunally. – disse o Daniel – Esse é o nome dela.
– Sim, é claro, o que achou? — Helias continuou o assunto.
– Ele é legal, me trouxe até aqui. – me sentei, tinha só nos três na mesa, era uma mesa farta de comida, tinha muita carne, era grande a sala, mas tinha poucos moveis, a mesa e as cadeiras – Não sabia que alguém tão velho como você tinha um filho tão novo.
– De fato ele é novo, 300 anos são pouca idade, mas também ele tem certo distúrbio de crescimento quando está nessa forma.
– Basta, vamos comer. – Disse Daniel irritado. Eu nunca imaginaria que ele teria 300 anos, fiquei surpresa, todos pareciam bem jovens aqui, até o Helias que tinha mais de 1000 anos.
Depois do café, Helias me levou até a sala de antes, a que cheguei pelo portal, e disse que iria me explicar as coisas.
– Você parece ser uma garota com um grande potencial então eu vou lhe treinar! – disse Helias. – Você pode aceitar minha proposta e usar toda a sua força para lutar o meu lado, ou pode voltar para o laboratório dos Preminger’s.
– Como sabe do laboratório? – perguntei suspeitando de algo.
– Aquela família maldita existe muito tempo, muitos milênios, foram eles que roubaram as setes espadas do dragão.
– Sete espadas? – perguntei de novo.
– Sim, Sete espadas: Preta, prata, azul, vermelha, dourada, verde, lilás. Tem muito poder, cada uma tem um dom diferente.
– São as espadas sagradas da chama? – me lembrei de um dos cientistas falando sobre isso.
– Se assim vocês as chamam – ele se sentou na poltrona – elas escolhem um ser entre todos para servir, escolhe assim que ele nasce, e ficam com ele até os 18 anos sem poderem ser tomadas, se alguém tentar tomar antes do portador ter 18 elas escolhem outro que irá nascer, se ele morrer naturalmente as espadas também escolhem outro portador. Porem quando faz 18 anos, quem desafiar o portador pode ter as espadas se ganhar do portador, claro. E espada fica com ele até a morte se ninguém tomar!
– Calma! – eu disse confusa – A espada é de um portador até a morte se não for tomada, porem só pode ser tomada depois que o portador tiver 18 anos! Se acontecer algo com o portador antes dos 18 ela acha um portador novo, não vai para quem o desafiou, mas e se ele tiver 18 e morrer depois de causa natural?
– As espadas procuram um novo portador! – disse Helias contente.
– Acho que estou entendendo, então o portador é um Preminger?
– Não! Aqueles idiotas acharam que poderiam controlar a escolha da espada, mas isso é impossível, a espada é feita com o fogo dos primeiros sete conselheiros, os conselheiros do primeiro imperador. – disse Helias olhando para os retratos na parede – As espadas se tornaram tão fortes que nem seus criadores, nem mesmo o segundo imperador que matou o primeiro conseguiram controlar ela, antes eram dos Preminger's o primeiro humano escolhido, mas isso faz mais de 1500 anos.
– Quem matou quem? – eu disse meio perdida no raciocínio do Helias.
– Para virar um imperador você precisa matar o atual. – ele falou serio.
– Você já tentou controlar as espadas? Você matou o segundo imperador, então você é mais forte que ele.
– Eu não o matei. – Ele disse serio – O segundo desapareceu.
– Como assim?
– Odeio contar essa historia, ela é muito longa! Vou resumir. – Helias me convida para sentar. – Muito, mas muito tempo atrás mesmo, as 12 tribos de dragões se reuniram para ver quem tinha o dragão mais forte. Então o que ganhou foi o primeiro imperador, o Kalaram. As tribos eram inimigas, mas o kalaram era muito forte, então resolveram se juntar e seguir ele, o primeiro governou por quase 3 milênios, Até que um dragão mais forte apareceu, o segundo imperador o Dirhen. O kalaram tinha uma força absurda, mas o Dirhen tinha 10 vezes mais!
– Meu deus! – Eu disse imaginando.
– O dragão era louco! Fez uma ditadura muito pesada, torturou muita gente, matou muita gente, ele queria muito poder! Sua mulher era a escolhida das Sete espadas, então ele queria que ela passasse as espadas para ele, mas como disse não tem como controlar isso! E ele não aceitou, ele governou por uns dois milênios, os dragões tinham contato com os humanos, tinham trocas de favores, então o Dirhen achou um Preminger!
– Nossa isso vai da merda! – eu falei imaginado.
– Exato! As espadas só escolhiam dragões, mas o Dirhen “deu” a esposa dele para os Preminger’s para eles tentarem tirar as espadas dela e dar para ele! – o Helias se levantou – E sua esposa, depois de tanto sofrer com as experiências, morreu! – ele fala perplexo – E as espadas, que nunca tiveram contato com o mundo humano antes, escolheram um humano para servir!
– Um Preminger? – perguntei
– SIM! – ele gritou, apesar que ele já tinha me dito isso.
– Então, Dhiren o matou. Muito burro ele, as espadas escolheram outro portador e ele não sabia quem era. – o Helias se sentou de novo — e ele sumiu!
– O Dirhen? – disse envolvida com aquela historia.
– SIM! – o Helias gritou de novo – Então se passaram dois milênios, você deve conhecer esses milênios como “Guerras dos dragões”, todos os dragões ficaram loucos, procuravam as espadas e o segundo imperador, e o reino dos dragões foi divido em nove tribos! E os humanos e os dragões se reuniram e se destruíram, e foram uns caos!
– E de repente vocês sumiram! – eu disse
– Não! Quer dizer sim, mas foi porque eu pareci! – diz ele feliz — Eu vendo tudo aquilo, lá pelos meus 740 anos – ele é bem velho mesmo, eu pensei quando ele disse isso – decidi colocar ordem! Disse as nove tribos que se formaram para nomear um novo imperador! – ele se levantou – E lógico, eu ganhei, proibi o contato com humanos e reorganizei os dragões! Só que as tribos se dividiram em três. Sendo que a minha é a mais forte, e eu estou em guerra com as outras duas!
– E agora? O que você pretende? Como vai ganhar? E o segundo? – o enchi de perguntas.
– Calma! Por isso você está aqui! – disse ele sorrindo.
– Eu? – disse assustada
– Sim, você! – ele se aproximou de mim – Uma humana com potencial! – eu estava ficando um pouco nervosa com isso – Aqui em Drakenyard ( a terra dos dragões) eu estou com tudo, ou quase, sob meu controle, eu só preciso unificar tudo, porem preciso achar o segundo e as espadas, mas estou ocupado.
– Não! – eu me levantei – Eu não vou atrás do Dirhen, isso é pedir para morrer! Nem você conseguiu matar ele!
– Porque eu não tentei!
– Então vá você atrás dele.
– Não posso abandonar Drakenyard, se eu sair, sem duvida, as coisas irão piorar.
– Mande seu filho! – eu falei perplexa com tudo aquilo.
– Ele é fraco. – ele se sentou novamente
– Outro dragão? – tentei convencer ele.
– Não há outro dragão. – ele disse serio – Você é forte! E ficara mais depois de treinar, preciso de alguém com um potencial absurdo.
– Eu não tenho isso. – disse para ele.
– Você é a principal experiência dos Preminger’s. Você pode ser considerada o ser mais forte do mundo só por isso. — ele se levanta e chega perto de mim – Os Preminger’s não erram, eles sempre escolhem os melhores magos, não é ao acaso que os magos da família Preminge’s foram uns dos que mais mataram dragões na “guerras dos Dragões”.
– Quais são as outras famílias? – perguntei – Você pode pedir para eles, já que eles também mataram muitos dragões.
– A família Onedara e a Família Lustoffor. – disse Daniel entrando na sala – Os preminger’s são fácies de manipular, ofereça um experimento e eles fazem o que você quiser, a Onedara é muito conservadora e a Lustoffor nunca trairiam os Onedara’s, eles nunca iriam lutar ao nosso lado.
– Então e os Preminger’s? Eles lutariam no lado de vocês! – falei para o Daniel.
– Eles podem estar do lado do segundo. – disse Helias.
– Já basta, deixe-a descansar pai! – disse Daniel para Helias – Mamãe está chegando.
– Laila? Meu deus, o que ela quer? – disse Helias saindo da sala.
– Daniel! – o gritei, pois estava saindo com o pai – Eu quero aceitar essa proposta. — eu falei, pois eu não iria voltar para o laboratório.
– Foi à melhor escolha que fez na vida. – diz Daniel.
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