Coloquei um gorro na cabeça de Sherry e a dei um abraço forte, ela estava morrendo de frio.

- Vai ficar tudo bem, Sherry — acalmei ela — Nós vamos achar um lugar seguro, eu prometo.

Criei algum tipo de afeto com essa garotinha de 7 anos, achei ela escondida em uma lanchonete, chorando sem parar, de acordo com ela, seus pais morreram.

- Sabe, quando eu crescer eu quero ser igual à você — ela disse inocentemente — Na verdade ter o seu cabelo.

Dei um risada. Fui até à cozinha e dei uma barrinha de chocolate para ela, ela agradeceu e deu uma mordida enorme na barrinha, quase mordendo suas próprias mãos.

- Ai meu Deus — ela disse com a barrinha na boca — Eu não te ofereci...

- Não, está tudo bem — falei — Eu acabei de comer uma.

Ela fez uma cara de "não estou convencida, mas vou comer mesmo assim".

Nós vamos passar apenas esta noite aqui, amanhã de manhã sairemos. Os zumbis batiam na porta freneticamente, como são educados.

- Não estamos seguras aqui, Sherry — soltei a verdade — Você prefere ficar aqui essa noite?

Ela olhou para porta e depois voltou o olhar para mim.

- Eu não, Hally — ela foi sincera.

- Ok, então é melhor nós irmos logo, Sherry — falei — Eles vão derrubar a porta à qualquer minuto.

Só com a ideia, minha cabeça doeu.

É bem difícil matar esses zumbis, até porque eles ainda parecem ter um pouco de humanidade dentro deles, Sherry me contou que tinha achado que sua mãe não tinha se transformado, mas a mãe tentou atacar ela e ela percebeu.

Abri a janela do quarto do casal, apenas dois zumbis estavam batendo nela, pedi para que Sherry se virasse e cortei a cabeça dos dois com o machado.

- O que aconteceu? — ela perguntou.

- Nada — menti — Vamos.

Saí da casa pela janela e esperei Sherry sair. Ela saiu com um pulo e me abraçou.

- Bom, estamos em falta de comida — lembrei — Que eu me lembre, tem um mercado bem perto daqui.

- Eu agora odeio neve! — ela gritou.

- Pois é, é tão irritante e só atrapalha.

Ouvi os zumbis gemendo, provavelmente derrubaram a porta. Eu e Sherry trocamos olhares e saímos correndo.

Depois de não muito tempo, achamos o mercado "viva, com comida", é tão doloroso ler isso quando você está em um apocalipse.

E pra variar, estava lotado por zumbis, mas todos pareciam estar em outro mundo, me pergunto, o que eles pensam?

- Sherry, fique aqui fora — falei — Se alguém te atacar, saía correndo e dê um grito.

Percebi como isso pareceu assustador, logo me arrependi.

- Tudo bem — ela disse normalmente — Tome cuidado.

- Você também.

E adentrei o mercado, passei sorrateiramente pelo caixa, uma atendente zumbi tentou me pegar mas ela estava presa, e pareceu não perceber isso.

Continuei andando tentando não chamar atenção e entrei em na fileira de "higiene", continuei andando, higiene não me interessava muito... Fui para a parte de doces, e meu lado infantil atacou, joguei todo tipo de doce do mundo na mochila, para Sherry, é claro...

Um zumbi que estava na fileira virou a cabeça para mim, cortei a sua cabeça rapidamente, e saiu espirrou na minha cara.

- Droga... — murmurei.

E avancei para a comida enlatada, achei algumas latinhas, sopa e feijoada, quase dei um grito de alegria. Quando me virei, encontrei um cachorrinho pulando de alegria.

- Olá amiguinho... — falei me abaixando para fazer carinho.

Graças à Deus, ele agiu perfeitamente bem.

- Sherry vai te adorar — murmurei — Eu também, vem comigo.