Tryin To Find A Reason Why
32 Capítulo XXXII – Won't Know How I Feel
Notas iniciais

Capítulo XXXII – Won't Know How I Feel
Quinn adentrou em casa com Rachel logo atrás delas. Conversavam sobre a aula de química que tinha sido a ultima do dia. A morena suspirava aliviada e comentava o quanto odiava química. Já Quinn, amava química, mas não tanto quando literatura. Amava a literatura inglesa, portuguesa e russa. E Rachel odiava qualquer matéria que não envolvesse ela cantando ou dançando.
Quando fechou a porta atrás de si uma risada ecoou pela casa e Quinn sorriu, e Rachel a olhou, confusa.
– Você disse que não teria ninguém. – A morena comenta e Quinn ri balançando a cabeça e dando de ombros.
– Não era para ter, mas aparentemente, Frannie resolveu escapar dos dois últimos períodos. – Ela responde e Rachel assente e solta uma risada.
Elas andam até a sala e Quinn não consegue evitar o sorriso ao ver Frannie sentada no sofá e sendo atacada com cócegas por mãos grandes e másculas. Era seu namorado, Oliver. Quando Rachel fez menção de que ia falar algo, Quinn colocou o dedo nos lábios, pedindo-a para ficar em silêncio. Ela adorava os sorrisos de Frannie. Adorava os risos e o rosto vermelho dela enquanto ria alegremente das cócegas e implorava para que Oliver parasse.
– Ollie! Por favor! Para! – Implorou entre risadas e logo as risadas roucas de Oliver foram escutadas.
– Fran, babe, não até você aceitar o meu pedido. – Ele rebate carinhosamente e Frannie guinchou quando as cócegas ficaram mais intensas e suas risadas ficaram mais altas.
Quinn riu levemente. Amava o tom dos risos de Frannie. Era como um abraço, quente e confortável. Um abraço fraternal e amoroso. Era o único abraço que confortava Quinn nos momentos em que chorava por causa de Rachel.
Deus! Ela sentia falta de Frannie. E a deixava muito feliz vendo sua irmã rindo nos braços de Oliver.
– A culpa é sua. – Seus olhos foram em um flash para Oliver. Ele tinha os olhos verdes fixados nos seus. Quinn engoliu em seco.
– É o quê? – Ela estava confusa.
Por um segundo, ela estava sorrindo das risadas de Frannie na sala da sua casa. No outro ela estava no quarto do hospital com Oliver ao lado da cama de Frannie, e sua irmã estava lá, deitada e pálida. Seu coração apertou dolorosamente com a imagem. Oliver segurava a mão de Frannie e ele tinha o cabelo um pouco maior do que ela estava acostumada, seu rosto mantinha uma barba mal feita e sob seus olhos, tinham grandes bolsas.
– Se você estivesse acordada, ajudando Judy, nada disso teria acontecido! – Ele grita para ela e Quinn recua, sua respiração acerando.
– Do que...?
– Você não deveria ter dormido! – Esse não foi Oliver. – Ou sobrevivido!
Os olhos de Quinn se arregalaram e ela olhou para o lado, vendo a cama da sua mãe com o seu pai olhando para ela. Os olhos de Russell tinham um brilho de raiva e ódio enquanto segurava a mão da sua mãe.
– Papai...
– Isso é culpa sua! – Russel gritou e fechou os olhos, desviando o olhar e balançando a cabeça. – Você é uma decepção.
Quinn sentiu seus olhos marejarem. Como assim? O que estava acontecendo?
– Ela ainda não tinha me respondido. – Oliver sussurra e Quinn volta os olhos para ele. Tinha os olhos fixos na sua irmã e Quinn comprimiu os lábios. – Agora eu nunca vou saber o que ela iria dizer.
– Eu tenho certeza de que...
– NÃO TEM CERTEZA DE NADA! – Oliver grita e Quinn recua até encostar na parede atrás dela. Oliver tinha o rosto e os olhos vermelhos. – EU NUNCA VOU SABER SE ELA IA CASAR COMIGO! NUNCA VOU PODER CASAR COM ELA!
– Ollie... – Quinn sussurrou. Oliver nunca foi assim com ela, ele sempre brincou com ela, e sempre foi o namorado de Frannie favorito. Da família inteira. Ele era doce, carinhoso e muito bonito. Tudo o que qualquer pessoa quer para uma pessoa amada.
– SAI DAQUI! SAIA E NUNCA MAIS VOLTE! – Ele grita e Quinn não consegue mais assistir isso.
Seus olhos vão para o seu pai, que estava inclinado contra sua mãe, chorando com a cabeça enterrada no peito de Judy.
Ela não conseguia assistir isso. Não queria ser culpada. Mas Oliver tinha razão. Ela não deveria ter aceitado o remédio que sua mãe lhe deu, não deveria ter dormido. Deveria ter ficado acordada, ajudando sua mãe na estrada.
Então ela estava sentada em uma cadeira da recepção. Com Rachel na sua frente.
– Quinn... – Rachel se ajoelhou e lhe deu um sorriso fraco.– Porque está chorando?
– Ollie... ele... – Ela tentou, sentindo-se mais confortável com Rachel ali. – Ele me culpa e...
– Porque você não deveria ter sobrevivido. – Seus olhos arregalam ao ver que essa frase realmente saiu dos lábios de Rachel. E a morena ainda tinha um sorriso no rosto, mas agora era um sorriso irônico.
– O que..?
– Ah, por favor! Se você tivesse morrido também minha vida seria perfeita! Eu teria Finn somente para mim, e ele não iria ficar cheio de remorso por causa da paixãozinha que você sente por mim. – Ela revirou os olhos e Quinn sentiu as lágrimas escorrerem com mais intensidade. Rachel respirou como se estivesse cansada. – Porque você não morreu?
Algo dentro dela tinha se quebrado.
– Quinn! – Abriu os olhos e ofegou com força, sentindo o peito apertado e lhe sufocando. Uma mão acariciava seu cabelo e lábios beijavam seu ombro enquanto ela tentava recobrar o fôlego. – Foi só um pesadelo meu amor, só um pesadelo.
Rachel apertou um beijo na sua testa suada e lhe puxou para um abraço, fazendo Quinn enterrar o rosto em seu peito. Quinn fechou os olhos e respirou fundo, finalmente conseguindo puxar ar, e abraçou Rachel de volta, sentindo o coração desacelerar, mas o peito ainda estava sufocando. Como se seu coração tivesse sido partido.
Parecia tão real.
– O que foi dessa vez? – Rachel perguntou seu tom cheio de preocupação, e Quinn apertou os olhos fechados e os braços ao redor da morena. – Ajuda se falar.
– Eu não quero falar sobre isso. – Ela responde quando finalmente consegue pensa em algo. Sua voz saiu rouca e sua garganta arranhou. Pigarreou algumas vezes e se soltou de Rachel lentamente.
– Tem certeza? Você demorou pra acordar dessa vez.
Quinn abriu os olhos e olhou para baixo. Ela estava nua e tinha somente um lençol sobre seu corpo, olhando para Rachel, viu que ambas estavam na mesma situação. Aos poucos as coisas foram voltando para sua mente. Elas tinham feito amor antes de desmaiarem de exaustão. Quinn reconheceu que estava no seu quarto.
Seu sonho ainda rondando na mente quando seus olhos voltaram para Rachel e ela voltou a sentir o carinho de Rachel na sua nuca. Estava tão dormente que não percebeu o carinho das mãos dela.
Respirou fundo e fechou os olhos apertados antes de abrir e encontrar os da morena.
– Você me ama? – Ela não controlou. Não quis controlar. As palavras de Rachel ainda rondavam sua mente. Foi um pesadelo, mas ela tinha sido muito real.
Rachel arregalou os olhos e lhe encarou chocada.
– O que a faz pensar que eu não amo? Quinn, eu te amo! Muito! – Rachel fala rapidamente e Quinn fecha os olhos. Porque ela não conseguia acreditar? Porque? – Com o que você sonhou Quinn?
Rangeu os dentes.
– Eu... eu vou voltar a dormir. – Sussurrou rapidamente e deitou na cama, virando de costas para Rachel.
Sentia os olhos da morena nela, mas não conseguiu virar. Não conseguiu fazer nada.
Porque?
Sentiu o movimento de Rachel atrás dela e logo sentiu os braços dela circulando sua cintura. Isso ela não conseguia impedir. O conforto de Rachel era algo que ela precisava. Necessitava.
– Por favor, não se afaste de mim. – Rachel sussurrou contra sua omoplata e Quinn sentiu os dedos da morena acariciarem seu abdômen. – Eu te amo demais, Quinn. Não deixe que um pesadelo a faça pensar do contrário.
Quinn não respondeu, apenas fechou os olhos e sentiu uma lágrima escorrer. De tudo que ela sonhou o que mais lhe doeu foi as coisas que a Rachel do pesadelo lhe disse. Quinn sabia que não era real, afinal, ela conhecia a Rachel real. Rachel nunca iria querer que ela morresse naquele acidente. Nunca.
Então porque estava sentindo todas essas coisas?
__
– Quinn? — Seu pai lhe chamou quando entrou em casa. – Pode vir aqui?
Rapidamente as coisas que ele lhe disse em seu sonho passou por sua mente e ela não quis obedecer seu pai. Ela quis subir as escadas e se trancar no quarto. Tinha acabado de voltar do colégio. Já foi ruim o bastante evitar Rachel a maior parte do tempo, não queria ter que evitar seu pai.
Engoliu em seco e arrastou os pés até a sala.
Seus olhos cresceram ao ver quem estava sentado na frente do seu pai. Com seu cabelo curto e barba bem feita, olhos verdes brilhantes e um sorriso matador. Oliver Benson. O namorado da sua irmã. Que tinha pedido para casar com ela antes do acidente e ela disse que ia pensar. Não lhe respondendo. Oliver estava bem ali, sorrindo para ela.
O olhar de ódio e desgosto passou por sua mente. Quinn não conseguia esquecer o pesadelo. Não conseguia esquecer do olhar de desgosto do seu pai, de ódio de Oliver e o cansado de Rachel.
Quanta coincidência ele aparecer dois dias depois de ela ter sonhado com ele. Provavelmente era um lembrete que ele ainda estava vivo e que a odiava.
Porque ela continua com essas ideias na cabeça?
– Deus! Você se parece tanto com ela. – Oliver comenta passando as mãos na calça social antes de levantar para cumprimentar Quinn. – Faz tempo que não a vejo, Quinn.
Quinn só conseguiu assentir e pegou a mão de Oliver, balançando e assentindo mais uma vez, forçando um sorriso rápido antes de soltar a mão.
– Ele está de passagem. – Russel fala e Oliver sorri para ela.
– Vou ficar na cidade por alguns dias. – Oliver complementa com um sorriso charmoso. Oliver era completamente charmoso. Frannie era muito sortuda de tê-lo.
– Sim. – Quinn sussurra e assente. Ela não conseguia falar muito.
Estava no mesmo ambiente que duas pessoas do seu sonho, duas pessoas que falaram coisas terríveis para ela.
Mas foi no sonho!
Ela fazia questão de se lembrar.
– E bom, daqui a três dias fazem... sete anos. – Ele sussurra e de repente, Quinn sente o corpo mais pesado.
Sete anos desde o acidente.
– É, vamos passar por esse dia juntos?- Oliver pergunta e Russell acena e sorri carinhosamente para Quinn.
– Tudo bem, querida?
Quinn o olha e engole em seco antes de acenar.
– Preciso dormir um pouco. – Ela fala e olha para Oliver que já tinha se sentado e a olhava preocupado.
– Okay, quando você acordar nós conversamos. – Oliver oferece e Quinn pisca.
Ela esqueceu que, depois de Frannie, Oliver era o seu confidente. Quinn lhe contava tudo sobre seus sentimentos por Rachel. Ele provavelmente sabia que ela estava namorando a morena.
Rachel.
Quinn precisava tirar a ideia de que Rachel não a amava da cabeça. A morena tinha lhe dado olhares magoados quando ela desviou alguns beijos e abraços. Rachel era sua namorada, e ela lhe disse que a amava. Mesmo assim, Quinn não conseguia apagar o olhar desdém da Rachel do sonho.
Ela subiu para o quarto e tomou um banho. Um longo banho. Precisava relaxar. Precisava esquecer do sonho. Precisava parar de achar que Rachel não lhe amava.
__
Achava que conseguiria dormir. Tentou. Virou e revirou na cama. Seu celular tocou algumas vezes. Mensagem e ligação. Todas de Rachel. Ela pensou se deveria atender ou responder alguma mensagem, mas temia que a paranoia voltasse. Sim, uma paranoia. Quinn já nomeou essas coisas que tomavam conta da sua cabeça. Era uma paranoia. Rachel a amava. Ela precisava ter certeza disso, precisava marcar isso na sua cabeça e parar de pensar que a sua Rachel era a mesma que a Rachel do sonho.
Finalmente desistindo de dormir, levantou e lavou o rosto no banheiro. Depois voltou para cama e sentou apanhando o celular na mesa de cabeceira logo em seguida. Abriu a primeira mensagem:
Me diz o que aconteceu? Eu preciso ao menos saber o porquê de você estar me evitando há dois dias! Por favor! Eu te amo Quinn, te amo muito. Nunca, nunca mesmo, duvide do meu amor por você! – Rae
Engoliu em seco e fechou os olhos, respirando profundamente. Rachel a amava. Quinn não podia duvidar disso.
Resolveu abrir a segunda:
Quiiiiinnnnn! Eu preciso de você! Preciso que você me responda! – Rae
Quinn suspirou mais uma vez e pensou um pouco antes de abrir a próxima.
EU TE AMO!!! Te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo! TE AMO! – Rae
Rachel conseguiu lhe tirar uma risada com essa. Quinn não quis abrir a próxima, sabia que era a mesa coisa, mas sentiu que deveria responder, e o fez.
Eu também te amo, Rach. Sei que estou sendo uma vadia com tudo isso, mas preciso colocar a minha cabeça no lugar. O sonho que tive... pesadelo que tive me abalou e eu preciso organizar tudo. Eu te amo, eu só... preciso pensar. Sinto muito. – Q.
Está terminando comigo?- Rae
Antes que ela pudesse responder com o peito apertando mais do que tudo, seu celular tocou e ela o riu ao ver que era Rachel. Respirou fundo antes de atender.
– Não termina comigo. – Rachel sussurrou assim que Quinn encostou o celular na orelha.
Quinn sentiu o corpo tremer ao escutar tamanha dor na voz daquela que tanto amava. Deus! Ela não queria ter tido esse sonho. Ela não queria ter dormido naquela noite. Deveria ter ficado acordada, ter feito amor com Rachel mais vezes.
– Eu nunca conseguiria terminar com você, Rach. – Sua voz saiu trêmula e dolorida.
Rachel soltou um longo suspiro e soluçou antes de falar:
– Então eu tenho que terminar? Quinn! Eu não quero terminar, eu te amo, eu te quero pra sempre! Não me pede pra terminar, por favor, eu te amo.
Quinn sentiu um sorriso formar em seu rosto. Ela amava Rachel. Amava demais.
– Então não termine! – Exclamou e suspirou. – Eu só preciso de um tempo, eu vou te falar o que aconteceu no meu sonho... Mas me dê alguns dias. Até que eu processe tudo.
– Eu te amo. – Rachel diz mais uma vez, Quinn comprimiu os lábios ao perceber que ela estava chorando.
– Eu sei, Rach.
– Diz que me ama. – Rachel estava claramente insegura, e por esse motivo, Quinn continuava chamando-a pelos apelidos que lhe deu. Queria mostrar para Rachel que nunca iria deixá-la. Somente quando ela quisesse lhe deixar.
– Eu te amo. – Sussurrou intensamente. Sua voz saindo séria e firme. Porque era a verdade. A mais pura verdade.
Deus! Ela amava essa garota!
– Eu também te amo... Diz que acredita em mim.
Quinn engoliu em seco. Porque ela não conseguia dizer que acreditava? Por quê?
– Rach...
– Diz! Por favor, Quinn? Eu te amo, diz que acredita.
– E-eu... eu não posso, Rachel.
– Não me chama de Rachel num momento desse! – Rachel se altera e Quinn engole em seco mais uma vez, sentindo uma lágrima escorrer. – Eu te amo! Diz que acredita.
– E-eu... eu também te amo.
Foi o que conseguiu dizer e desligou o celular, não queria escutar Rachel chorando. Não queria escutar nada.
Se jogou para trás na cama e se abraçou com um travesseiro, enterrando o rosto nele e sentindo o cheiro de Rachel. Isso a confortou o suficiente para dormir.
E seu celular não tocou mais.
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