Tryin To Find A Reason Why
33 Capitulo XXXIII – Your Heart Knows
Notas iniciais

Capitulo XXXIII – Your Heart Knows
Rachel sabia que deveria dar um tempo para Quinn. Sabia que não deveria ficar chorando desamparada. Mas não conseguia evitar. Quinn tinha aquele tom de que não sabia o que fazer se Rachel continuasse insistindo, e ela queria ligar de novo. Queria implorar pra que Quinn lhe dissesse que acreditava nela, que acreditava no seu amor.
Mas Rachel sabia que não.
Estava desesperada. Amava Quinn com todas as forças. Toda a alma. Nunca em toda a sua vida, Rachel pensou que amaria alguém como ela amava a sua melhor amiga, e atual namorada. Ela sabia que a amava, sabia e tentava passar todo o amor que sentia através de olhares, toques e beijos. E Quinn lhe retribuía tudo isso! Lançava-lhe olhares apaixonados, que ela os retribuía. Tudo bem que Rachel demorou a conseguir descobrir o amor que sente por Quinn, mas quando percebeu isso... Rachel tentou passar para a loira o que sentia. A avalanche de paixão e amor que ela sentia.
Seu coração ficava disparado. Suas mãos suavam insistentemente. Seus lábios tremiam em um sorriso. Seu estômago se revirava com borboletas. Seus olhos criavam uma névoa ao redor de tudo que não fosse Quinn.
Isso é amor!
O que quer que tenha acontecido nos sonhos de Quinn, ela tinha que descobrir. A única certeza que tinha desse sonho era que fazia parte dele. E que também envolvia o acidente de Frannie e Judy. Todos os pesadelos de Quinn circulam através do acidente.
No dia seguinte ao da ligação, Rachel foi para a escola. Não tinha como evitar não ir. Passou a noite acordada, chorando e tentando não ligar para Quinn. Se forçando a isso. Se Quinn desligou depois da ultima ligação, que dizer que ela não quer que Rachel ligue. E é isso que ela vai fazer.
Apoiou o corpo no armário frio depois de fechá-lo e respirou fundo.
Escutava as vozes ao seu redor. Jogadores de futebol rindo e conversando com outros jogadores, Cheerios conversando com outras Cheerios. Tudo como sempre foi. Talvez pensasse que só porque ela e Quinn estavam numa situação estranha, todos estariam estranho, mas não. Estava tudo bem.
– Hey!
Arregalou os olhos, assustada com a voz que surgiu do nada, se dirigindo a ela.
– Finn! Que susto! – Ela suspira e relaxa contra o armário.
– Eu estou há uns cinco minutos na sua frente. – Finn fala quase assustado. – Tudo bem?
Rachel acena e depois balança a cabeça negando. Ela queria chorar, queria se jogar nos grandes braços de Finn e chorar copiosamente, mas não queria demonstrar fraqueza diante de tudo o que estava acontecendo. Então apenas acenou mais uma vez, soltando um suspiro longo e deixando um sorriso falso escorregar para sua face.
– Estou bem, apenas... – Rachel pensou se deveria falar para Finn, mas não se permitiu. Era algo entre ela e Quinn, elas tinham que resolver, não outras pessoas. – Está tudo bem.
Finn não pareceu acreditar, mas acenou e sorriu.
– Então, eu tava pensando, nós deveríamos fazer algo para Quinn, sabe... vai fazer sete anos desde o acidente.
Seis anos...
Seis anos desde que Frannie e Judy morreram.
Porque Quinn tinha afastado-a antes desse dia? Piscou algumas vezes e olhou para o chão, sabendo que Finn olhava para ela, preocupado.
– Eu vou pra aula... nós podemos falar sobre isso depois? – Pediu e não esperou uma resposta, saiu andando na direção da sala de Química.
Deus! Ela só queria ter que ir na sala da História para beijar Quinn pela primeira vez no dia... na verdade seria a primeira vez em três dias. E Rachel estava muito frustrada com tudo isso.
__
– Hey! – Quinn levantou os olhos e encontrou os azuis de Oliver. – Está me esperando há muito tempo?
Quinn apenas negou com a cabeça. Ela estava ali apenas a dez minutos. Oliver se senta na cadeira a sua frente e sorri de canto para ela. Olhando nos olhos de Oliver por alguns segundos, a imagem dele lhe lançando olhares de ódio passou por sua mente e seu coração acelerou. Abaixou a cabeça e balançou algumas vezes, tentando fazer essa imagem passar.
Foi só um sonho!
Um pesadelo!
– Tudo bem? – Oliver perguntou preocupado.
Quinn levantou os olhos novamente para ele e forçou um sorriso.
– Porque quis me encontrar aqui?- Questionou curiosa. Oliver tinha lhe mandado uma mensagem pedindo para lhe encontrar no Lima Bean. E ela foi, mesmo com o peito apertado e as mãos suando. Ela foi e agora estava aqui.
– Queria perguntar algumas coisas, posso? – Ele pede cuidadosamente e Quinn olha ao redor antes de assentir.
A culpa é sua.
Balançou a cabeça, quase bufando. Cerrou a mandíbula e ergueu os olhos para Oliver. As palavras do que ele disse em seu pesadelo ainda queimando na sua mente.
– Seu pai andou comentando sobre você ter pesadelos. – Oliver fala cuidadosamente e Quinn engoliu em seco. – E ele me pediu para que eu te convencesse a ir para um psicólogo.
Quinn bufou irritada. Odiava que seu pai comentava com todos sobre ela ter pesadelos. Ela não queria ser taxada de louca. Ela só estava presente no acidente, mas não lembra de quase nada por estar dormindo. Isso era tudo. Não precisava de um psicólogo pra ficar pedindo pra que ela falasse.
– Oliver...
– Eu sei o que vai dizer, Quinn. – Ele diz suspirando e Quinn ergue uma sobrancelha. – Mas eu também tive que ir para um psicólogo.
– O que...?
– Quando me mudei para o Canadá, percebi que precisava me livrar o trauma que tinha se formado na minha cabeça. – Ele começa a explicar. Sua voz em um tom tão doce que Quinn começou a esquecer um pouco das coisas que o Oliver do sonho tinha dito. – Arrumei um bom psicólogo e ele me ajudou com esse trauma.
– Eu não estou traumatizada. – Tentou, mas ela sabia que seria impossível, afinal, sim ela estava traumatizada.
– Quinn, eu não estava no acidente e fiquei traumatizado. – Oliver brinca, mas não totalmente. Seu tom era sério e divertido ao mesmo tempo. Quase que uma brincadeira sem humor. – Você não vai ser louca só por ir ao psicólogo.
Quinn o encarou pro alguns segundos. Seus olhos azuis brilhando cheios de carinho e Quinn suspirou. Ela amava Oliver como um irmão mais velho. Ele nunca iria lhe culpar pelo acidente de Frannie. Ele a amava tanto quando ela o amava. Ou talvez até mais!
Amanhã seria o aniversário de morte da sua irmã e da sua mãe. Seu corpo inteiro pedia por descanso, e seu coração implorava para que esse dia passasse logo. Quinn sabia que, com Oliver, o dia seria mais tranquilo e que eles passariam por isso juntos. Quinn, Oliver e Russell.
– Eu venho tendo uns pesadelos. – Quinn começou a falar, seu tom abaixando e Oliver se inclinou para frente, pronto para escutar. – E esses pesadelos continuam na minha cabeça. Eles não saem. Nunca saem.
– E sobre o que são?
– O dia do acidente. Ou antes. Às vezes até mesmo entre. – Ela respirou fundo e seus pedidos chegaram. Envolveu o copo com ambas as mãos e levantou os olhos para Oliver, que bebericava sua xícara de chá. – Nesses sonhos... você me diz que é minha culpa, meu pai diz que preferia que eu também estivesse morta e Rachel... Rachel diz que sua vida seria muito melhor se eu não estivesse viva.
Oliver lhe lançava um olhar entre preocupado e triste. Ele colocou a xícara de chá na mesa e apanhou o pulso de Quinn, fazendo-a soltar o copo de café e sua mão ser envolvida entre as fortes de Oliver.
– Eu nunca vou lhe culpar pelo acidente, Quinn. Você não tem ideia do quanto eu estou feliz por você ter conseguido escapar. – Ele confessa e Quinn sente o coração bater mais forte em seu peito. Ela sentia a verdade através do tom de Oliver. Sentia que ele realmente estava feliz por ela estar bem. – Esse acidente... infelizmente, tinha que acontecer. Foi algo que não podíamos controlar. E, graças a Deus, você conseguiu sobreviver!
Quinn sentiu os olhos picarem com lágrimas não derramadas. Comprimiu os lábios e fechou os olhos por alguns segundos. Sentiu o polegar de Oliver passar por sua bochecha e recolher uma lágrima que tinha escapado.
– Eu... eu não consigo acreditar que Rachel me ama desde aquele sonho. No sonho ela... ela disse que preferia que eu tivesse morrido no acidente, que... que a vida dela seria tão boa sem mim. – Confessou com a voz trêmula e abriu os olhos. – Ela fica me dizendo que me ama e que eu não posso duvidar do amor dela. Eu... eu não quero duvidar, Ollie...
E ela desatou a chorar. Sentiu olhares queimando nela, mas não ligou, ela não se importava com ninguém. Escutou o som da cadeira arrastando no chão e a presença de Oliver ficando mais próxima. Ele envolveu-a com os braços fortes e a trouxe para o seu corpo, beijando seu cabelo e acolhendo-a com amor. Quinn se apertou no peito forte de Oliver, fechando os olhos com força e deixando-se chorar.
Ela precisava chorar. Precisava desabafar com alguém. E desde que o seu subconsciente não confiava em Rachel, ela ficou feliz por ter sido com Oliver.
– A Rachel não seria Rachel sem você, Quinn. – Oliver diz baixinho contra o seu cabelo depois que Quinn se acalmou um pouco. – Ela não iria sorrir, não iria brilhar. Não seria feliz sem você. Sabe porque?
Quinn negou com a cabeça e se afastou para olhar nos olhos dele.
– Porque ela te ama. – Ele sussurra como se fosse um segredo e Quinn não consegue evitar um sorriso.
– Ela me ama, né? – Repetiu com um riso e balançou a cabeça. – Rachel me ama.
– Sim, ela te ama. – Oliver repete e sorri para Quinn. – Só falta a sua cabecinha acreditar, por que eu sei que o seu coração acredita.
– Ollie... – Quinn chamou depois de um tempo. Oliver ainda tinha um braço sobre seus ombros e Quinn estava encolhida contra ele. – Como você percebeu que Frannie estava apaixonada por você?
Oliver soltou uma risada baixa e rouca. Quinn se afastou um pouco para olhá-lo.
– Frannie nunca me disse que era apaixonada por mim. E também nunca disse que me amava. Eu apenas sabia. – Ele fala e Quinn sorri para o olhar tranquilo dele. – Ela me mostrava através de gestos simples como: Segurar minha mão; olhar nos meus olhos; me beijar. Era simples, e era tudo o que eu pedia.
– Mas... como?
– Sabe Quinn, as vezes, eu até me questionava, mas eu sabia. – Ele solta um longo suspiro e sorri. – Minha mente tinha algumas perguntas, mas meu coração sempre soube. E ele ainda sabe. Pode ter certeza, seu coração sempre vai saber mais sobre as pessoas do que você mesmo. Ele não tem olhos, não tem ouvidos, mas ele sente.
Quinn solta uma risada leve e abraça o seu cunhado, porque Oliver sempre seria o seu cunhado.
Rachel a amava. Isso era verdade. Seu coração sabia disso. E não era como Frannie e Oliver. Rachel lhe confessava seu amor, e também demonstrava através de olhares, sorrisos e gestos.
E era o que ela precisava.
__
Dois dias tinham se passado e finalmente chegou o dia em que faziam sete anos desde a morte de Frannie e Judy. Rachel estava com medo de ir para o colégio e ver Quinn com aquele olhar de cachorrinho machucado e não poder consolá-la e dizer que ela estava ali para o que ela precisasse.
Chegou ao McKinley e abriu a porta do armário com um suspiro. Guardou o livro de literatura e apanhou o de álgebra. O dia estava completamente ensolarado para outono. Era como se fosse um dia feliz, mas não era para Rachel. Ela não estava feliz com nada que estava acontecendo na sua vida.
Quinn se afastando. Sr. Schuester dando seu solo para Kurt. Jesse mandando mensagens dizendo que quer falar com ela. Shelby ligando para sua casa e seus pais alterados com as ligações.
Se recostou no armário depois de fechá-lo e se afastou indo para a biblioteca. Ficaria lá até a hora de ir para a sala. Normalmente Rachel iria para o auditório ou para a sala do coral, mas não sentia vontade de ficar perto de instrumentos musicais ou de qualquer coisa que lhe lembrasse de música. Então sentou-se em uma poltrona da biblioteca e apanhou se livro de álgebra, faria alguns exercícios que deixou para fazer antes da aula começar.
Quando já estava na sexta questão, alguém sentou na poltrona ao seu lado. Demorou alguns minutos antes de Rachel levantar os olhos e se assustar ao ver que Santana Lopez estava ao seu lado com uma expressão tediosa.
– Quanto tempo até você me notar aqui? – Santana reclamou e Rachel não soube como responder isso. – Enfim, eu queria falar com você sobre a Q.
O coração de Rachel acelerou.
Ela tinha implorado no dia anterior, para que Santana mantivesse um olho sobre Quinn e lhe avisasse se algo acontecesse com a loira. Demorou muito para que Santana concordasse com isso.
– Aconteceu alguma coisa?
– O quê? Não! Ela está bem. – Santana balançou a mão em desdém. – O que eu quero falar, é sobre o dia de hoje.
Rachel respirou fundo. Santana sabia que hoje era o aniversário de sete anos da morte de Frannie e Judy, na verdade, a cidade inteira de Lima deveria saber que dia é hoje. Judy era uma mulher importante em Lima. Ela ajudava os menos favorecidos nas datas comemorativas e também dava palestras sobre altruísmo no Centro Cultural de Lima. Então quando ela se foi, muita gente sentiu sua perda.
– Sim, eu ainda não a vi hoje. – Comentou sombria e viu Santana soltar um longo suspiro.
– Você não a viu porque ela não está aqui.
Rachel levantou os olhos para ela e franziu o rosto. Quinn tinha faltado aula?
– Como você sabe disso?
– Porque ela me mandou uma mensagem dizendo que não viria. – A latina responde e se recosta na poltrona. – Disse que passaria o dia com o pai e com um tal de Oliver.
Algo acendeu dentro de Rachel. Não conseguia lembrar muito bem, mas o rosto de Oliver ainda aparecia na sua mente. Lembrava-se da barba mal feita, dos olhos azuis e do cabelo curto. Lembrava também que tinha uma queda por ele quando o conheceu na casa de Quinn. Ele era o namorado de Frannie.
– Oliver está na cidade? – Murmurou baixinho.
– Não faço a mínima ideia de quem seja. – Santana responde. Rachel não sabia que a latina estava escutando.
– Era o namorado de Frannie.
– Tanto faz, não me interessa.
– Você que perguntou...
– Sim! Tanto faz. O que eu quero falar é: Porque não fala com ela? Afinal, já se passaram dois dias.
Rachel a olhou por alguns segundos, então respirou fundo antes de abaixar os olhos para o livro de álgebra.
– Quinn me pediu um tempo, eu já te disse isso.
– Sim, você disse Berry. Mas não explicou o porquê.
Então ergueu os olhos para a latina. Ela não tinha contado para Santana sobre os sonhos que Quinn andava tendo. Na verdade, ela não comentava isso com ninguém, afinal, era algo de Quinn, não dela.
– Ela só precisa de um tempo. As coisas estão difíceis pra Quinn, e ela precisa passar um tempo com a família. Com pessoas que lhe lembrem de Frannie e Judy.
– E quando é que você não lembra? – Santana debocha e Rachel encara o livro de álgebra por alguns segundos.
– Talvez ela só não precise de mim agora. – Rachel pensou que talvez estivesse mentido, e queria muito estar mentido, afinal, ela sempre precisou de Quinn, e sempre vai precisar. Não queria que a loira fosse diferente.
Ela só precisava dar esse tempo.
Antes que Santana pudesse falar mais alguma coisa, o sinal soou pelos corredores e Rachel levantou da poltrona. Santana não disse mais coisa alguma, simplesmente bufou e foi embora.Enquanto Rachel caminhava na direção da sua aula, pensou se deveria mandar alguma mensagem para Quinn, ou ligar para ela. Perguntar se está bem... odiava a ideia de Quinn faltando aula, sempre a fazia pensar que algo muito de errado estava acontecendo.
Sentou-se ao lado de Tina assim que entrou na sala e sorriu para a garota antes de apanhar o celular na bolsa.
Está tudo bem? Precisa de mim para algo? Quer que eu vá para a sua casa depois da aula? Eu estou aqui por você, Quinn. Eu te amo, lembre-se disso. Eu te amo muito! – Rae.
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