Tryin To Find A Reason Why
35 Capítulo XXXV – My Cold Coffee
Notas iniciais

Capítulo XXXV – My Cold Coffee
Quinn cruzou as pernas quando sentou na cadeira e olhou para cima com um sorriso. Claire se aproximava toda agasalhada com as mãos ocupadas segurando copos de café. Sentou na frente da loira e entregou um dos copos para ela.
— Obrigada. – Quinn agradeceu e tomou um gole. Suspirando feliz quando o café aqueceu o interior do seu corpo.
— Não há de quê. – Claire fala e treme dentro dos agasalhos. – Essa cidade é um inferno de fria. – Reclamou e tomou um gole do próprio café.
— Achei que já soubesse disso.
— Não exatamente. Eu nasci no interior da Califórnia e morei lá até os 13 anos quando meus pais divorciaram e eu fui morar com a minha mãe. Mas você sabe, minha mãe perdeu o emprego e vivemos apenas da pensão que meu pai paga.
— Sim. É péssimo. Mas você conseguiu o emprego que disse que estava querendo? – Questionou tomando mais um gole do café.
— Sim! Era disso que eu queria fala. Bom, disso também é claro. – Claire pareceu mais animada. – Consegui um emprego num restaurante e não é de garçonete e sim pra cantar! Por isso que vou sair do VA.
Quinn acenou lentamente com o copo de café contra o nariz. Então franziu o cenho.
— VA?
Claire revirou os olhos e bufou uma risada.
— Vocal Adrenaline. Eu não tenho paciência pra ficar falando o nome todo.
Quinn balançou a cabeça e tomou um gole do seu café.
— E como a Shelby ficou com isso? – Perguntou quando lembrou que ela ainda era a treinadora do Vocal Adrenaline.
— Ela entendeu. – Deu de ombros e tremeu mais uma vez dentro dos agasalhos. – Disse que entedia que era o que eu precisava fazer. E, você sabe, o salário era melhor do que o que eu ganhava lá no VA.
— Você deveria ir para o McKinley. – Sugeriu a loira e Claire a olhou por um tempo, parecendo pensar enquanto tomava um gole do próprio café.
— É uma boa ideia. Talvez minha mãe queira me transferir, vou até ver se ela consegue um emprego como professora. – Claire fala começando a se empolgar com a ideia de ir para o McKinley.
Quinn acenou lentamente, tomando mais um gole e fechando os olhos com um suspiro. Alguém abriu a porta do Lima Bean e um vento muito frio entrou fazendo todos estremecerem.
— Eu odeio essa época do ano. – Claire reclama e se encolhe na cadeira. – Quero jogar esse café em cima de mim só por estar quente.
— É inverno, daqui a pouco estamos em dezembro, então é melhor se acostumar. – Quinn provoca e Claire revira os olhos.
— Quero voltar para o verão. – Resmungou irritada.
Soltando uma risada, Quinn balançou a cabeça e se inclinou para frente.
— Eu adoro o inverno. Lembro de como minha mãe fazia comigo quando eu tinha cinco anos.
— Você lembra de quando tinha cinco anos? Putz! Eu não lembro nem o que eu comi no café da manhã de ontem. – Zomba a morena e Quinn riu mordendo o lábio.
Desviou o olhar quando se sentiu nostálgica.
— São fotos. Meu pai sempre me mostra as fotos de quando eu era mais nova. Então ele me conta as histórias. – Deu de ombros e lambeu os lábios tomando mais um gole do café. Um sorriso suave e carinhoso surgiu em seus lábios. – Ela sempre me embrulhava em vários agasalhos. Meu pai fiz que ele tinha que me rolar pelos cômodos porque eu não conseguir andar.
Claire lhe lançou um sorriso carinhoso. Quinn sorriu de volta e se encostou na cadeira. Lembrava do sorriso do seu pai quando ele lhe contava essas histórias. Era nostálgico e carinhoso. Seu pai a amava muito e nunca a abandonou. Principalmente depois da morte da sua mãe e da sua irmã. E isso fez ela ter certeza de que ele nunca a abandonaria.
— Eu to imaginando uma mini Quinn rolando pelos cômodos daquela casa gigante. – Claire zombou e jogou a cabeça para trás em uma gargalhada alta.
Quinn revirou os olhos e tomou um longo gole do café.
— Meu pai dizia que era a mesma coisa com a minha irmã. Minha mãe não gostava de acender a lareira ou comprar aquecedores para as salas. Então ela só comprava para os quartos. E para que nós não morrêssemos de frio, ela nos embrulhava o dia inteiro em agasalhos gigantes.
— Ainda assim, é muito fofo imaginar você rolando. Quinn bola de neve. – Claire morde o lábio com um sorriso brincalhão.
— Muito engraçado. – Revirou os olhos. – Não sei porque estou te falando essas coisas.
— Porque eu sou uma amiga foda.
— Tanto faz.
— Você sempre conta suas memórias de quando sua mãe estava viva, mas nunca fala sobre como você se sentiu depois que ela e sua irmã morreram. – Claire observou cautelosa. Tinha medo que Quinn reagisse mal à indagação.
— Quando elas se foram eu as procurei. – Quinn confessa com a voz firme e um olhar perdido para algo atrás de Claire. – Eu as procurava em lojas, restaurantes. Escutava vozes de mulheres e meu coração acelerava, mas eu sabia que não era Frannie ou minha mãe. Um certo tempo eu desisti... desisti de tentar. Sabia que não conseguiria. Que nunca mais as veria.
Claire lhe olhava com um brilho triste. Quinn sorriu triste suspirou ao ver que o café tinha acabado. Recostou na cadeira e tentou não pensar em quando tinha doze anos e que tinha que chorar para conseguir dormir. Mas logo depois de chorar vinha os pesadelos. E eles lhe assombravam até hoje.
— Me perdoa por perguntar. – Claire pediu e Quinn soltou um riso leve.
— Não se preocupa. Posse não ter superado inteiramente, mas estou no processo. Só foi... uma época difícil.
— Ainda assim. – Claire balançou a cabeça. – Foi indelicado.
Quinn soltou o riso mais uma vez e inclinou-se para frente.
— E desde quando Claire Young liga por ter sido indelicada. – Zombou e viu a tensão sair da morena. – Agora me responda: falou com Emily?
Claire corou e terminou de tomar o seu café antes de suspirar profundamente.
— Liguei. E ela atendeu. – Falou pausadamente com um olhar tímido para a mesa. – Mas eu não consegui falar.
— Você ta brincando comigo?
— Não. – Claire abaixou o rosto e pigarreou antes de levantá-lo. – Eu liguei pro número que você me deu e ela atendeu. Não sabia quem era e ficou perguntando. Foi bom escutar a voz dela.
Claire explicava bem tímida. Seu olhar nunca encontrando o de Quinn. A loira deu um sorriso contido e passou uma mão pelo cabelo loiro.
— Eu falei pra ela sobre você. Então eu acho que ela sabe quem era. – Provocou e Claire arregalou os olhos.
— Foi por isso que ela pediu para não ligar? – Choramingou a morena.
— Ela pediu isso?
— Não exatamente. – Novamente ela desviou o olhar. – Ela ficou perguntando quem era e resmungou alguma coisa sobre trote antes de desligar.
Quinn revirou os olhos e aqueceu as mãos antes de sorrir para a morena.
— Bom, você vai ligar pra ela mais uma vez. – A loira avisou vendo a morena arregalar os olhos e morder o lábio. – Se você gosta dela, Claire, pode colocar fé nisso.
— E se ela não quiser? E se ela achar que acabou tudo naquele dia na minha casa?
— Confie em mim. – Sorriu discretamente e Claire pareceu mais nervosa. – Além disso, pare de pensar nos ‘e se’. Não pense no que poderia ter acontecido, apenas pense no que fazer pra acontecer.
Mudaram de assunto e continuaram conversando até que Claire se levantou para ir ao banheiro. Quinn foi até o balcão para pegar mais quatro cafés para viagem. Aguardava o pedido quando alguém se aproximou e se encostou no balcão ao seu lado. Não se importou até que essa pessoa começou a falar.
— Quinn Fabray.
Era Jesse St. James.
— St. James.
— Não sei se acho que é conveniente você estar aqui com a sua ex-namorada. — Jesse fala em um tom provocante e Quinn fecha os olhos por alguns segundos antes de virar para ele. – Rachel não sabe disso, não é?
— Não é da sua conta. – Rebateu com a mandíbula cerrada e Jesse deu um sorriso satisfeito.
— Talvez eu estava certo em dizer para ela que você iria trair sua confiança. – Ele provoca e Quinn range os dentes.
— Você não sabe nada sobre mim. – Rosnou e viu Jesse sorrir mais ainda.
— Tem certeza disso?
Quinn ficou tensa e seus olhos queimavam em Jesse.
— Do que está falando?
Jesse lhe lançou um sorriso misterioso antes de virar completamente para ela. Quinn se sentiu enjoada com o olhar do garoto.
— Rachel me disse que estava tendo pesadelos. – Quinn arregalou os olhos, seu corpo inteiro ficando tenso. – E disse também que você estava se afastando dela por causa desses pesadelos.
Arfando ligeiramente, Quinn comprimiu os lábios e desviou o olhar. Ela ainda sentia uma culpa imensa por ter feito aquilo com a Rachel, mesmo a morena dizendo que entendia tudo e que estava bem com isso.
— Não é da sua conta. – Repetiu e escutou a risada maldosa de Jesse.
— Não era. – Ele fez questão de enfatizar o ‘era’ e Quinn lambeu os lábios enquanto esperava ele terminar. – Você está destruindo a vida dela.
— Eu estou na vida dela desde sempre. – Rebateu irritada. Seu corpo fervendo de raiva. – Você não pode entrar na vida dela do nada e ainda exigir que eu saia.
— Ela tem muito talento, Fabray. E naquele clubizinho ela não vai ter o que ela precisa. – Ele debocha e Quinn comprime os lábios, apertando as mãos em punhos apertados. – Sabe, uma vez ela me disse que queria ir para o Vocal Adrenaline.
— Cala a boca, Jesse. – A voz de Claire se fez presente e Quinn a olhou com o canto do olho. A morena estava com os braços cruzados ao seu lado. – Você não cansa de inventar essas coisas? Shelby já disse pra você parar de falar assim da Rachel.
— Shelby não manda em mim. – Jesse fala em defesa e se volta para Quinn. – Você tirou a virgindade dela, não é? Tsc. Uma pena. Eu queria ter tirado isso a tanto tempo.
E Quinn quase voou no garoto, mas Claire segurou seus braços e a puxou para trás.
— É melhor você sair daqui, St. James. – Claire rosna e Jesse solta uma risada alta antes de pegar o café e sair do Lima Bean. Não antes de lançar um olhar para a loira.
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Rachel estava deitada na cama. Seu iPod firmemente preso nas mãos enquanto o dedo passava na tela, empurrando a lista de música para cima. Cantarolava baixinho junto com a música que soava através dos fones.
Então sua porta abriu suavemente e Quinn entrou por ela. Tinha o cabelo desarrumado e um olhar perdido enquanto segurava uma bandeja com um café. Rachel sentou na cama e tirou os fones, enrolando no iPod e colocando na mesa de cabeceira.
— Quinn?
— Hey. – Foi sua resposta. Rachel observou como a loira sentou-se na sua frente, ainda sem olhar diretamente para ela. – Trouxe pra você. – E entregou o café. – Também trouxe para seus pais, já estão com eles. Trouxe um pra mim também, mas meu pai me pegou antes que eu conseguisse vir.
— Foi no Lima Bean? – Perguntou pegando o café e tomando um gole, suspirando feliz com o gosto amargo.
— Sim, e encontrei o Jesse lá.
Rachel voltou os olhos para a loira.
— Você foi encontrar o Jesse no Lima Bean? – Indagou vendo Quinn arregalar os olhos e balançar a cabeça rapidamente.
— Não! Não. Fui encontrar Claire. – Ela se corrige e finalmente olha nos olhos de Rachel.
A morena não gostou muito da sensação estranha que sentiu, mas ignorou. Ela ainda tinha certos ciúmes com a relação de Quinn com Claire, mesmo sabendo que era somente uma amizade.
— Ah. Sim. – Acenou tomando mais um gole do café e pigarreando, esperando Quinn continuar o assunto, mas a loira parecia distraída com as próprias mãos. – Então? Encontrou Jesse lá?
— Sim! Sim. – Quinn acena rapidamente e se arruma sentada na cama, passando uma mão na outra e coçando a nuca. Era um sinal claro de nervosismo. Rachel colocou o café na mesa de cabeceira e se aproximou de Quinn, apanhando suas mãos e fazendo a loira olhar em seus olhos.
— O que aconteceu? Você está tão nervosa, meu amor. – Rachel espreme as mãos da loira entre as suas e a vê suspirar nervosamente.
— Jesse disse umas coisas que... que não me fizeram nada, nada mesmo, nada bem.
Quinn ainda falava rápido naquele tom trêmulo que deixava Rachel assustada. Tentou lembrar de alguma coisa que Jesse poderia usar contra ela.
— O que ele disse, Quinn? – Questionou firme, ainda tentando lembrar. O olhar da fixou no seu e Rachel franziu as sobrancelhas.
— Alguma vez, você comentou pra ele sobre meus pesadelos?
Os pesadelos.
Fechou os olhos por alguns segundos e os abriu, vendo que Quinn ainda estava olhando pra qualquer lugar menos pra ela.
Sim, Rachel tinha feito a pior coisa que ela poderia ter feito. Ela falou com Jesse sobre os pesadelos que Quinn andava tendo.
— Quinn...
— Eu entendo que tenha feito isso, entendo perfeitamente. – Quinn fala rapidamente e Rachel arregala os olhos.
— Entende? – Rachel fez uma careta e Quinn acenou. Estava deixando a morena nervosa por não olhá-la nos olhos.
— Sim. Eu te magoei, Rach. Não deveria ter feito isso. Não deveria ter feito você sofrer por causa do meu subconsciente. Foi... foi terrível, eu sei. Me perdoa? – Finalmente os olhos verdes temerosos encontraram os assustados castanhos.
— Quinn... — Suspirou e olhou profundamente nos olhos verdes da loira. – Sim, eu fiquei magoada, mas... eu entendo. Você tem seus medos, exatamente como eu tenho os meus. E você diz que nunca irá perdoar meus medos porque não tem necessidade. Então eu não tenho motivos para perdoar os seus, são seus medos, meu amor. Eu só me preocupo se você vai ficar bem. É isso que me interessa.
Quinn continuou olhando-a. Engolindo várias vezes e lambendo os lábios antes de desviar e levar uma mão até o cabelo, passando os dedos várias vezes antes de voltar para a morena.
— Antes que eu te beije, eu quero terminar de falar sobre o encontro com o Jesse. – Ela avisa e Rachel solta uma risada divertida, se inclinando para envolver o rosto da loira com as mãos.
— Ande logo, porque eu quero muito te beijar. – Pediu e foi a vez de Quinn soltar uma risada leve.
Já estando menos nervosa, a loira começou a falar. Contou sobre tudo que tinha acontecido no momento em que encontrou Jesse. Ela falava de tudo cuidadosamente, lembrando de cada detalhe e Rachel a observava sem atrapalhar. Várias coisas passando por sua mente. Principalmente a vontade de estrangular Jesse.
Até que Quinn voltou para a parte dos pesadelos e Rachel se aproximou, passando as mãos para a nuca da loira, trazendo-a para mais perto.
— Eu falei sim sobre os pesadelos com Jesse. – Respondeu a pergunta que Quinn tinha feito a um tempo. Suspirou e fechou os olhos, comprimindo os lábios antes de voltar a falar. – Foi quando ainda estávamos namorando. Eu estava preocupada e comentei sem querer, mas me arrependi logo. Então nunca comentei sobre isso. – Esclareceu e respirou fundo. – E quanto a ele saber sobre o fato de você estar me evitando, foi um acidente. Ele me mandou mensagens, pedindo para me encontrar. Isso me irritou muito, então eu soltei algumas coisas a mais do que queria.
Quinn acenou lentamente e se inclinou para frente, colando a testa na da morena.
— Eu te amo. – Sussurrou carinhosamente e levou as mãos até o quadril da morena. – Eu nunca, nunca na minha vida inteira, vou trair você.
Rachel sorriu suavemente e acariciou a nuca da loira.
— Eu te amo tanto que é impossível desejar outra pessoa. – Sussurrou de volta e seu coração martelou contra o peito. Ela amava tanto Quinn que era impossível olhar para outras pessoas.
Quinn se inclinou e colou os lábios nos da morena, escutando um gemido que e nenhuma das duas sabia de onde veio. Mas logo elas estavam deitadas na cama, rolando e gemendo na boca uma da outra enquanto seus corpos se espremiam. Suas roupas estavam perdidas em algum lugar do quarto. O som de gemidos era a única coisa que se escutava naquele quarto.
E o café em cima da mesa esfriou, mas elas não.
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